(TEXTO) Abominação da desolação = sistema monetário e financeiro – Parte 2

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Abominação da desolação = sistema monetário e financeiro – Parte 2

Olá, meu nome é Francisco. Esta e a 2ª palestra, em que focalizo o tema Abominação da desolação = sistema monetário e financeiro. Na palestra anterior (a de nº 1), demonstrei, de modo claro e indubitável, que o Jesus Histórico denominou, há dois mil anos atrás, “Abominação da Desolação”, o Sistema monetário e financeiro autônomo e unificado globalmente, que ele previu que ocorreria na ocasião da sua 2ª vinda. Para fazer essa projeção, ele empregou uma antiga Teoria da História em muito longa duração, de natureza estrutural e cíclica. Moisés houvera incutido essa Teoria da História  na identidade cultural do povo hebreu.[1] Essa teoria era conhecida pelos grandes profetas individuais, que foram os sucessores de Moisés, e os antecessores do Jesus Histórico.

O link do texto acompanhado de citações bibliográfica, referente a presente palestra, encontra-se postado aqui embaixo deste vídeo. Vou focalizar esse tema mais de perto, no livro que lançarei brevemente: “Enigma do Discípulo que Jesus Amava – LIVRO 2: O Retorno do Reprimido”. Aguarde.

Jesus previu a sua 2ª volta, no contexto da Abominação da desolação, isto é no contexto do perverso e opressor o Sistema monetário e financeiro autônomo e unificado globalmente, em alusão ao grande profeta que escreveu o livro Daniel. O livro Daniel foi composto nos anos 167-164 a.C.[2] Daniel focalizou, no contexto do Império Macedônio, a apropriação violenta feita pelo rei selêucida Antíoco IV Epífanes (175-165 a.C.), da Antioquia (Síria) e seu Banco, sobre o tesouro do “Banco central do Estado judeu”, que tinha como sede o templo de Jerusalém.

Daniel empregou a expressão “Abominação da Desolação”, para descrever o perverso sistema monetário e financeiro, viu no seu contexto histórico, e que previu que voltaria a ocorrer, analogamente, na 2ª volta do Ungido do Deus Criador. Vamos ao texto pertinente:

“Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9, 27) – e o leitor entenda bem – então os habitantes da Judeia fujam… Porque a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo, nem jamais será.” (Mt 24, 15, 16-a, 21)

O rei Antíoco ao se apoderar do banco-templo da aristocracia religiosa e laica judaica, assim se apoderou, também, do sistema monetários e financeiro, que era gerido por esse aristocracia. Esse sistema monetário e financeiro era perverso, e causava muitos sofrimentos, notadamente, sobre os segmentos trabalhadores, muitos dos quais se encontravam na condição de escravos por dívida. Nesse sentido é que Daniel criticou a desapropriação do banco central do estado judeu, que  Antíoco fez sobre o banco gerido pela igualmente perversa e hipócrita aristocracia religiosa e laica judaica.

O rei Antíoco erigiu o marketing do seu banco, isto é, a imagem do deus  grego Zeus Olímpico sobre em substituição e sobre o marketing do banco central da aristocracia religiosa e laica judaica. Ou melhor, sobre o altar dos holocaustos, pois esse altar evocava a idéia do deus Iahweh, que era falsamente adorado pelos teólogos e sacerdotes judeus. Pois, esses religiosos adoravam, na realidade, o deus Mamon e as riquezas que eles escondiam no interior do templo, embora dissimulassem, hipocritamente, Mamon e as riquezas que eles adorava, na figura ideal de Iahweh.

Ora, a imagem do Zeus Olímpico consistia, na realidade, no ícone e marca registrada do sistema monetário e financeiro de propriedade do rei Antíoco IV Epífanes, do Império Selêucida.

A instalação do ícone ou imagem do Zeus Olímpico sobre o altar dos holocaustos, que Daniel chamou de Abominação da Desolação evoca e consistira, portanto, numa questão de marketing. Pois, o sistema monetário e financeiro do Império Selêucida acabara, então, de se apoderar do sistema monetário e financeiro (templo de Jerusalém) judeu.

O Jesus Histórico denominou “Abominação da Desolação”, o perverso Sistema monetário e financeiro autônomo e unificado globalmente, que ele e também Daniel previram, que ocorreria na ocasião da 2ª vinda do Ungido do Deus. Sistema monetário e financeiro que o Jesus Histórico sabia, enquanto Ungido de Deus, que seria  perversamente análogo ao sistema monetário dos reis macedônios, Conforme Daniel também observou, em sua época, e também previu, que esse modelo de sistema monetário e financeiro abominável e desolador ocorreria na época da 2ª vinda do Ungido de Deus.

Pois, tanto Daniel como o Jesus Histórico operavam, cada qual em sua época, com uma teoria da História em muito longa duração, notadamente com a “teoria da genealogia de Adão”, que possibilitou elaborar essa previsão.

É oportuno observar, que antes dos reis selêucidas (da Siria) dominarem a Judéia, os segmentos trabalhadores judeus já vinham sendo penalizados, durante cerca de 100 anos, pela reis macedônios, do Egito Ptolomaico, Reis esses sempre mancomunados com a aristocracia religiosa e laica judaicas, através do perverso e violento sistema monetário e financeiro, então, sob o domínio dos reis do Império Ptolemaico, que dominaram a Palestina entre 300-200 a.C., conforme, Mazzarolo, Orofino e Schlaepfer esclarecem:[3]

Vamos voltar ao contexto contemporâneo, em que o Jesus Histórico previu o ressurgimento do processo  do desenvolvimento da Abominação da Desolação, ou seja, o ressurgimento do sistema monetário e financeiro da nossa época. O modo de produção capitalista foi o principal contribuidor, em razão da sua enorme capacidade de gerar capital, do desenvolvimento do sistema monetário e financeiro, isto é, do Abominação da Desolação, a partir da Segunda revolução industrial, conforme o renomado historiado Edward Burns esclarece:[4]

As gigantescas acumulações de capital que vieram a caracterizar a organização industrial moderna incluem os trustes, as fusões de empresas e os cartéis. Todos eles são organizados para a mesma finalidade: restringir ou suprimir a concorrência… Durante a década de 1930 alguns governos europeus favoreceram a formação de cartéis nacionais, no intuito de fortalecer as suas indústrias contra a concorrência estrangeira“.

Burns esclarece, também, o desenvolvimento do domínio do capital financeiro sobre o gigantesco capital gerado na indústria:[5]

“Durante a Segunda revolução industrial, especialmente depois de 1890, o capitalismo industrial foi em grande parte sobrepujado pelo capitalismo financeiro, um dos desenvolvimentos mais decisivos da época moderna: O capitalismo financeiro tem quatro características principais: 1) o domínio da indústria pelos bancos de investimentos e pelas companhias de seguro; 2) a formação de imensas acumulações de capital; 3) a separação entre a propriedade e a direção; e 4) o aparecimento dos holdings ou companhias detentoras”.

A partir das décadas 70-80, o modo de produção capitalista foi o principal contribuidor, em razão da sua enorme capacidade de gerar capital, do sistema monetário e financeiro atingir o seu limite de expansão e complexidade. Ou seja, desenvolver “desregulamentação” (autônomia) e unificação e articulação globalmente

O sistema monetário e financeiro somente alcançaria, definitivamente, o seu  pleno status de Abominação da Desolação, nas décadas 70-80 do século passado. Conforme David Harvey demonstrou. Harvey é geógrafo e professor inglês, e também um respeitado estudioso do sistema capitalista, e do processo de formação do sistema monetário e financeiro “desregulamentado” (autônomo), unificado e articulado globalmente.

Harvey explicou, primeiramente, o desenvolvimento que desmantelou um sistema financeiro rigorosamente controlado desde as reformas dos anos 30, e que significou, nos Estados Unidos, na desregulamentação desse sistema financeiro rigorosamente controlado:[6]

   “O segundo desenvolvimento… foi a completa reorganização do sistema financeiro global e a emergência de poderes imensamente ampliados de coordenação financeira. Mais uma vez houve um movimento dual; de um lado, para a formação de conglomerados e corretores financeiros de extraordinário poder global; e, do outro, uma rápida proliferação e descentralização de atividades e fluxos financeiros por meio da criação de instrumentos e mercados financeiros totalmente inéditos. Nos Estados Unidos isso significou a desregulamentação de um sistema financeiro rigorosamente controlado desde as reformas dos anos 30“.

A seguir, Harvey marca as décadas 70-80, como a época da virada definitiva para o modelo de sistema financeiro “desregulamentado“, quer dizer, autônomo, e também unificado globalmente. Vamos voltar ao texto de Harvey:

“O Relatório da Comissão Hunt norte-americana, de 1971, foi a primeira admissão explícita da necessidade de reforma como condição de sobrevivência  e expansão do sistema econômico capitalista. Depois dos traumas de 1973, a pressão pela desregulamentação nas finanças adquiriu impulso nos anos 70 e, por volta de 1986, engolfou todos os centros financeiros do mundo… A desregulamentação e a inovação financeiro… tinham se tornado, na época, um requisito para a sobrevivência de todo centro financeiro mundial num sistema global altamente integrado, coordenado pelas telecomunicações instantâneas. A formação de um mercado de ações global, de mercados futuros de mercadorias (e até de dívidas) globais, de acordos de compensação recíproca de taxas de juros e moeda, ao lado, ao lodo da acelerada mobilidade geográfica de fundos, significou, pela primeira vez, a criação de um único mercado mundial de dinheiro e de crédito“.

Na próxima palestra, voltarei a focalizar outros importantes e esclarecedores aspectos, referentes ao presente tema.

[1] História em muito longa duração e o Cântico de Moisés:

História em muito longa duração e o Cântico de Moisés

Neste artigo, vamos tratar de apenas um tema, que é fundamental, e que teve o Antigo Egito como objeto de estudo e de elaboração de teorias. Trata-se da noção de História em tempo muito longo

[2] Fohrer, G. História da Religião de Israel, Edições paulinas, São paulo, 1993, p. 462.

[3] Cf.Shlaepfer, C. F.; Orofino, F. R.; Mazzarolo, I. A Bíblia: introdução histórica e literária, Editora Vozes, Petrópolis, 2004, p. 100.

[4] Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 682.

[5] Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 681.

[6] Harvey, D. Condição Pós-moderna – Uma Pesquisa sobre as Origens da Mudança cultural. Edições Loiola, São Paulo, 1992, p. 152.