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Livro: Teoria da História (Art. 16, 2.2.3., p. 109-111) www.tribodossantos.com.br
Vejamos o ponto do pensamento do Mestre, que trata da noção de conjunto complexo da conduta individual, e emprega as noções de “ervas que contêm sementes”, e, “árvore frutífera” como metáforas concernentes a esse conjunto. Jesus opera com a Teoria da História registrada no livro Gênese. Esta teoria concebe, na parte concernente ao “terceiro dia da criação” do sistema total de teoria sócio-histórica (Sistematização Teórica), que o Trabalho Natura-Social (Deus Criador) determinou o desenvolvimento de dois sucessivos contextos sócio-históricos. O primeiro contexto criou as condições materiais para o desenvolvimento do segundo.
Em primeiro lugar, o Trabalho Natura-Social determinou o desenvolvimento (notadamente, no início do Período Neolítico), do “ajuntamento das águas”. Ou seja, determinou “o estreitamento das relações ou laços sociais” (“ajuntamento”) entre “os diversos segmentos sociais” (“as águas”), então, existentes, e já relacionadas entre si, através da “linguagem” (“céus”), desde o “2° dia da criação”
O signo “águas” é pertinente à categoria do pensamento profético. Ele consiste numa importante chave, para o entendimento acerca do tema em tela. Chave esta que o Mestre nos fornece (Ap 17, 15):
“As águas que viste…, são povos, e multidões, e nações, e línguas”.
O símbolo “Águas” representa, portanto, múltiplos e multiformes grupos sociais relacionados entre si através da linguagem ou “céus”.
O Trabalho Natura-Social determinou, o “ajuntamento” (estreitamento das relações ou laços sociais) das “águas”. Ajuntamento esse decorrente do início do processo de sedentarização. Ou seja, as “águas” se “ajuntam num mesmo lugar”. Tudo isto ocorrera em decorrência do “aparecimento do elemento árido” (“terra”), isto é, em decorrência do início do trabalho material transformador ou produtivo agrícola. Esses são os sentidos do trecho (Gn 1, 9):
“Deus disse: ‘que as águas que estão debaixo dos céus se ajuntem num mesmo lugar, e que apareça o elemento árido”.
Em segundo lugar, a Teoria da História concebe, que o Trabalho Natura-Social (Deus Criador) determinou, concomitantemente ao contexto acima indicado (início do período Neolítico), a gênese ou aprimoramento de dois distintos tipos ideais ou gerais tipos de “plantas” (papéis sociais), e respectivos conjuntos complexos de conduta individual.
O primeiro tipo de “planta” corresponde ao indivíduo, que desempenha o papel social caracterizado pelo nível intelectual de natureza simples, e que chamamos de “senso comum”. Os indivíduos dotados desse nível intelectual, são representados, metaforicamente, na figura das “ervas que contêm semente segundo a sua espécie”.
O segundo tipo de “planta” corresponde ao indivíduo que desempenha o papel social caracterizado, notadamente, pelo nível sofisticado de elaboração intelectual, e que chamamos de “intelectual”. Este nível é representado, metaforicamente, nas “árvores que produzem frutos segundo sua espécie, contendo o fruto a sua semente”.
Entre os dois tipos ideais de plantas acima citados, a existência de diversas gradações há de ser considerada, obviamente. Vejamos o trecho em questão (Gn 1, 11-13):
“Deus disse: ‘produza a terá plantas, ervas que contenham sementes e árvores frutíferas que deem fruto segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente’. E assim foi feito. A terra produziu plantas, ervas que contêm sementes segundo a sua espécie, e árvores que produzem fruto segundo a sua espécie, contendo o fruto a sua semente. Deus viu que isto era bom. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o terceiro dia”.
A Teoria da História compara e identifica correlações entre a “erva” e a “árvore”. Na comparação, de um lado, o papel social (planta) do tipo “erva” se distingue e firma-se como um elemento simples (senso comum), inclusive na sua forma de reprodução social, e de outro lado, a “árvore” se distingue e firma-se como elemento mais complexo e sofisticado (intelectual), inclusive na sua forma de reprodução social. Na correlação, a “árvore” (indivíduo intelectual) tende a moldar a conduta, controlar e mobilizar a conduta da “erva” (indivíduo de senso comum).