(TEXTO) Intelectual Específico: 1. Foucault: O professor como ‘permutador’ em ponto de cruzamento privilegiado

Tempo de leitura: 15 minutos

(TEXTO) Intelectual Específico: 1. Foucault: O professor e a universidade aparecem não como elementos principais, mas como ‘permutadores’, pontos de cruzamento privilegiado

Diante e em oposição ao quadro violento exercido pelo poder, independente de quem o exerça eventualmente, hoje se impõe determinados pensadores. Os quais por convenção são denominados de “rebeldes”: Foucault, Deleuze e outros. Eles e suas ideias têm entrado, mais frequentemente, na pauta de alguns debates contemporâneos. Pois, tal pensamento “rebelde” parece ser mais adequado como método de interpretação da realidade histórica, e também como estratégia de resistência e luta, no campo da sociedade civil, contra a exacerbada violência exercida pelos que estão na posse do poder.

A estratégia de luta proposta pelos “pensadores rebeldes”, nos adverte e previne contra a violência exercida, também, pelos picaretas que ainda não detêm o poder, mas o desejam, seja da direita, da esquerda, de cima, de baixo, seja pelos que adotam a podre ideologia nacionalista, seja com motivação religiosa imunda, seja em nome do que for. Esse tipo picareta que ainda não detém, mas deseja o poder, nesse sentido atuam violentamente, em manifestações de rua, e também procuram seduzir jovens incautos, para essa forma violenta de ação. Tal tipo de picaretas que desejam o poder, também o procura conquistar, pela via da “anestesia democrática” mesclada com “corruptocracia”, a exemplo das lideranças esquerdistas que foram cooptadas às elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas, e que traíram, de modo descarado e vergonhosamente, os segmentos pobres trabalhadores e estudantis.

A perspectiva sociológica Foucaultiana focaliza com destaque, o poder, que é exercido em níveis variados, por quem o detém, eventualmente, e de modo escalonado, na rede social de micros poderes, integrados ou não ao Estado. E, no contexto de instituições e grupos diversos, nos quais o indivíduo se encontra inserido. Por exemplo, o grupo familiar, religioso, profissional, vizinhança, nação, Estado, etc. Nesse contexto, os indivíduos intelectualizados são chamados a atuar, no campo da sociedade civil, de modo político-intelectual, na condição que Foucault rotula de “intelectual específico” (em distinção ao velho tipo de intelectual “universal”).[1]

O intelectual específico é aquele que atua, conforme diz foucault: “em setores determinados, em pontos precisos em que os situam, sejam suas condições de trabalho, seja sua condição de vida (a moradia, o hospital, o asilo, o laboratório, a universidade, as relações familiares ou sexuais)”. Neste contexto da luta, Foucault observa as experiências, que já vinham sendo praticadas como, diz ele: “um novo modelo de ‘ligação entre teoria e prática” (…) Em decorrência desse novo modelo de ligação entre teoria e prática, Foucault conclui: “Certamente com isso ganharam uma consciência muito mais concreta e imediata da luta”.[2]

Entre outros aspectos, Foucault sugere como estratégia de resistência e luta, a atuação político-intelectual como “intelectual ‘específico”, a partir de cada grupo social em que o indivíduo esteja, de alguma forma, inserido. Por exemplo, o grupo relativo ao gênero, o grupo familiar, o grupo religioso, o grupo profissional, a vizinhança, nação, etc. Foucault propõe a atuação como intelectual específico, por oposição ao “intelectual ‘universal”. Nestes âmbitos específicos, o intelectual específico se depara com lutas reais, materiais e cotidianas. Lutas estas que correspondem a problemas notadamente específicos, mas também aqueles que afetam, de modo geral, os trabalhadores.

Diferentes intelectuais específicos e as respectivas especificidades podem se articular em rede, e assim potencializar a resistência, e intercambiar experiências neste sentido.

Foucault observa que o papel social do professor é desempenhado em “pontos de cruzamento privilegiado”, e pode exercer importante função na condição de intelectual específico. Nesse sentido, diz ele: “O professor e a universidade aparecem, talvez não como elementos principais, mas como ‘permutadores’, pontos de cruzamento privilegiado”.[3]

É oportuno ressalvar, que a categoria dos professores do Rio de Janeiro, notadamente os professores do degradante “ensino público” fundamental e médio assumiu, heroicamente, a luta nos movimentos de rua de 2013. O “ensino público é a forma degradante de Educação, que podemos chamar de Nova Catequese positivista-cientificista.

Enquanto “pontos de cruzamento privilegiado”, os professores vêm sendo usados pelo bloco histórico nacional, como agentes da degradante Nova Catequese, que é de natureza republicana, isto é, positivista. Desse modo, os professores vêm sendo usados, em substituição, mas com a função alienadora análoga ao do sacerdote, que exercia a “Antiga” Catequese católica. Note que a catequese católica continua existindo nas escolas religiosas, nas TVs religiosas, nos templos católicos, etc.

Muitos professores do ensino médio e fundamental que também são ou foram estudantes, então, desenvolveram consciência social crítica e transformadora. Esses professores críticos se sentem indignados, por serem obrigados a exercer, no referidos “ponto de cruzamento privilegiado”, a função alienante análoga a do sacerdote da Antiga Catequese, e tratar o aluno como “ovelha” laica. A modalidade de ensino alienante que o bloco histórico nacional impõe ao exercício de professor, na realidade é de natureza positivista-cientificista, em distinção ao discurso religioso igualmente alienante.

Na “Nova Catequese”, entre aspas, ou Ensino médio e fundamental, os professores dotados de consciência social crítica e transformadora já vinham atuando, de fato, como “intelectuais específicos”, conhecendo ou não este rótulo proposto por Foucault. Porque estavam indignados com o modelo alienante de ensino, que os responsáveis de definir as diretrizes de ensino, lhes impunham incutir nos jovens. Esses professores críticos pleiteavam um ensino público de qualidade. Eles estavam indignados, também, com as péssimas condições de trabalho, com os baixos salários, o quadro de acesso injusto, etc. Estas condições indignantes foram, no nosso entender, que motivaram a categoria de professores assumir a resistência, nas ruas e nas ocupações, nas manifestações de 2013.

Tais professores foram porém, violentamente reprimido, pelo governo de membro da casta portuga-descendente e “descendente” de Pedro Álvares Cabral, hoje em cana. Uma situação desta, em que um vagabundo colarinho branco consegue ser eleito e furta milhões do povo, somente pode acontecer numa nação amaldiçoada por deus, Mas não pelo Deus Pai de Jesus e de todos nós, cidadãos de bem, e devotos do Deus Pai do amor, do direito e da justiça. Uma situação desta somente pode ocorrer numa nação amaldiçoada por Mamon, deus do dinheiro e da riqueza, e também por Belzebu, deus das moscas. Ambos adorados pelos teólogos e sacerdotes pseudocrístãos (evangélicos, católicos, protestantes e outros), que submetem ideologicamente e exploram economicamente suas vitimadas ovelhas-robô, e assim ajudam a manter a massa popular alienada.

É esclarecedor o objetivo da descabida e grande violência dirigida contra os professores, pelas elites brasileiras portuga-descendentes, seus aliados eugenistas e as lideranças esquerdistas traidoras dos trabalhadores e dos estudantes. Tal coerção aparentemente descabida visava e continua visando manter, especificamente, o modelo alienante em que o papel social de professor é desempenhado em “pontos de cruzamento privilegiado”.

A categoria profissional dos professores do ensino médio e fundamental assumiu, heroicamente, a luta, após a repressão violenta e indiscriminada haver inibido a participação de outros seguimentos sociais, nas manifestações de rua e de ocupações. Enquanto isso, a velhacaria docente das universidades públicas permanecia empoleirada, de modo dissimulado, como intelectuais funcionais que corporificam importante setor do bloco ideológico nacional. Velhacaria essa que convém ser desmascarada, criticada, e assim arrastada para o debate público. Sejam intelectuais funcionais de direita, de esquerda, do centro, etc.

A estratégia de luta e resistência que Foucault rotulou de “intelectual específico“, também consiste numa forma muito eficaz de se exercer a atuação político-intelectual, num campo de resistência e luta igualmente muito eficaz, que é âmbito cultural do campo da sociedade civil, em distinção e em depreciação ao campo do Estado, porque este campo é menos favorável que àquele, quando se tem por objetivo a transformação social, mas com a participação da massa social, para uma forma mais justa e fraterna.

As formas de luta nos moldes do intelectual específico podem ser exercidas, no campo da sociedade civil, quer dizer, por fora e contra os agentes do poder, que empregam a estratégia de controle social, que engloba a alternância entre “centralização política” (sístole) e a “abertura política” (diástole). Ambas integrantes e operadas pelas castas estabelecidas no poder, isto é, as elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas. Aliança essa que havia cooptado, pela via da “anestesia democrática” (período de abertura política), as lideranças esquerdistas traidoras dos trabalhadores e estudantes pobres.

Ou seja, o “intelectual específico” pode atuar, no campo da sociedade civil, no sentido pacifista e mais eficiente em prol da justiça social, por fora e contra tanto o “jogo roubado” (corruptocracia mesclada com a “anestesia democrática”) como contra a ditadura, seja civil ou militar.[4] Pois, nas condições atuais, a luta para transformar, efetivamente, a sociedade para uma forma mais justa, somente pode ocorrer, de modo objetivo, em tempo mais longo que as eventuais eleições (jogo roubado). Luta cujo campo efetivamente propício é o cultural da sociedade civil, de modo a ajudar a desenvolver o nível cultural e a efetiva participação dos segmentos populares, nessa luta. Apesar de todos os órgãos de natureza cultural tanto da sociedade civil (religiões, mídia, etc.) como do Estado (sistema de ensino; publicidade, etc.) estarem mancomunados entre si, e exacerbadamente voltados para a manutenção do baixo nível cultural e alienação da massa popular.

A luta nas condições acima aventadas deve levar em consideração, que ela se insere no contexto da estratégia de dominação, que consiste na alternância “centralização política – abertura política – centralização política…” ou “sístole – diástole – sístole…” Estratégia de dominação essa operada pelas elites, que é exercida, no contexto sócio-histórico em tempo médio. Noção de História essa que se distingue, conforme Fernand Braudel ensina, tanto da história em tempo breve ou eventual como da história em muito longa duração.[5]

Podemos focalizar três aspectos pertinentes a um dado período cíclico da alternância “centralização política – abertura política – centralização política…

Em primeiro lugar, o período sob a hegemonia do grupo de políticos inflexíveis centralizadores, mormente militares (cerca de 20 anos), mas não só, e representados na figura do “leão”.

Em segundo lugar, o período sob a hegemonia da grupo constituídos de velhas e matreiras “raposas” políticas (cerca de 28 anos), que é caracterizado por operar com as eventuais eleições “democráticas” (jogo roubado) e respectivos discursos falseados. Eleições que servem para viabilizar e respaldar, pela via da “anestesia democrática” mesclada com a “corruptocracia”, o desejo, a busca e a efetiva posse do poder, pelo político demagogo e corrupto.

Em terceiro lugar, o retorno, a partir de 2013, do período sob a hegemonia do grupo de políticos inflexíveis e centralizadores, que inicialmente vem sendo conduzido pelos corruptos agentes políticos e jurídicos e ideológicos, e representados na figura do “leão”. Os quis operam com a ditadura corruptocrática. Esse ciclo histórico vem sendo operado pela casta portuga-descendente e seus aliados eugenistas.

O somatório do último ciclo de períodos de alternância consistiu em cera de vinte anos de ditadura (hegemonia do grupo de políticos inflexíveis centralizadores, mormente militares, mas não só, e representados pela postura leonina). Depois, veio  mais vinte e oito anos de “anestesia democrática” operada pelas velhas e matreiras “raposas” políticas. Temos, então, um total de cerca de quarenta e oito anos de maquiavélica manipulação da massa social.

A partir de 2013, a massa popular se manifestou nas ruas, supondo que vivia sob o regime democrático. Porém, a casta portuga-descendente e seus aliados eugenistas, com a corja da esquerda petista traidora dos trabalhadores pobres ainda cooptada, então mostrou, para a massa popular insatisfeita, a realidade polítco-social, da nação que ela dirige. A falsa “democracia” consistia, na verdade, em mera anestesia democrática, de naturezas corruptocrática. A casta portuga-descendente e seus aliados acabaram, através dos seus agentes políticos, jurídicos, ideológicos, etc., com a brincadeira de “democracia”. Eles reprimiram violentamente o povo injustiçado e insatisfeito

Aí,  um novo período de centralização política teve início,  ainda, com a participação das esquerdas traidoras dos trabalhadores e estudantes pobres. Esquerdas traidoras essas que logo seria descartada, pelos mesmos agentes políticos, jurídicos, ideológicos, etc., da casta portuga descendente e seus aliados eugenistas, que anteriormente havia cooptado tais esquerdas.

A seguir, esse processo passou a ser gerenciado, menos discretamente, pelos agentes políticos e jurídicos e ideológicos a serviço do grande império, a fim de fortalecer as instituições, para garantir o pagamento, ou melhor, a extração das usuras, isto é, os juros da “dívida odiosa” e ilícita. Ilícita porque vem sendo feita por banqueiro corruptores, mancomunados com políticos corruptos. O grande império interviu de modo menos discreto, porque ele lidera os demais membros do centro motor do sistema capitalista, e assim atua como guardião do sistema monetário e financeiro “desregulamentado” (autônomo), unificado e articulado globalmente, que consiste numa verdadeira Abominação da Desolação, em razão dos graves males que impõe à humanidade, notadamente sobre os segmentos pobres trabalhadores.

Na verdade, esse grande império e respectivo sistema monetário e financeiro, é que vinham conduzindo, mais discretamente, a gestão do estado brasileiro, desde o início do grande período de crescente endividamento externo iniciado com o golpe de 64.

Neste contexto de sócio-história em tempo médio, o jovem impaciente é induzido a desejar o poder, de modo eventual, seja através da revolução violenta, seja através do jogo roubado (democracia). Desses dois modos, ele cai na armadilha do poder, e assim ajuda a reproduz e aprimorar os mecanismos repressivos do poder, e o mesmo quadro social injusto.

[1]. Foucault, M. Microfísica do Poder, p. 8-9. O intelectual universal:“Durante muito tempo o intelectual dito ‘de esquerda’ tomou apalavra e viu reconhecido o seu direito de falar enquanto dono de verdade e de justiça. As pessoas o ouviam, ou ele pretendia se fazer ouvir como representante do universal. Ser intelectual era um pouco ser a consciência de todos (…) uma ideia do marxismo e de um marxismo débil (…) O intelectual, pela sua escolha moral, teórica e política, quer se portador desta universalidade, mas em sua forma consciente e elaborada (…) uma universalidade da qual o proletariado seria a forma obscura e coletiva”.

[2] . Cf. Foucault, M. Microfísica do Poder. Edições Graal Ltda., Rio de Janeiro, 1979, p. 9, 74.

[3] . Cf. Foucault, M. Microfísica do Poder. Edições Graal Ltda., Rio de Janeiro, 1979, p. 9, 74.

[4]. Cf. Foucault, M. Microfísica do Poder. Edições Graal Ltda., Rio de Janeiro, 1979, p. 8-12, 77.

[5] . Braudel, F. História e Ciências Sociais – A longa Duração, p. 44, 49. Extraído de “Annales E. S. C., nº 4, out.-dez.1958, Débats et Combats, pp. 725-753”: “A história tradicional, atenta ao tempo breve, ao indivíduo, ao evento, habituou-se há muito tempo à sua narrativa precipitada, dramática, de fôlego curto. A nova história econômica e social põe no primeiro plano de sua pesquisa a oscilação cíclica e assenta sobre sua duração: prendeu-se à miragem, também a realidade das subidas e descidas cíclicas dos preços (…) Bem além desse segundo recitativo, situa-se uma história de respiração mais contida ainda, e, desta vez, de amplitude secular: a história de longa e mesmo, de longuíssima duração (o grifo é nosso). …Além dos ciclos e interciclos há o que os economistas chamam, sem estudá-la, sempre, a tendência secular. Mas ela ainda interessa a raros economistas e suas considerações sobre crises estruturais, não tendo sofrido a prova das verificações históricas se apresentam como esboços ou hipóteses, apenas enterrado no passado recente”.