A banda podre da Bíblia – A maldição do comunismo e do cristianismo – Parte 1

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A banda podre da Bíblia consiste na primeira parte de um tema mais amplo, cujo título esclarece bem, as duas abordagens contidas nele, e algumas das suas implicações. Esse título é: A maldição do comunismo e do cristianismo. O qual tem ao todo cinco partes.
   A banda podre da Bíblia se insere no conflito entre, de um lado, a igreja de Paulo de Tarso e as igrejas que a sucederam (Católica, ortodoxas, protestantes, evangélicas. etc.), e do outro, a igreja dos verdadeiros Apóstolos de Jesus. A banda podre da bíblia consiste nas satânicas epístolas paulinas, e demais livros escritos, sob a orientação sofística de Paulo, por ideólogos membros da camarilha chefiada por ele. Esse conflito e a hegemonia obtida por Paulo, através dos teólogos e sacerdotes das igrejas que o sucederam, então, criaram enormes dificuldades para o entendimento do NT, e sobretudo para conhecermos o sentido original do evento Jesus Histórico e da sua doutrina.

Em primeiro lugar, Partimos da seguinte premissa (hipótese): desde Paulo de Tarso o Anticristo, os teólogos e sacerdotes pseudo cristãos se arvoram intérpretes autorizados, e vêm adulterando, intencional e maliciosamente, a doutrina original do Jesus Histórico. Eles adulteraram, em diversos pontos capitais, a doutrina original de Jesus, porque esta doutrina denuncia e combate as doutrinas, as respectivas práticas e os interesses escusos de todo tipo de clero profissional e assalariado. A doutrina de Jesus combate, ainda, o modelo hierarquizado das instituições religiosas de todo tipo de clero profissional e elitista. Ao exemplo do modelo hierarquizado de igreja, com clero profissional, que Paulo de tarso criou (cf. At 20, 23; Rm 16, 21-24; 1Cr 9, 2-6; 2Cr 11, 8; Fl 1, 1; 4, 15-18; Tm 3, 8-13; 17-19; Tt 1, 5-7), e da qual derivaram as igrejas católica, ortodoxas, protestantes, evangélicas, e outras do gênero.

As formas adulteradas da doutrina pseudo cristã, na realidade são as que chegaram até nós. Através das nossas pesquisas, constatamos a hipótese inicial acima indicada, e vamos expor os resultados das nossas pesquisas, nos capítulos pertinentes.

As interpretações falseadas da doutrina de Jesus aludidas acima, na realidade põem-se como os maiores obstáculos, para podermos entender o sentido original do pensamento do Jesus Histórico. Determinados aspectos do conflito entre Paulo o Anticristo, e, os genuínos Apóstolos de Jesus foram registrados por alguns destes Apóstolos e/ou por seus respectivos fiéis redatores: João (o Evangelho que leva o seu nome), o Apocalipse e a 1ª, a 2ª e a 3ª Epístola de João); Mateus (o Evangelho que leva o seu nome); Tiago o Menor, o irmão do Senhor (Epístola de Tiago); Judas Tadeu, também irmão do Senhor (Epístola de Judas); Tomé (o Evangelho de Dídimo Judas Tomé), considerado apócrifo; mais o Evangelhos de Felipe e o de Maria (Miriam Magdala), também considerados apócrifos.

O primeiros padres da Igreja estavam embebidos da discriminadora cultura patriarcal e do paulinismo. O Paulinismo exalta a ideologia antinômica “corpo versus alma ou espírito”, que Paulo apanhou emprestado de Platão, e que a atribuiu, falsamente, como parte da doutrina do Mestre. Nessas condições, os primeiros padres se encontravam, quando selecionaram, tendenciosa e malignamente, os livros que iriam compor o cânone da Igreja.

Os primeiros padres fizeram a tal seleção, com o objetivo específico, por um aspecto,  de exaltar o paulinismo, e por outro, de dissimular o sentido original da doutrina de Jesus. Ou seja, dissimular, desqualificar e combater a natureza libertária e igualitária dessa doutrina. A qual induzira, na época de Jesus e dos Apóstolos que o sucederam, a concretização, tanto dentro como fora da Judeia, do modelo de núcleos de comunidades libertárias e igualitárias articulados entre si, em rede descentralizada. Modelo de núcleos esse que combatiam e eram diametralmente opostos, ao modelo hierarquizado e autoritariamente centralizado, tanto das igrejas dos fariseus como dos saduceus. O modelo de núcleos de comunidades igualitárias descentralizadas combatera, posteriormente, também o modelo hierarquizado de igreja criado, como forma de resistência ao avanço do genuíno cristianismo, por Paulo de Tarso o Anticristo.

Todos os ideólogos elitistas entenderam, claramente, que a revolução desencadeada por Jesus, ameaçava seus interesse materiais escusos.

Paulo era fariseu fanático (cf. At 26, 5; Fl 3, 5). Ele agiu, então, de modo contrarrevolucionário, restaurado o modelo hierarquizado e autoritariamente centralizado da religião dos fariseus, na igreja criada por ele. Modelo esse que foi seguido por todos os teólogos e sacerdotes das igrejas pseudo cristãs, que o sucederam: católicos, ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos, maometanos, etc.

Os primeiros padres objetivaram dissimular, ainda, o modelo servo (não elitista) de liderança, e a noção de “glória” (sacrifício perpétuo), que o Mestre e seus genuínos Apóstolos praticavam, e que motivava aos indivíduos avançarem, destemidamente, com o movimento revolucionário, de natureza libertária, igualitária, etc.

Os primeiros padres objetivaram dissimular, através da exaltação da ideologia antinômica “corpo versus alma ou espírito“, sobretudo o cerne da “espada” de Jesus e de todos os “grandes profetas individuais“.[1] Quer dizer, eles objetivaram dissimular, assim, o sentido profundo da noção de conversão individual, que Jesus aprimorou e ensinou, e que se propagou junto com o movimento que ele desencadeou. Noção essa que propicia ao indivíduo, por um aspecto, ser sujeito de sua cura, do estado de “morto” (alienado), e por outro, propicia, desenvolver autoconhecimento, capacidade de autodiligência e consciência social crítica e transformadora. Paulo apanhou emprestado de Platão, a ideologia antinômica “corpo versus alma ou espírito”, e a atribuiu, falsa e repetidamente, como parte da doutrina do Mestre.

A “espada” é o instrumento de luta que propicia ao indivíduo se conhecer como um sujeito estruturado, enquanto um conjunto complexo de conduta, em que o campo subjetivo (sentimentos, valores, etc.) motiva o “campo objetivo” (ações e omissões sociais). O campo subjetivo tem os sentimentos como fator determinante, que condiciona, de pronto, os valores. Assim articulados entre si, os sentimentos e valores condicionam os de mais fatores subjetivo: a cognição, inclusive as linhas lógicas de raciocínio, pois não existe um fator “razão” como que autônomo e pairando na inteligibilidade; a vontade e os propósitos ou intencionalidade.[2]

O Mestre ensinou ao indivíduo, também conhecer os procedimentos que o possibilita ser sujeito de sua própria cura e libertação. Libertação tanto das cadeias ideológicas (doutrinas falsas) como dos ideólogos que as inventam, e que com elas operam, as inculcando nos indivíduos, para os submeterem, ideologicamente, e explorá-los economicamente. Em resumo, Jesus ensinou ao indivíduo, a diligente prática subjetiva de estimular, intensamente, sentimentos de ordem amorosa, e bloquear os de ordem odiosa. Assim, o indivíduo estará atuando a partir do campo subjetivo, o qual motiva o campo objetivo, isto é, as ações sociais do mesmo indivíduo. Por essa ótica, e empregando, metaforicamente, a noção de coração como sede do campo subjetivo e motivador do indivíduo, Jesus ensinou:

Aquilo que sai da boca, provém do coração, e é isso o que mancha o homem. Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, impurezas (corrupções), os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias. Eis o que mancha o homem…” (Mt 15, 18-20-a)

Enfim, os demais livros que os tais padres inseriram, maquiavelicamente, no cânon da Igreja, e que as demais religiões pseudo cristãs (protestantes, evangélicas, etc.) adotaram, salvo algumas exceções, foram elaborados com a mais fina e diabólica sofistica. Esses livros constituem a “banda podre da Bíblia“, que os primeiros e hipócritas padres plantaram no NT. Cujo objetivo consistiu, também, em exaltar a pessoa de Paulo o Anticristo, e a perspectiva ideológica deste. Ou melhor, os demais livros foram elaborados por Paulo o Anticristo, ou por alguns dos ideólogos submissos ao Anticristo e sob a orientação deste, ou inspirados nesta orientação.

Lucas (médico e ideólogo embebido da cultura grega), Timóteo, Tito, Silvano ou Silas e Marcos eram membro da camarilha de ideólogos chefiada por Paulo. Cujo objetivo consistia, de um lado, em obter, para a sua igreja, as graças das autoridades romana, e do outro, voltar essas autoridades contra a igreja dos genuínos Apóstolos e seguidores de Jesus. Nesse sentido, Paulo escreveu as diabólicas epístolas, que a análise literária reconhece como de sua autoria. Segue o mesmo sentido, também outras epístolas. As quais a análise literária suspeita, que seriam de outros autores, embora levem o nome de Paulo e sigam fielmente sua orientação (1 e 2 Epístola a Timóteo; Epístola a Tito, etc.).

Paulo orientou os membros da sua camarilha, na forma sofística dos escritos atribuídos a esses membros seus subordinados: Marcos e seu Evangelho (cf. 2Tm 4, 11; At 12, 25, etc.); Lucas e o seu Evangelho, mais o Atos dos Apóstolos; Silvano ou Silas e “Pedro” (quando Pedro passou, de modo submisso e humilhante, para o lado de Paulo o Anticristo), pois Silvano escreveu, mancomunado com o Pedro analfabeto (cf. 1Pd 5, 12), as cartas 1 e 2 Pedro; em 2Pedro, este elogia o Paulo o Anticristo, enquanto denigre os genuínos Apóstolos de Jesus (cf. 2Pd 3, 15).

No Atos dos Apóstolos, Paulo orientou um fanático discípulo seu (cf. Cl 4, 14; Fm 24, 2Tm 4, 11), Lucas. Paulo o orientou, entre outras coisas, no sentido de fazer, sofisticamente, por um lado, apologia do próprio Paulo, e por outro,  exaltar a pérfida liderança elitista exercida por Pedro. Mas, sem esclarecer, que Pedro era contrário ao modelo servo de liderança, e que concorrera, embora infrutiferamente, com Paulo. Cada qual visando criar, para si, uma igreja hierarquizada e autoritariamente centralizada, ambos empregando o desonesto modelo elitista de diretriz pastoral. Em razão desse modo de Pedro agir, ele foi afastado dos genuínos seguidores de Jesus, pelos demais verdadeiros Apóstolos, fiéis ao modelo servo de liderança praticado e proposto pelo Mestre.

Na realidade, Jesus não houvera atribuído ao Pedro, conforme Lucas (Paulo) sugere, em Atos dos Apóstolos, a liderança da sua igreja, para após a morte do Mestre. Note que os teólogos da Igreja vêm ratificando, efusivamente, essa mentira forjada por Paulo, o mentor de Lucas. Porém, Jesus houvera determinado e confiado ao Tiago o Menor, também chamado de “o Justo” e “o irmão do Senhor”, a responsabilidade de lhe suceder, após sua morte, na liderança do movimento revolucionário, de natureza libertária e igualitária. Tomé afirma, indubitavelmente, em seu Evangelho, essa determinação feita por Jesus:[3]

Os discípulos disseram a Jesus: Sabemos que nos deixarás; quem dentre nós será o maior? Respondeu-lhe Jesus: No lugar em que estiverdes, seguireis a Tiago, o Justo: ele é que está a par das coisas do céu e da terra

Em razão da afirmação feita por Tomé, indicada acima, os primeiro padres da Igreja sumiram, quando selecionavam os livro, para o cânone da Igreja, com todos os exemplares do Evangelho de Tomé, e o consideraram apócrifo. Eles também consideraram, mentirosamente e para desqualificar a genuína doutrina de Jesus apresentada por Tomé, como de natureza gnóstica. Pois, o “interior de cada indivíduo” que Jesus recomenda, no Evangelho de Tomé, “reconhecerdes a vós mesmos“,  na verdade se refere, nos termos que falamos anteriormente, a noção mais profunda de conversão individual, a “espada de Jesus“.[4] Noção essa que Paulo omitiu, estrategicamente, enquanto exaltou, mentirosa e repetidamente, para parecer verdade, a ideologia platônica “corpo versus alma“, como se fosse parte da doutrina de Jesus. (cf. Rm 8, 1-26; 1Cr 6, 12-20; 7, 34-b; 9, 27; 2Cr 5, 6-10; 7,1; 12, 7; Gl 5, 16-25; 1Ts 5, 23; Hb 10, 22)

Os teólogos e sacerdotes pseudo cristão (católicos, evangélicos, protestantes, etc.) seguiram essas pegadas diabólica de Paulo.

Paulo forjou, sofisticamente, através do Ato dos Apóstolos de Lucas, o falso estereótipo decristãos judaizantes”, sobre os genuínos Apóstolos de Jesus

Por fim, Pedro traiu tanto os genuínos Apóstolos como também a igreja de Jesus, ao passar, humilhantemente, ao envelhecer e estando carente, para o lado da igreja rica e hierarquizada de Paulo, que o sustentou. Paulo sustentou Pedro, mas para se servir deste, em razão dos interesses de Paulo e os da sua igreja hierarquizada. Isto é, aproveitando-se da condição de Pedro, que ficara conhecido como um dos doze discípulos de Jesus. Pois, Pedro se encontrava envelhecido, carente de recursos materiais e intelectuais. Neste sentido, Jesus previu o destino de Pedro, em razão deste seguir, hipócrita e renitentemente, o modelo elitista e autoritário de liderança, e se negar a seguir, também renitentemente, o modelo servo de diretriz pastoral, que o Mestre praticou e propôs.

Jesus previu o destino de Pedro, quando houvera ressuscitado, e perguntar três vezes ao Pedro, se este o amava, e Pedro lhe responder, hipocritamente, três vezes, que sim. Mas, Pedro continuava a não seguir o modelo servo de liderança proposto pelo Mestre, então, em razão dessa negação renitente, o Mestre previu o destino de Pedro:

Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro [Paulo] te cingirá, e te levará para onde não queres [Pedro e Paulo concorriam entre si, ambos usando o modelo elitista de liderança, pelo arrebanhamento de simpatizantes de Jesus]’. Por estas palavras, Jesus indicava o gênero de morte com que Pedro havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: ‘Segue-me” (Jo 21, 17-c-19).

Paulo objetivou, também, através do Atos dos Apóstolos de Lucas, desqualificar os genuínos Apóstolos de Jesus. Quando estes estavam, ainda, em Jerusalém, sob a liderança de Tiago o Menor, o irmão do Senhor, e Paulo ainda estava, dissimuladamente, infiltrado entre eles, a fim de passar, falsamente, por apóstolo de Jesus. E, assim, aprender a doutrina, para poder adulterar, sofisticamente, os seus pontos fundamentais. Com o objetivo de desqualificar os fiéis Apóstolos de Jesus, Paulo os estereotipou, em Atos dos Apóstolos, com sutil e magistral sofística, os genuínos Apóstolos, como se estes fossem “cristãos judaizantes“. A medida que os associou, sem os distinguir, com o segmento dos judeus judaizantes, que efetivamente exigiam a circuncisão dos pagão, que abraçassem a doutrina de Jesus. Paulo de Tarso o sofista orientou o seu fiel e fanático discípulo, Lucas, para repetir, em Atos dos Apóstolo, essa mentirosa estratégia sofística, a fim de parecer verdade (cf. At. 15, 4-21; 21, 17-25).

Todos os livros em tela são da máxima importância. Pois, é esclarecedor o confronto atento entre, de um lado, os livros atribuídos aos verdadeiros Apóstolos de Jesus, e do outro lado, os livros atribuídos ao Anticristo e à sua camarilha de ideólogos hegemônicos. Esse confronto e a síntese atenta que dele pode ser abstraída, revela a natureza e a dimensão do conflito entre esses dois lados, e a fina e diabólica sutileza da sofística elaborada, aplicada e divulgada pelo pérfido Paulo Anticristo e pela sua equipe de ideólogos escritores sofistas.

Paulo de Tarso o Anticristo foi o primeiro a falsear, em suas epístolas satânicas, a genuína doutrina do Filho do Homem. O Anticristo é o grande santo protetor das instituições religiosas pseudo cristãs (católica, protestante, evangélica, ortodoxa, anglicana, maometana, etc.). Isto é, igrejas hierarquizadas, e patrono dos sacerdotes e teólogos dessas instituições. Os quais seduzem, entorpecem, submetem ideologicamente e exploram economicamente suas vitimadas ovelhas simplórias.

As práticas paranormais exercidas por Jesus, também como meio pedagógico, pode ofuscar o entendimento do leitor

Em segundo lugar, outro fator dificulta, também, nosso entendimento acerca do sentido original do pensamento do Mestre. As práticas paranormais (curas, multiplicação de pães, etc.) exercidas por ele, nos impressionam e ofuscam, em nosso entendimento, os ensinamentos de ordem psicológica. Os quais são centrais no pensamento do Mestre. Pois, “Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todo mal e toda enfermidade (os grifos em negrito são nossos)”. (Mt 9, 35).

Exporemos o desenvolvimento desta abordagem em outro lugar. Por ora, basta observarmos que curas, milagres, etc. praticadas por Jesus, eram em si mesmas fatores (caridade) importantes. Elas eram empregadas, entretanto, também acessoriamente. Cuja finalidade prioritária consistia, por um lado, em sensibilizar os indivíduos do público presente, que estavam com seus respectivos “corações endurecidos”. Assim, eles estavam refratários aos ensinamentos do Mestre, que são de ordem amorosa. E, por outro lado, a finalidade consistia em suscitar, neles, sentimentos de ordem amorosa. Ou seja, a prioridade era dotá-los, assim, de condições afetivas necessárias a torná-la mais permeáveis e favoráveis a assimilação dos ensinamentos (conhecimentos condicionados por sentimentos de ordem amorosa) administrados pelo Mestre.

Enfim, as práticas paranormais estavam enfeixadas por um procedimento pedagógico. O qual era voltado, prioritariamente, para inculcar nesses indivíduos os diversos aspectos da doutrina, notadamente os de ordem psicológica. Neste sentido, o Filho do Homem focalizou o indivíduo por diversos aspectos. Nesse contexto, é oportuno conhecer o significado da expressão Filho do Homem, que Jesus atribui a ele mesmo (cf. Mt 8, 20; 9, 6; 20, 28; Jo 3, 13).[5] Ou seja, o indivíduo humano enquanto unidade mínima da sociedade humana, expresso na sua maior e plena perfeição e poder de atuar, em todos os tempos, em defesa do cumprimento da ética da responsabilidade pessoal.

Pois, a meta de Jesus consistia em transformar a sociedade a partir da transformação das suas unidades mínimas componentes: cada indivíduo.  Destacamos cinco aspectos principais: 1. O indivíduo como o único e exclusivo templo de Deus; 2. O indivíduo como o fundamento da igreja que o Mestre estava desencadeando; 3. Na metáfora de “pedra”, o indivíduo é concebido como a unidade mínima dos diferentes grupos que ele compõe e do todo social; 4. O indivíduo assim concebido, consiste num conjunto complexo de conduta, em que o campo subjetivo motiva o campo objetivo; 5. O tipo específico de indivíduo pleiteado por Jesus é aquele que atesta em seus procedimentos, estar “vivo”, isto é, dotado de autoconhecimento, autodiligência e consciência social crítica e transformadora.

[1] Cf. Fohrer, G. História da Religião de Israel, p. 328-330: os grandes profetas individuais procederam por duas linhas de ação contestadora.  Por um aspecto, eles combateram e amaldiçoaram o templo-edifício de Jerusalém, os sacerdotes, os falsos profetas e a aliança deste com as elites políticas (casa real) e econômicas. E, por outro aspecto, exaltaram a conduta justa e fraterna do indivíduo, como aquilo que é, verdadeiramente, do agrado de Iahweh, Deus do amor ao próximo e da justiça social. Eles advertiram os hebreus quanto ao uso maligno que os sacerdotes e seus aliados (elites políticas e econômicas) faziam, tanto em relação ao templo-edifício de Jerusalém, no Reino do sul (Judá) como nos santuários do Reino do Norte (Israel). Os grandes profetas individuais se distinguem das demais categorias de “profetas”, por diversos aspectos. Por exemplo, eles são chamados de “individuais”, porque cada qual exercia, de modo isolado e independente, seu ministério. Não vivia em grupo ou guilda de profetas, conforme viviam outras categorias, cujos integrantes também eram chamados de “profetas”, por exemplo, Eliseu e seu grupo de profetas. Fohrer mostra que durante todo período pré-exílico e mesmo até ao início do período pós-exílico havia entre os israelitas diversas categorias desses “falsos profetas”. Os quais inventavam “profecias” mentirosas e otimistas, para enganar a nação, enquanto facilitava as elites explorar, impiedosamente, os trabalhadores pobres. Em razão desse modo de proceder, eles são chamados, também, de “profetas otimistas”, a exemplo de Naum e Habacuc (cf. p. 326). Havia, ainda, a categoria de profetas cultuais, a exemplo de Abdias (cf. p. 290; 398). Os quais podem se chamados, também, os de “profetas da corte” ou “profetas profissionais”, que atuavam mancomunados com os sacerdotes e as lideranças políticas (reis), e econômicas (agiotas, grandes latifundiários e comerciantes, etc.), juízes corruptos, etc., nos cultos executados dentro ou fora do templo.

[2] Cf. Machado, F. A. O templo – Resgate do sentido original da doutrina de Jesus. Edição do autor, Fio de Janeiro, 2012, p. 80-86: O ‘corpo todo’ (Mt5, 27-30): indivíduo como totalidade e suas partes – O ‘caminho’ ou método analítico: corpo subjetivo – corpo objetivo”.

[3] Evangelho de Tomé – Traduzido e comentado por Jean-Yves Leloup, 6ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis, 2001, p. 17, item 12.

[4] Evangelho de Tomé – Traduzido e comentado por Jean-Yves Leloup, 6ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis, 2001, p. 15, item 3.

[5] A expressão “Filho do Homem” fora empregada tanto no Novo com no Antigo Testamento. O professor Emanuel Bouzon ensinava que “um conjunto de narrações do ciclo Eliseu trata de Eliseu entre os profetas. Os ‘profetas’ do ciclo de Eliseu são denominados com o termo técnico be nê hann eb’ îm. A expressão hebraica ben ou benê designa, principalmente no período pós-exílico, o membro de uma corporação, (cfr. Ne 3,8.31: bem-haraq-qahîm = membro da corporação dos perfumistas; bem-hassorepim = membro da corporação dos ourives”. O professor Bouzon citara como fonte dessa informações: I. Mendelsohn, Guilds in Babylonia and Assyria, JAOS 60 (1940) 68=72; idem, Guilds in Ancient Palestina, BASOR 80 (1940) 17-21; R. de Vaux, Lês Institutions de L’Ancient Testament, vol. I, págs. 119ss.).  Jesus empregou a expressão “Filho do Homem”, mas referindo-se a si próprio. No Antigo testamento, a palavra “Filho” (ben) empregada nessa expressão, tem o sentido de “homem enquanto pessoa ou indivíduo membro de um todo, ou melhor, a unidade mínima que compõe a sociedade humana”. Ezequiel definira de modo claro e preciso a ética da responsabilidade individual (cf. Ez 3, 16-21; 14, 12-23; 18, 1+; 33,1-20). Neste contexto, ele empregou a expressão “filho do homem” (Ez 2, 1+, etc.), atribuindo a Deus havê-la dirigido ao referido profeta, e incumbi-lo da missão de defender o cumprimento da referida ética, entre os indivíduos membros da sua nação. Daniel (Dn 8, 17) referiu-se a si, empregando de modo subtendido, a expressão em apreço, de modo próximo ao de Ezequiel. Mas, em outro trecho (Dn 7, 13), se referiu ao Escolhido de Deus, e ressaltou não simplesmente o indivíduo defensor da ética da responsabilidade, e sim o indivíduo no sentido lato do termo. Ou seja, o indivíduo humano enquanto unidade mínima da sociedade humana, expresso na sua maior e plena perfeição e poder de atuar, em todos os tempos, em defesa do cumprimento da referida ética. Neste sentido, Jesus refere-se a si como “Filho do Homem” (cf. Mt 8, 20; 9, 6; 20, 28; Jo 3, 13).