Estado Islâmico acredita em Jesus e espera a sua volta – Parte 1

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No vídeo-palestra anterior, focalizamos a crise migratória atual, e mostramos que ela pode ser “a gota d’água”, ou seja, o início de uma crise migratória sem precedentes na história da humanidade. Pois. Jesus profetizou algo assim, que ocorreria por ocasião da sua volta. Agora, estamos mostrando como os teólogos islâmicos veem essa profecia, vêm usando como “cavalo de batalha”, em razão dos seus interesses, e adulterando o sentido original nela proposta por Jesus. Nesta 1ª parte, estamos apresentando uma visão geral do tema.

Estado Islâmico acredita em Jesus e espera a sua volta – Parte 1 (com citações)

Todos os teólogos e sacerdotes das religiões que se dizem cristãs (evangélicas, católica, protestantes, ortodoxas, anglicana, etc.), não é sem razão que esperam a 2ª vinda do Cristo Jesus. Pois, ele prometeu voltar, e isto é notório. Será, porém, que eles esperam a volta de Jesus e do sentido original de sua doutrina revolucionariamente libertária, para exaltar Jesus e sua doutrina original, e segui-lo fielmente? Ou será que eles o esperam, mas para  continuar pervertendo e combatendo o sentido original da doutrina dele, Jesus, e também para novamente matá-lo? Precisamos investigar essa duas possibilidade. Mas, posso adiantar, com certeza, que eles já vêm atuando e tudo indica que continuarão a atuar, de acordo com a segunda possibilidade que apontei.

Até mesmo os teólogos e sacerdotes (imanes) islâmicos, que são chamados de “imanes” dizem que acreditam em “Isa ibn Maryam“, que significa literalmente “Jesus filho de Maria”. Eles acreditam pelo menos na volta de Jesus. Ao exemplo dos teólogos e sacerdotes do auto proclamado califado do Estado Islâmico (ISIS). Crença essa fartamente registrada no Alcorão (texto religioso central do Islão) e na maioria dos “ahadith”, que consistem em relatórios testemunhais de ditos de Maomé.[1] Será que eles esperam “Isa ibn Maryam“, para exaltar a sua doutrina original, e segui-lo fielmente?  Ou será que eles o esperam, mas para  continuar pervertendo e combatendo tanto o sentido original da doutrina dele, Jesus, e também para matá-lo? Na realidade, eles vêm agindo, efetivamente, de modo análogo aos teólogos e sacerdotes do maldito cristianismo do paulinismo, isto é, protestantes, católicos, evangélicos, ortodoxos, anglicanos, etc.

Quanto aos teólogos e sacerdotes pseudo cristão, já nos posicionamos: tudo indica que ele procurarão, na volta de Jesus, matá-lo, e continuarão agindo no sentido contrário a doutrina dele.

Quanto aos teólogos e sacerdotes muçulmanos e a suas doutrinas, vamos verificar, resumidamente. Podemos, entretanto, adiantar, que os teólogos muçulmanos focalizam e exaltam, mas pela sua perspectiva etnocêntrica injusta e violenta, a volta de Jesus, no “final dos tempos”. Porém, apenas como uma estratégia ideológica apoiada no forte carisma de Jesus. Cujo objetivo final consiste em exaltar e coroar, com a ideia dessa volta, o próprios clero islamita discriminador, opressor e violento, a doutrina que eles professam. E, ainda, exaltar o seu modelo de formação social estratificada, hierárquica e cruelmente centralizada, injusto e opressora dos segmentos trabalhadores pobres. Nisso tudo, eles são análogos aos teólogos e sacerdotes do pseudo e maldito cristianismo paulino.

Na realidade, tanto o clero islâmico como o pseudo cristão são diametralmente adversos a genuína doutrina e respectivo movimento social revolucionário desencadeado pelo Jesus Histórico. Movimento esse de natureza libertária, fraternal, pacifista, em núcleos de comunidades igualitárias sob o modelo servo de liderança, articuladas entre si, em rede descentralizada. Cujo centro coordenador dessa rede consiste no Espírito de Jesus e de sua doutrina.

Desde cedo uma específica profecia de Jesus aguçou a imaginação dos teólogos e sacerdotes do Oriente Médio, mesmo antes de Maomé:  Ela fala da ira de Deus, que manda um anjo derramar flagelos nas águas do rio Eufrates, que fica no Oriente Médio, para secá-lo e assim facilitar aos reis do Oriente avançarem contra o Ocidente:

O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e secaram-se as suas águas, para que se abrisse caminho aos reis do Oriente” (Ap 16, 12).

É notável o fato dos teólogos islâmicos virem elaborando tradições, que desde Maomé (622) se tornaram mitos ou lendas populares, baseadas em textos escatológicos do Apocalipse de Jesus. Eles fizeram dessa profecia específica, um poderoso “cavalo de batalha” voltados para o controle social, dominação e a exploração dos trabalhadores pobres daquela região. Pois, ao título de combater e conquistar o “infiel”, os teólogos muçulmanos aplicaram, de modo permanente, o notório subterfúgio técnico de eleger e combater um inimigo comum externo.

O objetivo real desse subterfúgio técnico consiste em estreitar ou manter, assim, o rígido controle social, notadamente sobre o indivíduo. Sinal de que havia núcleos de comunidades igualitárias cristãs nessa região, notadamente na Arábia, e que eram vistos como grande ameaça, para qualquer ideólogo elitista. O tal subterfúgio técnico cria, ainda, a possibilidade de estendes o domínio e a exploração sobre os “infiéis” (trabalhadores) de outras nações.

Os teólogos e sacerdotes fariseus aplicaram esse mesmo subterfúgio técnico, quando entenderam e se sentiram ameaçados, pelo fato de estarem perdendo, nos embates de ideias entre eles e Jesus, o controle ideológico sobre a nação. E, a seguir eles estavam perdendo, também, para os genuínos Apóstolos de Jesus. Os teólogos e sacerdotes judeus sabiam, que em decorrência dessa perda, os romanos iriam tirá-los do poder. Conforme o Apóstolo João, o “discípulo que Jesus amava”, então,  notou e deixou registrado:

Os pontífices e os fariseus convocaram o Conselho e disseram: ‘Que faremos? Este homem multiplica os milagres. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação” (Jo 11, 47-48).

O referido “cavalo de batalha” “montado” pelos teólogos e sacerdotes islâmicos, então, era voltado, portanto e precisamente, também contra o movimento revolucionário genuinamente cristão. O qual era de natureza libertária, igualitária, fraternal, radicalmente pacifista, etc. E, objetivava e atuava, efetivamente, no sentido de libertar os indivíduos trabalhadores, das “garras” (cadeias) ideológicas de todo tipo de ideólogo. Ao exemplo, do domínio exercido pelos “escribas” (teólogos judeus), e também dos sacerdotes fariseus, à época do Jesus Histórico, sobre os indivíduos trabalhadores judeus.

Paulo de Tarso e seus sucessores da Igreja empregaram, ao menos inicialmente, técnicas diferentes daquelas empregadas pelos teólogos e sacerdotes islâmicos. Nem procurara disseminar mitos ou lendas populares, baseadas em textos escatológicos do Apocalipse de Jesus. Isto não ocorreu no Ocidente. Pois, os malditos teólogos e sacerdotes da Igreja e os das denominações protestantes e evangélicas vêm empregando outras estratégia de alienação e de controle social. Estratégias essas voltadas tanto para explorar os trabalhadores pobres como para combater o movimento genuinamente cristão. O qual é de natureza libertária, igualitária, etc.

 

Os teólogos e sacerdotes precursores da Igreja estabeleceram, desde Paulo de Tarso, como meio de combate ao genuíno cristianismo, acordo tácito com as autoridade romanas. Enquanto eles combatiam, ideologicamente, adulterando a genuína doutrina de Jesus; os romanos combatiam, fisicamente, com a morte precedida de martírio. E, para alienar e manipular as massas, eles inventaram a adoração de santos, da mães de Jesus, etc., e a obediência aos seus dogmas obtusos, etc.

Depois, vieram os teólogos e sacerdotes protestantes, evangélicos e outros desse gênero. Os quais vêm seguindo, além do satânico paulinismo, também a diabólica ética protestante (trabalho por vocação), o espírito maldito do capitalismo, que Lutero (1483-1546) inventou. E, que consiste na racionalização da conduta voltada para o trabalho, a produção e a acumulação sistemática e insaciável de capital e riquezas.[2]

Os teólogos e sacerdotes da Igreja católica e depois também os da Reforma Protestante sufocavam, com sangue ou na fogueira, qualquer movimento que consideravam herético, em razão de conter algum aspecto do sentido original da doutrina de Jesus.

O clero cientificista capitalista segue o mesmo tipo de racionalização protestante, e consiste na versão profana, que é relativa ao maldito e sagradamente diabólico clero da ética protestante. Neste contexto,  o profano e o sagrado se articulam entre si, plena e diabolicamente, no sentido de enganar e dominar, ideologicamente e sempre aliados as elites políticas e econômicas, os segmentos pobres trabalhadores. O conhecimento e a técnica cientificista são voltado, sobretudo, para a destruição em massa, tanto de seres humanos como da natureza, com suas inúmeras arma nucleares e demais instrumentos de destruição, e também para a acumulação insaciável de riquezas.

Desde Maomé, em 622, os teólogos islâmicos se arvoraram representantes dos “reis do Oriente”. Assim, eles se basearam, fortemente, na profecia dos flagelos derramados nas águas do Eufrates, como meio de elaboração de doutrina ideológica, que servisse como unidade ideológica, para a formação, orientação e expansão do seu império político e comercial: o império Sarraceno. Isto, em contraposição aos impérios do Ocidente, já a partir do império Bizantino, representante do Ocidente, e concebido como “romano”, em razão dele derivar da parte oriental do Império Romano, então, já extinto.

Pois, o Império Bizantino começou a se desenvolver a partir do século IV, com o imperador Constantino, que estava aparelhado da ideologia pseudo cristã ortodoxa. Esse império visou manter, inclusive no Oriente Próximo, as províncias dos Césares, que restara da metade oriental do já extinto Império Romano, e iria se confrontar com os sarracenos, que vinha se expandindo.[3]

Na Europa Ocidental se desenvolvera, paralelamente ao Império Bizantino, durante a Idade Média, o feudalismo, a Igreja e outros grupos de interesses econômicos aliados a ela. A igreja e seus aliados se empenharam, hipocritamente, através das cruzadas, que ocorreram entre 1096 e 1244, em “libertar” a Palestina dos muçulmanos, e levar seu pseudo cristianismo, para o Oriente Médio.[4]

A hipocrisia consiste no fato de Jesus haver proclamado a expansão do seu movimento, mas que era, notadamente, de natureza igualitária, libertária, etc., para todos os gentios (cf. Mt 28, 18-20; Jo 17, 18; 20, 24). Porém, a Igreja paulina aliada as autoridade do Império Romano, então, foram, precisamente, os que houveram exterminado, respectivamente, ideológica e fisicamente, exatamente a revolução libertária e igualitária desencadeada por Jesus. E, por outro aspecto, os interesses dos teólogos e sacerdotes da Igreja em levar o seu maldito pseudo cristianismo paulino, para outros povos, ao exemplo das cruzadas, na realidade eram mais de ordem política e econômica. E, consistia, notadamente, na ambição de controlar, exatamente, a rota comercial, que se estendia entre Constantinopla e a região do rio Eufrates (Síria e Iraque).[5]

O discurso antinômico ou a “árvore da ciência do bem e do mal” “Oriente versus Ocidente”, iria crescer, por um lado, regado por teólogos e sacerdotes do Ocidente, e por outro, regado por teólogos e sacerdotes muçulmanos, do Oriente. [NOTA: Nietzsche citar o discurso antinômico] Esse discurso antinômico, próprio dos metafísicos, efetivamente se acentuou desde as cruzadas, até atingir, hoje, ao contexto sócio-histórico globalizado. Mas, ele já existia na a época dos confrontos entre o império Persa e os Helênicos liderados por Atenas.

Na realidade, aquela região do rio Eufrates (Síria, Iraque e adjacências consistiu, numa posição limítrofe entre o Oriente e o Ocidente. E, num corredor comercial e migratório disputado desde os primeiros grandes impérios mesopotâmicos, da época dos sumérios, conforme Burns esclarece: “Mais ou menos em 2550 a.C. os sumérios foram dominados por Sargão I… Foi esse o prelúdio da fundação do primeiro grande império semítico na Ásia Ocidental, pois logo depois Sargão submeteu os elamitas e todos os povos do norte da Síria até o Mediterrâneo.[6] Depois, o Novo Império egípcio e o Hitita se confrontaram, pelo controle dessa região.

A seguir e com os mesmo objetivo, vieram os impérios Assírio, Babilônico caldeu, Persa, Macedônio e Romano. Depois, vieram os impérios Bizantino, Sarraceno, Otomano,  Britânico, Francês, etc. Essa situação é, ainda hoje, bem semelhante à época de Sagão I, com o acréscimo do petróleo ambicionado, hoje, por todos, e da emergência do império norte-americano, e da ex-União Soviética, agora representada pela Rússia. Nesse contexto conflituoso, a cidade de Alepo é um marco. Pois, é curioso observar os diversos impérios que conquistaram essa cidade, cuja população foi diversas vezes massacrada. Nesse contexto, o massacre que a população de Alepo está sofrendo, hoje, não é nenhuma novidade.[7]

 

[1] Wikipédia: Jesus no Islã: ( https://en.wikipedia.org/wiki/Jesus_in_Islam ) .Wikipédia: “Isa” é o nome árabe de Jesus, considerado pelo Islão como um profeta.: https://pt.wikipedia.org/wiki/Isa_(profeta)

[2] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, 4ª edição, Livraria Pioneira Editora, São Paulo, 1973, p. 4-5, 39, 54-58.

[3] Cf. Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, 4ª Edição, Editora Globo, Porto Alegre, 1975, p. 183-184.

[4] Cf. Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 363-366.

[5] Cf. Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 363-366.

[6] Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 76.

[7] Cf. Wikepédia: Alepo: https://pt.wikipedia.org/wiki/Alepo