A volta dos malditos fariseus (clero protestante e evangélico)

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Vamos focalizar a volta ou a emergência, e a queda dos novos malditos “fariseus” (clero protestante e evangélico), por ocasião da 2ª vinda de Jesus. Freud e Marcuse nomeiam de “retorno do Reprimido”, o retorno de Jesus, que ocorre em tempo de muito longa duração, segundo o contexto filogenético da doutrina psicanalítica de Freud.[1] Haverá, então, certamente alguns contextos sócio-históricos, que serão análogos ao da primeira vinda de Jesus, inclusive em relação a ordem dos acontecimentos.

O Anjo de Jesus previu e revelou ao João, alguns aspectos dessa analogia, que ocorreriam na sua volta, para prevenir as pessoas nessa ocasião. Ocorreria, então,  notadamente o retorno do tipo de ideólogos, que desempenhara o papel social homólogo ao do maldito fariseu: o tipo falso profeta. Ou seja, o principal integrante do bloco ideológico judeu, que mais combateu, planejou, exigiu e obteve a morte do Jesus Histórico[2]. E, contra o qual Jesus concentrou a sua luta, embora tenha combatido, também, os sacerdotes fariseus e os “anciãos do povo” (aristocracia latifundiária, agiota, cambista, empresarial, etc.).

Os teólogos e sacerdotes fariseus mais os saduceus constituíam o bloco ideológico judeu. Os quais juntos aos anciãos do povo formavam o bloco histórico judeu. Gramsci explica os significados dessas noções, que nos ajudam no entendimento do contesto sócio-histórico, em que Jesus combateu esses blocos, e que foi perseguido e morto, por instigação deles.[3]

João deixou registrado os aludidos aspectos análogos, no livro da Revelação, notadamente ao longo da sócio-história em muito longa duração. Jesus representou na figura do Grande Dragão, o modelo feudal de formação social acompanhado do seu poderosíssimo clero, o maldito clero católico. O qual foi gerado a partir da igreja de Paulo de Tarso o Anticristo, aliada às autoridades do Império Romano, já no período inicial de sua decadência. Aliança essa consagrada e selada em 325, no Concílio de Nicéia.

Na fase final (entre 1400-1500) da longa vigência do Grande Dragão (modelo feudal de formação social acompanhado do seu poderosíssimo clero, o maldito clero católico), desenvolveu-se o seu processo de complexidade, então, ele decairia do seu poder e força iniciais. Enquanto decaía e se complexava, assim engendraria, por dentro de si mesmo e como resultante dessa complexidade, o recrudescimento das cidades, das classes médias, do comércio, de manufaturas. Por fim, o “Dragão” engendrara a 1ª fera, a que sobe do “mar”. Ou seja, o grande mercado global iniciando, por volta de 1500, com as navegações ultramarinas e formação de impérios coloniais.

Nesse mesmo contexto, em 1517, ocorreu um fenômeno que mudaria o rumo da sócio-história do Ocidente. Através daí mudaria, também, o rumo da sócio-história do mundo, conforme o Mestre houvera mostrado: uma “estrela” caiu do “céu” na “terra“. Vejamos o texto pertinente:

O quinto anjo tocou a sua trombeta. Vi então uma estrela cair do céu na terra, e foi-lhe dada a chave do poço do abismo e ela o abriu e saiu do poço uma fumaça como a de uma grande fornalha…” (Ap 9, 1-2-a).

A figura da “estrela” simboliza o papel social de um singular ideólogo. A figura do “céu” simboliza, aqui, o campo do conhecimento. A estrela-ideólogo caiu na “terra“, figura esta que simboliza o processo de produção material. A estrela-ideólogo ao incidir nesse processo, transformou-o no modo capitalista de produção, notadamente industrial. Neste sentido o Mestre diz: “saiu do poço uma fumaça como a de uma grande fornalha” (Ap 9, 2-a). Nesses termos, o Mestre se refere a antiga  técnica de fundir ferro (fornalha), que fora aperfeiçoada, por volta da Revolução Industria, para produzir ferro em larga escala. Jesus chamou essa estrela-ideólogo de Abadon, que representa a característica marcante, do papel sócio-histórico que viria a ser desempenhado por Lutero. O termo “Abadon” quer dizer, em hebraico, “ruína”, “morte”, o mesmo que “Apolion”, em grego (cf. Ap 9, 11).[4]

Lutero Abadon inventou e disseminou a ideologia do “trabalho por vocação“. Ou seja, tipo de racionalização sistemática voltado para a maximização da produtividade e da acumulação de capital. Tipo de racionalização esse que Lutero diz, mentirosamente, ser querido por Deus, e que consiste, conforme Max Weber notou, no cerne da “ética protestante e do espírito do capitalismo”.[5]

Com essa chave ideológica (trabalho por vocação), Lutero Abadon “abriu o poço do Abismo“, isto é, o voraz e impiedoso “processo de produção capitalista” e respectiva Revolução Industrial, que Jesus simbolizou, além da figura da “fornalha”, também na figura da “1ª fera, a que sobe da terra” (Ap 13, 11; 11, 7). Poço abismal em que a humanidade iria “cair” até ao fundo, isto é, submeter-se até ao final dele.

Jesus nomeou a “estrela Abadon” (o ideólogo Lutero) de Falso profeta, em razão desta “estrela”  falar, falsamente, como se fosse profeta, e como se fosse em nome do Deus do amor, do direito e da justiça. Pois, Lutero criou, de um lado, o processo insaciável de acumulação e concentração de capital, e do outro, a miséria e opressão sobre os segmentos trabalhadores. Desse modo, Lutero agiu de modo diametralmente oposto ao maior de todos os profetas, o Jesus Histórico, que propusera e criara o processo de desconcentração e desacumulação de capital. Nessa direção, Jesus recomendou ao “jovem rico”, que vendesse e distribuísse suas riquezas, para poder seguir Jesus (cf. Mt 19, 16; 6, 19). Em razão da “estrela Abadon” (Lutero) ou Falso Profeta haver desencadeado o processo capitalista de produção (2ª fera), Jesus emprega, por vezes e como meio de codificação, o nome Falso Profeta (cf. Ap 16, 13; 19, 20; 20, 10), no lugar da “2ª fera” (processo capitalista de produção).

A enorme capacidade do “processo de produção capitalista” (2ª fera, a que sobe da terra) (Ap 13, 11) gerar capital, posteriormente foi apropriada e controlada pelo capital financeiro. Desse modo, a produção capitalista (2ª fera) propiciou, a partir das décadas 70-80, ao desenvolvimento da “imagem” (que significa o “equivalente em valor“) da “1ª fera, isto é, a que se levantou do mar” (cf. Ap 13, 1). Ou seja, a imagem ou o equivalente em valor ao grande mercado global. Essa “imagem” ou equivalente em valor consiste, portanto, no sistema monetário e financeiro, que passou a ser desregulamentado ou autônomo e unificado globalmente (cf. Ap 13, 14-15), conforme David Harvey notou a formação deste mostro (grande instituição coletiva autônoma e globalmente articulada).[6]

O Mestre chama a Imagem da 1ª fera (sistema monetário e financeiro), também de Abominação da Desolação (cf. Mt. 24, 15-22), em razão dos grandes e inúmeros males que ela traria a humanidade.

Do modo indicado acima, poderíamos prever e nos acautelarmos, com relação ao que está por vir. No evangelho de Mateus, o Jesus Histórico já havia mostrado outros aspectos, que se apresentariam como indícios da sua 2ª vinda (cf. Mt 24, 3s, 25, 1s), notadamente, falsos cristos e falsos profetas:

Então se alguém vos disser: ‘Olha o Cristo aqui’ ou ‘ali’, não creias. Pois hão de surgir falsos Cristos e falsos profetas, que apresentarão grandes sinais e prodígios de modo a enganar, se possível, até mesmo os eleitos. Eis que vos preveni. Se, portanto, vos disserem: ‘Ei-lo no deserto’, não vades até lá; ‘Ei-lo em lugares retirados’, não creias . Pois assim como o relâmpago parte do oriente e brilha até o poente, assim será a vinda do Filho do Homem“(Mt 24, 23-27).

Jesus acrescentou: “Onde houver um ‘cadáver‘ (gente alienada), aí se ajuntarão os ‘abutres‘ (teólogos e sacerdotes de todas as religiões)” (Mt 24, 28).

As modernas sinagogas de satanás: congregação, catedral, templo, casa de oração, salão do reino e outros templos-edifício do gênero

No vídeo-palestra anterior, mostramos a natureza do conflito fundamental.[7] Conflito esse que emergira na sócio-história em muito longa duração, e que consistiu, precisamente, no conflito entre dois lados. De um lado, a localização social e o respectivo grupo de referência (publicanos, prostitutas e devassos) do Jesus Histórico. E, do outro lado, a localização social e o respectivo grupo de referência do bloco ideológico judeu constituído de escribas e sacerdotes, fariseus e saduceus, mais os “anciãos do povo” (aristocracia política e latifundiária, mercantil, agiota, cambista, etc.).

Os escribas e sacerdotes fariseus  constituíam a classe média e detinham a maior parcela de controle ideológico e mobilização social, notadamente sobre a massa social pobre trabalhadora. Controle esse obtido através da doutrinação discriminatória feita nas inúmeras sinagogas, que Jesus chama  de sinagoga de Satanás (cf. Ap 2, 9), e que eles plantaram, ao longo do tempo,  tanto dentro como fora da Palestina. Sinagogas de Satanás em que os fariseus e seus seguidores combatiam, mesmo depois da morte de Jesus, os membros de núcleos igualitários de genuínos seguidores de Jesus, discriminando e difamando-os, também fora da Palestina. Ao exemplo da sinagoga de Satanás plantada na cidade de Esmirna (cf. Ap 2, 8-11), e outra na cidade de Filadélfia (cf. Ap 3, 7-13).

Mostramos também anteriormente, que o modelo de conflito indicado acima é análogo ao que já ocorre, na atualidade, no Brasil e outras partes do mundo, entre dois lados. De um lado, o grupo de referência constituído de LGBT, prostitutas, ativistas feminista, devassos e os publicanos modernos, que é  homólogo ao grupo de referência do Jesus Histórico (publicanos, prostitutas e devassos). E, do outro lado, o bloco ideológico fundamentalista constituído por teólogos e sacerdotes evangélicos, protestantes, católicos, maometanos, ortodoxos, cientificistas, etc.

O número de teólogos e sacerdotes protestantes, evangélicos e outros congêneres vêm crescendo, notadamente, a partir de meados do século passado, na América Latina. Isto, em comparação com a podridão teológica e sacerdotal católica. Eles foram introduzidos junto com a exaltação da violência, estrategicamente, na América Latina, como meio de controle social, através do modelo tele-vendas de religião, a partir, sobretudo, dos Estados unidos, onde eles já eram hegemônicos. Eles foram introduzidos, estrategicamente, na mesma ocasião, junto com a exaltação da violência voltada para a produção e administração da violência social, através da poderosa mídia norte americana, como meio de moldagem de conduta, controle e mobilização social.

Do modo indicado acima, os malditos novos fariseus crescem exercendo controle e mobilização social sobre uma parcela cada vez maior de ovelhas-robôs. Controle esse obtido através de doutrinação feita nos inúmeros “templos”, cuja função é análoga as sinagogas dos fariseus, que Jesus chama de sinagoga de Satanás (cf. Ap 2, 9), e que eles chamam de congregação, catedral, templo, casa de oração, salão do reino e outras denominações do gênero. Cuja função é a mesma, e consiste em local (templo-edifício), onde o “escriba” (teólogo modernos) e o sacerdote pseudo cristão impiedosamente adestram, submetem ideologicamente e exploram economicamente, pessoas de senso comum. Notadamente aquelas desorientadas e/o que estejam passando por algum tipo de dificuldade séria (doença, morte de parente, desemprego, etc.).

Os novos “fariseus” (sacerdotes protestantes e evangélicos) e seus modernos “escribas” (teólogos) adestram suas vítimas através de “cracks ideológicos” (doutrinas religiosas falsa e alienantes), que tornam suas vitimadas ovelhas submissas ideologicamente e “cadavéricas” (alienadas). Assim, os modernos escribas e sacerdotes das diversas religiões pseudo cristãs exploram, economicamente, suas respectivas vítimas, as ovelhas-robô.

Mostramos também anteriormente, que nos encontramos, contemporaneamente, no ponto do curso sócio-histórico em muito longa duração, em que esse conflito fundamental eclode atingindo o seu ponto máximo.

Diversos indícios já mostram, no Brasil e em toda América Latina, a ascensão do bloco ideológico constituído por “escribas” (teólogos) e sacerdotes evangélicos, protestantes e outros do mesmo gênero. Os quais formaram, sobretudo no Brasil, grupos coesos, para agirem coordenadamente, nos aparelhos do Estado: a bancada evangélica, que criam, no legislativo, lobby (lobismo)  com o objetivo, por exemplo, de eleger leis que criminaliza os pessoas do grupo de referência contemporâneo homólogo ao do Jesus Histórico. Muitos deles já ocupam cargos no poder executivo, ao exemplo de político ligado ao bispo Macedo, além de se infiltrarem nas forças armadas, etc., é como um câncer religioso.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vem divulgando dados estatísticos sobre religião, do Censo Demográfico 2010.[8] Dados estatísticos esses pertinentes ao percentual de crescimento da população de “escribas” (teólogos) e sacerdotes fundamentalistas análogos, respectivamente aos escribas e sacerdotes fariseus, da época do Jesus Histórico. Crescimento esse em relação a podridão teológica e sacerdotal católica. Esses fundamentalistas são semelhantes aos fundamentalistas islâmicos.

Os fundamentalistas modernos análogos aos antigos fariseus vêm aliciando proporcional número de ovelhas-robô. Esse quadro se mostra ainda mais perigoso, em razão da tendência, que a projeção acerca do crescimento numérico desse clero fundamentalista e adverso ao sentido original da doutrina de Jesus. A tal projeção parece indicar, que dentro de duas ou três décadas, eles poderão se tornar hegemônicos, de modo análogo aos seus malditos homólogos fariseus, da época do Jesus Histórico.

Tudo isso nos leva a crer, que o quadro sócio-histórico em que o Jesus Histórico emergiu anteriormente, apresentou determinados aspectos e padrões, os quais vêm se reproduzindo. Naquela época, ele se deparou com os escribas e fariseus, como os seus principais e mais sistemáticos opositores,  e concentrou o embate de idéias, sobretudo contra estes. Na iminência da 2ª vinda do Cristo, ele deverá se deparar com os modernos “escribas” (teólogos) e sacerdotes fariseus, isto é, protestantes e evangélicos, concentrar, de início, a lutar contra estes, e suas respectivas modernas sinagogas de satanás.

 

[1] Cf. Marcuse, H. Eros e Civilização – Uma interpretação filosófica do pensamento de Freud, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1981, p. 76-77.

[2] Notem, Os sacerdotes e teólogos (escribas) hegemônicos e os “anciãos do povo” foram os que planejaram (cf. Mt 12, 14; 21, 46; 26, 3-5, 14, 47,57,59-66; 27, 1, 11, 18; Jo 7,1, 20; 8, 59; 10, 31, 39; 11, 8, 48-50, 57; 18, 4, 12, 32-35), exigiram (cf. Mt 27, 20-25; Jo 18, 40; 19, 6-7, 12, 15) e obtiveram a morte do Filho de Deus! (cf. Mt 27, 26, 31, 50; Jo 19, 16-18, 28-30).

 

[3] Cf. Gramsci, A. Os intelectuais e a formação da cultura, p. 3-23; Portelli, H. Gramsci e o bloco histórico, p. 65-68. Hegemonia e bloco ideológico: grupos de intelectuais e suas respectivas instituições sociais hierarquizadas (bloco ideológico) organicamente articulados, no âmbito da superestrutura social, com os demais segmentos (econômicos e políticos) das elites, propiciando, assim, a formação de ampla hegemonia sob a direção do “grupo fundamental”, que para Gramsci é o que detém e dirige “o mundo da produção econômica”. Essa noção de bloco ideológico deve ser empregada com algumas reservas. Pois, sem conseguir se livrar do ranço ideológico, pertinente ao tema, que Marx forjou, Gramsci concebe esse bloco como submisso ao “grupo fundamental” em tela. Mas, na realidade e na concepção de Jesus e de todos os grandes profetas individuais, o bloco ideológico é, embora dissimuladamente, o elemento fundamental do “bloco histórico” (conjunto dos segmentos articuladamente hegemônicos entre si, e assim moldando, dominando, mobilizando e explorando economicamente, na base social, a massa trabalhadora e de senso comum de uma nação). Assim, Jesus concebe o “bloco ideológico” (fariseus e saduceus) como o elemento efetiva e verdadeiramente fundamental, em relação tanto aos grupos que dirigem a produção e a circulação como ao grupo político de da sua nação.

[4] Cf. Dicionário Prático, adendo à Bíblia Sagrada traduzida pelo padre Antônio Pereira de Figueiredo, Edição Barsa, RJ, 1971, p. 2.

 

[5] Lutero desempenhou o papel sócio-histórico, que Jesus prognosticara e revelara ao João, o discípulo que o Mestre amava, e que este discípulo registrara no livro “Revelação” (Cf Ap 9, 1-11). Trata-se do “importante e singular papel sócio-histórico desempenhado por uma “estrela” (intelectual ativo) do tipo ideólogo. O qual “cai”, isto é, advém, do “céu”, ou seja, do campo do conhecimento (campo no qual se exerce trabalho intelectual). Papel sócio-histórico ao qual coube a função de  elaborar e disseminar uma poderosa doutrina ideológica (trombeta). Doutrina esta que desempenha a função sócio-histórica de “chave”: instrumento ou método ideológico de intervenção na realidade sócio-histórica: trabalho por devoção, isto é, o cerne da ética protestante, o qual se tornou na cultura ou “espírito” do capitalismo. Ou seja, um sui generis tipo de racionalização baseada em cálculos sistemáticos, e voltada para a maximização insaciável da produção capitalista e respectivos lucros que esta pode gerar (Cf. Weber, M. “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, p. 4-5, 39, 54-58). Por outro aspecto, esse tipo de racionalização consiste num instrumento ideológico ou “chave” que foi empregado como meio que possibilitaria “abrir” (tornar possível acessar, adentrar e empreender), a incrementação ou progressão da submissão dos indivíduos com relação ao “abismo”. Este símbolo representa a instituição social do processo de produção agrícola e notadamente industrial e respectiva relações sociais, enfim, representa a relações sociais de produção capitalista. O Mestre nomeou o papel sócio-histórico que viria a ser desempenhado por Lutero, com o termo “Abadom”, que em hebraico quer dizer “ruína, morte”, ou seja, anjo do abismo insondável, e em grego quer dizer “Apolion” (Cf. Dicionário Prático, adendo à Bíblia Sagrada traduzida pelo padre Antônio Pereira de Figueiredo).

 

[6] Harvey, D. Condição Pós-moderna – Uma Pesquisa sobre as Origens da Mudança cultural. Edições Loiola, São Paulo, 1992, p. 152: “O segundo desenvolvimento… foi a completa reorganização do sistema financeiro global e a emergência de poderes imensamente ampliados de coordenação financeira. Mais uma vez houve um movimento dual; de um lado, para a formação de conglomerados e corretores financeiros de extraordinário poder global; e, do outro, uma rápida proliferação e descentralização de atividades e fluxos financeiros por meio da criação de instrumentos e mercados financeiros totalmente inéditos. Nos Estados Unidos isso significou a desregulamentação de um sistema financeiro rigorosamente controlado desde as reformas dos anos 30. O Relatório da Comissão Hunt norte-americana, de 1971, foi a primeira admissão explícita da necessidade de reforma como condição de sobrevivência  e expansão do sistema econômico capitalista. Depois dos traumas de 1973, a pressão pela desregulamentação nas finanças adquiriu impulso nos anos 70 e, por volta de 1986, engolfou todos os centros financeiros do mundo… A desregulamentação e a inovação financeiro… tinham se tornado, na época, um requisito para a sobrevivência de todo centro financeiro mundial num sistema global altamente integrado, coordenado pelas telecomunicações instantâneas. A formação de um mercado de ações global, de mercados futuros de mercadorias (e até de dívidas) globais, de acordos de compensação recíproca de taxas de juros e moeda, ao lado, ao lodo da acelerada mobilidade geográfica de fundos, significou, pela primeira vez, a criação de um único mercado mundial de dinheiro e de crédito.”

[7] Queira ver no Youtube, em “A volta do Jesus libertário e do conflito fundamental“: https://www.youtube.com/watch?v=1dVgYjQKeKY

 

[8] Notícias: Censo 2010: número de católicos cai e aumenta o de evangélicos, espíritas e sem religião http://censo2010.ibge.gov.br/noticias-censo.html?view=noticia&id=1&idnoticia=2170&busca=1&t=censo-2010-numero-catolicos-cai-aumenta-evangelicos-espiritas-sem-religiao