A reação da podridão patrística da Igreja contra o Evangelho de Tomé (Item 5)

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Vejamos os dois principais motivos, que levaram os patriarcas da Igreja a sumirem com todos os exemplares do Evangelho de Tomé.

Em primeiro lugar, é preciso entender que Jesus concebe como o único meio, que viabiliza transformar efetivamente a sociedade, para uma forma mais justa e fraterna, precisamente a transformação de suas unidades mínimas componentes, isto é, os indivíduos. Torná-los autoconscientes, auto-diligentes e dotados de consciência social crítica e transformadora. Mas, amorosos, fraterno, etc., e ativamente atuantes, pacificamente, no sentido de tais transformações. Em outras palavras, torná-los Viventes.[1]

Na direção indicada acima, a psicologia praticada e ensinada pelo Jesus Histórico (e transmitida pelo seu discípulo Tomé), na verdade é altamente revolucionária. Tomé entendeu isto, e concentrou o seu evangelho neste ponto. Este foi um dos dois principais motivos que levaram os patriarcas pseudo-cristãos da Igreja, herdeiros de Paulo de Tarso o Anticristo, a estereotiparem a perspectiva original de Tomé, taxando-a, indevidamente, como de natureza místico-gnóstica.

A perseguição dos patriarcas contra o Evangelho de Tomé se acirrou por ocasião do Concílio de Nicéia (325), posto que eles estavam selecionando documentos, para a composição do cânon bíblico da Igreja. Os patriarcas da Igreja além de considerarem como apócrifo o livro de Tomé, também sumiram, maquiavelicamente, com todos os seus exemplares.[2]

Em segundo lugar, malgrado a podridão patrística católica que forjava Paulo o Anticristo como legítimo sucessor da doutrina de Jesus, Tomé deixara registrado em seu evangelho, o dito do Jesus Histórico, em que este credenciara, de modo claro e taxativo, Tiago, o Justo, como o seu verdadeiro sucessor, na liderança do genuíno cristianismo:

Os discípulos disseram a Jesus: Sabemos que nos deixarás; quem dentre nós será o maior? Respondeu-lhes Jesus: No lugar em que estiverdes, seguireis a Tiago, o Justo: ele é que está a par das coisas do céu e da terra” (Tomé, p. 17, item 12).

Em razão do texto indicado acima, os patriarcas que elaboravam o cânon bíblico, da Igreja do Anticristo, então, consideraram como apócrifo o Evangelho de Tomé, e sumiram com todos os seus exemplares.

As críticas falsas feitas pelos patriarcas da Igreja, contra Tomé, e o sumiço do evangelho escrito por este, na realidade, inserem-se no conflito que se desenvolvera, entre dois grupos, após os sacerdotes haverem planejado, exigido e obtido a morte do Filho de Deus.[3]

De um lado, o grupo do genuíno e revolucionário movimento cristão igualitário e descentralizado “liderado” por Tiago Menor, o Justo. O qual exercia, fielmente, o modelo servo de liderança ou de “diretriz pastoral” proposto pelo Mestre, a partir da igreja igualitária e descentralizada, que os Apóstolos estabeleceram em Jerusalém, mas que avançava para todos os lados.[4] Note que o modelo servo de liderança propiciava, estrategicamente, a formação de revolucionárias redes descentralizadas de comunidades igualitárias. As quais estavam, entretanto, articuladas entre si, através de um mesmo ideário, e sob os auspícios do Espírito do Filho de Deus e do Pai.

Do outro lado, o grupo do movimento contra-revolucionário e hierarquizado liderado por Paulo de Tarso o Anticristo e seus asseclas (Lucas; Marcos; Timóteo; Tito; Silvano; etc.; e mesmo Pedro, que ao envelhecer e estando carente, então, de novo traíra Jesus, passando para o lado de Paulo o Anticristo).[5]  Essa quadrilha de ideólogos chefiada por Paulo o Anticristo, na verdade, visava conter o avanço da genuína revolução igualitária em rede descentralizada, que o Jesus Histórico desencadeara, e que se expandia para todas as partes do Império Romano.

Paulo o Anticristo houvera criado sua igreja hierarquizada, dotada de clero profissional e centralizada sob sua direção autoritária, como forma de resistência e para combater o genuíno movimento social revolucionário, de natureza igualitária e descentralizada. O qual Jesus desencadeara e fora prosseguido pelos seus verdadeiros Apóstolos. Esse movimento estivera baseado em Jerusalém, até a destruição desta cidade pelos romanos, em 70. Antes dessa destruição, entretanto, o genuíno movimento revolucionário já havia penetrado em diversas partes do Império Romano e mesmo além.

Tiago o Justo “liderara”, em Jerusalém, o movimento igualitário e descentralizado. Mas, exercendo o modelo servo de liderança ou de “diretriz pastoral”, isto é, sem hierarquia centralizada, sem autoritarismo e nem clero profissional. Modelo este que o Jesus Histórico houvera praticado e proposto aos seus genuínos discípulos. Os demais Apóstolos também exerciam o modelo servo de liderança, auxiliando Tiago em Jerusalém, e/ou avançando e criando outros núcleos (igrejas) situados em outras cidades. Desse modo, o conjunto dos líderes servos estava desenvolvendo uma rede horizontal ou descentralizada de núcleos iniciais do modelo igualitário de formação social.

Os primeiros patriarcas herdeiros da Igreja de Paulo o Anticristo estavam empenhados em selecionar escritos feitos pelo próprio Anticristo ou que seguissem as diretrizes deste: Atos dos Apóstolos; todas as Epístolas atribuídas a Paulo; I e II Epístolas de Pedro. Escritos estes que apresentavam, falsamente, Paulo o Anticristo como legítimo sucessor do corpo doutrinário proposto pelo Jesus Histórico. Isto em detrimento e oposição à genuína igreja de Jesus, chefiada precisamente por Tiago Menor, o Justo, o irmão do Senhor.[6]

Quanto ao contexto indicado acima, Phillipe de Suarez esclarece:[7]

Porém, o conteúdo do Evangelho de Tomé punha em xeque alguns posicionamentos dogmáticos da Igreja. Cirilo de Jerusalém, em suas Catequeses 6.31 afirmava que o Tomé que escreveu este Evangelho não era um seguidor de Jesus, mas um maniqueu – um maniqueísta, portanto, seguidor gnóstico e místico de Mani, mestre herético do século III. Atualmente, é quase consenso, entretanto, que o texto de Tomé foi escrito antes de o movimento maniqueísta ter vindo à lume e, ainda mais, tudo indica que a cópia copta deste evangelho se baseia em um texto ainda mais antigo, provavelmente escrito em grego e/ou aramaico, a língua falada por Cristo”.

[1] Cf. O campo objetivo (ações sociais) da conduta individual ou campo “fora de vós” – O Vivente (Art 2: itens 2.1; 3; 4): http://tribodossantos.com.br/2015/12/evangelho-de-tome-campo-objetivo-acoes-sociais-da-conduta-individual-ou-campo-fora-de-vos-art-2-itens-2-1-3-4/

[2] Cf. Concílio de Nicéia: aliança maldita entre as elites políticas e econômicas do Império, e, os “sacerdotes” (patriarcas da Igreja) herdeiros do Anticristo: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/08/concilio-de-niceia-alianca-maldita.html

[3] Cf. Paulo o Anticristo versus os verdadeiros Apóstolos do Cristo: O CONTEXTO DOS EMBATES: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2011/09/paulo-de-tarso-o-anticristo-versus-os.html

[4] Cf. A ação simbólica do lava-pés na Ceia Pascal: http://tribodossantos.com.br/2015/11/a-acao-simbolica-do-lava-pes-na-ceia-pascal-art-2/

[5] Cf. Judas Iscariotes e Pedro traíram o Filho de Deus: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/05/judas-iscariotes-e-pedro-trairam-o.html

[6] Cf. Escritos satânicos de Paulo o Anticristo versus escritos dos genuínos Apóstolos de Jesus – FILHO DO HOMEM: conflito entre a igreja de Paulo o Anticristo e os verdadeiros Apóstolos de Jesus – aspectos sócio-históricos: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2012/12/escritos-satanicos-de-paulo-o.html

[7] Cf. Suarez, Phillipe. O Evangelho Segundo Thomas. Versão francesa feita por Suares, diretamente dos manuscritos em língua copta. Tradução brasileira de Huberto Rohden. Ed. Martins Claret, São Paulo, 2001, Introdução: “O quinto Evangelho”: http://pt.slideshare.net/universalismocultura/huberto-rohden-o-quinto-evangelho-segundo-tom-15137500