Ações simbólicas na Ceia: a partilha do pão e vinho; o lava-pés

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Ações simbólicas na Ceia: a partilha do pão e do vinho; o lava-pés (Art. 22, 2.3., p. 146-155)

Livro Teoria da História: http://tribodossantos.com.br/pdf/Teoria%20da%20Hist%C3%B3ria%20-%20introdu%C3%A7%C3%A3o.pdf

O tipo “vida” de intelectual apresenta gestos e/ou movimentos que expressam, por si só, significados, os quais vão acompanhados de discursos esclarecedores concernentes. Esses gestos e/ou movimentos correspondem às conhecidas “ações simbólicas” próprias dos grandes profetas individuais, e aplicadas, também, pelo Profeta Maior, Jesus.[1] A Ceia é um exemplo disso. Ela nos ajuda a entender os significados da partilha do pão e do vinho, e, do sacerdócio segundo a ordem de Melquisedec (Cf. Gn 14-18; Sl 109, 1-4). Na ceia, o Mestre partilhara o pão e o vinho, e os dera a cada indivíduo discípulo seu, para que este assimilasse, simultaneamente, uma porção de pão e outra de vinho, que lhe coubessem. Nesta encenação, cada discípulo protagonizou um papel, diante do Mestre. Deste modo, o Mestre representou e propôs, a cada um (indivíduo) dos seus discípulos, o pacto da Unidade (ou não-separação, ou ainda, o antidualismo) relativa àquelas noções representadas na figura do pão e na do vinho, e nas respectivas figuras do “corpo” (do Jesus Histórico) e do “sangue” (do Jesus histórico) (Cf. Mt 26, 26-29).

O “pão” simboliza, na doutrina ou Novo Testamento ensinado pelo Mestre, as instruções pertinentes ao aspecto prático (ações sociais ou campo objetivo do indivíduo). O “vinho” simboliza, na doutrina de Jesus, as instruções pertinentes ao aspecto teórico (cognitivo), e aos demais fatores (valores, volição e propósitos) pertinentes ao campo subjetivo da conduta individual.

O Mestre comparou o significado contido no símbolo “pão” com o significado contido no símbolo “corpo” (do próprio Jesus histórico). Ele comparou, também, o significado contido no símbolo “vinho” com o significado contido no símbolo “sangue” (do próprio Jesus histórico).

O “corpo” (do Jesus histórico) representa o modo singular, como Jesus praticou as instruções contidas em sua doutrina, relativas às ações sociais, isto é, ao campo objetivo da conduta individual: combater e desmascarar, de modo ardoroso e sistemático, todo tipo de ideólogos, visando libertar os indivíduos do jugo em que estes são mantidos pelos sacerdotes, teólogos, filósofos, cientificistas, feiticistas, etc.; assistir (motivado por amor) o próximo em suas carências físicas e, sobretudo, cultural; tudo isto implica em lutar pelo modelo de formação social fraterna, justa, horizontal e igualitária, tendo como estratégia fundamental de luta o pacifismo ativo e radical, isto é, o meio indispensável de combate a todo tipo de dualismo, sobremodo aqueles que induzem conflitos físicos, entre indivíduos e entre grupos sociais, etc.

O “sangue” (do próprio Jesus Histórico) representa o modo sui generis, como Jesus manifestava (práticas subjetivas) as instruções contidas em sua doutrina, no seu campo subjetivo da conduta individual. Ou seja, estimular e manter intenso amor ao Criador e seu Espírito Pai, e ao próximo como a si mesmo, e assim administrar, consciente e diligentemente, os diversos fatores do campo subjetivo da conduta individual. Deste modo, o indivíduo controla, também, as próprias ações sociais, pois o campo subjetivo motiva o campo objetivo. Ele passa a ser sujeito de seu conjunto complexo de conduta. O Mestre ensina ao indivíduo entrar, mentalmente, em contato com o Pai, mas somente de modo  individual e reservadamente, seja num recinto isolado de sua residência (Cf. Mt 6, 5-6), seja em área externa, conforme ele praticava (Cf. Mt 26, 36-44).

É oportuno observar que o Mestre considera que o indivíduo é o único “local” (ponto de referência) onde o Espírito de Deus (Consciência Coletiva Masculina do Criador, ou simplesmente Pai) reside e quer se manifestar. Isto foi esclarecido pelo Mestre, logo após ele haver expulsado ou cambistas e comerciantes que os sacerdotes mantinham no templo, indignado com toda podridão que considerava consistir tanto o templo como os sacerdotes pseudo mosaicos (Cf. Jo 2, 18-21):

Perguntaram-lhe os judeus: ‘que sinal nos apresentas tu, para proceder deste modo?’ Respondeu-lhes Jesus: ‘Destruí vós este templo (o grifo é nosso), e eu o reerguerei em três dias’. Os judeus replicaram: ‘Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!’ Mas ele falava do templo do seu corpo (o grifo é nosso)”.

O Mestre reiterou sua concepção de que o Espírito do Deus Pai deseja ser adorado, somente, no indivíduo, ou melhor, no “espírito” (no campo subjetivo da conduta individual) do indivíduo, e, na “verdade” (manifestação real existente do conjunto complexo de conduta positivamente integrado deste indivíduo). Esta reiteração ocorreu quando o Filho do Homem dialogava com a samaritana (Jo 4, 19-26):

Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!…’ Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar’. Jesus respondeu: ‘mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade’. Respondeu-lhe a mulher: ‘Sei que deve vir o Messias; quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas’. Disse-lhe Jesus: ‘Sou eu, quem fala contigo”.

Jesus considera uma aberração e desaprova conceber o templo-edifício como lugar de oração, ou seja, lugar próprio para o indivíduo entrar em contato e comunhão com Deus. Porque essa concepção se trata da estratégia ideológica elaborada e aplicada por ideólogos, que consiste no modo “local” ou “espacial” de alienação, que tais ideólogos inculcam no indivíduo, e que estes tendem a praticá-la. Essa aberração maligna visa neutralizar a possibilidade do indivíduo entrar, efetivamente, em contato isolado e em comunhão com o Espírito de Deus, à medida que leva o indivíduo, para dentro do templo-edifício, local geralmente conturbado por cultos ou cerimônias estéreis que lá ocorrem, e sob o controle e submissão aos sacerdotes-serpente. Os quais criam e se aproveitam dessas ocasiões, para subtrair valores do indivíduo. Enfim, o Mestre concebe como um “covil de ladrões” (Cf. Mt 21, 13), todo templo-edifício relacionado a qualquer tipo de sacerdote-serpente . É nesse sentido que o Mestre ficou indignado, quando alguns dos seus discípulos se dirigiram a ele, e exaltaram a estrutura do templo-edifício de Jerusalém. Desse modo, tais discípulos aspiravam e quiseram persuadir o Mestre a se transformar em construtor de templos, nos quais tais discípulos pretendiam se transformar em sacerdotes. Neste sentido, vejamos :

Jesus saiu do templo, e como se afastava, os discípulos alcançaram-no para fazê-lo notar as construções do templo…” (Mt 24, 1). Então, Jesus indignou-se e desabafou: “Vedes tudo isto? Em verdade vos digo: não ficará aqui pedra sobre pedra: tudo será destruído(Mt 24, 2-b).

Era grande a aversão que Jesus nutria contra o templo-edifício, pois o considerava um meio local ou espacial dos ideólogos-serpente alienarem e explorarem os indivíduos, Ou seja, considerava-o um covil de ladrões, isto é, de sacerdotes-serpente, escribas e fariseus, e toda podridão ligada a eles. O Mestre demonstrou isto, diante de seus discípulos, do público em geral e dos ideólogos, ao invadir o átrio do templo de Jerusalém, derrubar as “casas” (barracas) voltadas para todo tipo de negociatas monetárias e financeiras, e impedir, no interior do templo, a circulação de mercadores com suas mercadorias (Cf. Mt 11, 15-17).

Voltemos a tratar da relação do “pão” com o “corpo de Jesus”, e, do “vinho” com o “sangue de Jesus”. O Mestre alertou que o “pão” (práticas atinentes ao campo objetivo da conduta individual) deve ser “mastigado” e “comido” (assimilado e manifestado), do modo como ele próprio manifestou, isto é, em Unidade ou integração positiva com o “vinho” (as instruções práticas atinentes ao campo subjetivo da conduta individual). Neste sentido é que o Mestre diz que o “pão” (as práticas objetivas da conduta individual instruídas pela doutrina pertinente) é o “seu corpo” (modo ímpar como Jesus praticou, as instruções contidas na sua doutrina, relativas ao campo objetivo da conduta individual). Assim, o “seu corpo” (ou o “pão”) é “comida”, verdadeiramente, e deve ser “comido” (assimilado, imitado e praticado) pelos indivíduos, para que estes possam se libertar ou se salvar dos ideólogos (sacerdotes, filósofos, etc.) e das ideologias destes. Desse modo, o indivíduo pode adentrar na práxis verdadeiramente revolucionária, posto que pacifista, ou seja, adentrar no “reino dos céus”.

O Mestre admoestou, ainda, que o “vinho” (instruções contidas na sua doutrina, as quais são pertinentes às práticas concernentes ao campo subjetivo da conduta individual) é como o “seu sangue”, isto é, o modo singular como ele vivenciou essas instruções.  Assim, o seu “sangue” (ou o “vinho”) é, efetivamente, “bebida” (objeto de assimilação) e deve ser “bebido” (assimilado e praticado). Assim também, o Mestre derramou” (propagou) o “seu sangue, para a conversão dos indivíduos, e para a libertação destes da submissão ideológica, na qual os ideólogos agem, sempre, no sentido de mantê-los.

O pacto da Unidade implica, simultaneamente, em três outros pactos: pacto de sangue ou de morte; pacto de vida; e pacto da Nova Aliança. Vejamos a narração referente a Ceia Pascal, em que Jesus e seus apóstolos celebraram o pacto do pão e do vinho (Cf. Mt 26,26-35):

Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo-o abençoado, partiu-o e, distribuindo-o aos discípulos, disse: ‘Tomai e Comei, isto é o meu corpo.’ Depois, tomou um Cálice e, dando graças, deu-o a eles dizendo: ‘Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados. Eu vos digo: Não beberei deste fruto da videira até o dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino do meu Pai.’ Depois de terem cantado o hino, saíram para o monte das oliveiras. Jesus disse-lhes então: ‘Essa noite todos nós escandalizareis por minha causa, pois está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão. Mas, depois que eu ressurgir, vos precederei na Galiléia.’ Pedro tomando a palavra disse-lhe: ‘Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu jamais me escandalizarei’. Jesus declarou: ‘Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante, me negarás três vezes!’ Ao que Pedro disse: ‘Mesmo que tiver de morrer contigo, não te negarei.’ O mesmo disseram todos os discípulos”.

Jesus sabia que estava na iminência de ser morto, e cujos autores intelectuais desse crime seriam os sacerdotes apóstatas: fariseus, saduceus e “escribas” (teólogos). Judas Iscariotes já estava prestes a entregá-lo aos sacerdotes, conforme estes e Judas haviam tramado previamente. Então, Jesus mandara seus discípulos prepararem a Ceia, para nela encenar a ação simbólica da partilha do pão e do vinho. Nesta encenação ele apresentaria o pacto do sangue da aliança (Cf. Mt 26, 28), ou seja, a aliança de sangue, cujo Mestre, de seu lado, daria o exemplo. Ele seria o primeiro a levar até as últimas consequências, a prática fiel de sua doutrina voltada para a libertação dos indivíduos, das garras dos sacerdotes pseudo mosaicos e hipócritas. Pois, estes submetiam os indivíduos, operando com um discurso sedutor e falseado, e se fazendo passar, falsamente, por intermediário autorizado, entre Iahweh e os indivíduos.

O Pacto de sangue ou de morte consiste no “holocausto ou sacrifício perpétuo”. Pois, caberia a cada indivíduo que o aceitasse, levá-lo às últimas consequências, considerando-se que o evento Jesus Histórico consistiu, em primeiro lugar, numa luta radical empreendida pela “árvore da vida, contra todos os tipos de ideólogos-serpente. Os quais são assassinos por excelência. Luta esta voltada para libertar os indivíduos, os quais são mantidos, em todas as épocas e lugares, submissos aos ideólogos e às ideologias (cadeias dastrevas) que estes inventam e inculcam naqueles.

O Pacto de “vida” consiste em o indivíduo não negar a Jesus nem a “vida”, isto é, a capacidade de autoconhecimento, de autodiligência e de consciência crítica e transformadora, voltada para uma formação social mais justa, horizontal, igualitária e fraterna. Capacidades estas que o indivíduo desenvolveria em si, à medida que assumisse e praticasse a Unidade proposta pelo Mestre. Não negar a Jesus e a “vida” corresponde, por outro aspecto, em preservar fidelidade a eles, a despeito das mais cruéis adversidades, que os ideólogos e/ou os seus prepostos possam impor ao indivíduo. O qual tenha aderido ao pacto da Unidade. Neste sentido, chamamos, em suma, de “vida-morte”, os dois primeiros pactos acima indicados.

O Pacto da Nova Aliança se distingue do pacto anterior. Este pacto fora estabelecido, através de Moisés, no Sinai (Cf. Ex 24, 4-8+), entre o próprio Iahweh e uma nação constituída de ex-escravos, oriundos de diferentes tribos, nações e lugares. Os quais estavam reunidos e submissos no Egito. Conjunto de escravos estes que Iahweh incumbira Moisés de libertar do Egito, e constituir, a ferro e fogo, em uma única entidade cultural nacional, e conduzi-lo à terra de Canaã, para lá o estabelecer. No pacto anterior (Antiga Aliança), entre Iahweh e a nação israelita, esta ficou incumbida de preservar a “Lei”, isto é, a Teoria da História registrada, através de escrita do tipo hieroglífica, cujos ideogramas (sinais de anotação das escritas analíticas, a exemplo do hieróglifo egípcio) se apresentam no modelo do Tabernáculo e nos modelos das suas mobílias (Cf. Ex 25, 8+; 26, 1+;  27, 1+). Além dessa “Lei” sócio-histórica, Iahweh deixou inculcado, através de Moisés, na identidade cultural da nação israelita, alguns poucos mandamentos (Cf. Ex 24, 12) formulados de modo apodítico. Mandamentos estes inculcados, também, a ferro e fogo. Desse modo, a nação israelita carrega em sua identidade cultural a Teoria da História, malgrado os sacerdotes-serpente pseudo mosaicos israelitas e os das religiões judaico-cristãs (igreja católica, ortodoxa, anglicana; diversas denominações protestantes e evangélicas, etc.) derivadas da referida identidade cultural.

A Nova Aliança foi feita, através do Filho do Homem, em Jerusalém, entre Iahweh, isto é, o Espírito do Deus Pai, e cada indivíduo presente na Ceia. Pacto este extensivo a todos os demais indivíduos, que a ele queira aderir, em qualquer época e lugar. Na Nova Aliança, o respectivo Novo Testamento é a genuína doutrina ensinada pelo Mestre, na qual o aspecto psicológico é relevante, pois, ela se destina ao indivíduo, concebido como um sujeito estruturado, nos termos de um conjunto complexo de conduta. O indivíduo é concebido como sujeito estruturado, também, à semelhança do Criador, ou seja, à semelhança da Estrutura do Sujeito Social, conforme veremos em outra oportunidade.

Os significados (pactos) contidos na ação simbólica representada na partilha do pão e do vinho são de suma importância, conforme Mateus os descreveu. Mas, coube a João descrever outros aspectos igualmente relevantes, pertinentes às ações simbólicas praticadas pelo Mestre, na Ceia (Cf. Jo 13, 4-17). Numa outra ação simbólica, Jesus lavara os pés dos seus discípulos, isto é, as lideranças que ele estava preparando, para assumirem a direção da revolução. Pois, ele sabia que os sacerdotes não tardariam a provocar sua morte. Na ação simbólica do lava-pés, Jesus representou o modelo “servo” da função do intelectual tipo “árvore da vida”, que ele interpretava (executava), e que preconizava para suas lideranças, a fim delas atuarem em favor da libertação dos “indivíduos de senso comum” (ervas). Os quais constituem a massa dos segmentos pobres trabalhadores. Pois, o intelectual tipo “vida” dispõe de mais informações e recursos intelectuais, e em muitos casos ele dispõe, também, de mais habilidade política, com relação ao indivíduo de senso comum. Em razão disto, este deve ser servido por àquele, com orientação intelectual, no que tange às diversas exigências da vida. Mas, cada intelectual tipo “vida” deve servir orientando, também, e em primeiro lugar, os demais discípulos e possíveis lideranças futuras, no sentido de que amem uns aos outros. Neste sentido, o Mestre disse, ainda durante a ceia (Jo, 13, 34):

Um novo mandamento vos dou, que ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis”.

Diversas outras características pertinentes ao modelo “servo” de “diretriz pastoral” (funções que Jesus atribui ao intelectual tipo “vida”) foram exercidas e ensinadas pelo Mestre. Esse tipo de intelectual deve servir de “portal” ou “bom pastor”, o “Caminho”, a “luz do mundo”, enfim, ele deve servir de exemplo vivo, para o indivíduo de senso comum segui-lo. Assim, este indivíduo pode dispor, também, da possibilidade de desenvolver, em si, autoconhecimento, capacidade de autodiligência e consciência social crítica e transformadora. Ou seja, adentrar no “reino dos céus” (campo do conhecimento amplo, segundo as lógicas complexas, desenvolvidas pela práxis verdadeiramente revolucionária). Assim, os indivíduos de senso comum podem se livrar dos ideólogos (maus pastores), que os “roubam, matam e destroem”. Vejamos o Mestre tratando desse tema:

Eu sou a porta (o grifo é nosso): se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagem. O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor (o grifo é nosso); o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas…” (Jo 5, 9+);

Eu sou o caminho (o grifo é nosso), e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14, 6);

Eu sou a luz do mundo (o grifo é nosso), quem me segue, não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12-b).

A função do intelectual tipo “vida” é esclarecer e lutar por justiça social, em favor dos indivíduos de senso comum, submetidos e explorados pelos ideólogos e demais membros das elites. Mas, o seu modo de atuar deve ser, metaforicamente, como o sal que se dilui salgando a massa, em que ele seja introduzido e mexido, ao invés de se elevar sobre ela; ou como o fermento que é introduzido em três medidas de farinha, e leveda toda ela. O intelectual tipo “vida” deve manter-se e atuar no nível social da massa pobre trabalhadora e dos excedentes desta, visando esclarecê-la homogeneamente, ao invés de servir-se delas, para se transformar em elite, como fazem os ideólogos-serpentes (sacerdotes, sábios, filósofos, cientificistas, etc.). Neste sentido, Jesus disse:

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós. Vós sois o sal (o grifo é nosso) da terra. Se o sal perde o seu sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calçado pelos homens. Vós sois a luz do mundo (…) assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as suas boas obras, e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 10, 15);

Outra parábola lhes disse: o reino dos céus é semelhante ao fermento (o grifo é nosso), que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado” (Mt 13, 33).

[1] Cf. Fohrer, G. História da Religião de Israel, p. 286, 292, 294, 352.