O Segundo Período Intermediário: etapa de transposição da era pré-diluviana para a era pós-diluviano do Grande Mercado: perspectiva estrita; perspectiva abrangente

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Livro: Os dois períodos intermediários do Antigo Egito no contexto da expansão do grande mercado em tempo longuíssimo: (Art. 3, Cap II, 1.;2., p. 20-23) www.tribodossantos.com.br

   O II Período Intermediário (a crise do Bronze Média) consistiu, também, numa etapa de transposição operada pelo Grande Mercado. Transposição do seu processo de expansão e complexidade, o qual transcorria nos limites da configuração espacial que englobava as civilizações pré-diluvianas ou Pré-II Período Intermediário, para alçá-lo à esfera das civilizações pós-diluvianas ou Pós-II Período Intermediário, bem mais ampla e complexa, e na qual o modelo do processo de expansão do Grande Mercado reiniciaria, ciclicamente.

        Vamos recapitular o modelo acima apontado.[1] Nele, o Grande Mercado inicia seu processo de expansão através de seis sucessivas escalas imperiais. A sexta, última e mais abrangente escala retrocede, e fragmenta-se em três partes. Numa dessas três partes, ele gera o modelo de formação social e respectivo modo de produção feudal sobre uma vasta área campestre. Esta formação social feudal se complexa e engendra, por dentro de si mesma, as bases para que o processo expansivo do Grande Mercado salte para a esfera da rede global de mercados macro-regionais. A esfera da rede global se expande até atingir seus limites possíveis. A partir de então, ela adentra na prolongada e gradativa fase de depressão Noé, fragmenta-se em três grandes partes, e por fim extingue-se durante uma convulsão social gravíssima, prolongada e generalizada por todos os seus mercados macro-regionais (dilúvio).

        O Segundo Período Intermediário (= dilúvio) apresentou características singulares, e aparentemente desconectadas do processo geral de expansão do Grande Mercado: depressão da grande rede global de mercados macro-regionais, na qual o Médio Império estava inserido; fragmentação tripartite dessa rede global; e, sobretudo uma convulsão social gravíssima, prolongada e generalizada por todos os mercados macro-regionais integrantes dessa rede. No caso do Egito, esta convulsão e o caos social foram imediatamente seguidos da invasão, submissão, e ocupação do território pelos hicsos.

  1. A perspectiva estrita predominante entre os egiptólogos, pertinente ao segundo período intermediário.

        Numa perspectiva estrita, o Segundo Período Intermediário consiste numa fase de regressão social, econômica e política intrínseca à formação social correspondente ao Médio Império egípcio (XII Dinastia). Regressão esta seguida da invasão e ocupação do Egito pelos hicsos. Essa perspectiva estrita pode ser observada em Burns:[2]

       “Com o fim de XII Dinastia o Egito entrou em outra era de caos interno e de invasões estrangeiras, que durou mais de dois séculos – de 1788 a 1580 a.C. Os documentos do tempo são escassos, mas parecem indicar que a desordem interna resultou de uma contrarrevolução dos nobres. Os faraós foram novamente reduzidos à impotência e grande parte do progresso social da época precedente ruiu por terra. Aproximadamente em 1750, o país sofreu uma invasão dos hicsos ou Reis Pastores, um povo de língua semita, da Ásia Ocidental”.

        Numa perspectiva um pouco mais abrangente, mas que não explica o suficiente, o II Período Intermediário egípcio pode ser concebido como inserido no contesto da “Crise do Bronze Média”.

  1. A perspectiva que enfeixa o segundo período intermediário no contexto da grande rede global de mercados macro-regionais.

        Numa perspectiva mais abrangente, percebemos que o quadro acima indicado por Burns, inscreve-se no contexto geral do processo de expansão do Grande Mercado. Pois, o mercado macro-regional egípcio à época da XII Dinastia se encontrava inserido na grande rede global de mercados macro-regionais. O Segundo Período Intermediário (Dilúvio) é aquele que sucedeu imediatamente ao mercado macro-regional egípcio concernente ao Médio Império (XII Dinastia). As características gerais que começaram a se apresentar, no século XVIII a.C., no mercado macro-regional atinente ao Médio Império, apresentaram-se, também, nos demais mercados macro-regionais (egeu, mesopotâmico, etc.) que integravam a grande rede global.[3] Pois, esta rede é que engendrou, por dentro de si mesma, as características que se apresentaram, ulteriormente, tanto na crise chamada de Segundo Período Intermediário egípcio como nos demais mercados macro-regionais, que estiveram interligados, na mesma época precedente, ao mercado egípcio. No próximo artigo, veremos, sucintamente, o que houvera ocorrido nessa grande rede global de mercados macro-regionais, para causar, ulteriormente, as características que se apresentaram no Segundo Período Intermediário egípcio e nos demais mercados macro-regionais que integravam a grande rede global pré-diluviana.

[1]. Cf. Art. 2: Primeiro Período Intermediário: etapa de transposição no processo geral de expansão do Grande Mercado: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/10/primeiro-periodo-intermediario-etapa-de.html;

Cf.: Art. 5: Resumo do cap. III do livro Teoria da História: teoria da genealogia de Adão:

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/resumo-do-cap-iii-do-livro-teoria-da.html;

Art. 7: Os mercados regionais mesopotâmico, egeu e hitita no contexto do mercado global pré-diluviano:

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/os-mercados-regionais-mesopotamico-egeu.html;

Art. 8: O mercado regional constituído pela Fenícia, Canaã e Síria, mais o mercado regional da bacia do rio Indo e o elamita no contexto do mercado global pré-diluviano: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/o-mercado-regional-constituido-pela.html

Cf. ART. 6: O mercado regional egípcio (Médio Império) como referência para o estudo da formação do grande mercado global pré-diluviano: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/o-mercado-regional-egipcio-medio.html

[2]. Cf. Burns, E. M. História da Civilização Ocidental , p. 48.

[3]. Cf.: Art. 9: Início e término da queda do Mercado Global pré-diluviano: no Egito, na mesopotâmia e na civilização egéia:

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/inicio-e-termino-da-queda-do-mercado.html;

Art. 10: Peregrinação de Abraão pela Crescente Fértil no meio do dilúvio que abateu o mercado global pré-diluviano:

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/peregrinacao-de-abraao-pela-crescente.html.