O ENIGMA DA BESTA DE SETE CABEÇAS PROPOSTO E DESVENDADO PELO FILHO DO HOMEM

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Livro: Teoria da História (Art. 35, 3.4, p. 239-244)  www.tribodossantos.com.br

    Dissemos que o grande mercado global, Lamec, ocupa a oitava posição, na sequência cronológica dos sucessores de Adão, mas isto é relativo. Vamos esclarecer. Isto só pode ser concebido, caso considerarmos, por um aspecto, simplesmente, que o grande mercado global sucedeu imediatamente ao modelo feudal de formação social (sétimo sucessor de Adão: Matusalém), e que ele é um modelo de formação social independente. Mas, por outro aspecto, caso fizermos abstração do fato de que o grande mercado global foi, apenas, uma consequente complexidade natural do modelo feudal de formação social, e que assim um e o outro constituem, segundo a perspectiva do tempo muito longo, dois aspectos de um mesmo macro fenômeno social, ou seja, um mesmo macro modelo de formação social: o modo feudal de produção engendra, de modo intrínsico, o modo capitalista de produção.

     Temos a possibilidade de conceber que o grande mercado global consiste em mera complexão da formação social feudal, e em um real acontecimento sócio-histórico, somente se nos posicionarmos no ponto de vista em tempo muito longo, e a partir daí observarmos a sócio-história.[1]

    Os dois aspectos de abordagem acima citados, referentes às relações entre o modelo feudal de formação social e o grande mercado global foram ensinados pelo Mestre, através de um enigma por ele revelado ao Apóstolo que amava, João, e por este apresentado no livro Apocalipse (Cf. Ap 17, 7-11). Aqui faremos uma sucinta decifração desse trecho. Caso tenhamos tempo suficiente, apresentaremos essa decifração de modo mais detalhado em outro trabalho nosso: “A decodificação do livro Revelação”. Por ora, vejamos:

    “… Eu te darei o mistério da mulher (a mulher: a intelligentsia, ou seja, o conjunto das elites intelectuais, que molda a visão de mundo do povo, controlando e explorando-o), e da besta (o processo geral de expansão do grande mercado concebido pelo aspecto em que a formação social feudal, e, o grande mercado global constituem um mesmo fenômeno social, ou seja, o sétimo estágio ou “cabeça” desse processo), que a traz (que transcorre pela sócio-história, trazendo a intelligentsia no topo da hierarquia social, que esse grande mercado assim conforma), a qual tem sete cabeças e dez chifres (a qual apresenta sete estágios no seu processo geral de expansão; e dez nações como o centro motor do sistema capitalista ).

    A besta que vistes foi e já não é (a “besta” é o processo geral de expansão do grande mercado Lamec pré-diluviano ou Pré-II Períoso Intermediário, portanto já passado à época em que Jesus apresentou a João este ensinamento enigmático), e há de subir do abismo (e novamente esse processo haveria de ser engendrado, na fase pós-diluviana ou Pós-II Período Intermediário, a partir das relações sociais de produção ou “abismo) e irá à perdição (na fase pré-diluviana, o processo geral de expansão do grande mercado atingira seu limite, isto é, o estágio global Lamec, e entrara em irreversível depressão Noé, extinguindo-se durante o “dilúvio” (= II Período Intermediário); situação análoga ocorreria com o processo geral de expansão do grande mercado global Lamec pós-diluviano, isto é, aquele que nos é contemporâneo) (…).

    Aqui há sentido, que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes (no tocante à era pós-diluviana, as sete “cabeças”, isto é, os sete estágios do processo geral de expansão do grande mercado correspondem a sete “montes”, ou seja, sete singulares grandes formações sociais com forma piramidal ou estratificada), sobre os quais (no ápice das quais) a mulher (a intelligentsia) está assentada (posiciona-se).
E são também sete reis (essas sete grandes formações sociais estratificadas são, também, sete grandes formações sociais hierarquizadas, dirigidas por suas respectivas lideranças políticas e econômicas: 1. Novo Império Egípcio (Set); 2. Império Assírio (Enos); 3. Império Babilônico Caldeu (Malaleel); 4. Império Persa (Cainan); 5. Império Helenístico (Jared); 6. Império Romano (Henoc); 7. Formação social feudal (Matusalém = I Período Intermediário = etapa de transposição) e a extensão do seu processo de complexidade, ou seja, o estágio global Lamec; isto implica conceber a formação feudal como efetiva e necessária etapa do processo geral de expansão do grande mercado),
Cinco já caíram (os cinco grandes impérios que “já caíram”, ou seja, precederam e já haviam sido extintos à época em que o Mestre esteve aqui, então, foram os cinco primeiros acima citados: Novo Império Egípcio, o Assírio, o Babilônico; o Persa e o Macedônio), e um ainda existe (o Escolhido, Jesus, foi contemporâneo da sexta escala imperial, isto é, Henoc, o Império Romano), outro ainda não é vindo (“Matusalém”, isto é, o modelo feudal de formação social é que ainda não havia sido concretizado, à época do Jesus histórico, mas estava por vir, após e como um dos resquícios da degeneração e desagregação do Império Romano); e quando vier, convém que dure um pouco de tempo (quando Matusalém vier durará bastante tempo, pois entre todos os sucessores de Adão, Matusalém é o que dura mais tempo)

    Notem que resquícios do regime feudal e da respectiva elite religiosa permanecem contribuindo, de modo subjacente, para a expansão do modo capitalista de produção e respectivo mercado, em nível global. À medida que as próprias relações capitalistas de produção engendram e reproduzem relações não capitalistas de produção, e entre estas, reproduzem resquícios feudais.[2]

    É no trecho a seguir que o Mestre explica os dois aspectos, com os quais podemos focalizar a relação entre a formação social feudal (Matusalém) e o grande mercado global (Lamec): 1. O grande mercado global (Lamec) é concebido como uma simples subsequente etapa da formação social feudal (Matusalém), no curso do processo geral de expansão do grande mercado; 2. Ou como uma natural e necessária extensão do processo de complexão da formação social feudal. Neste último caso, o grande mercado global Lamec deve ser pensado como um integrante das “sete cabeças” do processo geral de expansão do grande mercado, mais precisamente com integrante da sétima cabeça, sendo a formação feudal a primeira fase, e o estágio global a segunda e extensiva fase daquela. Vamos ao trecho seguinte.

    “E a besta que era e já não é (agora, o Mestre se refere à fase pré-diluviana do processo geral de expansão do grande mercado, em sua totalidade, como uma unidade que perpassa a sócio-história, mas enfatizando o limite por este alcançado, ou seja, o estágio global Lamec, porque este consiste em um estágio em que estão implícitas todas as precedentes fases do processo geral), é ela também o oitavo (o processo pré-diluviano de expansão do grande mercado chegara ao seu limite com o estágio global Lamec, o qual pode ser concebido, também, pelo aspecto de ser ele o oitavo estágio desse processo) e é dos sete (e esse oitavo estágio Lamec é, por outro aspecto, meramente a segunda fase integrante do sétimo estágio Matusalém, ou modelo feudal de formação social, ou seja, a ‘sétima cabeça’ do processo geral de expansão do grande mercado, quando concebido como dotado de ‘sete cabeças’), e vai à perdição (e o processo geral no qual o grande mercado pós-diluviano se expandiu, então, chegaria ao seu limite, isto é, no grande mercado global Lamec que nos é contemporâneo, o qual vai se perder na grave, relativamente longa e irreversível depressão Noé, na fragmentação tripartite (Sem, Cam e Jafet) do mercado global Lamec, e este se extinguirá em novo “dilúvio”)”.

    As sucessivas etapas de expansão e complexão do grande mercado macror-regional egípcio houveram chegado ao seu auge, com a formação do mercado macro-regional correspondente ao Médio Império, que perdurou de aproximadamente 2100 a 1788 a.C. Junto com esse mercado regional e notadamente por volta de 2000 a.C., os demais mercados macro-regionais então existentes foram se articulando entre si, formando uma grande rede, ou seja, um único e grande mercado global. O primeiro que a humanidade produziu, envolvendo todos os povos civilizados circunvizinhos daquela época. Esse grande mercado global foi o estágio mais expansivo que o processo geral de expansão do grande mercado pôde alcançar.

    Vimos que Lamec, o grande mercado global pré-diluviano, se constituiu através da articulação entre os seguintes mercados regionais: egípcio; mesopotâmico; egeu; hitita; aquele formado pelos fenícios, cananeus e sírios; aquele outro formado pelas cidades da bacia do Indo; e o elamita. Vimos, ainda, que Lamec iniciou um longo, grave e irreversível período de depressão Noé, seguido da fragmentação tripartite (Sem, Cam e Jafet) até se extinguir durante o período do “esfacelamento diluviano” (a mais grave, prolongada e generalizada crise ocorrida na Civilização Antiga). Período este que alguns estudiosos nomeiam de “II Período Intermediário egípcio”; outros, chamam-na de “Crise da Idade do Bronze Média”.

[1] http://tribodossantos.com.br/pdf/Teoria%20da%20Hist%C3%B3ria%20-%20introdu%C3%A7%C3%A3o.pdf

[2] Cf. Martins, J. S. O cativeiro da terra, p. 3, 19-20; Cf. Wanderley, M. N. B. Reflexões sobre a agricultura brasileira, p. 19-20.