(TEXTO) P. 2. Resultado da crise: casta portuga-descendente e seu aliados eugenistas cooptaram as esquerdas contra pobres trabalhadores, negros, índios e mestiços

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Parte 2. O resultado da crise: Casta portuga-descendente e seu aliados eugenistas cooptaram as esquerdas como estratégia de combater os segmentos pobres trabalhadores, negros, índios e mestiços 

A cooptação indicada dessa série consistiu em uma estratégia ideológica operada pelas elites portuga-descendentes e seus aliados eugenistas. Ela tem como objetivo neutralizar e esvaziar movimentos populares por justiça social, liderados por esse outro gênero de elementos de má fé. Os quais são dotados, entretanto, da capacidade de liderança política, para a infelicidade dos segmentos pobres de trabalhadores.

Na direção acima apontada, as elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas procuram cooptar, também o outro gênero de indivíduos de má fé e dotado de capacidade de liderança. Mas, aqueles que apresentem, por um aspecto, quaisquer atributos (marca, estigma, etc.) característicos, que identificam o respectivo segmento social, que tais elites submetem, alienam e exploram: líderes de sindicatos de trabalhadores; líderes de movimentos negros, mestiços ou indígenas; líderes estudantis oriundos das classes médias, líderes oriundos de regiões pobres do Brasil, a exemplo da região Nordeste, etc.

Do modo apontado acima, as elites brasileiras portuga-descendentes raposinas procuram cooptar, maquiavelicamente, também os líderes políticos de má fé. Mas, àqueles líderes dotados, sobretudo, das características, com as quais, por outro aspecto, os indivíduos que integram os respectivos segmentos sociais alienados e explorados se identificam. Assim estes indivíduos se simpatizam com tais líderes. E, nos quais a maioria desses indivíduos simplórios vota, nas eleições corruptocráticas que as elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugênicos promovem.

Os indivíduos simplórios votam nos líderes políticos de má fé, e o fazem com a esperança singela, que esses elementos de má fé cumpram as promessas demagogas que fazem. Esta é a “anestesia democrática” que o conjunto das elites nacionais, isto é, tanto as elites leoninas como as raposinas vêm aplicando, articuladas entre si, sobre o povo brasileiro.

Maquiavel foi o fundador e gênio da ciência política. Ele notou e descreveu o tipo de estratégia ideológica, que pode ser aplicada por “príncipes” (elites no poder), e que consiste na alternância no poder, entre os segmentos sociais da leonina e a raposina dessas elites. Alternância no poder aplicada, estrategicamente, como meio de controle social e dessas elites se manterem no poder.[1] Por exemplo, os segmentos sociais leoninos das elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas haviam implantado, em 1964, o período de “sístole”, isto é, centralização e enrijecimento do poder contra a massa pobre trabalhadora, durante vinte anos de ditadura militar. No final deste período, a pressão popular contra a ditadura aumentara e ficara difícil de contê-la. Os mesmos segmentos sociais leoninos promoveram, antes que a “panela de pressão” estourasse, o início de abertura política, e saiu de cena, mas se manteve nos bastidores, usufruindo das vantagens que obtivera, durante os vinte anos que detivera o poder e explorou os segmentos pobres de trabalhadores. Após isto, os mesmos segmentos sociais raposinos dessas elites assumiram a cena principal, e passaram a promover e aplicar, no povo, cerca de vinte e oito anos de “anestesia democrática”.

O General Golbery estagiou no exército norte-americano, e Chefiou o Grupo de Pesquisa do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), no Rio de Janeiro. Ele fora considerado a “eminência parda” que orientava a política de governo do golpe militar de 64. Ele descreveu a alternância entre as elites leonina e raposina, mas pelo aspecto político da “sístole” (período de concentração e enrijecimento do poder, a plicado como meio de controle social, quando os segmentos trabalhadores estão muito engajados em movimentos sociais em prol de justiça social) alternado com a “diástole” (período de desconcentração do poder ou “abertura política” aplicada como meio de controle social, para dar ao povo trabalhador uma mera sensação de liberdade e de participação política, mas não de prosperidade econômica, quando o povo se encontra prestes a explodir os meios de repressão voltados para a manutenção do período de sístole.[2]

Marx observou, parece, esses dois aspectos de fenômenos sociais, pela perspectiva da economia política.[3] Neste sentido, podemos relacionar dois quadros. Por um aspecto, o processo de centralização, acumulação e concentração do capital implementado e detido pelas elites brasileiras portuga-descendente e pelos seus aliados eugênicos, e as respectivas crises cíclicas E, por outro aspecto, os ciclos de alternância entre, de um lado, o período de sístole e hegemonia, da fratria leonina dessas elites, e de outro lado, o período de diástole e hegemonia da fratria raposina dessas mesmas elites. Por este prisma, seria interessante observar, no Brasil, a centralização de riquezas nas mãos de poucos (elites portuga-descendentes e seus aliados eugenistas), que é exorbitante, em comparação a outros países.

Note que as elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas quando introduzem o ciclo de abertura política, simultaneamente incrementam os perversos mecanismos de produção e administração da violência social.  Mecanismos estes dissimulados na ideologia do “combate à violência e criminalidade”.

As noções de alternância entre a os segmentos sociais leoninos, e, os raposinos (Maquiavel), ou de alternância entre os períodos de “sístole” e o de “diástole”, podem ser aplicadas, de modo diligente e estrategicamente, como meio do conjunto das elites operarem seus aparelhos burocráticos, para exercerem controle social e preservar seu poder econômico e político. Essas noções podem ser pensadas, segundo a perspectiva estruturalista nas ciências sociais, como o “círculo vicioso burocrático”. O qual pode ser aplicado sobre estruturas mais amplas que uma grande empresa, ou seja, pode ser aplicada sobre a estrutura do conjunto social e cultural, em que as elites e seus aparelhos burocráticos se desenvolvem.[4] Por este aspecto, as elites dos países do Oriente Médio e do Norte da África afetadas pela Primavera Árabe (onda revolucionária de manifestações e protestos), teriam muito que aprender com as elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas. Pois, muitas daquelas elites não souberam fazer suas respectivas “aberturas políticas”, após anos de ditadura e de exploração econômica perversas sobre seus respectivos segmentos trabalhadores.

As elites brasileiras portuga-descendentes e àquelas oriundas do processo racista de eugenia e de europeização (roubo) das terras dos índios não se identificam, não formam “espírito de corpo” ou de nacionalidade, com a massa dos segmentos pobres trabalhadores brasileiros. Elas não se identificam, sobremodo, com os membros mestiços, negros e indígenas, e mesmo os brancos pobres que integram a massa pobre trabalhadora. Esta não-identificação é, de certa forma, natural. Pois, tais elites carregam consigo o ranço de suas respectivas origens ancestrais, de natureza étnica, cultural e geográfica.

Mais perigoso e traiçoeiro que as elites acima citadas, com relação os seguimentos pobres de trabalhadores brasileiros, consiste, entretanto, naquela outra categoria de indivíduos cooptados às elites portuga-descendentes. Categoria esta constituída de indivíduos de má fé, os quais são, no entanto, dotados de capacidade de liderança e oriundos de movimentos sociais por justiça social (em prol de trabalhadores, de negros, de mestiços, de índios, dos nordestinos pobres, de brancos pobres, etc.). Estes indivíduos de má fé são mais perigosos, porque aplicam discursos demagogos, e poderosamente sedutores, em favor, falsamente, da justiça social e pelos interesses dos segmentos sociais dos quais são oriundos, e da “nação”. Desse modo, tais lideranças tanto enganam como traem suas supostas “bases”, com mais facilidade que as elites portuga-descendentes e seus aliados eugenistas. Enfim, elas enganam e traem a população pobre trabalhadora brasileira.

As elites portuga-descendentes e seus aliados eugênicos têm favorecido, parece, a cooptação do tipo desleal de liderança acima apontado, em razão da facilidade com que estas lideranças enganam e traem o povo pobre trabalhador brasileiro. Assim, estas lideranças têm se propagado, no Brasil, como que um câncer maligno, a neutralizar e esvaziar os movimentos sociais por justiça social em favos dos seguimentos sociais menos favorecidos.

     Os ancestrais das elites brasileiras portuga-descendentes invadiram Pindorama, com os firmes propósitos seguintes: usurpar as terras dos índios; escravizar e/ou explorá-los economicamente; e explorar as riquezas naturais das terras dos índios. Tais ancestrais transmitiram esse modelo perverso de cultura e respectivas práticas aos seus herdeiros portuga-descendentes. Por outro lado, o Imperador D. Pedro II, o rei-filósofo-racista incrementou o processo racista de europeização eugenista das terras dos índios, quando a sociedade brasileira já havia se complexado e seu povo se diversificado. As elites oriundas desse processo racista foram cooptadas e/ou assumiram o modelo perverso de cultura, que as elites portuga-descendentes haviam herdado, anteriormente, dos seus ancestrais. Enfim, tanto as elites portuga-descendentes como as elites oriundas do processo racista de europeização eugenista de Pindorama, integravam e carregavam consigo o ranço racista e bárbaro próprios da cultura e respectivas práticas da Civilização Ocidental, que se desenvolvera na Europa Ocidental.

   Hoje, quando conseguimos nos desvencilhar das visões etnocêntricas e racistas, que exaltam a Civilização Ocidental, podemos entender que esta civilização têm sido, efetivamente e por sua própria natureza, mais perversa, injusta, bárbara e sanguinária, que todas àquelas civilizações rotuladas de “bárbaras”.[5] Enfim, as elites brasileiras portuga-descendentes e suas aliadas eugenistas estavam imbuídas em submeter e explorar as forças de trabalho de índios, negros escravos ou libertos, mestiços e brancos pobres. Algumas críticas proclamadas por Deus, através de Sofonias, contra as elites israelitas de Judá, cabem, mui apropriadamente, às elites brasileiras contemporâneas.

[1]. Cf. Maquiavel, N. O Príncipe. Copyleft  LCC publicações eletrônicas, p. 71-73.

[2].  Silva, G. do C. Conjuntura política nacional – o poder executivo & Geopolítica do Brasil, livraria José Olympio Editora, p. 12-21, 22-35.

[3]. Cf. Marx, K. O Capital, Livro I, Volume I, p. 720-731.

[4]. Viet, J. Métodos estruturalistas nas ciências sociais, p. 167, 181-191.

[5]. Cf. Löwy, M. Barbárie e modernidade no século XX. Critique Communiste, nº 157 / Fórum Social Mundial – Brasil, Dez. 2000 / La Insignia. Tradução de Alessandra Ceregatti, revista para NOM! por Rui Bebiano – Dez.00 .