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Alternância no poder entre as elites leonina e raposina: a “anestesia democrática”, a corruptocracia e os MPAVS (Art. 38, 5.5.1., p. 192-195)[1]
No período final da vigência do golpe de 64, a fratria leonina das elites portuga-descendentes e seus aliados eugenistas percebera o momento oportuno e a conveniência de proceder a “alternância pacífica” (abertura política ou diástole). Em razão disto, as elites da fratria leonina transmitiram o poder para as elites da fratria raposina, conforme mostramos em outro artigo.[2] As elites da fratria leonina antes de transmitirem o poder, precaveram-se do fato de estarem efetuando a abertura política (anestesia democrática), mas com o firme propósito de exacerbar, ainda mais, a desigualdade das rendas. Neste sentido, a fratria leonina preparou, antes de transmitir o poder para a fratria raposina, diversos dispositivos. Entre estes, destacamos dois pontos importantes, os quais seriam operados pela fratria raposina, durante 28 anos de “anestesia democrática” mesclada com a “corruptocracia”.
- Sempre com o objetivo de submeter, alienar e explorar o povo trabalhador brasileiro, as elites no poder passaram a investir maciçamente, para retardar o nível de desenvolvimento cultural da nação. Nesta direção, elas investiram, maciçamente, de modo direto e/ou “indireto” (Petrobrás, Vale, etc.), na “Nova Catequese positivista-cientificista” (Sistema de Ensino), nos meios de comunicação padrão Globo de Vandalismo Cultural. Elas criaram legislação permissível para favorecer o enriquecimento tanto da vagabundagem de colarinho branco como da picaretagem sacerdotal, que aliena os indivíduos do povo, através do crack (doutrina alienante) ideológico, etc. Através da Nova Catequese (Educação), as elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas vêm produzindo um grande número de intelectuais funcionais (FHC, Rousseff, etc.) e uma massa enorme de analfabetos funcionais. Assim, os intelectuais funcionais reproduzem a cultura das elites brasileiras, alienando e mobilizando os analfabetos funcionais.
Através da Time-Life norte-americana, a fratria leonina instalou o padrão Globo de Vandalismo Cultural. O qual seria desmoralizado, tanto para o público interno como externo, somente após 28 anos de “anestesia democrática”, quando iniciaram as manifestações de rua da juventude revolucionária, nos meses de maio, junho e julho de 2013.
Muitos indivíduos oriundos do processo racista pela eugenia e de europeização (roubo) das terras dos índios (e não deixar terras para os negros recém libertos, mestiços, e brancos pobres) deixaram-se cooptar e assumiram a cultura racista, injusta, gananciosa e perversa própria das elites brasileiras portuga-descendentes. A casta formada pela aliança entre as elites portuga-descendentes, e, os eugenistas oriundos da europeização (roubo) das terras dos índios vêm cooptando outro gênero de indivíduos de má fé. Indivíduos estes oriundos, tradicionalmente, das classes médias que se desenvolveram no Brasil, e/ou mesmo dos demais segmentos sociais (mestiços, negros, “líderes sindicais” (Lula, etc.). Seguimentos sociais estes que as elites portuga-descendentes vêm dominando, alienando e explorando economicamente.
A cooptação indicada acima consiste em uma estratégia ideológica operada pelas elites portuga-descendentes e seus aliados eugenistas. Ela tem como objetivo neutralizar e esvaziar movimentos populares por justiça social, liderados pelo gênero de indivíduos corruptos e/ou de má fé acima citado. Os quais são dotados, entretanto, da capacidade de liderança política, para a infelicidade dos segmentos pobres de trabalhadores.
Na direção acima apontada, as elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas procuram cooptar o tipo de indivíduos de má fé e dotado de capacidade de liderança. Mas, aquele que apresentasse, por um aspecto, quaisquer atributos (marca, estigma, etc.) característicos, que identificam o respectivo segmento social, que tais elites submetem, alienam e exploram: líderes de sindicatos de trabalhadores (Lula, etc.); líderes de movimentos negros, mestiços ou indígenas; líderes estudantis oriundos das classes médias (dirigentes da UNE, etc.), líderes oriundos de regiões pobres do Brasil, a exemplo da região Nordeste (os “sete anões”, etc.) Desse modo, os indivíduos que integram os segmentos sociais alienados e explorados se identificam e se simpatizam com tais líderes corruptos e/ou de má fé. Nos quais, a maioria desses indivíduos simplórios vota, nas eleições que as elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugênicos promovem.
Os indivíduos simplórios votam nos líderes políticos de má fé, e o fazem com a esperança singela, que esses elementos de má fé cumpram as promessas demagogas que fazem. Esta é a “anestesia democrática” que o conjunto das elites nacionais, isto é, tanto as elites leoninas como as raposinas vêm aplicando, articuladas entre si, sobre o povo brasileiro.
- Antes de transferir o poder para a fratria raposina, a fratria leonina criou e/ou aprimorou os dispositivos legais e outros mecanismos, com o objetivo claro de incrementar os MPAVS (mecanismos de produção e administração da violência social). Mecanismos estes dissimulados na ideologia do “combate à violência e criminalidade”. Tais elites determinaram ao Ministro da Justiça proceder nesse sentido:[3]
“No dia 11 de julho do ano passado (1979), o Ministro da Justiça constituiu um grupo de trabalho sob a presidência do criminalista José Benedito Viana de Morais, objetivando a apresentação de um minucioso plano que servisse de base às providências executivas no tratamento das graves questões, á luz de princípios científicos modernos (…) A publicação, que ora entregamos ao público, insere-se no quadro do amplo e democrático debate sobre o assunto da Violência e da Criminalidade suscitado pela Portaria nº 167, de 22 de fevereiro de 1980, do senhor Ministro da Justiça (o grifo em negrito é nosso)”.
A partir do contexto histórico de “anestesia democrática” (abertura política ou diástole) acima apontado, a fratria leonina das elites portuga-descendentes e seus aliados eugenistas iniciaram a incrementação, de modo exacerbado, dos dispositivos legais, dos meios físicos e de pessoal voltados para a instalação e operação do meio mais perverso de controle social. Isto é, os MPAVS (mecanismos de produção e administração da violência social). Mecanismos estes dissimulados na ideologia do combate a violência e criminalidade.[4]
A seguir, com a abertura política ou diástole, a fratria raposina das elites passaram a operar, também exacerbadamente, com os referidos mecanismos. Ou seja, estes mecanismos foram e são empregados pelo conjunto (fratria leonina e fratria raposina) das elites. As quais se alternam no poder.
No sentido acima apontado, podemos utilizar o teatro como metáfora de relações sociais. Este procedimento metodológico permite notar, no curso sócio-histórico, por exemplo, que quando a fratria leonina está para sair de cena, ela prepara as condições necessárias e chama a fratria raposina para a cena principal, e vice-versa. A cena de alternância fora combinada, entretanto, previamente nos bastidores, e já constava no script.
Além da estratégia de manutenção do poder por “alternância pacífica” entre as fratrias raposina e leonina das elites brasileiras, estas elites articulam-se entre si em “teia horizontal e escalonada” (Foucault) e em “agrupamento operatório”. Agrupamento este que articula os quatro “querubins” (Ezequiel), que exercem trabalho intelecto-social de direção: direção ideológica (face com aparência humana); política (face de leão); direção da produção (face de touro) e direção da circulação comercial (direção do comércio). Desse jeito, elas (as quatro respectivas rodas cheias de olhos) formam um conjunto superestrutural voltado para vigiar e punir a base social e real da história (as forças produtivas que exercem trabalho produtivo agrícola e industrial, e que são representadas na figura dos querubins de Ezequiel, nos pés de touro cintilando como o metal). Ou seja, a superestrutura dirige, vigia, puni e exerce o poder disciplinar produtivo e administrativo, sobre a base constituída dos segmentos trabalhadores pobres e dos excedentes destes.
Por um aspecto, tais elites aplicam os referidos MPAVS, para produzir e administrar a moldagem do tipo violento e corrupto de conduta individual. Moldagem esta voltada tanto para a conduta dos indivíduos (instrumentos físicos do poder) que elas recrutam para compor suas forças de repressão como para os delinqüentes. Ambos recrutados entre os excedentes das classes trabalhadoras (lumpemproletariado). Moldagem esta voltada, enfim, para o controle e mobilização social.
Por outro aspecto, os mecanismos de produção e administração da violência social consistem num importante instrumento tático no jogo de divisões e oposições. O qual é criado e operado pelo conjunto das elites no poder. Cuja finalidade consiste em neutralizar todas as forças ativas oriundas dos segmentos sociais de trabalhadores pobres e dos excedentes destes. Consiste em neutralizar, enfim, qualquer possibilidade de revolução popular. Neste sentido, Foucault observa:[5]
“A justiça penal! Não foi produzida nem pela plebe, nem pelo campesinato, nem pelo proletariado, mas pura e simplesmente pela burguesia, como um instrumento tático importante no jogo de divisões que ela queria introduzir”.
Maquiavel foi o fundador e gênio da ciência política. Ele notou e descreveu o tipo de estratégia ideológica, que pode ser aplicada por “príncipes” (elites no poder), e que consiste na alternância no poder, entre a fratrias leonina e a raposina dessas elites. Alternância no poder aplicada, estrategicamente, como meio de controle social e dessas elites se manterem no poder.[6] Por exemplo, a fratria leonina das elites brasileiras portuga-descendentes e seus aliados eugenistas haviam implantado, em 1964, o período de “sístole”, isto é, centralização e enrijecimento do poder contra a massa pobre trabalhadora, durante vinte anos de ditadura militar. No final deste período, a pressão popular contra a ditadura aumentara e ficara difícil de contê-la. A própria fratria leonina promoveu, antes que a “panela de pressão” estourasse, o início de abertura política, e saiu de cena, mas se manteve nos bastidores, usufruindo das vantagens que obtivera, durante os vinte anos que detivera o poder e explorou os segmentos pobres de trabalhadores. Após isto, a fratria raposina dessas elites assumiu a cena principal, e passou a promover e aplicar, no povo, cerca de vinte e oito anos de “anestesia democrática”, e operar com os perversos MPAVS.
O General Golbery estagiou no exército norte-americano, e Chefiou o Grupo de Pesquisa do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), no Rio de Janeiro. Ele fora considerado a “eminência parda” que orientava a política de governo do golpe militar de 64. Ele descreveu a alternância entre as elites leonina e raposina, mas pelo aspecto político da “sístole” (período de concentração e enrijecimento do poder, a plicado como meio de controle social, quando os segmentos trabalhadores estão muito engajados em movimentos sociais em prol de justiça social) alternado com a “diástole” (período de desconcentração do poder ou “abertura política” aplicada como meio de controle social, para dar ao povo trabalhador uma mera sensação de liberdade e de participação política, mas não de prosperidade econômica, quando o povo se encontra prestes a explodir os meios de repressão voltados para a manutenção do período de sístole.[7]
Marx observara esses dois aspectos de fenômenos sociais, pela perspectiva da economia política.[8] Neste sentido, podemos relacionar dois quadros. Por um aspecto, o processo de centralização, acumulação e concentração do capital implementado e detido pelas elites brasileiras portuga-descendente e pelos seus aliados eugenistas, e as respectivas crises cíclicas E, por outro aspecto, os ciclos de alternância entre, de um lado, o período de sístole e hegemonia, da fratria leonina dessas elites, e de outro lado, o período de diástole e hegemonia da fratria raposina dessas mesmas elites. Por este prisma, seria interessante observar, no Brasil, por um lado, a centralização de riquezas nas mãos de poucos (elites portuga-descendentes e seus aliados eugenistas), que é exorbitante, em relação a outros países, e por outro, a variação da população das classes médias, notadamente no seio das elites portuga-descendentes e seus aliados eugenistas.
[1] Cf. Livro Maldição do Templo do Sacerdote: http://www.tribodossantos.com/livros/Maldicao_do_templo_do_sacerdote.pdf.pdf
[2]. Cf. Art. 25. SOFONIAS no Brasil: Alternância leonina-raposina no poder; volúpia por impostos altos; políticos, juízes e poderosos corruptos (Art. 25, 3.6., p. 117-129): http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/06/alternancia-leonina-raposina-no-poder.html
[3]. Jesus, D. E.; Menna Barreto, J. de D.; Dotti, R. A.; Coutinho, R. A. M.; Neves, S. Violência e Criminalidade – Propostas e soluções, p. IX, XI.
[4] . Cf. Art. 39. Produção cultural e violência show ao vivo na moldagem da conduta violenta, no quadro dos MPAVS (Art. 39, 5.5.2., p. 196-197): http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/08/producao-cultural-e-violencia-show-ao.html
Cf. Art. 40. Gladiadores do século XXI – violência show ao vivo: o novo coliseu (Art. 40, 5.5.3.;5.5.4., p. 207-209):
http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/06/gladiadores-do-seculo-xxi-violencia.html
Cf. Art. 41. Meios formais (estratégia da proibição legal do tóxico) e informais empregados nos MPAVS (Art. 41, 5.5.5., p. 209-214): http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/06/meios-formais-estrategia-da-proibicao.html
Cf. Art. 42. As elites dos EUA e os mecanismos de produção e administração da violência social (MPAVS) (Art. 42, 5.5.6., p.214-219): http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/06/as-elites-dos-eua-e-os-mecanismos-de.html
[5]. Foucault, M. Microfísica do Poder, p. 56-57.
[6]. Cf. Maquiavel, N. O Príncipe. Copyleft LCC publicações eletrônicas, p. 71-73.
[7]. Silva, G. do C. Conjuntura política nacional – o poder executivo & Geopolítica do Brasil, livraria José Olympio Editora, p. 12-21, 22-35.
[8]. Cf. Marx, K. O Capital, Livro I, Volume I, p. 720-731.