Profecia da tragédia migratória ou Pode ser a gota d’água

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Jesus profetizou: “O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande RIO EUFRATES, e secaram-se as suas ÁGUAS, para que se ABRISSE CAMINHO PARA OS REIS DO ORIENTE (Ap 16, 12). A crise migratória tem como epicentro e ponto de partida, precisamente a Síria e o Iraque, que ficam na região do rio Eufrates. Essa crise pode ser a “gota d’água’. Ou seja, apenas o começo de uma enorme e prolongada mobilização social global, de turbas de massas de gente faminta e desorientada, que assolará todos os membros da rede global de mercados, levando-o a destruição.

Pode ser a gota d’água! (com CITAÇÔES)

A crise migratória atual, tem como epicentro e ponto de partida, sobretudo a região do rio Eufrates, no sentido do Oriente para o Ocidente, mas parte também da palestina e norte da África, ambas sob a esfera cultural islâmica. Aproveitando o refrão do poeta, esse fenômeno migratório pode ser a gota d’água! Pode ser a gota d’água! Ou seja, pode ser apenas o começo de uma mobilização global em massa, de gente faminta, que se espalharia por toda rede do grande mercado global. Mobilização desenfreada e descontrolada essa, do tipo que arrasa tudo, por onde passa, como nuvens de gafanhotos, que dizimam toda produção agrícola, etc., e que desestrutura e desorganiza o tipo estratificado e hierárquico de formação social vigente, em todo mundo globalizado. Veja aqui embaixo deste vídeo, o link deste tema, na forma de texto, em que consta a citação bibliográfica e outras informações.

Jesus previu, no livro Apocalipse, o fenômeno sócio-histórico referente a sexta taça da ira do Deus. A qual contém flagelos a serem derramados no “rio Eufrates“. Ele previu, ainda nesse contexto, a subsequente conflagração de guerras na rede global de mercados, diz ele: “São espíritos de demônios que realizam prodígios, e vão ter com os reis da terra, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus dominador… Eles os reuniram num lugar chamado em hebraico Har-Magedon” (Ap 16, 14, 16). Jesus previu, ainda nesse contexto, a sua volta: “Eis que venho como ladrão” (Ap 16, 15-a). Vejamos, primeiramente, o significada das “águas” nesse contexto, pois esse significado pode esclarecer o sentido dessa profecia:

O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e secaram-se as suas águas, para que se abrisse caminho aos reis do Oriente (Ap 16, 12).

No Apocalipse, o fenômeno sócio-histórico simbolizado no derrame dos flagelos contidos na taça da ira do Deus Criador, sobre as águas do rio Eufrates, parece simbolizar, naquela região, duas coisas.

O aspecto “secaram-se as suas águas” pode simbolizar a debilitação das instituições políticas dos povos da região do rio Eufrates. E, o aspecto “para que se abrisse caminho aos reis do Oriente pode simbolizar a passagem, por essa região, de uma mobilização social de grande magnitude, nunca vista anteriormente na humanidade. Mobilização essa advinda do Oriente, para o Ocidente. Posto que, Jesus representa, no signo “águas“, a reunião de múltiplos tipos de grupos sociais (povos, multidões, nações e línguas). Esse significado do signo “águas” se aplicaria tanto aos povos da região do rio Eufrates, representados nas águas secas desse rio como naqueles povos que acompanhariam os “reis do Oriente”, e que passariam pela região do Eufrates. Eis o significado do signo “águas”:

O anjo me disse: ‘As águas que viste… são povos e multidões, nações e línguas” (Ap17, 15).

Pois, aquela região do rio Eufrates (Síria, Iraque e adjacências) sempre consistiu, de certa forma, numa posição limítrofe entre o Oriente e o Ocidente. E, num corredor comercial e migratório disputado desde a época dos grandes impérios antigos (Novo Império egípcio, Império Assírio, Império Babilônico caldeu, Império Persa, Império Macedônio ou Helenístico, Império Romano). Depois, vieram os impérios Bizantino, Sarraceno, Otomano,  Britânico, Francês, etc. Os quais também disputaram a tal região do Eufrates. Essa situação é, ainda hoje, bem semelhante, com o acréscimo do petróleo ambicionado por todos, e da emergência do império norte-americano, e da ex-União Soviética, agora representada pela Rússia.

O prognóstico feito pelo Mestre, acerca da referida crise migratória abrupta e incomensurável, então, precederia, em tempo breve, tanto  ao “Dia do Senhor” ou Har-Magedon , isto é convulsões sociais generalizadas, no solo da rede global do grande mercado (cf. Ap 16, 14,16). Precederia, também, a 2ª emergência do Cristo Jesus ou daquele que diz: “Eis que venho como ladrão!“, o que dá no mesmo. (Ap 16, 15).

Quanto ao trecho do Apocalipse que focaliza os “três espíritos imundos semelhantes a rãs” (Ap 16, 13-14). O qual segue, imediatamente, ao trecho que trata da “sexta taça da ira de Deus contendo flagelos e derramada no rio Eufrates” (Ap 16, 12). Consulte a explicação que já fornecemos, e que consta no vídeo-palestra intitulado “Os 3 espíritos imundos do Apocalipse”, que se encontra postado no Youtube.[1]

A tal crise migratória abrupta e incomensurável  precederia, ainda, a iminente, igualmente incomensurável, prolongada e global crise sócio, econômica e política. A qual consistiria na sétima e última taça de flagelos, que o Deus do amor, do direito e da justiça mandaria o sétimo anjo derramar por todos os ares. Crises essas que provocariam como que um terremoto social tão grande, como jamais houve desde que há homens na terra. Ou seja, provocaria a queda em rede global ou “efeito dominó”, tanto dos Estados imperiais, ao exemplo dos Estados-Unidos, Rússia, China, União Européia, etc. Mas também, a queda dos Estados submissos, ao exemplo do Brasil e toda a América latina submissos aos norte-americanos, e outros em situação análoga, relativa a outros impérios. Mesmo os Estados relativamente independentes, como a Índia e o Paquistão também cairiam. Todos entrelaçados na rede global de mercados, seriam tomados por convulsões sociais intestinas graves, decorrentes dessa crise geral, agudíssima e prolongada: Vamos ao texto da taça derramada pelos ares:

O sétimo derramou a sua taça pelos ares, e saiu do templo uma grande voz que dizia: ‘Está pronto!’… um terremoto tão grande, como jamais houve desde que há homens na terra” (Ap 16, 17-18-b).

O “grande terremoto” em tela seria acompanhado do início de longo processo de fragmentação em três grandes partes (Sem, Cam e Jafet), do grande mercado global. Esse “grande terremoto seria acompanhado, também, da queda da “grande cidade”. Esta expressão significa a mesma coisa que a “grande Babilônia“.Ou seja, o conjunto da classes médias citadinas, onde se concentra todos os blocos ideológicos e respectivos blocos históricos. Os quais viabilizam, através do grande poder de demanda, a existência do grande mercado global e a respectiva produção capitalista (cf. Ap 16, 19). E, por fim, ocorreria a vitória do Cordeiro de Deus e seus fiéis seguidores, contra todas as forças malignas contemporâneas, tanto religiosas como cientificistas (Ap 17, 14).

A queda da “grande cidade” ou da “grande Babilônia” ocorreria, por outro aspecto, no interior de cada “ilha“, símbolo que significa “Estado nação” e também no interior de cada “montanha“. Este outro símbolo representa a noção de “grade império“, ao exemplo do norte-americano, do russo, do chinês, etc. (cf. Ap 16, 19-b-20). A abordagem mais detalhada acerca da queda da “grande cidade Babilônia”, só faremos em outra oportunidade. Mas, podemos dar uma idéia acerca do tamanho da catástrofe social, que o Mestre está nos prevenindo.

Após a morte de Mao Tsé-Tung, em 1976, e já a partir de 1978, o bloco histórico chinês, então, reestruturado, iniciou a fabricação, impiedosa e acelerada, de uma classe média poderosamente consumista. Em apenas cerca de 30 anos, ela já estava constituída, e conta, hoje, com cerca de 350 milhões de consumidores vorazes. Porém, sobre cerca de 1 bilhão e 40 milhões de trabalhadores miseráveis. A queda dessa “grande cidade Babilônia” chinesa, pode nos dar a dimensão da catastrófica convulsão social, que provocará.

Vejamos a fragmentação tripartite do grande mercado global. Fenômeno sócio-histórico homólogo a essa fragmentação tripartite ocorrera, anteriormente, com a característica de ruptura brusca de processo. Quando o grande mercado global pré-diluviano atingiu ao seu limite de expansão e de complexidade, e também o clímax da sua depressão sócio, econômica e política, fragmentando-se em três grandes partes:[2] Sem (a Mesopotâmia, o Elam e demais mercados macrorregionais circunvizinhos; Cam (os países do Sul; Egito, Etiópia, Arábia, Canaã, etc.; Jafet (países da Ásia Menor e das ilhas do Mediterrâneo).[3]

Na atualidade, alguns especialistas em Política Internacional já vislumbram a tendência do o mundo será tripolar com os blocos transatlântico, eurasiático e do Oriente Médio. Nessa direção, afirma, por exemplo, o politólogo alemão, Alexander Rar, em seu livro chamado “Rússia-Ocidente: quem ganha?”. Em uma entrevista, ele disse:[4]

“No período atual, serão criados três centros de poder, três blocos. No norte da África o arco de instabilidade e extremismo islâmico vai se reforçar a partir da Argélia e Marrocos até o Afeganistão [Bloco do Oriente Médio], pois nessa região atuam forças muito bem organizadas, enquanto os países nesses territórios estão fracos, primeiramente em termos econômicos, e existe fator de influência de países estrangeiros.

O bloco transatlântico vai se fortalecer em algumas regiões, enquanto outras continuarão inconsistentes. Embora nem todos os países europeus consigam se integrar ao bloco, o transatlântico continuará existindo com base nos valores, ideias e estratégias comuns… No espaço euroasiático será criada uma aliança entre países que deverão se unir para desempenhar papel crucial neste mundo… A última aliança será criada em torno dos BRICS ou da Organização para Cooperação de Xangai… Nesta aliança poderá existir união geopolítica, geoestratégica entre a Rússia, China, Irã, e possivelmente Índia e Turquia”.

 

[1] Cf. Machado, F. A.: vídeo-palestra: “Os três Espíritos Imundos“: https://www.youtube.com/watch?v=haXJbnh9x2c   Para consulta em TEXTO acompanhado de citação bibliográfica, etc.: http://tribodossantos.com.br/2016/03/os-3-espiritos-imundos-do-apocalipse/.

[2] Cf. o esclarecimento fornecido por exegeta, na Bíblia de Jerusalém, no rodapé da p. 47, item “a”, referente ao Gn 10, 1.

[3] Cf. Machado, F. A. O Dilúvio – Na realidade sócio-histórica pré e pós diluviana interpretada pela cronologia da teoria da genealogia de Adão – Linha do Tempo, 1ª Edição, edição do autor, Rio de Janeiro, 2010, p. 21-22.

[4] Alexander Rar apresentou seu livro chamado “Rússia-Ocidente: quem ganha?”, numa conferência de imprensa na agência MIA Rossiya Segodnya: https://br.sputniknews.com/mundo/201609206363796-mundo-tripolar-decadas/