(TEXTO) Racismo e eugenia kardecitas & Religiões afro-brasileiras como entraves culturais

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1. Os problemas dos cultos afro-brasileiros e suas relações com o racismo kardecista
Os fundamentos racistas e eugenistas do kardecismo e do seu fundador, Allan Kardec, foram bem pesquisados e expostos, em 16/09/17, por Ad Junior, em vídeo publicado no Youtube, com o título “Kardecismo: Racismo e Eugenia na Classe Media Brasileira”. [1] O vídeo de Ad Junior forneceu-me alguns importantes esclarecimentos, acerca do espiritismo kardecista racista das classes médias brasileiras. Estou agradecido por isso.
O espiritismo racista teve origem na França de Allan Kardec. O qual publicou textos racistas inequivocamente de sua autoria, todos baseados nos “princípios do darwinismo social” (racismo supostamente científico), e do positivismo, conforme podemos ver em Geledés – Instituto da mulher negra, no artigo: “O povo, o kardecismo e o racismo. [2] Os esclarecimentos fornecidos por Ad Junior, realmente me ajudaram, em pesquisa que focalizo, mas por outro aspecto, o kardecismo racista de determinadas pessoas da classe média, no Brasil. Ou melhor, focalizo as relações entre, por um lado, o espiritismo kardecista racista no Brasil, e por outro lado, os “entraves” criados por sacerdotes ligados à cultura espírita de origem afro-brasileira.
Agora, pasmem! Muitos pais e mães de santo assimilaram e introduziram, contraditoriamente e de modo muito sutil, determinados aspectos do racismo kardecista, em religiões de matriz africana.[3] Focalizo, também, a causa comum a esses dois fenômenos sociais, e mais algumas relações entre eles. Os referidos “entraves” foram criados e vêm sendo mantidos, incoerentemente, por sacerdotes que se dizem de origem afro-brasileira, precisamente em detrimento da identidade cultural de todo tipo de trabalhador negro, mestiço, nordestino, indígena e branco pobre. Refiro-me a entraves sobretudo de natureza cultural, mas também as suas consequências práticas.
Na verdade, os sacerdotes de origem afro-brasileira criaram os aludidos “entraves”, por um aspecto, como forma de resistência cultural e de sobrevivência. Obviamente, como resultante da resistência cultural e adaptação, para fazer frente à forte repressão historicamente exercida, pela casta portuga descendente racista e seus padres. Repressão contra os sacerdotes, o povo e respectiva cultura afro-descendente, incriminando-os segundo a aplicação do Código Penal de 1890 (Decreto nº 847, de 11/out/ 1890; Art. 157, 158 e 382). A lei publicada nessa data, apenas respaldava as normas com peso de lei, já há muito impostas pela casta portuga descendente, criminalizando sacerdotes, seguidores e respectivas religiões de matriz africana.[4]
Apesar do aspecto louvável do caráter de resistência, entretanto a forma como os sacerdotes (pais e mães de santo) criaram e vêm administrando suas religiões (umbanda, quimbanda, catimbó, pajelança, candomblé de caboclo, etc.), na realidade se tornou caduca, e têm servido como entrave. O qual vem prejudicando o desenvolvimento cultural, notadamente da população negra, mestiça, indígena, nordestina e mesmo a população constituída de trabalhadores brancos pobres adeptos dessas religiões de matriz africana.
Pior ainda, por um aspecto, muitos pais e mães de santo atribuem a cada um dos tipos espiritual (pretos e pretas velhas, baianos, boiadeiros, caboclos, marinheiros, exus, etc.), que baixam em seus terreiros, caráter fantasioso, folclórico e alienado da realidade perversamente repressora e sofredora em que viveram. Por outro aspecto, pais e mães de santo tipificam, estrategicamente, o conjunto formado por essas entidades espirituais, conforme fica mais evidente no catimbó, mas enfocando, enfaticamente, segundo o esquema dicotômico: “esquerda” (mágicas e entidades maléficas apresentadas ao consulente) versus “direita” (mágicas e entidades beneficentes apresentadas ao consulente). [5] Essa tipologia dualista vem servindo para nublar, por dois aspectos, a perspectiva e o entendimento que focaliza, de modo objetivo, a realidade social, para “além do bem e do mal”, conforme Nietzsche ensina:[6]
A crença medular dos metafísicos é a crença na antinomia dos valores. Nem aos mais avisados entre eles ocorreram dúvidas desde o início, quando teria sido mais necessário: ainda que tivesse feito voto ‘de onnibus dubitantum’ [‘tudo deve ser posta em dúvida’]. Entretanto deve-se duvidar, imediatamente, da existência de antinomias; depois dever-se-ia perguntar se as valorações e as oposições de valores usuais às quais os metafísicos apuseram seu sinete, não são apenas valorações superficiais, perspectivas momentâneas, tomadas a partir de um ângulo determinado, perspectivas de peixe, no faizão dos pintores”.
Note que os espíritos tipificados pelos pais e mães de santo, nada falam a respeito da realidade social perversamente opressora das suas vidas pessoais, nem do contexto social, e tão pouco dos que o oprimiam perversamente, isto é, casta portuga descendente e seus padres. Essas realidades parecem que não existiram, e nem precisam ser, na atualidade, transformadas para melhor. Mesmo que tais espíritos vejam, na atualidade, os sofrimentos análogos aos que passaram em vida, que seus consulentes lhes exponham e peçam socorro.
Por um lado, a tipologia dualista dissimula a realidade terrivelmente injusta e opressora vivenciada pelas pessoas, que serviram como objeto de tipificação: preto velho (escravos negros), baiano (pessoas nordestinas oprimidas), boiadeiros (única forma de trabalho escravo, em que o índio sobrevivente do extermínio do seu povo conseguia exercer, porque longe do senhor, pois os índios morriam, de tédio, trabalhando a terra próxima à casa grande, e assistindo a casta portuga descendente exterminar o seu povo), etc.
Por outro lado, a dicotomia “mal versus bem” dissimula a perversa realidade histórica da sociedade nacional, em que se encontrava e era dirigida pela a casta portuga descendente e seus padres. Os quais vêm exercendo toda forma de opressão, contra as pessoas que serviram como objetos de tipificações: preto velho (escravos negros), baiano (nordestinos pobres), extermínio de índios, escravidão (de índio e depois, sobretudo de negros), exploração do trabalho “livre” (ao menos formalmente) de brancos pobres, etc.
Tudo isso vem favorecendo a muitos teólogos e sacerdotes picaretas de religiões racistas e eugenista (kardecismo, protestantismo, denominações evangélicas, catolicismo, etc.), no sentido deles fazerem, de modo escroto, os tipos espirituais da matriz africana, objeto de escárnio público, no Brasil.[7] Escárnio na opinião pública que vem recaindo, como efeito bumerangue, também nos próprios pais e mães de santo, em seus cultos e seguidores. Em alguns casos, o escárnio público motivou o apedrejamento de membros de religiões de matriz africana, e também atos de vandalismo contra centros espíritas.[8] Vou explicar a natureza desses entraves e como eles têm prejudicado a identidade cultural desses segmentos sociais.
1.1. Causa da criação, no Brasil, do espiritismo kardecista racista, e, do espiritismo afro-descendente, como entraves culturais
A aristocracia portuguesa que invadiu, roubou as terras e iniciou o processo de extermínio dos índios, indiscutivelmente e por esse mesmo fato apresentava a identidade cultura de naturezas ladra, escravagista e assassina. A liderança política e “econômica” (grupo fundamental), da casta portuga descendente herdou os traços da identidade cultural da aristocracia portuguesa, que era embebida e aliada à cultura católica, própria do seu bloco ideológico. O qual que é tradicionalmente constituído de teólogos, sacerdotes, monges, frades, freiras e mesmo muitos leigos da cultura católica. A casta portuga descendente permaneceu embebida e aliada ao clero e à cultura católica, que aqui se manteve como seu bloco ideológico.
Todo bloco ideológico exerce, ao exemplo daquele que integra a casta portuga descendente, a precípua função de moldar e controlar, hegemonicamente, a cultura e respectiva opinião pública, na nação em que esteja inserido. O conjunto articulado em forma de aliança entre as lideranças política e econômicas, e, o bloco ideológico, pode ser rotulado de bloco histórico nacional. O bloco ideológico molda e controla a opinião pública, assim ele se mancomuna com as lideranças políticas e econômicas, para juntos dominarem e explorarem, mais facilmente, a massa pobre trabalhadora “livre” ou escrava de uma nação.
As noções de “bloco ideológico”, “liderança política”, “grupo fundamental”, “bloco histórico”, “campo da sociedade civil”, “campo do Estado”, “crise de hegemonia”, etc. são importantes “ferramentas” gramscianas, isto é, são métodos de interpretação da realidade sócio-histórica de uma nação, que podem propiciar a intervenção diligente e eficaz, nessa realidade, notadamente através do campo da “sociedade civil” (cultural), que é mais flexível, do que o campo do Estado. [9]
O referido bloco histórico vem exercendo, na realidade histórica nacional, cerca de quinhentos anos de intensa repressão política, jurídica, social, física e cultural, contra os povos e respectivas culturas indígenas e a seguir também contra os afro-descendentes. O objetivo sempre consistiu em lhes moldar, de modo submisso, as respectivas identidades culturais, a fim último de mais facilmente dominar, de modo ideológico e político, para explorá-los economicamente.
A repressão exercida pelo referido bloco histórico, como meio de controle social, através da moldagem da identidade cultural da nação, na realidade impõe ou ao menos condiciona, diligentemente, características alienantes e obtusas, na formação da identidade cultural da nação em geral, e também na formação da identidade cultural de movimentos culturais, ao exemplo do kardecismo eugenista, da cultura afro-descendente, etc. Esse meio de controle social é que favoreceu a produção, entre “outros fenômenos sociais” (a “recente” criação e ascensão no Brasil, do fundamentalismo protestante, evangélico, etc.), de mais dois entraves ao desenvolvimento cultural da nação. Dois entraves esses que estou tratando mais especificamente aqui: 1. A formação e o crescimento da população dos teólogos e sacerdotes espíritas kardecistas racistas; 2. A formação, crescimento inicial e posterior queda da população de teólogos e sacerdotes afro-descendentes da umbanda, quimbanda e outros sincretismos do gênero, que atuam como entraves culturais com relação à sua base social.
A casta portuga descendente e seus padres vêm operando, estrategicamente, também com a técnica “Divide et Impera” (dividir para governar). Através do modelo de repressão e de moldagem de culturas obtusas e submissas impingidas nos segmentos religioso afro-descendentes, e do favorecimento ao desenvolvimento do racismo kardecista, protestante e evangélico. A estratégia que consiste em dividir para governar, na realidade vem sendo favorecida, também, pela concorrência entre os diferentes teólogos e sacerdotes dos respectivos grupos religiosos em tela, com vistas a aliciarem seus respectivos rebanhos, no mercado das dádivas, ofertas, dízimos, etc.
No contexto da estratégia de “dividir para governar”, a casta portuga descendente e seus padres vêm contando, desde as décadas 50-70, com uma colaboração preciosa, os teólogos e sacerdotes kardecistas, protestantes e evangélico. Atualmente, o conjunto formado por teólogos e sacerdotes kardecistas, protestantes e evangélico vêm mostrando desempenho muito eficaz e mais pronunciado que a repressão historicamente advinda da casta portuga descendente e seu clero católico. kardecistas, protestantes e evangélico passaram a atuar, a partir da décadas 50-70, mais sistemática e acintosamente, no sentido de discriminar e endemonizar pais e mães de santo, suas religiões e seguidores. [10]
Ou seja, a referida casta e seus padres favoreceram ao desenvolvimento, dos teólogos e sacerdotes protestantes, evangélicos e kardecistas racistas, e vêm levando em conta, a preciosa e eficaz colaboração desses racistas. Preciosa e eficaz colaboração, no sentido deles combaterem, desqualificarem e ainda tornarem escárnio público, os sacerdotes da cultura de matriz africana, a respectiva cultura e os seus seguidores, diante da opinião pública em geral, e em particular, diante dos próprios seguidores dos sacerdotes afro-descendentes. Desse modo, a casta e seus padres puderam sair da linha de frente, na repressão contra os sacerdotes das culturas de matriz africana, e ficarem mais reservados, e deixarem a linha de frente ao cargo dos teólogos e sacerdotes das religiões racistas, que a casta portuga descendente e os próprios teólogos e sacerdotes católicos favoreceram o desenvolvimento recente, no Brasil.
A avaliação que ora estou expondo, na realidade seria mera “teoria da conspiração”? Quem pode decidir de modo mais apropriado a respeito dessa avaliação, são os sacerdotes (pais e mães de santo) da cultura de matriz africana e seus seguidores. Os quais vêm sendo, sistematicamente, vilipendiados pelos teólogos e sacerdotes racista kardecista, evangélico, protestantes, etc.
Para produzir o quadro que mostrei acima, a referida casta e seus padres têm favorecido, através de legislação permissível, tolerância e omissões, ao crescimento das religiões racistas em apreço. Pois, as atividades da maioria dos teólogos e sacerdotes evangélicos e protestantes seriam, num país sério, enquadradas com um “tipo de estelionato”.[11] As práticas sutis e disfarçadas de racismos poderiam ser, também, consideradas como transgressões penais, etc.
2. Mordaça na boca dos espíritos das religiões afro-descendentes – Atitude fraca e indefesa dos sacerdotes de matriz africana frente aos seus agressores – Possibilidades de reação
Os sacerdotes afro-descendentes entendem que estão e como estão sendo combatidos e abatidos, mas não empreendem uma reação vigorosa e eficaz, contra o linchamento cultural público, que vêm sofrendo. Apenas lamentam, sobretudo quando membros das suas religiões são agredidos, notadamente por membros de religiões fundamentalistas evangélicas e protestantes. Assim, eles vêm perdendo os embates de ideias, na opinião pública. Pois, de modo simplório, tais lamentações têm sido sem resultado e incoerentemente endereçadas a algum tipo de autoridade ou da mídia ditatorial modelo globo de vandalismo cultural. Mídia essa controlada, precisamente, pelos seus próprios algozes, ou seja, pela casta portuga descendente, no campo do Estado.
Os sacerdotes afro-descendentes deveriam impulsionar, a partir de dentro dos seus terreiros, e daí para fora deles, o Deus Oxalá, e propagar seus atributos. Ou seja, deveriam exaltar e impulsionar mais do que vem fazendo – a melhor defesa é o ataque -, o Deus Criado, que também é o Deus do direito, da justiça e do amor. Note que religiões racista a exemplo da Igreja Universal combatem as religiões afro-brasileiras, a partir de dentro dos seus locais de culto, e também fora.
No interior das igrejas tanto racista kardecista como evangélicos e protestantes igualmente racista, seus teólogos e sacerdotes dão voz, mas ridicularizando e fazendo escárnio público, contra os espíritos cultuados em religiões de matriz africana. Cujo objetivo consiste, precisamente, em estender esse escárnio público, e fazê-lo recair nos sacerdotes (pais e mães de santo) de origem afro-descendente, suas religiões e seguidores.
Os pais e mães de santo deveriam evocar a ajuda de Oxalá, o Deus do direito, da justiça e do amor, tanto em defesa deles como dos seus cultos e seguidores. Pais e mães de santo deveriam parar de censurar, a partir de dentro dos seus terreiros, as entidades espirituais (preto velho, boiadeiro, caboclo, baiano, Zé Malandrinho, Pomba gira, etc.). Pais e mães de santo têm a obrigação de dar voz crítica e transformadora a todas essas entidades espirituais, que foram injustiçadas, oprimidas, etc.
Ora, se sacerdotes racistas kardecistas, protestantes e evangélicos dão voz aos espíritos das religiões de matriz africana, para fazem dos pais e mães de santo e suas culturas escárnio público em todo Brasil, por que motivo os pais e mãe de santo não reagem ao mesmo nível? Por que pais e mães de santo não dão voz crítica e transformadora, aos mesmos espíritos, tanto para se defenderem desse escárnio público como para denunciarem as intenções discriminadoras, racistas e as fraudes praticadas pelos teólogos e sacerdotes racistas?
Os sacerdotes das religiões de matriz africana deveriam invocar Oxalá, mas também elevar e levar a voz dele, isto é, o que ele representa (Deus do direito, da justiça e do amor), e agir, no campo da sociedade civil, no sentido de libertar as pessoas “encadeadas” nas doutrinas racistas e eugenistas dos teólogos e sacerdotes kardecistas, evangélicos, protestantes, católicos, etc. Note que é precisamente e sobretudo no campo da sociedade civil, que os teólogos e sacerdotes fundamentalistas discriminadores e adeptos do paulinismo vêm atuando, de modo acintoso, contra a raça negra, mestiça e indígena; contra nordestinos (entidades espirituais chamadas de “baianos”) e também contra a liberdade da mulher e de pessoas do gênero LGBT.[12]
Muitos sacerdotes de origem afro-descendentes se inserem, etnicamente, entre pardos e negros, cujo somatório representa a metade e um pouco mais da população brasileira, conforme dados do IBGE.[13] No entanto, esses sacerdotes de matriz africana (pais e mães de santo) têm sido fracos e incompetentes, e vêm perdendo, para os fundamentalistas e racistas kardecista, protestantes e evangélicos, e católicos, o embate de ideias, no campo da sociedade civil. Em decorrência disso, os fundamentalistas racistas e adeptos do paulinismo vêm avançando, para a obtenção de maior participação, também, de poder, no campo do Estado, através de eleições corruptocratas e de infiltração em diversos setores e níveis dos aparelhos do Estado.
Do modo indicado acima, os racistas religioso estão aumentando o poder de combate contra as religiões afro-brasileiras. Muitos pais e mães de santos não se dão conta disso, e continuam seguindo a linha caduca e de entrave cultural de manifestação religiosa, que a casta portuga descendente e seus padres lhes condicionaram, durante séculos de repressão cultural.
Enfim, urge uma reforma cultural nas religiões de matriz africana. Essa reforma cabe aos atuais pais e mães de santo executarem, sob pena de sucumbirem, e com eles, a massa da população étnica (parda e negra) e nordestina (“baianos”), que eles representam, diante do avanço dos teólogos e sacerdotes racistas. Os atuais pais e mães de santo integram uma tradicional sequência de teólogos e sacerdotes incompetentes, mais preocupados com prestígios e as dádivas, que com o progresso cultural e material das etnias e outros segmentos sociais que eles representam.
Faz tempo que pais e mães de santo vêm perdendo o embate de ideias, para os teólogos e sacerdotes racistas e fundamentalistas kardecistas, evangélicos e protestantes, sem esboçar reação vigorosa e eficaz. Creio, portanto, que esses pais e mães de santo tendem a continuar seguindo a tradicional e entravada forma de manifestação religiosa, que a casta portuga descendente e seus padres lhes condicionaram, durante séculos de repressão cultural..
Hoje, vemos novos sacerdotes de culturas da matriz africana, mas também do tarô, cabala, astrologia, alquimia medieval. etc., atuando na internet e publicando livros, de modo a exaltar o empreendedorismo capitalista próprio da ética protestante, de forma semelhante às quadrilhas de pastores da teologia da prosperidade ou dos novos “profetas do otimismo”, da auto-ajuda ou hei de vencer. Vemos, na atualidade, esses tipos de novos sacerdotes, inclusive da culturas de matriz africana, trabalhando como coaching (treinamento). Todos esses tipos de sacerdotes embebidos de individualismo, na verdade buscam arranjar algum dinheiro, engabelando e se aproveitar do grande número de desempregados, diante da grave crise econômica nacional e global.
Embora o ditado popular diga, satiricamente: “quem espera é mulher grávida”. Ainda assim, espero ver o surgimento de novos pais e mães de santo, verdadeiramente iluminados pelo Espírito de Oxalá – o Deus do direito, da justiça e do amor – nas diferentes formas como ele pode se apresentar. Isto é, Oxalá moço e vigoroso (chamado Oxaguiã, identificado no jogo de búzios pelo odu ejionile) e Oxalá velho e experiente (chamado Oxalufã). Espero ver pais e mães de santo iluminados, que colaborem com Oxalá, para reformar e revolucionar a cultura afro-descendente e os terreiros de macumba, dando voz crítica e transformadora ao preto velho, preta velha, boiadeiro, baiano (tipos nordestinos), caboclo, pomba gira, Zé Malandrinho, Ze Pilintra, etc.
Os pais e mães de santo vêm mantendo censurados, os espíritos, com os quais trabalham, nos terreiros de macumba. Esses sacerdotes afro-descendentes estão fazendo com os espíritos, algo assemelhado que o senhor portuga descendente fizera com a escrava Anastácia. Em casos como esse, um espírito iluminado e revolucionário diria aos pais e mães de santo: “Se vocês continuarem calando os espíritos dos trabalhadores escravizados, desempregados, etc., então, as próprias pedras dos terreiros de macumba falarão!”
Que mãe (ou o pai) de santo não se espante, quando evocarem o Zé Malandrinho, e este baixar no terreiro, e se dirigir a ela, dizendo: “Mãe! Deu mole! Deixou o bispo Mamon, meia dúzia de pastores 71 de merda, estelionatários e graneiros, e mais os kardecistas racistas fazerem de nós escárnio público, em todo Brasil! Mãe, se manca! Malandro sou eu, que sobrevivo, mesmo desempregado, mas sem enganar as pessoas, nem tomar dinheiro delas. Se manca, mãe!” O que a mãe de santo responderia? O Zé Pilintra, a pomba gira, o baiano e outras “pedras do terreiro”, certamente se revoltarão e dirigirão, brevemente, para a mãe ou pai de santo entravados, e falarão alguma coisa parecida, com o exemplo que dei acerca da fala do Zé Malandrinho.
A nação brasileira está amaldiçoada por falsos deus, o deus ou deuses dos teólogos e sacerdotes racistas. Note que o Brasil está entre os primeiros lugares, em tudo de ruim: estupro, Ensino de muito baixo nível, linchamento, corrupção, dívida externa e pública, população carcerária, religiões racistas, assassinato em geral, assassinato de gays, negros e mestiços, etc.
Os teólogos e sacerdotes das doutrinas racistas em tela, na verdade têm suas condutas moldadas pelos falsos deuses, Mamon e Belzebu. Mas, dissimulados na figura de Jesus e do seu Pai. Mamon, o deus do dinheiro e da riqueza representa, sobretudo, o tipo ideal da conduta dos sacerdotes evangélicos e protestantes. Belzebu, o deus que vive, alegoricamente, como as moscas sugando as feridas das pessoas, na realidade representa o tipo ideal de todos os teólogos e sacerdotes, que vivem e se enriquecem através dos sofrimentos das pessoas, prometendo-lhes falsos lenitivos e subtraindo-lhes algumas formas de valores. Esses falsos deuses na verdade nunca existiram, eles representam, apenas, antigas tipificações de condutas próprias de determinados tipos de teólogos e sacerdotes.
Os sacerdotes afro-descendentes deveriam evocar verdadeiros espíritos iluminados, mas iluminados pelo Espírito maior e verdadeiro, que é Oxalá, o Deus Criador, Deus do direito, da justiça e do amor, nas diferentes formas como ele se apresenta. Isto é, Oxalá moço e vigoroso (chamado Oxaguiã,) e Oxalá velho e experiente (chamado Oxalufã).[14] Ou seja, pais e mães de santo precisam deixar, por exemplo, o próprio “preto velho” relatar aos seus consulente, a realidade de toda opressão e injustiça que os negros escravizados sofreram, sob a dominação e exploração perversas de membros da casta portuga descendente.
O preto velho deveria sugerir e mesmo exigir de seus consulentes, que lutem para mudar o tipo de sociedade em que vivem, porque esse tipo de sociedade não é muito diferente daquela em que o preto velho penou em vida. O preto velho pode orientar o consulente a ajudar, a esclarecer e libertar pessoas presas nas “doutrinas” (cadeias ideológicas) racistas e eugenistas, ao exemplo das “cadeias” kardecistas, evangélicas, protestantes, católicas e outras do gênero. Pois, somente assim tais consulentes poderiam ser abençoados pelo único e verdadeiro Deus: o Oxalá da justiça, do direito e do amor, e também obterem os favores desejados, desde que condizentes com o Espírito de Oxalá.
Os sacerdotes afro-descendentes que agissem do modo que indiquei acima, com relação ao preto velho, poderiam adequar e aplicar o modelo análogo, em referência ao “boiadeiro” (única condição em que o indígena que escapou do extermínio, assim conseguia sobreviver como escravo, porque na lavoura ou em outras atividades, perto dos seus carrascos, morreria de tédio, lamentando ver seu povo ser exterminado pelos portugas descendentes). O modelo em tela poderia ser aplicado, analogamente, em referência ao “baiano” (tipos nordestinos), ao caboclo (mestiço), ao Zé Malandrinho, a Pomba Gira (prostituta), etc.
A estratégia de controle social através da moldagem da cultura kardecista de natureza racista, e, da cultura afro-descendente como entrave cultural, na realidade se insere no projeto mais amplo de controle social. Projeto esse voltado para o retardamento no nível cultural da nação, que inclui o impulso dado à criação e crescimento das religiões protestantes, evangélicas, kardecistas e outras do gênero. Por um aspecto, esse projeto vem acontecendo no campo da sociedade civil. Mas, inclui, também, no campo do Estado, a “nova catequese” (Sistema de Ensino Nacional) voltada para o referido controle e retardamento cultural. E mais, inclui toda a mídia ditatorial, modelo globo de vandalismo cultural, que é financiada pelo Estado e pelas empresas controladas pelo sistema bancário internacional.
Pais e mães de santo precisam atualizar e reformar as religiões de origem afro-descendentes, de modo a torná-las efetivamente condizente com a defesa e o progresso cultural dos povos, que eles se dizem representantes.
Será que existem pais e mães de santo mancomunados, com a casta portuga descendentes, seus padres e seus mais recentes aliados (racismo kardecista, evangélico e protestante)? Será que em decorrência de tanto cederem, durante séculos de repressão, agora, alguns pais e mães de santo estariam agindo, consciente e deliberadamente, contra a defesa e o progresso cultural dos povos, que eles se dizem representantes? Será que alguns pais e mães de santo estariam agindo desse modo, com o mesquinho intuito de preservarem prestígio e o recebimento de dádivas. Seria interessante desenvolver pesquisas nessas direções.
3. Kardecismo: racismo espírita e eugenia na classe media brasileira entre segmentos que exercem trabalhos intelectuais
A repressão exercida pela casta portuga descendente e seus padres, na realidades reproduziu, no campo da cultura espírita, a mesma injusta e perversa hierarquia e estratificação social da divisão social do trabalho material e intelectual, que eles criaram e instalaram na nação brasileira. Ou seja, de um lado, os supostos “espíritos de luz” e os fundadores do racismo kardecista representam pessoas que exercem ou supostamente exerceram trabalhos intelectuais, e do outro lado, as entidades do espiritismo de matriz africana, representam, em geral, pessoas que exerceram trabalhos materiais (pretos e pretas velhas, boiadeiros, caboclos, “baianos” (entidades espirituais de povos nordestinos), etc. Ou entidades espirituais de pessoas que estavam, de alguma forma, desempregados ou sem trabalho (Zé Malandrinho, Zé Pilintra, Pomba Gira, etc.).
Por um aspecto, os sacerdotes fundadores das correntes kardecistas brasileiras, na verdade são, evidentemente, pessoas brancas, da classe média portuga descendente, que exerciam trabalhos intelectuais, e que selecionaram seus ditos “espíritos de luz”, entre os tipos sociais (médicos, sacerdotes, educadores, oficiais militares, etc.) da sua classe. Por exemplo: o médico Dr. Bezerra de Menezes; Frei Luiz; freira Joanna Angélica (Joanna de Ângelis). etc. Ou tipo imaginário da classe média (médicos militares: Dr Adolfo Fritz; Dr. Frederick Von Stein), que seriam originários de nações onde o protestantismo e o kardecismo racistas e eugenistas surgiram. Lá, o kardecismo foi esquecido, em razão da sua inconsistência e característica obtusa, mas o protestantismo continuou proliferando. [15]
É oportuno observar, que o tipo “Dr. Adolpf Fritz” – cuja pronúncia soa próxima e lembra “Adolf Hitler” – é imaginado como um suposto médico do exército alemão, caridoso, ruivo e de olhos muito azuis – note, segundo Kardec, o tipo branco é bonito; o tipo negro é feio -, que teria morrido na época da Primeira Grande Guerra (1014-1918). Esse tipo paira, como santo, no imaginário de determinados segmentos da população brasileira, notadamente na cidade Rosário do Sul – RS. Onde a cultura da casta portuga descendente e o positivismo tiveram forte influência.[16] O suposto Dr. Frederick Von Stein segue a mesma linha de imaginação racista e eugenista. Ele teria sido um médico que supostamente pertencera ao exército da Alemanha nazista de Adolf Hitler, por ocasião da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). [17]
Não é por mera coincidência, que médicos da classe média tanto brasileira como alemã são endeusados no racismo kardecista brasileiro. Pois, Precisamente no Brasil foi onde se desenvolveu, fora da Alemanha, o maior partido nazista de Adolf Hitler. Note que Hitler favoreceu a classe médica alemã constituída de arianos, em detrimento do grande número de médicos judeus alemães. Note, ainda, que a classe médica alemã estava entre os muitos seguimentos sociais, que apreciaram e ajudaram a ascensão de Hitler na Alemanha.
É oportuno lembrar, que o Sul do país foi tomado por populações oriundas do processo eugenista e racista de “embranquecimento” (higienização) e “europeização” (extermínio e roubo das terras dos índios). Processo esse planejado e iniciado por D. Pedro II, o rei filósofo-racista-eugenista, que foi influenciado pelo seu tutor, José Bonifácio de Andrada e Silva. O rei filósofo-racista-eugenista vivia mais na Europa que no Brasil, e de lá enviou muitos emigrantes de diversas nações, para o Brasil, como forma de concretizar o projeto seu e de José Bonifácio de Andrada e Silva.
O projeto do rei filósofo-racista-eugenista tinha como finalidade, também, não deixar terras para as populações negras e mestiça, que naquela ocasião cresciam, enquanto os portugas descendentes iam exterminando os índios e roubando-lhes as terras. Muitos dos imigrantes europeus trouxera consigo o ranço racista e eugenistas, próprios da cultura de origem. Muitos deles foram cooptados e assimilaram os perversos valores da casta portuga descendente (racista, escravagista, católica, positivista). Assim, formou-se, no Brasil, um paralelo opressor sobre negros, índios, mestiços e brancos pobres: a aliança entre a casta portuga descendente, e, a casta eugenista oriunda da Europa. Essa aliança pode ser chamada, também, de “Brasil Paralelo”.
No Brasil da casta portuga descendente racista, o kardecismo encontrou solo fértil para proliferar, e os atuais líderes e seguidores do kardecismo seguem, conscientemente ou não, a mesma linha racista e eugenista de Allan kardec. Junto com os evangélicos e protestantes igualmente racista, a população que se diz kardecista também vem crescendo, segundo os últimos dados estatísticos do IBGE.[18]
3.1. Espiritismo de matriz africana como entrave cultural entre segmentos que exercem trabalhos materiais
Por outro aspecto, sacerdotes de outras correntes espiritualistas (umbanda, quimbanda, candomblé caboclo, etc.) embora muitos deles sejam originários de povos negros africanos e da cultura afro-brasileira, no entanto selecionaram, de modo depreciativo e discriminatório, tipos sociais que exerciam trabalhos materiais, mas com características culturais alheias à realidade opressora e sofredora em que viviam. Pois, os sacerdotes da cultura de matriz africana selecionaram, precisamente, tipos sociais trabalhadores subordinados, escravizados, discriminados e explorados perversamente, pelos perversos segmentos dominantes da casta portuga descendente. Além atribuir características culturais alienadas à realidade opressora e sofredora em que viviam, os sacerdotes da cultura de matriz africana, atribuíram às entidades com que vêm trabalhando, mais propensão a fazer algum tipo de mal, embora também o bem, além de associá-los com coisas (cachaça, cigarro, charuto, etc.), que os padres procuravam denegrir.
Porém, os tipos que indiquei acima, na verdade são apresentados, de modo folclórico e fantasioso, e com pessoas alienadas à realidade opressora e sofredora em que viviam.[19] Desse modo alienado, folclórico e fantasioso, os referidos sacerdotes afro-descendentes selecionaram e vêm apresentando tipos sociais: o escravo negro (preto velho); o índio (boiadeiro, caboclo) cuja população foi escravizada e quase completamente exterminada; desempregados de natureza mestiça ou negra, que tentavam sobreviver, malandramente, de alguma forma (Zé Malandrinho, Zé Pilintra; Pomba Gira (prostituta); cigana, etc. Ao que parece, esses sacerdotes afro-descendentes estavam interessados tanto em resistir com suas identidades culturais, mas sobretudo preservar prestigio e o recebimento de dádivas e oferendas dos seus seguidores.
Tais sacerdotes afro-brasileiros não selecionaram, deliberada e discriminatoriamente, como entidades espirituais, para baixarem em seus terreiros, nenhum dos inúmeros tipos sociais populares de trabalhadores revolucionários. Por exemplo: Ganga Zumba, Zumbi do Palmares; Manuel Congo, Mariana Crioula (Revolta de Paty de Alferes); Antônio Conselheiro e outros bravos nordestinos; Ahuna, Pacífico e Manoel Calafate (Revolta dos Malês). Eles não selecionaram, deliberada e discriminatoriamente, também líderes de povos que lutaram em defesa das suas terras e culturas, por exemplo: Aimberê, Pindobuçu e Cunhambebe (líderes da Confederação dos Tamoios); os índios que lideraram a Confederação dos Cariris, etc.
Ora, no campo do Estado, a “nova catequese” (sistema de Ensino oficial publico o privado), esses tipos de personagens revolucionária da histórica nacional são apresentados pela perspectivas do vencedor, isto é a casta portuga descendente, e também de modo mistificado. O campo da sociedade civil é mais flexível, ao exemplo do campo religioso, em que acontecem a umbanda, quimbanda, catimbó, os candomblés de caboclo, etc. Esse campo é mais propício para a resistência cultural da cultura afro-descendente e mesmo indígena.
Tão pouco baixam nos terreiros de macumba, os tipos perversos de bandeirante e de fazendeiro que oprimiam e exterminavam sobretudo índios, mas escravizavam e combatiam, desumanamente, os negros revoltados. Os hipócritas e perversos padres, monges, frades e freiras católicos que dirigiam as malditas catequeses, os governadores etc., também não baixam nos terreiro de macumba, que fosse ao menos para fazerem as maldades, que vêm fazendo a mais de quinhentos anos. Alguns desses tipos (frei Luiz, freira Joanna Angélica, etc.) são apresentados, entretanto, como “espíritos de luz” no espiritismo racista do kardecismo.
Algo de podre e invertido vem acontecendo, portanto, no mundo dos espíritos: espíritos opressores, racistas, hipócritas e perversos são considerados espíritos de luz; espíritos dos oprimidos, explorados e exterminados impiedosamente são demonizados e considerados espíritos da trevas.
Pode-se entender, que têm a mesma causa, e que estão, de certa forma, intimamente interligados. De um lado, a formação do tipo branco de sacerdote das denominações kardecistas de origem racista e eugenista, e do seu “mundo dos espíritos”. E do outro lado, o tipo afro-brasileiro de sacerdote das outras denominações espiritualista (umbanda, quimbanda, etc.), que depreciam os segmentos que exercem trabalho material, e discriminam os tipos de negros e índios revolucionários brasileiros. Por exemplo, descriminam Ganga Zumba, Zumbi do Palmares; Aimberê, Pindobuçu e Cunhambebe (líderes da Confederação dos Tamoios).
A casta portuga descendente exerceu, durante muito tempo, forte opressão física, jurídica, social e “cultural” (catequese católica).[20] Desse modo, essa casta favoreceu, de modo intencional e diligentemente, a produção das “duas formas” (tanto o kardecismo racista como as religiões de matriz africana, como entraves alienantes) de ideologia e alienação cultural, na identidade cultural da nação brasileira, e como meio da moldagem de conduta individual e de controle social.
Ao se formarem as classes médias portuga descendentes, estas dispunham de mais liberdade, e da possibilidade de surgirem, na seio dessas classes, sacerdotes dispostos a desenvolverem o eugenismo Kardecista. Pois, a casta portuga descendente vem tolerando isso, à medida que o tipo espiritualista de eugenia kardecista santifica o tipo branco de intelectual da sua classe média, que é a classe média portuga descendente. Esse tipo de espiritismo racista fundado no paulinismo vem atuando, analogamente, como atuam as religiões evangélicas e protestantes (Igreja Universal, etc.), igualmente fundadas na perspectiva do racismo e do paulinismo. Protestantismo racista esse que vem desde a corrente puritana de Calvino, notadamente na sua “doutrina da predestinação”.[21]
4. O incremento iniciado, nos anos 50-70, no sentido de discriminar e endemonizar as religiões de matriz africana
Enfim, tanto os teólogos e sacerdotes do espiritismo racista dos kardecistas como os teólogos e pastores do racismo protestante e evangélico atuam no sentido propriamente etnocêntrico, de discriminar o espiritismo afro-brasileiro. Os sacerdotes que se arvoraram porta-vozes do racismo kardecista (a Federação Espírita Brasileira – FEB), a partir das décadas 50-70 incrementaram essa discriminação, e também passaram a endemonizar tanto os sacerdotes afro-brasileiros como seus cultos e os tipos sociais apresentados como entidades espirituais, conforme o professor Artur Cesar Isaia demonstrou. [22]
Os sacerdotes do kardecismo racista e os teólogos e pastores das denominações protestantes e evangélicas igualmente racistas vêm atuando, além da discriminação propriamente racista, também no sentido de endemonizar, precisamente, tipos sociais trabalhadores: trabalhador escravo negro (preto velho); índios que foram escravizados e quase todos exterminados (caboclo, boiadeiro); tipos de desempregados de natureza mestiça ou negra (Zé Pilintra, Zé Malandrinho, pomba gira, etc.). Tipos esses que os sacerdotes de culturas afro-descendentes já depreciavam, e lhes atribuíam características gerais alheias à realidade opressora e sofredora em que viviam, e mais propensos a fazer algum tipo de mal, embora também o bem.
Do modo que indiquei, os pais e mães de santo vêm contribuindo, para que racistas kardecistas e protestantes virem endemoninhando e transformando em motivo de escárnio público, precisamente, tipos sociais trabalhadores: trabalhador escravo negro (preto velho); boiadeiro (trabalho escravo indígena), baianos (tipo nordestino pobre), mestiços desempregados, marinheiros (na época da chibata), etc., conforme a casta portuga descendente já fazia.
Na realidade, os sacerdotes de origem afro-descendente ao adequarem sua religião às pressões feitas pela casta portuga descendente, também vêm produzindo um efeito bumerangue. Pois, também eles vêm sendo endemoninhados e motivo de escárnio público. E o que é pior para eles, é que têm perdido, nas últimas décadas, muitos adeptos, que também eram seus clientes e que lhes entregavam dádivas. Vêm perdendo fregueses precisamente para os evangélicos, protestantes e kardecistas. Os dois primeiros são mais ávidos por dinheiro e têm Mamon como “deus”, isto é, como tipo ideal de conduta. Enfim, pais e mães de santo vêm ajudando aos teólogos e sacerdotes protestantes e evangélicos racistas, a ficarem podres de ricos. Na medida que vêm perdendo, para os “adoradores de Mamon”, muitos seguidores e as respectivas ofertas.
Do modo que indiquei, os sacerdotes de culturas afro-descendentes (pais de santo, mães de santo, etc.) vêm discriminando os tipos de negros, índios, mestiços, nordestinos e mesmo brancos pobres, que lutaram por justiça social. Esses tipos estão proibidos de “baixarem” nos terreiros de umbanda, quimbanda, etc. Caso rompessem tal proibição, e baixassem em algum terreiro de macumba, certamente seriam censurados pelo pai de santo ou mãe de santo, que controle o terreiro.
Pois, os tipos de espíritos de pessoas que sofreram injustiça social, e lutaram contra tal injustiça, não poderiam divulgar, por exemplo, ideias de liberdade e coisas do gênero. Nem poderiam propagar a ideia de fortalecimento dos laços de solidariedade entre os membros sofridos, explorados e discriminados da população pobre trabalhadora, como meio tanto de defesa como de combate contra as injustiças sociais. Injustiças essas praticadas, no Brasil, pelas castas paralelas: portuga descendente, e, pelos eugenistas que foram trazidos pelo rei filósofo-racista-eugenista, D. Pedro II, e que foram cooptados pela casta portuga descendente. Nessa direção, poderíamos chamar o Brasil de “Brasil das castas paralelas” ou simplesmente “Brasil Paralelo“.
Os sacerdotes de origem afro-brasileira atuaram, entretanto, bravamente e como forma de resistência cultural, sob a repressão física, jurídica, social e “cultura” (catequese católica) feitas pela casta portuga descendente e seus padres. Eles resistiram, inicialmente, dissimulando seus orixás, através de santos católicos. Assim se desenvolveu, com o passar do tempo, sincretismos diversos. Porém, por um lado, ainda como forma de resistência, mas também visando agradar as autoridade da casta portuga descendente e seus padres, e não despertar nessa casta mais repressão cultural e jurídica que já sofria, com a aplicação do código penal de 1830.[23]
Em razão da referida repressão, tais sacerdotes selecionaram, de modo depreciativo e discriminatório, os tipos sociais de que falamos, com características gerais fantasiosas e alienadas à realidade opressora e sofredora em que viviam, e mais propensos a fazer algum tipo de mal, embora também o bem. Essa forma de resistência tornou-se, porém um poderoso instrumento cultural, em favor do racismo kardecista, protestante, evangélico e católico. Os quais têm se servido dessas características depreciativas, precisamente para desqualificar e endemonizar não só tais entidades espirituais da cultura afro-descendente, mas também os próprios pais e mães de santo, e suas religiões.
5. O paulinismo nas religiões fundamentalistas e discriminadoras da mulher, do gênero LGBT, da raça negra, etc.
Muita gente não sabe que na base do racismo kardecista, na verdade está o fundamentalismo sutilmente discriminador e igualmente racista, que está contido na sofística doutrina de Paulo de Tarso. Determinados pais e mães de santo assimilaram o paulinismo racista, que está na base do kardecismo igualmente racista. Desse modo sutil, o maldito paulinismo discriminador e o racismo kardecista penetraram, contraditoriamente, em muitas das religiões de matriz africana. Ou seja, penetraram nas culturas afro descendentes, que através do sincretismo absorveram e representam, por esse aspecto, também a cultura dos povos indígenas e mestiços (caboclos, boiadeiros, baianos, etc.).
Ora, negros, índios, mestiços e nordestinos com suas respectivas culturas vem sendo objetos de opressão, escravização, extermínio, etc., precisamente por povos da raça branca, que utilizam a cultura do paulinismo (catolicismo, protestantismo evangelismo e kardecismo, etc.), para facilitar tal opressão.
É oportuno um esclarecimento acerca do paulinismo, isto é, a doutrina e a igreja hierarquizada, fundamentalista e discriminatória de Paulo de Tarso, da qual surgiram os teólogos, sacerdotes e a instituição católica, igualmente hierarquizada e discriminadora.
No período final de hegemonia e mesmo absolutismo da Igreja, esta incubou em seu interior, e por fim foram geradas, a partir de cerca de 1517, através de Lutero, Calvino, etc., as religiões protestantes e logo a seguir também as evangélicas. Assim, os sacerdotes católicos podem ser concebidos como os “pais”, e os teólogos e pastores protestantes e evangélicos como seus filhos. O kardecismo é o “filho bastardo” do protestantismo, de onde originou o cientificismo racista do darwinismo social. Os “Pais”, “filhos” e o referido “filho bastardo” consistem em diferentes aspectos, de um mesmo processo geral sócio-histórico, em muito longa duração: os desdobramentos da cultura conhecida como paulinismo, conforme muitos pensadores atuais já admitem: [24]
“Alguns pensadores julgam ser mais correto dizer que o que existe hoje é um “paulinismo”, não um cristianismo. As principais críticas da corrente antipaulina concentram-se em pontos polêmicos das epistolas do apóstolo. Nelas, entre outras coisas, Paulo defende a obediência dos cristãos ao opressivo Império Romano, bem como o pagamento de impostos, faz apologia da escravidão, legitima a submissão feminina e esboça uma doutrina da salvação distinta daquela que, segundo teólogos antipaulinos, teria sido defendida por Jesus”.
Paulo de Tarso não foi um mero sofista-embusteiro, mas sim o próprio Anticristo, conforme Nietzsche diz, em outros termos: “Paulo personifica o tipo oposto do ‘mensageiro da boa nova”. Isto é, o tipo diametralmente oposto ao Redentor, isto é, ao Jesus Histórico:[25]
“À ‘boa nova’ seguiu-se imediatamente a pior de todas: a de Paulo. Paulo personifica o tipo oposto do ‘mensageiro da boa nova’, o gênio do ódio, na visão do ódio, na lógica implacável do ódio. O que esse desevangelista não sacrificou em nome do ódio! Principalmente o Redentor: pregou-o na sua cruz. A vida, o exemplo, a doutrina, a morte, o sentido e a justiça do Evangelho, tudo deixou de existir quando esse falsário obcecado pelo ódio compreendeu o que lhe poderia ser útil. Não a realidade, não a verdade histórica!… E mais uma vez o instinto sacerdotal do judeu causou um crime igualmente notável, contra a história, simplesmente riscou do cristianismo seu ontem e anteontem, inventou uma nova história do início do cristianismo…”
A ideologia kardecista está fundamentada no “paulinismo” (adulteração do sentido original da doutrina do Jesus Histórico), ao exemplo do hipócrita tipo “Emanuel” (inventado por Chico Xavier).[26] O paulinismo se aproveita do forte carisma deixado por Jesus, e exalta, de modo sofístico e maquiavelicamente, a caridade e o Jesus morto na cruz. Ou seja, o Cristo que vive no plano “espiritual”, a distribuir graças e julgar os mortos. Assim, o paulinismo é completamente adverso e combate, ideologicamente, o sentido original da doutrina e de tudo que o Jesus Histórico representou verdadeiramente. Pois, o Jesus Histórico atuou no sentido de transformar, para uma forma justa e fraterna, a perversa realidade existente em que vivia.
O catolicismo e todas as doutrinas protestantes e evangélicas também estão fundamentadas, basicamente, no paulinismo. Jesus desencadeou um movimento libertário do sexo, igualitário (horizontal), fraternal, radicalmente pacifista e em comunidades articuladas entre si em rede descentralizada, como meio de combater todo tipo de instituição social hierarquizada. A igreja de Paulo de Tarso era hierarquizada, fortemente centralizada, fundamentalista e discriminatória contra a mulher e LGBT.[27] Na realidade, Paulo resgatou o modelo farisaico de igreja hierarquizada. E, combateu, ideologicamente, o movimento social de natureza libertária e igualitária desencadeado por Jesus, e prosseguido pelos seus genuínos e fiéis Apóstolos e demais seguidores.
Através de João, o Espírito de Jesus representou, alegoricamente o modelo de “rede descentralizada”, na figura dos “7 candelabros” (7 comunidades igualitárias ou horizontais) articulados, estrategicamente, entre si em rede descentralizada. Modelo exemplar de rede descentralizada, conforme citado, alegoricamente, no livro “Revelação” (cf. Ap 1, 12-20). Rede essa que não era articulada por um centro físico de comando. Pois, assim, seria fácil de ser prontamente destruída. Porém tinha o Espírito do Filho do Homem e sua “espada” (doutrina) permeando os 7 núcleos, e também contendo na sua “mão destra” (orientando) os respectivos “7 anjos” (7 líderes), que exerciam, cada qual em seu núcleo, o modelo servo de diretriz pastoral. Esse modelo descentralizado de rede tinha a estratégica função tanto de defender as comunidades igualitárias como de combater todo tipo de instituição social hierarquizada.
Paulo mais os teólogos e sacerdotes que o seguiam propuseram e estabeleceram acordo tácito, com as lideranças políticas, jurídicas e econômicas do Império Romano. Enquanto Paulo e seus seguidores combatiam, de modo sofístico e ideologicamente, o genuíno cristianismo, essas lideranças combatiam fisicamente, com extermínio precedido de martírio. Ainda assim, o genuíno cristianismo sobreviveu por mais de duzentos anos.
O que os teólogos católicos chamam de “cristianismo primitivo” consiste, na realidade, no igreja hierarquizada de Paulo. Os teólogos e sacerdotes da igreja católica e da ortodoxa foram os sucessoras diretos de Paulo. A igreja hierarquizada de Paulo era, entretanto, diametralmente oposta ao genuíno cristianismo, que consistia em múltiplas redes descentralizadas, cada qual constituída de diferentes números de comunidades igualitária. As 7 comunidade focalizadas e assistida por João, embora exilado na Ilha de Patmos, na verdade foram mostradas como exemplo e modelo da rede descentralizada, que o Mestre houvera proposto e desencadeado. Além da rede assistida por João, haviam outras redes criadas por outros Apóstolos genuínos e por fiéis seguidores destes.
Todas as formas de pseudo cristianismo, a exemplo do catolicismo, protestantismo, kardecismo, a doutrina evangélica, a ortodoxa, etc. consistem em alguns dos desdobramentos da cultura conhecida como paulinismo, conforme vimos, que muitos pensadores atuais admitem.

1. Cf. Ad Junior. “Kardecismo: Racismo e Eugenia na Classe Media Brasileira” Publicado em 16 de set de 2017: https://www.youtube.com/watch?v=36mZGLZn6Q0 Vídeo onde Ad Junior se identifica: https://www.youtube.com/watch?v=GJ6OYlSf3o0
2.Cf. Geledés – Instituto da mulher negra. Artigo: “O povo, o kardecismo e o racismo” (Fonte: Blog do Denis), publicado em 19/08/2011: https://www.geledes.org.br/o-povo-o-kardecismo-e-o-racismo/ Cf. ainda: Kardek, Allan, texto publicado na Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos, ANO V, ABRIL DE 1862, Número 4: Frenologia Espiritualista e Espírita – PERFECTIBILIDADE DA RAÇA NEGRA, p. 147, 149-151, etc.: http://www.sistemas.febnet.org.br/gerenciador/pdfRepository/2009-11-20-30.45f1619bf43ffc6b3c4e21170fd9bdf4.pdf

3.Cf. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE UMBANDA – Cultos afro-brasileiros: “O I Congresso Afro-Brasileiro, realizado em Recife em 1934 por iniciativa de Gilberto Freire permitiu um primeiro levantamento sistemático da influência negra no Brasil. Em vista das origens diversas dos escravos e do sincretismo entre os próprios grupos negros que aqui se formaram… O que propiciou o aparecimento de novas formas de sincretismos, também com o espiritismo kardecista”: http://www.fbu.com.br/
4.Cf. Decreto nº 847, de 11/out/ 1890: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-847-11-outubro-1890-503086-publicacaooriginal-1-pe.html Cf. notícia publicada por EBC. Empresa Brasil de Comunicação S/A – EBC, em 19/08/2017: Rio quer fazer exposição com imagens de religiões afro apreendidas pela polícia: http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2017-08/rio-quer-fazer-exposicao-com-imagens-de-religioes-afro-apreendidas-pela

5.Cf. Wagner Pinheiro Teixeira. Espírito de Catimbó – A Moral Mágico-religiosa da Jurema, p. 20. Dissertação de Mestrado apresentada no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da UFRGN: https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/12289/1/WagnerPT_DISSERT.pdf

6. Nietzsche, F. W. Além do Bem e do Mal ou Prelúdio de Uma Filosofia do Futuro. Tradução de Márcio Pugliesi, Hemus Editora Ltda., São Paulo, p.18, item 2.
7. Cf. BISPO MACEDO DETONA VALDEMIRO SANTIAGO. Neste caso, o “bispo Mamon” cita o Exu: https://www.youtube.com/watch?v=w1cJUHhMMRA
8.Revista Vice, publicado em 14/12/2016; A intolerância no Brasil em 2016: “Neste ano foram registradas 300 denúncias de intolerância religiosa no país — um número 105% maior se comparado com 2015”: https://www.vice.com/pt_br/article/mgv5zn/retrospectiva-2016-intolerancia-religiosa
9. Cf. Gramsci, Antônio. Os intelectuais e a formação da cultura. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1978, p. 3-23; Cf. Portelli, Hugues. Gramsci e o bloco histórico. Tradução de Angelina Peralva, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1977, p. 65-68. Hegemonia e bloco ideológico: grupos de intelectuais e suas respectivas instituições sociais hierarquizadas (bloco ideológico) organicamente articulados, no âmbito da superestrutura social, com os demais segmentos (econômicos e políticos) das elites. Assim, o bloco ideológico exerce a função de produzir e administrar ampla hegemonia no formação da opinião pública. Mas, sob a direção do “grupo fundamental”, que para Gramsci é o que detém e dirige “o mundo da produção econômica”. Essa noção de bloco ideológico deve ser empregada com algumas reservas. Pois, sem conseguir se livrar do ranço ideológico, pertinente ao tema, que Marx forjou, Gramsci concebe esse bloco como submisso ao “grupo fundamental” em tela. Mas, na realidade e na concepção de Jesus e de todos os grandes profetas individuais, o bloco ideológico é, embora dissimuladamente, o elemento fundamental do “bloco histórico” (conjunto dos segmentos articuladamente hegemônicos entre si, e assim moldando, dominando, mobilizando e explorando economicamente, na base social, isto é, a massa trabalhadora e de senso comum de uma nação). Assim, o Jesus Histórico concebeu o “bloco ideológico” como sendo constituído os teólogos e sacerdotes fariseus e saduceus [que no Brasil equivalem, respectivamente, ao clero protestante-evangélico, e, o católico] como o elemento efetiva e verdadeiramente fundamental, em relação tanto aos grupos que dirigem a produção e a circulação como ao grupo político da sua nação. Nessa direção, Jesus concentrou o embate de ideias contra o bloco ideológico judeu, com o objetivo de produzir crise de hegemonia, no interior do bloco histórico, e foi bem sucedido nisso.
10. Cf. O grande impulso ocorrido a partir das décadas 50-70, dado pelos teólogos e sacerdotes kardecistas evangélicos e protestantes, no sentido de discriminar e endemonizar sacerdotes e as culturas de matrizes africanas, na realidade foi demonstrado em entrevista de Artur Cesar Isaia (graduado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo) divulgada na Revista do Instituto Humanista Unisinos – IHU de 01/11/2010 : http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3622&secao=349
11. Cf. Estelionato: CP – Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940: Art. 171 – Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10617301/artigo-171-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
12. Cf. Texto fundamentalista de Paulo incita morte de mulher e LGBT: https://www.youtube.com/watch?v=6wgW4SFke9g&t=7s
13. Cf. Wikipédia – Composição étnica do Brasil: https://pt.wikipedia.org/wiki/Composi%C3%A7%C3%A3o_%C3%A9tnica_do_Brasil
14. Cf. Raízes Espirituais – Oxalá: http://www.raizesespirituais.com.br/orixas/oxala/
15. Cf. Wikipédia – Dr. Fritz: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dr._Fritz
16. Wikipédia – Rosário do Sul: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ros%C3%A1rio_do_Sul
17.Cf. Wikipédia – Frederick Von Stein: https://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Von_Stein
18. Cf. IBGE: Distribuição percentual da população residente, por religião – Brasil – 1991/2010. Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1991/2000/2010: http://7a12.ibge.gov.br/vamos-conhecer-o-brasil/nosso-povo/caracteristicas-da-populacao.html
19. Cf. Espiritualidade e Umbanda: http://espiritualidadeeumbanda.blogspot.com.br/2013/06/os-boiadeiros-na-umbanda.html
20. Cf. Decreto nº 847, de 11/out/ 1890: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-847-11-outubro-1890-503086-publicacaooriginal-1-pe.html Cf. notícia publicada por EBC. Empresa Brasil de Comunicação S/A – EBC, em 19/08/2017: Rio quer fazer exposição com imagens de religiões afro apreendidas pela polícia: http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2017-08/rio-quer-fazer-exposicao-com-imagens-de-religioes-afro-apreendidas-pela
21. Doutrina da predestinação. Cf. no blog Exhibir el Racismo (explicar o racismo), cujo Editor responsável é César Carrillo Trueba, da Faculdade de Ciências, Universidade Nacional Autônoma do México artigo, o artigo “2.1. El sustrato protestante del racismo” publicado na revista Las Mentiras del Racismo, em 13/01/2016: https://lasmentirasdelracismo.wordpress.com/2016/01/13/2-1-el-sustrato-protestante-del-racismo/?blogsub=confirming#subscribe-blog Mais Doutrina da predestinação: Cf. Weber, M. A Ética protestante e o Espírito do Capitalismo, p. 71, 73, 75, 85.
22. Cf. entrevista de Artur Cesar Isaia (graduado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo) divulgada na Revista do Instituto Humanista Unisinos – IHU de 01/11/2010 : http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3622&secao=349
23. Cf. Notícia publicada por EBC. Empresa Brasil de Comunicação S/A – EBC, em 19/08/2017: Rio quer fazer exposição com imagens de religiões afro apreendidas pela polícia. Essa notícia revela aspectos da histórica repressão e aplicação do Código Penal de 1890, contra religiões de matriz africana: http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2017-08/rio-quer-fazer-exposicao-com-imagens-de-religioes-afro-apreendidas-pela
24. Wikipédia – Paulinismo: https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulinismo
25.Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo. Editora: Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 64, parágrafo 42.
26. Cf. Wikipédia – Emmanuel (espírito): https://pt.wikipedia.org/wiki/Emmanuel_(esp%C3%ADrito)
27. Cf. Entrevista sobre o livro “Discípulo que Jesus Amava – Jesus, Publicanos, Prostitutas e Devassos”: https://www.youtube.com/watch?v=ZbBqG1a2udI&t=240s