Noção de “morte” (alienação) usada por Jesus: importante chave para entender diversos trechos do NT (Art. 13, 3.4., p. 72-75)

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Livro O Templo – Resgate do sentido original da doutrina de Jesus: http://tribodossantos.com.br/pdf/O%20Templo%20-20introdu%C3%A7%C3%A3o.pdf

Vamos retomar a questão da noção de alienação, que o Mestre representa, metaforicamente, na figura da “morte”. Vejamos, sucintamente, outros trechos, nos quais o Mestre empregou como artifício a metáfora da “morte” (alienação). Agora que sabemos que o Mestre empregou este artifício, dispomos da chave para entendermos os referidos trechos:

“Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida (capacidade de autoconhecimento, auto diligência e de consciência social crítica e transformadora) eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte (estado de alienação) para a vida (capacidade de autoconhecimento, auto diligência, etc.). Em verdade, em verdade vos digo, vem a hora, e já está aí, em que os mortos (indivíduos no estado de alienação) ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão (desenvolverão capacidade de autoconhecimento, auto diligência, etc.). Pois, como o Pai tem a vida (capacidade de autoconhecimento, auto diligência e etc.) em si mesmo, assim também deu ao Filho o ter a vida (capacidade de autoconhecimento, auto diligência e etc.) em si mesmo, e lhe conferir o poder de julgar, porque é o Filho do Homem. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros (indivíduos no estado de alienação) sairão deles ao som de sua voz (voz do Jesus histórico, que estava ensinando o caminho, método analítico ou ”détour”): e os que praticaram (intuitivamente) o bem irão para a ressurreição (os que praticaram o método proclamado pelo Jesus histórico, ficam, assim, justificados ou conferidos, haverem”vivido de novo” ou desenvolvido “vida”) da vida (capacidade de autoconhecimento, auto diligência, etc.) e aqueles que praticaram o mal, ressuscitarão (e aqueles que não praticaram o método proclamado pelo Jesus histórico, quanto a possibilidade de “viver de novo”) para serem condenados (serão condena-os) (os grifos e as observações entre parênteses são nossas)”. (Jo 5, 24-29).
3.5. Simbolismos e seus significados: pão e vinho, corpo e sangue, morte e vida.

O Mestre emprega, metaforicamente, a noção de “unidade da alimentação constituída do pão (algo sólido) combinado com o vinho (algo líquido)”. Unidade esta adequada para ser mastigada e assimilada ou comida. A noção de “pão” representa os exemplos praticados instrutivamente (de modo autoconsciente, diligente e voltado para a transformação social) pelo campo objetivo da conduta do próprio Filho do Homem. Exemplos estes dotados de significados e interagindo significativamente com o próximo. A noção de “vinho” representa o aspecto teórico ou abstrato da doutrina vivenciada pelo campo subjetivo da conduta do Filho do Homem. O qual transmite na forma de ensinamento teórico, através das suas palavras, ditos, etc.

O Filho do Homem aplica, metaforicamente, a unidade do seu corpo constituída pela carne e pelo sangue, no sentido análogo ao que atribui à metáfora da noção da unidade de alimentação constituída de pão e de vinho: “pão” equivale a “carne do corpo de Jesus”; “vinho” equivale ao “sangue do corpo deste”; a unidade do “pão” e do “vinho” corresponde à unidade da “carne” e do “sangue” no “corpo de Jesus”. (cf. Mt 26, 26-29). No exemplo a seguir, além dos simbolismos da “vida”, da “morte” e do céu, ele emprega a metáfora do “pão” e a da “carne”:
“Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê em mim tem a vida (capacidade de autoconhecimento, auto diligência, etc.) eterna. Eu sou o pão (exemplo de conduta autoconsciente, auto diligente etc. praticada com intenção instrutiva) da vida (capacidade de autoconhecimento, auto diligência, etc.) (…) Este é o pão (exemplo de conduta, etc.) que desceu do céu (conhecimento verdade do campo subjetivo) para que não morra (não permaneça no estado de alienação) todo aquele que dele comer (assimilar). Eu sou o pão vivo (exemplo prático, etc., de capacidade de autoconhecimento, auto diligência, etc.) que desci do céu. Quem comer deste pão (assimilar e praticar o exemplo prático, etc.) viverá (adquirirá capacidade de autoconhecimento, etc.) eternamente. E o pão que eu hei de dar é a minha carne (exemplo de conduta, etc.) para a salvação do mundo”. (Jo 6, 47-51).