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É oportuno alguns esclarecimentos. O autor da Teoria da História subdividiu-a em duas grandes parte: Sistematização Teórica e Verificação Empírica. O trecho Gn 1-2, 1-4-a está inserido na Sistematização Teórica; o trecho Gn 2, 4-b-8,18 está inscrito na Verificação Empírica. O desenvolvimento da Estrutura do Sujeito Social é focalizado no “1° dia da criação ST” (Primeiro Dia da Criação (Gn 1, 1-5) exposto na grande parte chamada “Sistematização Teórica“) que integra a Teoria da História. O Trabalho Natura-Social (o Criador) desenvolveu a Estrutura do Sujeito Social, em duas etapas: primeira fase, e, segunda fase.
Na outra parte da Teoria da História, o aspecto sócio-histórico concernente ao desenvolvimento da Estrutura do Sujeito Social está exposto no “1° dia da criação VE” (Primeiro dia da criação (Gn 2, 4-b-6) registrado na outra grande parte nomeada “Verificação Empírica”). No “1° dia da criação VE”, o autor emprega a formula “No tempo em que o Senhor Deus fez a terra e os céus” análoga à fórmula da “introdução” (No princípio, Deus criou os céus e a terra) do primeiro dia da criação, na Sistematização Teórica. O autor empregou esse artifício (paralelismo), com o objetivo é demonstrar a analogia (Sistematização Teórica – Verificação Empírica) entre essas duas abordagens. Vejamos o texto em tela:
“No tempo em que o Senhor Deus fez a terra e os céus, não existia ainda sobre a terra nenhum arbusto nos campos, e nenhuma erva havia ainda brotado nos campos, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem que a cultivasse; mas subia da terra um vapor (d’água) que regava toda a sua superfície (os grifos em negrito são nossos)”. (Gn 2, 4-b-6).
No primeiro trecho do enunciado acima (No tempo em que o Senhor Deus fez a terra e os céus, não existia ainda sobre a terra nenhum arbusto nos campos, e nenhuma erva havia ainda brotado nos campos), o autor informa, que no 1° dia da criação, o “Senhor Deus” (Trabalho Natura-Social), exercido pelos grupos de famílias de primatas, desenvolveu, no princípio, dois grande campos articulados entre si numa relação de práxis. Por um aspecto, o Trabalho Natura-Social desenvolveu (aprimorou), gradativamente, em cada indivíduo e no campo das interações sociais, o “campo subjetivo” ou céus [sentimento, valores, “cognição” (memória, inteligibilidade, linhas lógicas de raciocínio, etc.), volição, intencionalidade, e os órgãos sensitivos. Ele desenvolveu, simultaneamente, as interações intersubjetivas, através dos veículos objetivos (sons, sinais e outras atitudes objetivas). Por outro aspecto, ele desenvolveu, simultaneamente, o “campo objetivo” ou “terra” (as respectivas ações individuais e sociais), e o corpo do primata em sua totalidade.
O autor informa, ainda, que no “princípio” acima indicado “não existia ainda sobre a terra nenhum arbusto nos campos, e nenhuma erva havia ainda brotado nos campos”. O “principio” que o autor se refere, corresponde á época que se convencionou chamar de Paleolítica Inferior e mesmo além, isto é, podemos imaginar os primatas, mas inseridos nas fases da época Pleistocena, do período geológico Neogeno.[1]
O autor esclarece que no “princípio” (época) acima indicado, o Trabalho Natura-Social (Deus) ainda não havia desenvolvido, com referência aos primatas, “sobre a terra” (trabalho material sobre a natureza exterior: atividade predatória), sequer o nível médio (arbusto) do papel social “árvore” (trabalho intelectual), e nem o papel social “erva” (senso comum). Esses papéis sociais se desenvolveriam, posteriormente, no “3° dia da criação“, com o início do trabalho produtivo agrícola: ” o elemento árido TERRA” (cf. Gn 1, 10-b). Tais papéis sociais não se haviam desenvolvido, obviamente porque não havia se desenvolvido, também, trabalhos campestres. Os quais propiciam a vida sedentária, ao maior estreitamento dos laços sociais e ao desenvolvimento destes papeis sociais. Em outros termos, o autor trata, aqui na Verificação Empírica, aquilo que ele dissera na Sistematização Teórica referente ao “1° dia da criação ST”: “a terra estava informe e vazia” (cf. Gn 1, 2-a). Ou seja, ainda não havia se desenvolvido a divisão sexual do trabalho, e muito menos a divisão social do trabalho material e intelectual, mas apenas os respectivos campos desta divisão social: “terra” (campo objetivo) e “céu” (campo subjetivo).
O autor esclarece mais outros dois aspecto pertinentes à época do “princípio”, quando o Trabalho Natura-Social ainda não havia impelido, nos grupos de famílias de primatas, o desenvolvimento do trabalho campestre, nem os papéis sociais “arbusto” e “erva”: 1. “Porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem que a cultivasse”; 2. “Mas subia da terra um vapor (d’água) que regava toda a sua superfície”.
Na primeira sentença (Porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem que a cultivasse), o autor esclarece algo acerca da “águas” (da chuva). É oportuno lembrarmos o significado chave do signo “águas”, ensinado pelo Jesus Histórico: “O anjo me disse: ‘As águas que viste, à beira das quais a prostituta se assenta, são povos e multidões, nações e línguas“. (Ap 17, 15). A aplicação desta fórmula à época do “princípio”, a qual corresponde à época que se convencionou chamar de Paleolítica Inferior e mesmo além, quando a linguagem ainda não havia se desenvolvido, mas apenas outros veículos de comunicação (sons, sinais, etc.). Então, as “águas” consistiam em grupos de primatas (hominídeos), que ainda viviam, sobretudo, em “árvores” (sentido literal).
O autor esclarece, também, que nesse “princípio”, “nem havia homem que a cultivasse“. Desse modo, ele informa que faltava ainda muito tempo, para advir o período sócio-histórico, no qual a humanidade inauguraria o trabalho agrícola. Período este que os pensadores modernos chamam de Neolítico. Notem, entretanto, que nessa primeira sentença, o autor está esclarecendo, alegoricamente e empregando o signo chave “águas”, mas acerca de algo que o Trabalho Natura-Social ainda não fizera, embora faria posteriormente: “porque Deus não tinha feito…”.
Na primeira sentença, o autor esclarece, primeiramente, o quê o Trabalho Natura-Social ainda não tinha feito, no estágio que focaliza. Desse modo, ele esclarece as características que se apresentavam no estágio focalizado, ou seja, “as águas ainda permaneciam suspensas“. Isto significa dizer, em outros termos, que “os grupos de primatas (hominídeos), ainda viviam, sobretudo, em “árvores“. O autor explica, ainda, que neste estágio “nem havia homem que a cultivasse”, ou seja, então, ainda faltava muito tempo, para advir o período sócio-histórica, que os pensadores modernos chamam de Neolítico. Na sentença seguinte, o autor esclarece o quê o Senhor faria subsequentemente.
A figura das “águas caindo na forma de chuva” (e “regando“, isto é, escorrendo e se espalhando sobre a terra) foi empregada pelo autor, na primeira sentença, para representar a passagem de um antiquíssimo estágio para o imediatamente subsequente. A passagem do estágio acima indicado (os hominídeos vivendo, ainda, prioritariamente em árvores = “águas permanecendo suspensas”), para o estágio subsequente, quando o homem “desce das árvores” e “passa a andar em suas pernas” (= ” águas descendo, na forma de chuva, ao solo e escorrendo e se espalhando sobre a terra”).
Ao homem do estágio subsequente acima apontado (“desce das árvores” e passa a andar em suas pernas), os pensadores modernos convencionaram chamar de Homo erectus. E, ao longo período histórico correspondente, chamam-no de Paleolítico Inferior (até há aproximadamente 300 mil anos). Foi neste período que surgiram as primeiras espécies de hominídeos erectus, provavelmente na África. Nesta época a temperatura era muito baixa, obrigando os humanos e outros animais a viver em cavernas. Os hominídeos surgidos nesta época foram os Australopithecus, Homo habilis e Homo erectus. As tecnologias empregadas no período foram, por ordem crescente de complexidade.
Na segunda sentença (Mas subia da terra um vapor (d’água) que regava toda a sua superfície), o autor explica, ainda alegoricamente, o desenvolvimento de dois fenômenos. Em primeiro lugar (mas subia da terra um vapor d’água), ele explica que de modo rarefeito (vapor d’água), isto é, em pequenos grupos de famílias de nossos ancestrais (hominídeos que ainda viviam prioritariamente nas árvores), determinados indivíduos iniciaram o desenvolvimento da postura ereta: “subia da terra”. Em segundo lugar (que regava toda superfície), o autor esclarece que “o desenvolvimento da postura ereta fora cultivada e se propagara” (regava) por toda a “superfície da terra”.
[1] Cf. Tabela Estratigráfica Internacional: http://www.igeologico.sp.gov.br/ler_noticia.asp?id=418