(TEXTO) Seleção natural da raça que não deu certo ou Produto da ética protestante e do espírito do capitalismo

Tempo de leitura: 66 minutos

1. Darwin e a visão etnocêntrica da raça ariana

2. Seleção natural ou produto da ética protestante e seu espírito capitalista?

3. Darwin:”seleção natural” da raça que não deu certo

4. Tratamento eugênico da raça que não deu certo e o efeito bumerangue

5. A miscigenação no contexto da seleção natural à seleção cultural

6. O apocalipse e as profecias de Max Weber

7. A genealogia da ética protestante e do espírito do capitalismo por dentro da cultura católica

8. A retrospectiva genealógica do clero protestante e da sua ética e do espírito do capitalismo

9. Setor etnocêntrico da “comunidade científica” produz cientificismo para dissimular a ética protestante como causadora do aquecimento global

10. Os teólogos e sacerdotes da destruição da humanidade e das condições de vida no planeta

1. Darwin e a visão etnocêntrica da raça ariana

Charles Darwin (1809-1882) era um teólogo luterano, isto é, protestante, até inventar a ideologia supostamente científica, que ficou conhecida como “seleção natural”.[1] Cujo objetivo consistiu em justificar a incomensurável opressão, exploração econômica e os genocídios praticados, hegemonicamente, por determinados segmentos sociais da raça branca, sobre as demais raças. E, também a sistemática destruição da natureza. Segmentos esses oriundos da Europa (Inglaterra, Dinamarca, França, Espanha, Bélgica, Holanda, Portugal, etc.). Genocídio, destruição da natureza, etc. praticados desde o início e ao longo da Idade Moderna. Vou demonstrar que a sina exploradora, assassina e destruidora da natureza da raça branca, não é causada pela “seleção natural”, mas por um fatores culturais: a ética protestante e o espírito do capitalismo.

Note que a dimensão e extensão incomensuráveis da opressão, exploração econômica, os genocídios e a sistemática destruição da natureza praticados pelas referidos segmentos da raça branca, nunca antes fora praticado por nenhuma das outras raças. Nem mesmo por nenhum outro segmento da raça branca, ao longo da história da humanidade,

Determinados seguimentos da raça ariana vêm praticando opressão, exploração econômica e genocídio, notadamente sobre as demais raças, mas também sobre os segmentos trabalhadores da própria raça branca. Tais seguimentos da raça ariana vêm praticando, também, destruição da natureza. Tudo isso teve início por volta das primeiras viagens ultramarinas e da formação de grandes impérios coloniais. É importante notar, que todas essas desgraças corresponderam ao início da propagação e do desenvolvimento, entre determinados segmentos da raça branca, da ética protestante e do respectivo espírito do capitalismo. Os quais vêm acompanhando toda a modernidade.

Determinados elementos [Lutero (1483-1546), Calvino (1509-1564), etc.] da raça branca inventaram e impulsionaram a propagação e a respectiva prática da ética protestante e do espírito capitalista. Enquanto isso, elementos dessa mesma raça desenvolviam a grande rede global de mercados macrorregionais. Porém, determinados elementos da referida raça que se impregnaram da ética protestante, então, desenvolviam, na Europa (Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Suíça, França, etc.; posteriormente também nos Estados Unidos), o processo de produção, segundo o monstruoso modo capitalista. Modo esse orientado pelo singular tipo de racionalização própria da ética protestante.

Max Weber constatou a grande contribuição, notadamente de Calvino e do calvinismo, para o desenvolvimento da ética protestante inventada por Lutero, quanto ao desenvolvimento do espírito do capitalismo. Diz Weber:[2] “A [influência] do calvinismo foi, ao que parece, das mais fortes, inclusive na Alemanha, e a religião ‘reformada’, mais do que outras, parece ter promovido o desenvolvimento do espírito do capitalismo”. Weber concluiu que o desenvolvimento do espírito do capitalismo, na realidade é que propiciou, obviamente, ao desenvolvimento da produção industrial, segundo o singular modo capitalista de produção.[3]

Porém, outros segmentos mesmo sendo da raça branca, mas oriundos da Espanha, Portugal, Itália, etc., e seguidores da “ética econômica” própria da Igreja (a ética do entesouramento), permaneceram retardados, em comparação com os segmentos de raça branca dominados pela ética protestante. Isto vem acontecendo desde o início da modernidade. Permaneceram retardados, quanto ao desenvolvimento científico, técnico e do processo de produção, segundo o modo capitalista orientado pela ética protestante. No entanto, os retardados souberam adquirir e utilizar armas e demais produtos de destruição, que eram criados pelas indústrias de países protestantes. E empregaram, também, tais produtos, para a dominação, exploração e genocídio de povos de outras raças, e também para a destruição da natureza. Weber demonstrou, claramente, o retardamento dos referidos povos católicos, em comparação aos protestantes, notadamente na Europa Ocidental.[4]

Nietzsche sabia muito bem, que todos os teólogos e sacerdotes são movidos por sentimentos de ordem odiosa, e consequentemente pelos respectivos valores egoísticos, ao exemplo de Lutero. O qual dissimulou seus instintos condicionados por sentimentos de ódio e valores egoísticos, através do “manto negro” da “fé” paulina, que ele exaltava, e também por outras formas (discursos e encenações falseadas) de encobrirem tal ordem odiosa de instintos, sentimentos e valores. Nietzsche esclarece:[5]

“Em todos os tempos, tomando Lutero como exemplo, a ‘fé’ era um manto, um pretexto, uma cortina atrás da qual os instintos faziam seu jogo: uma cegueira astuta sobre o domínio de certos instintos… A fé já foi chamada de a verdadeira astúcia cristã, pois sempre falou-se em fé, mas agia-se a partir dos instintos. No mundo imaginado pelos cristão, nunca aparece algo que apenas arranhe a realidade: e por outro lado, nós reconhecemos no ódio instintivo contra toda realidade a mola, o único instinto motriz na raiz do cristianismo”

2. Seleção natural ou produto da ética protestante e do seu espírito capitalista?

A supremacia destrutiva, que pareceu ser própria da raça branca, não foi resultante de nenhuma seleção natural, mas sim cultura. Quer dizer, foi resultante da singular ética protestante e do respectivo espírito do capitalismo. Cujo objetivo consistiu, sobretudo, em estreitar os laços de controle social, na moldagem da conduta do indivíduo. E, cuja gênese foi ímpar, e só ocorreu por dentro de outro singular tipo de cultura, a católica, também voltada para o controle social, através da moldagem da conduta individual. Porém, o tipo católico de moldagem de conduta individual era relativamente frouxo, em relação ao que estava por vir.

Enfim, o controle feito pela cultura católica, na verdade incubou o gerou a maldita cultura protestante e o espírito do capitalismo. Em relação ao insuportável controle exercido pelos teólogos e pastores, através cultura protestante, notadamente o calvinismo, sobre os indivíduos ovelhas, Weber diz: “Seria, por sua vez, a forma mais insuportável de controle eclesiástico do indivíduo que até então pode existir”.[6]

Se nos basearmos na ideologia de Darwin, então, não podemos deixar de considerar, também, a hipótese da seleção natural haver selecionado a raça branca, como o fator fundamental, para o aquecimento global e as destruições em massa praticadas por ela, contra outras raças. Ou seja, o homem branco ocidental religioso, e o respectivo tipo diabólico e exterminador de teologia, e do singular tipo de racionalização, supostamente voltada para o agrado de Deus. Isto é, a noção de “trabalho por devoção” inventada por Lutero e aprimorada por Calvino e outros. Tipo de racionalização que orienta o trabalho sistemático, que é centrado em rigorosos cálculos contábeis, voltados para a produção e acumulação insaciáveis de riquezas, a serem reinvestidas, incessantemente, em qualquer atividade que dê igual ou mais lucro. Ou seja, um novo espírito, o espírito do capitalismo moderno, conforme Weber notou:[7]

“Repete-se aqui, o que sempre e em toda parte é o resultado de um tal processo de ‘racionalização’: aqueles que não fizeram o mesmo, têm que sair do negócio… Fortunas respeitáveis são feitas e não emprestadas a juros, mas sempre reinvestidas no negócio. A velha atitude de lazer e conforto para com a vida deu lugar à rija frugalidade que alguns acompanharam e com isso subiram, porque não desejavam consumir mas ganhar… E, o que é mais importante nessa relação, geralmente em tais casos não foi uma corrente de dinheiro novo investida na indústria que ocasionou estas modificações – em vários casos que conheço todo o processo revolucionário foi posto em movimento com alguns [poucos] milhares de capital emprestados de amigos – mas sim, o surgimento de um novo espírito – o espírito do capitalismo moderno”.

Estou falando da diabólica ética protestante, que é baseada na ideologia do “trabalho por vocação”, falsa e estrategicamente voltado e em devoção ao Deus Pai de Jesus, que é o Deus do amor, do direito e da justiça. Estratégia essa aplicada por teólogos e pastores protestantes e evangélicos, apenas como meio de seduzir e motivar o indivíduo incauto, a orientar sua conduta, por devoção a um deus, que na verdade é Mamon, o deus do dinheiro e da riqueza.

Na verdade, o deus Mamon não existe, mas existe, sim, o tipo da conduta hipócrita por excelência, ambiciosa, injusta, opressiva e insaciável própria dos teólogos e sacerdotes protestantes e evangélicos. Desse modo hipócrita, os teólogos e pastores protestantes e evangélicos forjaram, de modo igualmente hipócrita e falso, a suposta reconciliação entre Deus e Mamon, conforme Leo Huberman sugere:[8]

“Nos Estados Unidos conhecem-se melhor os puritanas, os adeptos de Calvino que se instalaram na Nova Inglaterra. Os livros de história americana cantam louvores àquele bando disposto que tinha como objetivo na vida a glorificação de Deus. Sabemos como trabalharam para esse objetivo, levando uma vida disciplinada, na qual a poupança e o trabalho árduo eram louvados, e o luxo, extravagância e ociosidade, condenados… A moral, a política, a literatura e a religião da idade reuniram-se numa grande conspiração para promoção da poupança. Deus e Mamon se reconciliaram. Paz na Terra aos homens de bons recursos. O rico podia, no final das contas, entrar no Reino dos Céus – apenas se economizasse”

Os teólogos e sacerdotes evangélicos e protestantes incutem no entendimento do indivíduo, a cadeia ideológica “trabalho por vocação”, e assim transformam a conduta desse indivíduo, na condição de uma fanática ovelha-robô. A qual consiste no embrião do tipo capitalista injusto, insaciável, genocida e destruidor da natureza. Assim, ao me lembrar da figura “homem-bomba”, então, podemos chamar de “homem giga devastador”, a ovelha-robô, que é devota e produzida por teólogos evangélicos e protestantes.

Pelo prisma que indiquei, os agentes operadores da ética protestante e do seu espírito capitalista, na realidade foram os criadores, via raça branca, de todas as condições prévias do aquecimento global que já nos assola. Eles são, também, os responsáveis do atual agravamento desse aquecimento e respectivas tragédias ecológicas. Podemos atribuir, ainda, aos referidos agentes operadores, a possibilidade da destruição da humanidade e das condições de vida no planeta, conforme a “comunidade científica” vem prognosticando.

James Lovelock é um renomado cientista que colaborou com a NASA, e que publicou, em 1979, o livro “Gaia: Um Novo Olhar sobre a Vida na Terra”. Esse livro ainda hoje é impactante. Lovelock diz que o aquecimento global é irreversível – e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século.[9] Assim como o cientista James Lovelock, também o professor Chris Stringer está preocupado com o aquecimento global e suas consequências desastrosas, que já não podem ser contidas. Stringer é o líder de pesquisa em origens humanas no Natural History Museum, em Londres. Nesse sentido, Stringer diz: “Enfrentamos um planeta com superpopulação e a perspectiva de mudanças climáticas globais em uma escala que os humanos nunca enfrentaram antes. Esperemos que nossa espécie esteja à altura do desafio”.[10]

A teologia do “trabalho por vocação” foi inventada pelo ariano alemão chamado Lutero. Teologia essa que hoje também é rotulada, em algumas regiões, de “teologia da prosperidade”, e que chamo, mais apropriadamente, de “teologia da miséria”, em razão dela gerar, numa ponta, grande concentração de riqueza nas mãos de poucos, mas na outra ponta, ela gera uma massa enorme de trabalhadores miseráveis, sofrimentos e tudo de ruim.

Antes do início da Idade Moderna e do correspondente início da propagação da ética protestante e do espírito do capitalismo entre os brancos europeus, nunca existiu tamanho genocídio, nem tamanha destruição da natureza. Tais inícios podem ser marcados, quando Martinho Lutero pregou as suas “Noventa e Cinco Teses” à porta da Igreja, em Wittenberg, em 1517.[11]

Podemos comparar a raça branca, com as outras raças. Veremos, assim, que não existe, na história da humanidade antes da Idade Moderna, registro de acontecimento comparável à tamanha dimensão, e ímpar “supremacia destrutiva” praticada pela raça branca, tanto contra a natureza como contra as demais raças. Ao exemplo dos negros, dos indianos (diversas etnias) dos ameríndios (das Américas) do chineses (raça amarela), etc. Tal supremacia destrutiva vem sendo praticada, ao longo da Idade Moderna, pela raça branca, tanto contra os seres humanos como contra a natureza. Essa supremacia assassina se iniciou e se agravou, indiscutivelmente, ao longo da modernidade, e a partir da propagação da ética protestante e do espírito do capitalismo, entre determinados membros da raça branca, e não encontra paralelo na história da humanidade.

Assim como, a notável e incomensurável “supremacia destrutiva” executada pela raça branca nunca existiu em parte alguma: assim também, o tipo de capitalismo orientado por uma gama de significados próprios da ética protestante, que se desenvolveu, no Ocidente, a partir da raça branca, nunca existiu em parte alguma. Quanto ao notável e singular tipo destruidor de capitalismo só encontrado no Ocidente e na Idade Moderna, que é orientado por uma gama de significados próprios da ética protestante, Max Weber, um pesquisador incansável de diversas civilizações, nos esclarece:[12]

“Como advento do grande comércio…, a empresa capitalista e o empreendimento capitalista, não só como empreendedores ocasionais, mas também como empresas duradouras, existiram de longa data e em toda parte. Agora, contudo, o Ocidente desenvolveu uma gama de significados do capitalismo, e, o que lhe dá consistência – tipos, formas e direções – que antes nunca existiram em parte alguma” (p. 6).

No mesmo sentido, Weber acrescenta: “O Ocidente, todavia, ao lado desse, veio a conhecer, na era moderna, um tipo completamente diverso e nunca antes encontrado de capitalismo: a organização capitalista racional assentada no trabalho livre (formalmente pelo menos)” (p. 7); “E, assim como o mundo não conheceu uma organização racional do trabalho fora do Ocidente, ou justamente por isso mesmo, não existiu antes nenhum socialismo racional” (p. 8).
Concluímos, por conseguinte e indubitavelmente, que não se deve atribuir a nenhuma seleção natural, como Darwin supôs, equivocadamente, o caráter da raça ariana, de natureza explorador, genocida e destruidor da natureza. Mas, devemos atribuir, sim, à ética protestante e o espírito do capitalismo, enquanto fatores culturais, a causa desse caráter da raça ariana.
Vimos que Charles Darwin inventou a ideologia da seleção natural. Cujo objetivo consistiu em justificar a incomensurável opressão, exploração econômica e os genocídios praticados, hegemonicamente, por determinados segmentos sociais da raça branca, sobre as demais raças. Darwin objetivou, com a tal ideologia, justificar também a destruição da natureza igualmente praticada, hegemonicamente, pela raça branca.
Precisamos pesquisar o origem desse fator cultural monstruoso. Podemos adiantar que esse fator cultural foi engendrado no seio da cultura dos teólogos e sacerdotes católicos, e que se originou na falsa interpretação paulina do sentido original da doutrina de Jesus. Ou seja, originou na cultura dos antigos teólogos e sacerdotes judeus. Pois, Paulo era teólogo fariseu, e adulterou, sofisticamente, o sentido original da doutrina do Jesus Histórico, e assim resgatou o sentido básico da cultura e o modelo hierarquizado de instituição religiosa dos teólogos e sacerdotes fariseus.

3. Darwin:”seleção natural” da raça que não deu certo

Agora, note bem! A raça branca, a ética protestante e o correspondente tipo de conhecimentos, de técnicas e de capitalismo estão levando, indiscutivelmente, a humanidade e o planeta para a destruição. Destruição operada com base científica, técnica e atômica, que pode afetar, inclusive, a da própria raça branca, e também das condições de vida no planeta. Ou melhor, a raça branca está se conduzindo tanto para a sua destruição como para a destruição das demais raças e das condições de vida no planeta.

Diversos estudiosos vêm demonstrando, que estamos na iminência do início de grandes e prolongados desastres ecológicos e sociais. James Lovelock é um renomado cientista, que publicou, em 1979, o livro “Gaia: Um Novo Olhar sobre a Vida na Terra”. Esse livro ainda hoje é impactante. Lovelock diz que o aquecimento global é irreversível – e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século. Ele explica, cientifica e detalhadamente, diversos aspectos do cataclismo, que já se encontra em curso, e que vai se agravar, e ainda vai se manifestar, na forma de ruptura radical e irreversível.[13]

Podemos aplicar a ideologia da seleção natural, que o sapientíssimo naturalista inglês Charles Darwin inventou. O qual também era da “raça branca ariana”, que Hitler supunha ser superior às demais raças, e que todos os muitos eugenistas enrustidos continuam supondo. Ao aplicarmos a ideologia de Darwin, assim concluímos que a raça branca está se conduzindo tanto para a sua destruição como para a destruição das demais raças, e também para a destruição das condições de vida no planeta. Então, concluiríamos, também, que a seleção natural inventada por Charles Darwin, na realidade selecionou uma raça que não deu certo, a raça branca ariana. A raça branca deveria ser considerada, por conseguinte, como inferior às demais raças, sobretudo inferior às raças indígenas, que agiam e ainda agem voltadas para a preservação, tanto da espécie humana como da nossa amada “Gaia” (Mãe Terra), isto é, a natureza.

4. Tratamento eugênico da raça que não deu certo e o efeito bumerangue

Pelo prisma anteriormente indicado, e seguindo a ideologia eugenista, também inventada por elementos racistas da raça branca, ainda poderíamos tirar outra conclusão. Considerando-se que a raça branca é inferior às demais raças, e que insiste, sem reconsiderar, em agir no sentido de destruir a humanidade e o planeta, então, ela precisaria passar por um tratamento eugênico, notadamente de natureza cultural.

Caberia às outras raças (negra, mestiça, etc.) efetuarem esse tipo de tratamento, nos elementos da raça branca. Não do modo preconceituoso, nem como meio hipócrita de justificar a dominação ideológica, física e a exploração econômica sobre a raça branca. Pois, esse tipo racista, impróprio e perverso de eugenia consistiu em mais uma ideologia e respectiva prática, próprias de elementos da raça que não deu certo.

O tratamento eugênico da raça que não deu certo, deveria ser centrado, por um aspecto, na valorização da vida humana e da preservação das condições de vida da querida “Gaia” (Mãe Terra). Valorização da fraternidade, da justiça e do respeito das diferenças entre os seres humanos e coisas do gênero. Por outro aspecto, seria necessário uma reavaliação de tudo de ruim, que a ética protestante e o espírito do capitalismo vem produzindo até hoje, e induzir a raça que não deu certo, a deixar de adorar Mamon. Mas, conhecer e valorizar o Deus Pai de Jesus e de todos nós, que é o Deus do amor, do direito e da justiça. Certamente, outros itens seriam necessários.

Existe outra hipótese voltada para a regeneração da raça branca, que não dispensaria o referido tratamento eugênico cultural prévio. Pois, a raça branca vem criando o aquecimento global, que se volta, como efeito bumerangue, contra ela, por diversos aspectos. Trata-se da regeneração preventiva da raça branca, através da miscigenação preventiva, tanto cultural como prática.

5. A miscigenação no contexto da seleção natural à seleção cultural

A raça branca precisaria passar por um tratamento eugênico de natureza cultural. Caberia às demais raças humanas fazerem esse tratamento cultural, na raça branca. Mas, não é só isso. Pois, em decorrência da ação destruidora exercida pela raça branca, sobre a natureza, e o consequente aquecimento global, a raça branca seria a mais prejudicada, pelos efeitos aterradores do aumento de dias mais claros e sem nebulosidade.
A comunidade científica já vem recomendando aos membros da raça branca, a aquisição para seus descendentes, de características por cruzamento (miscigenação) com outros tipos raciais, como meio da raça branca se prevenir, em relação ao aquecimento global.

O professor Chris Stringer é o líder de pesquisa em origens humanas no Natural History Museum, em Londres. O periódico “The Observer” publicou artigo elaborado por ele.[14]

Em resumo, após anos de especulações, pesquisas com DNA de fósseis levaram à fusão de duas teorias sobre o berço e a evolução do homem – a substituição de outras espécies e a hibridização num só modelo explicativo, confirmando as nossas origens africanas, com algumas ressalvas. Nesse sentido, diz Chris Stringer: “O panorama geral é que ainda somos predominantemente de origem africana recente (mais de 90% de nossa ascendência genética)”. Porém, soma-se a isso a aquisição de características por cruzamento (miscigenação) com outros tipos de pessoas arcaicas.

Em outros termos, Stringer acrescenta: “Estamos olhando para um modelo de substituição mista-hibridização ou substituição com vazamento”. Ou seja, diz o autor: “Os neandertais e as pessoas arcaicas como essas foram assimiladas através de cruzamentos generalizados. Assim, o estabelecimento evolutivo de características modernas era um processo de mistura em vez de uma substituição rápida”.

O professor Stringer está preocupado, assim como o cientista James Lovelock e todos nós, com o aquecimento global e suas consequências desastrosas, que já não podem ser contidas. Assim, ele diz: “Às vezes, a diferença entre o fracasso e o sucesso na evolução é estreita. Certamente estamos, agora, com a faca, quando enfrentamos um planeta com superpopulação e a perspectiva de mudanças climáticas globais em uma escala que os humanos nunca enfrentaram antes. Esperemos que nossa espécie esteja à altura do desafio”.

Diante da explosiva “mudanças climáticas globais em uma escala que os humanos nunca enfrentaram antes”, e do consequente aumento de dias mais claros e sem nebulosidade, e dos efeitos aterradores, que o sol assim causará, sobretudo sobre a raça branca, a “comunidade cientistas” propõem a miscigenação preventiva, entre pessoas da raça branca, com pessoas da raça negra, como meio de amenizar tais efeitos bumerangues aterradores, nas gerações subsequentes dos membros da raça branca.

Outra questão começa a preocupar a “comunidade científica”. O aquecimento global promovido pela raça branca, enquanto efeito bumerangue vem criando mudanças climáticas, que podem levar ruivos à extinção. Esse desaparecimento seria causado por aumento de dias mais claros e sem nebulosidade. Em tal cenário, será cada vez menor a quantidade de pessoas que carregarão o código genético. Além da coloração ruiva, acredita-se que os olhos azuis também entrariam em extinção nesse futuro mais ensolarado. Mas como se trata de mutação genética, cientistas estimam que o processo de desaparecimento leve centenas de anos para se completar.[15]

Outra hipótese de seleção relativa a espécie humana, na verdade é mais plausíveis que a ideologia racista de Charles Darwin. Por exemplo, já existem diversos estudos, que vêm analisando a mulher e mãe, enquanto importante fator evolutivo e histórico da espécie. Estudos exercidos e fundamentados com rigor empírico, e que comprovam o desempenho da mulher e mãe, como fator determinante e construtivo, na evolução e na história da espécie.[16]

O antropologista alemão Ferdinand Fellmann considera capenga, a concepção desenvolvida por Darwin, acerca da seleção natural e sexual. Fellmann propôs uma forma modificada da seleção sexual, chamada “seleção emocional”, como o centro de onde depende a evolução emocional humana. A vantagem na sobrevivência é devida ao talento humano em relações a longo-prazo, as quais permitem-lhes ter sentimentos acerca de sentimentos: a origem da consciência humana. Nessa direção, ele esclarece, resumidamente, em seu livro “Emotional Selection and Human Personality”:[17]

“Este artigo aborda o surgimento da personalidade humana na evolução. Os mecanismos de seleção natural e sexual desenvolvidos por Darwin não são suficientes para explicar o sentido de si mesmo. Portanto, tentamos traçar o processo evolutivo de volta a uma forma de seleção denominada “seleção emocional”. Isso envolve a reconstrução da seleção de qualidades subjetivas e mostrando como as emoções permitem que as formas de vida humanas sejam relevantes para o nível cultural de cooperação que marca nossa espécie . Vemos uma mudança de paradigma no conceito de seleção emocional que liga a emoção e a evolução mais próximas, fechando assim a lacuna explicativa entre a etologia clássica e a psicologia evolutiva moderna”.

6. O apocalipse e as profecias de Max Weber

Weber “profetizou” e lamentou um quadro aterrador. Ele prognosticou, ainda no final do XVIII, e publicou no início do século XIX (1904-1905), a título de conclusão do livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Àquela época, o tal quadro aterrador já vinha afetando, monstruosamente, tanto o estilo de vida de cada indivíduo como a humanidade, e também as condições de vida no planeta. Ou seja, catástrofes causadas pela “formação da ordem econômica e técnica ligada à produção em série da máquina”. Formação essa determinada pela a ética protestante e o espírito do capitalismo, que atua no sentido de determinar a exaustão das reservas naturais do planeta.

Weber “profetizou” que a “formação da ordem econômica e técnica ligada à produção em série da máquina, na realidade “determinará até que a última tonelada de combustível tiver sido gasta”. Enquanto determinaria, ainda – na minha perspectiva e como consequência óbvia – a devastação da natureza, os genocídios em massa, o atual aquecimento global, etc., e suas consequências catastróficas, para a humanidade. Conforme estamos testemunhando, hoje, a concretização dessa “profecia” feita por Weber.

Agora, estamos vivenciando a profecia de Weber. Pois, a ordem econômica capitalista, cientificista e técnica ligadas à produção em série de máquina, cada vez mais complexa e destruidora, nos vem sendo impostas. Assim, essa ordem determina a devastação das floresta, a poluição, enfim, o aquecimento global, e “determinará [tudo isso] até que a última tonelada de combustível tiver sido gasta”. Vejamos Weber:[18]

“O puritano queria tornar-se um profissional, e todos tiveram que segui-lo. Pois quando o ascetismo foi levado para fora dos mosteiros e transferido para a vida profissional, passando a influenciar a moralidade secular, fê-lo contribuindo poderosamente para a formação da moderna ordem econômica e técnica ligada à produção em série da máquina, que atualmente determina de maneira violenta o estilo de vida de todo indivíduo nascido sob esse sistema, e não apenas daqueles diretamente atingidos pela aquisição econômica, e, quem sabe, o determinará até que a última tonelada de combustível tiver sido gasta”.

O ascetismo protestante e respectivo espírito do capitalismo adveio do campo cultural e “caiu” (incidiu e remodelou) no mundo. Mais especificamente, ele vem orientando e valorizando, de modo incessante e demasiadamente, o processo de produção material e seus produtos-mercadorias, isto é, os bens materiais.

Asceta, eremita, ermitão, anacoreta são denominações dadas à pessoa desajustada e fanárica, ao exemplo do asceta evangélico, protestante e outros. Pessoa que se consagra a vida regrada, em exercícios espirituais de autodisciplina. Pessoa que busca se afastar dos prazeres, dedicando-se a orações, privações e flagelações, em buscar de uma falsa perfeição espiritual. Na realidade, o asceta evangélico e protestante e outros buscam, insaciavelmente, o enriquecimento, enquanto produzem, na outra ponta, a miséria dos segmentos trabalhadores. Nesse sentido, as condutas desses tipos de ascetas estão voltados para o deus Mamon, que é o deus do dinheiro e da riqueza.

O ascetismo protestante em geral e a pessoa asceta protestante em particular – “homem giga devastador” – são exemplos do pior espectro maldito, que persegue cada indivíduo, e tem hoje o seu mais alto desenvolvimento e como seu mais destacado guardião e propagador mundial, os Estados Unidos, conforme Weber esclarece e também sugere a razão dos esportes serem, hoje, utilizados, massivamente, como importante meio de alienação da juventude:[19]

“No setor de seu mais alto desenvolvimento, nos Estados Unidos, a procura da riqueza despida de sua roupagem ético-religiosa, tende cada vez mais a associar-se com paixões puramente mundanas, que frequentemente lhe dão o caráter de esportes”.[20]

Weber esclarece, ainda, embora indireta e apenas sugestivamente, o fato do indivíduo em geral, e em particular – segundo o meu ponto de vista – muitos indivíduos da “comunidade científica” renunciarem a toda tentativa de justificar o “dever vocacional”, a “‘plenitude vocacional” como causas da conduta da raça branca voltada para o genocídio e destruição da natureza, ao longo da Idade Moderna. Temos evidentes exemplo disso.

O ‘dever vocacional’, como um fantasma, rondava a cabeça de Darwin, e continua rondando as dos seus seguidores atuais, igualmente racistas. Pois, elaboram conhecimentos caracterizados pelos mais baixos valores culturais e humanos, e são pressionados, economicamente, a valorizarem a insaciável acumulação de riquezas. Em razão de valorizarem a ética protestante ou o espírito do capitalismo, já despido de sua roupagem ético-religiosa, Darwin se sentiu muito familiarizado, e seus sucessores também se sentem muito familiarizados, com tais valores e respectiva prática. Em razão dessa familiaridade e hábito, nem Darwin, nem seus sucessores procuram justificar, avaliar ou criticar a “crença religiosa no ‘dever vocacional”. Cada um deles apenas procuram dissimular essa crença, através de racionalizações falseadas. Vejamos Weber:[21]

“A crença religiosa no ‘dever vocacional’, como um fantasma, ronda em torno de nossas cabeças. Onde a ‘plenitude vocacional’ não pode ser relacionada diretamente aos mais elevados valores culturais – ou onde, ao contrário, ela também deve ser sentida como uma pressão econômica – o indivíduo renuncia a toda tentativa de justificá-la”.

Weber previu algumas possibilidades futuras, para as quais, a maldita ética protestante e seu espírito capitalista, enquanto produção cultural e cadeia ou prisão ideológica poderosa, conduziriam o indivíduo e a civilização capitalistas.

Passados mais de cem anos, de Weber haver prognosticado tais possibilidades desastrosas. Estas possibilidades hoje já se mostram concretizadas, em certas medidas, agora que chegamos no fim desse tremendo desenvolvimento, da procura da riqueza despida de sua roupagem ético-religiosa. Em outros termos, agora que chegamos no fundo do “poço”, isto é, no fim do processo de produção capitalista, segundo a ética protestante.

Pois, quando muitos pensadores supuseram, equivocadamente, que estaria chegando o fim ou ao menos ocorrendo uma queda da crença religiosa e dos seus propagadores (teólogos e sacerdotes), na humanidade. Porém, ao contrário disso, estamos presenciando o surgimento de múltiplos tipos de “falsos profetas” e um vigoroso renascimento de velhos pensamentos ou ideias. Vejamos a profecia de Weber, nessa direção:[22]

“Ninguém sabe ainda a quem caberá no futuro viver nessa prisão, ou se, no fim desse tremendo desenvolvimento, não surgirão profetas inteiramente novos, ou um vigoroso renascimento de velhos pensamentos ou ideias, ou ainda se nenhuma dessas duas”.

Na realidade, estamos presenciando ao surgimento de múltiplos tipos de “falsos profetas” e um vigoroso renascimento de velhos pensamentos ou ideias. Estão ressurgindo falsos profetas do tipo religioso, ao exemplo dos profetas protestantes, evangélicos, católicos, muçulmanos, budistas, etc. Todos eles atuam mancomunados com às respectivas elites no poder.
Os estudiosos ao analisarem os antigos falsos profetas hebreus, enquadram-nos na categoria dos “profetas cultuais”, a exemplo de Abdias. Os quais podem ser chamados, também, de “profetas da corte” ou “profetas profissionais”, que atuavam mancomunados com os teólogos, sacerdotes e as lideranças políticas (reis), e econômicas (agiotas, cambistas, grandes latifundiários e comerciantes, etc.), juízes corruptos, etc., nos cultos executados dentro ou fora do templo.[23]

Vemos, ainda, o ressurgimento do antigo tipo “profeta otimista”, a exemplo de Naum e Habacuc.[24] Os modernos “profetas otimistas” são os “profetas da prosperidade” ou “profetas do hei de vencer”, os propagadores do Coaching (treinamento), etc. Eles enganam as pessoas, diante do alto índice de desemprego, decorrente da crise econômica. Esses novos “profetas otimistas” exaltam o malfadado empreendedorismo capitalista, que molda a conduta do ‘homem giga devastador”. Eles fazem farta divulgação através de publicação de livros e da internet. Assim, os novos “profetas otimistas” ganham dinheiro, precisamente diante do quadro da grave crise econômica mundial e nacional. Desse modo, os novos “profetas otimistas” colaboram na moldagem da conduta individual, que corresponde a produção do “homem giga devastador”, que é pior e produza males incomensuravelmente piores que o homem-bomba.

O malfadado empreendedorismo capitalista desembocou nessa crise grave, prolongada e irreversível. No quadro atual, o verdadeiro “profeta” deveria exaltar, propagar e ensinar a solidariedade e o igualitarismo, como meio das pessoas pobres sobreviverem, diante do caos em que o mundo já se encontra, e que vai piorar.

Vislumbramos, também, o renascimento do tipo “grande profeta individual”, e o vigoroso renascimento do sentido original do pensamento de Jesus.[25]

A ética protestante abriu um abismal “poço” na “terra”, isto é, no processo de produção material. Ou seja, o ascetismo protestante e respectivo espírito do capitalismo vêm conduzindo cada indivíduo e a humanidade, via processo de produção material capitalista, para as últimas e mais profundas consequências produzidas por esse processo. O qual assumiu tamanha e irresistível força sobre tanto as condutas dos indivíduos como da humanidade, e em relação ao planeta, como nunca houve na História.

Os “últimos homens”, isto é, os indivíduos atuais desempenham, como meros simulacros presos na “matrix protestante-capitalista” e como “homens giga devastadores”, diversos papéis sociais “mecanicamente petrificados”. Ou seja, como “especialistas sem espírito, sensualistas sem coração, nulidades que imaginam, equivoca e alucinadamente, ter atingido um nível de civilização nunca antes alcançado”. Porém, na realidade os “homens giga devastadores” alcançaram, efetivamente, um nível de civilização nunca antes tão degenerado e destruidor”. Vamos ao Weber:[26]

“A eventualidade de uma petrificação mecanizada caracterizada por essa convulsiva espécie de autojustificação. Nesse caso, os ‘últimos homens’ desse desenvolvimento cultural poderiam ser designados como especialistas sem espírito, sensualistas sem coração, nulidades que imaginam ter atingido um nível de civilização nunca antes alcançado”.

Hoje, podemos concluir, clara e indubitavelmente, que a supremacia destrutiva, que pareceu ser própria da raça branca, não foi resultante de nenhuma seleção natural, mas sim cultura. Quer dizer, foi resultante da singular ética protestante e do respectivo espírito do capitalismo. Cujo objetivo consistiu em estreitar os laços de controle social, na moldagem da conduta do indivíduo, e assim criou o “homem giga devastador”, mil vezes pior que qualquer homem-bomba. E, cuja criação foi ímpar, e só ocorreu por dentro de outro singular tipo de cultura, a maldição do cristianismo católico.

7. A genealogia da ética protestante e do espírito do capitalismo por dentro da cultura católica

Vimos que a gênese da ética protestante e do espírito do capitalismo consistiu num fenômeno social ímpar, na sócio-história da humanidade, e que essa gênese só pode ocorrer por dentro de outro singular tipo de cultura, a católica.

Em termos alegóricos, a cultura protestante e capitalista consiste numa forma de “câncer maligno”. O qual só pode ser gerado, por dentro e como consequência direta, de outra forma específica de cultura, a católica, que nomeio, alegoricamente, de “tecido gangrenado, então (Lutero:1517), em já adiantado estado de putrefação”. Weber notou, claramente, o engendramento da cultura protestante, por dentro da cultura católica. A qual mantivera a cultura protestante, como que incubada, durante um certo período:[27]

“A pregação dos frades mendicantes – especialmente dos franciscanos – provavelmente preparou bastante o caminho para a moralidade laica do protestantismo calvinista batista. Todavia os numerosos traços de parentesco entre a ascese do monasticismo ocidental e a conduta ascética do protestantismo, cuja importância deve ser acentuada continuamente como altamente instrutiva para nosso problema”.

Na mesma direção acima indicada, Weber ainda esclarece:[28]

“Por que razão as regiões de maior desenvolvimento econômico foram ao mesmo tempo, particularmente favoráveis a uma revolução da Igreja?… A emancipação do ‘tradicionalismo econômico’ [ética do entesouramento] aparece indubitavelmente como um fator de apoio à tendência de duvidar da santidade da tradição religiosa, e de todas as autoridades tradicionais. É necessário notar, todavia, algo que muitas vezes tem sido esquecido, o fato de a Reforma não ter implicado na eliminação do controle da Igreja sobre a vida, mas antes na substituição do controle vigente por uma nova forma. Equivaleu, isto sim, ao repúdio de um controle que era muito tênue na época, dificilmente perceptível na prática, porque pouco mais do que formal, em favor de uma regulamentação de todo conduta, que, penetrando em todos os setores da vida pública e privada era infinitamente mais importuna e levada a sério”.

Na mesma direção, Weber acrescenta:[29]

“O domínio do Calvinismo, como o introduzido no século XVI em Genebra e na Escócia, na passagem do século XVI para o século XVII em grandes partes dos Países Baixos, no século XVII na Nova Inglaterra, seria, por sua vez, a forma mais insuportável de controle eclesiástico do indivíduo que até então pode existir”.

Convém investigarmos, agora, a genealogia do clero e respectiva ética protestante e o espírito do capitalista, pela via dos seus genitores, o clero e a respectiva cultura católica. Estes são como os “pais’, e àqueles são como seus “filhos”. Por um aspecto, “Pais” e “filhos” consistem em dois diferentes aspectos, de um mesmo processo geral sócio-histórico, em muito longa duração: os desdobramentos da cultura conhecida como paulinismo, conforme muitos pensadores atuais admitem:[30]

“Alguns pensadores julgam ser mais correto dizer que o que existe hoje é um “paulinismo”, não um cristianismo. As principais críticas da corrente antipaulina concentram-se em pontos polêmicos das epistolas do apóstolo. Nelas, entre outras coisas, Paulo defende a obediência dos cristãos ao opressivo Império Romano, bem como o pagamento de impostos, faz apologia da escravidão, legitima a submissão feminina e esboça uma doutrina da salvação distinta daquela que, segundo teólogos antipaulinos, teria sido defendida por Jesus”.

Nietzsche intitulou um dos seus livros de “O Anticristo – Maldição do Cristianismo”, ao se referir ao Paulo de Tarso como o Anticristo, e às religiões católica, evangélicas, protestantes, anglicana e ortodoxas e outras desse gênero como a Maldição do Cristianismo. Ao traçar, grosso modo, o caminho da gênese do clero protestante e a respectiva ética protestante, no sentido de pesquisar seus antecedentes. Ou seja, por dentro do clero e respectiva cultura católica, então, chega-se ao Paulo de Tarso e sua doutrina, que tem como característica, a lamacenta adulteração do sentido original da doutrina de Jesus.

Na direção da pesquisa dos antecedentes dos teólogos protestantes e evangélicos e da sua teologia chega-se, através de Paulo e sua lamacenta adulteração, à cultura dos antigos “escribas” (teólogos) e sacerdotes judeus. Mais precisamente, chega-se tanto à cultura dos teólogos e sacerdotes fariseus e saduceus da época do Jesus Histórico como à cultura dos antigos teólogos e sacerdotes hebreus. Não há coisa pior do que esses tipos de teólogos, sacerdotes e das respectivas culturas. A retrospectiva do processo genético dos teólogos e sacerdotes da ética protestante e do espírito do capitalismo, nos ajuda a entender a natureza e as intenções desse clero e da sua teologia.

8. A retrospectiva genealógica do clero protestante e da sua ética e do espírito do capitalismo

No sentido da retrospectiva genealógica, o clero protestante e evangélico, a respectiva ética e o espírito do capitalismo são como o fundo do abismo em que chegamos, hoje. Para o qual, a vida humana e a do planeta vêm sendo conduzida. No caminho inverso, a retrospectiva genealógica teve início, primeiramente, através do teólogo e o sacerdote judeu fariseu chamado Paulo de Tarso. O qual foi imediatamente seguido pelos primeiros padres da patrística.

Depois, os primeiros porcos da patrística tiveram como seus sucessores, outros teólogos e sacerdotes católicos e ortodoxos. Por fim, o teólogo e o sacerdote protestante e evangélico, a respectiva ética protestante e o espírito capitalista possivelmente sepultarão a humanidade e a vida do planeta. Nesse sentido, Nietzsche nos adverte quanto a natureza decadente do processo genético, que teve início, diz ele: “com o cristianismo de Paulo”. Pseudo cristianismo esse que trouxe a humanidade para o “fundo do poço”, e que já atua no sentido de tornar doente a humanidade, e dando-lhes um significado mortal para a vida e de calúnia para o mundo”. Nessa direção, vejamos Nietzsche:[31]

“O povo judeu é o povo de energia vital mais tenaz, força que coloca sob condições mais adversas, voluntariamente, a partir de profunda esperteza em auto-conservação, aproveita todos os instintos de decadência; não por se sentir dominado por eles, mas porque através deles adivinhou um poder que o ajuda a impor-se contra o ‘mundo’. Os judeus são o oposto de todos os decadentes: foram compelidos a representar os decadentes até a ilusão, souberam, com um non plus ultra [a última perfeição] de talento de comediantes, colocar-se à frente de qualquer movimento de décadence (como o cristianismo de Paulo) com o objetivo de fazer dele algo mais poderoso do que todo partido de afirmação da vida. A décadence é apenas um meio para aquele tipo de ser humano, a espécie sacerdotal, que aspira: ao poder através do judaísmo ou do cristianismo: esse tipo tem um interesse vital em tornar doente a humanidade e em inverter o conceito de ‘bom’ para ‘mau’, de ‘verdadeiro’ para ‘falso’ dando-lhes um significado mortal para a vida, e de calúnia para o mundo”.

Poderíamos acrescentar que o processo de decadência iniciado por Paulo o Anticristo, a seguir permeou a Igreja. E, por fim, chegou no fundo do poço, quer dizer, chegou na era da ética protestante, seu espírito capitalista e do “homem giga devastador”. Assim, caso exista vida inteligente fora do planeta Terra, então, esse processo de décadence e o “homem giga devastador” colocou a humanidade como calúnia também para o Universo.

Paulo de Tarso não foi um mero sofista-embusteiro, mas sim o próprio Anticristo, conforme Nietzsche diz, em outros termos: “Paulo personifica o tipo oposto do ‘mensageiro da boa nova”. Isto é, o tipo diametralmente oposto ao Redentor, isto é, ao Jesus Histórico:[32]

“À ‘boa nova’ seguiu-se imediatamente a pior de todas: a de Paulo. Paulo personifica o tipo oposto do ‘mensageiro da boa nova’, o gênio do ódio, na visão do ódio, na lógica implacável do ódio. O que esse desevangelista não sacrificou em nome do ódio! Principalmente o Redentor: pregou-o na sua cruz. A vida, o exemplo, a doutrina, a morte, o sentido e a justiça do Evangelho, tudo deixou de existir quando esse falsário obcecado pelo ódio compreendeu o que lhe poderia ser útil. Não a realidade, não a verdade histórica!… E mais uma vez o instinto sacerdotal do judeu causou um crime igualmente notável, contra a história, simplesmente riscou do cristianismo seu ontem e anteontem, inventou uma nova história do início do cristianismo…”

Nietzsche entendeu, precisamente, a diabólica estratégia empregado por Paulo, que consistiu em adulterar o “centro da gravidade”, isto é, sentido original da vida e prática do Jesus Histórico, que lutou para libertar os indivíduos das cadeias ideologias elaboradas por sacerdotes e da garras destes. Jesus lutou, assim, com o objetivo de transformar a injusta e violenta realidade social existente em que vivia, para uma forma mais justa e fraterna. Paulo pregou, exaltando diabolicamente, em sua noção de cruz, o Jesus revolucionário, e forjou um falso Jesus, que viveria no mundo metafísico, exclusivamente para julgar os mortos, dispensar “graças” e a receber preces e pedidos. Com esse estratégico subterfúgio ideológico, Paulo objetivou e conseguiu tiranizar as massas, transformá-las em rebanhos. Vamos voltar ao Nietzsche:[33]

“A personalidade do Redentor, a doutrina, a prática, a morte, o sentido da morte, até mesmo o pós-morte, nada ficou intacto, nada ficou próximo da realidade. Com a mentira da ‘ressurreição de Jesus’, Paulo deslocou o centro da gravidade de toda essa existência para depois da existência. Na realidade ele não tinha necessidade alguma da vida do Redentor, precisou da morte e de algo mais… Paulo só precisava das ideias, das doutrinas, dos símbolos para tiranizar as massas, transformá-las em rebanhos”

No sentido inverso ao da retrospectiva genealógica e após aos teólogos e sacerdotes judeus haverem planejado, exigido e obtido a morte de Jesus, então, “o tipo oposto do mensageiro da boa nova” (Paulo de Tarso o Anticristo) atuou em dois sentidos. Por um aspecto, ele representou a “ponte”, através da qual a maldita cultura dos antigos teólogos e sacerdotes hebreus “atravessou” e penetrou, no Ocidente. Por outro aspecto, Paulo deu início ao processo de decadência, que passou pelos primeiros porcos da patrística, atingiu a época de apogeu da Igreja, e culminou na diabólica ética protestante, o fundo do poço. Nesse sentido, Nietzsche esclarece:

“Os Evangelhos são testemunhos precisos da corrupção irresistível dentro da primeira comunidade. O que Paulo levou até o fim com seu cinismo lógico de rabino foi apenas o processo de decadência, que começou com a morte do Redentor”.[34]

No sentido da retrospectiva genealógica, Paulo de Tarso foi imediatamente seguido pelos primeiros padres da patrística. Os quais deram continuidade à lamacenta adulteração do sentido original da doutrina de Jesus, que Paulo de Tarso houvera inaugurado. Depois dos primeiros porcos da patrística, outros teólogos e sacerdotes prosseguiram, até hoje, com a referida lamacenta adulteração. Quanto aos “pais da Igreja” ou primeiros porcos da patrística, ao exemplo de Santo Agostinho, Nietzsche fez uma crítica dura, objetiva e esclarecedora:[35]

“vampiros astutos, clandestinos, invisíveis, pobres de sangue!… A secreta sede de vingança, a inveja baixa se tornaram rainhas! Tudo que era digno de piedade, que sofria de auto-compaixão, que era atormentado por maus instintos; de repente todo o gueto alcançava o topo! Basta ler um só agitador cristão, Santo Agostinho, por exemplo, para compreender, para cheira a qualidade dos companheiros sujos que com isso ascenderam. Enganaríamo-nos redondamente se atribuíssemos qualquer falta de inteligência aos líderes do movimento cristão: oh! eles são inteligentes, inteligentes até a santidade, esses senhores padres da Igreja! O que se passa com eles é totalmente diferente. A natureza foi relaxada com eles, ela esqueceu de preservá-los com o mínimo de instinto de respeito, decência, pureza… Cá para nós, não são nem homens…”

9. Setor etnocêntrico da “comunidade científica” produz cientificismo para dissimular a ética protestante como causadora do aquecimento global

A parte conservadora da “comunidade científica”, vem produzindo, sistemática, ininterrupta e estrategicamente, diversas balelas cientificistas. Cujo objetivo consiste em dissimular os agentes da ética protestante e do espírito do capitalismo, e também toda realidade cultural e material produzidas por eles, como os principais causadores do aquecimento global e dos desastres ecológicos já em curso. Principais causadores também do inevitável agravamento desses desastres, e do caos ecológico e social que se aproxima. Um tipo assemelhado à referida estratégia dissimuladora já vinha sendo feita, conforme veremos, à época de Darwin e Kant, quando visavam justificar a dominação, exploração e extermínio de outras raças. Hoje, parte conservadora da “comunidade científica apena apresenta formas novas, diante do aquecimento global.

Aqui vai um alerta. Por um aspecto, parte da propalada “comunidade científica” e “filosófica”, na verdade consiste no “clero” profano, que se desenvolveu a partir dos parâmetros do ética protestante. E, sobretudo no contexto do espírito capitalista, e do respectivo tipo cientificista e técnico de conhecimentos, apenas despido de sua roupagem ético-religiosa, conforme Weber observou. O “clero cientificista e profano” se distingue do clero sagrado, que são os religiosos (teólogos e pastores protestantes e evangélicos) propriamente ditos. Ambos se propagaram, como “câncer maligno” e assim vêm atuando no campo cultural, ao longo da Idade Moderna.

Podemos comparar, de certo modo, o cientista inglês chamado Darwin (1809-1882) com filósofo alemão chamado Immanuel Kant (1724-1804), ambos embebidos pelo campo cultural protestante, que já embriagava os povos da Europa Ocidental, na época deles.

Nietzsche notou que o pensamento de Kant, na verdade consistiu numa pseudo filosofia (moralista), em que a terminologia filosófica encobria, de modo consciente ou não, a pérfida perspectiva protestante. Paralelamente, O cientificismo racista de Darwin consistia no racismo próprio da cultura protestante, porém travestida de terminologia científia. Mesmo Darwin foi um teólogo anglicano, isto é, protestante, mas indeciso.[36] Vejamos Nietzsche desmascarando Kant:[37]

“Entre os alemães compreende-se imediatamente quando digo que a filosofia está sendo corrompida pelo sangue da teologia. O pastor protestante é o avô da filosofia alemã, o próprio protestantismo é o seu peccatum original. Definição do protestantismo: paralisia parcial do cristianismo e da razão… Só precisamos pronunciar a palavra ‘seminário de Tübingen’ [tradicional seminário de teologia protestante na Alemanha, em que se formam a maioria dos intelectuais alemães] para entender que a Filosofia alemã é na verdade uma Teologia pérfida… Os beatos são os melhores mentirosos da Alemanha, mentem inocentemente. De onde vinha o regozijo com que foi acompanhada a aparição de Kant pelo mundo erudito alemão, composto em sua maioria por filhos de pastores carolas e professores escolares… O êxito de Kant é somente um êxito de teólogo… Uma trava a mais na já não muito firma integridade alemã”.

Por um aspecto, parcela da produção cultural elaborada pela parte conservadora e racista da dita “comunidade científica”, na realidade consiste em mera balela cientificista. Notadamente àquela parcela sediada na Europa e nos Estados Unidos. Esse tipo profano de clero cientificista, se esforça em produzir grande quantidade teses, livros, documentários, etc. E, divulgar, massisamente, mundo afora, através da ditadura midiática financiada pelo sistema bancário internacional, as grandes empresas e Estados nacionais controlados por esse sistema. Em países periférico, toda essa pérfida produção cientificista vem sendo reproduzida, sistematicamente, ao exemplo do Brasil, através da mídia ditatorial, tipo padrão globo de vandalismo cultural.

O objetivo dessa propaganda massiva consiste, sobretudo, em dissimular a grande dimensão, da culpa que cabe aos agentes da ética protestante e do espírito do capitalismo, e também a toda realidade cultural e material produzidas por esses agentes. Ou seja, a causa e culpa do aquecimento global e dos desastres ecológicos já em curso, e no inevitável agravamento dessas desgraças.

Na Idade Moderna, o ritmo acelerado de destruição (desmatamento, poluição, rompimento da camada ozônio, degelo, etc.) tanto durante o período inicial como já na atual fase grave do aquecimento global, indiscutívelmente vem seguindo, na mesma proporção, a prática da insana ética protestante e do espírito do capitalismo. Ou seja, segue, proporcionalmente, a acelerada e insaciável acumulação e concentração de capital, nas mãos de poucos, e o crescimento de enorme massa de trabalhadores miseráveis.

Em outros termos, o ritmo acelerado e insaciável de acumulação de capital está para o ritmo acelerado e inconsequente da destruição da natureza, do genocídio, e do aquecimento global; assim como, a ética protestante e o espírito do capitalismo estão para a destruição da humanidade e da amada “Gaia” (Mãe Natureza).

19. Os teólogos e sacerdotes da destruição da humanidade e das condições de vida no planeta

Lutero criou a diabólica ética protestante. Ele e essa maldita ética junto aos seus primeiros seguidores (Calvino, Menno, George Fox, John Wesley e outros) aprimoraram e desenvolveram o espírito do tipo monstruoso e genocida do capitalismo.[38] Desde então, o número desse tipo de ideólogo vem se multiplicando enormemente, enquanto vem se desenvolvendo a destruição das condições de vida no planeta. Hoje, já estamos sofrendo os efeitos do aquecimento global, e vislumbramos a iminente aproximação do caos ecológico e social total.

Vejamos alguns dos primeiros “anjos decaídos” seguidores de Lutero: João Calvino (1509-1564); Meno Simons (1496-1561); George Fox (1624- 1691), Philipp Jacob Spener (1635-1705); August Hermann Francke (1663-1727); Nikolaus Ludwig von Zinzendorf (1700 – 1760); John Wesley (1703-1791).[39]

Os agentes do Espírito do capitalismo criaram as condições para o desenvolvimento de todas as invenções científicas, técnica e de respectivos instrumentos de destruição, que foram produzidos no curso da Idade Moderna. Invenções essas que vêm causando o aquecimento global, e as desgraças ecológicas, que já se apresentam, e as mais graves que ainda estão por vir. Invenção da bomba atômica e outros instrumentos de destruição em massa, tanto de seres humanos como da natureza, quer dizer, os instrumentos que hoje nos ameaçam.

Não devemos atribuir apenas aos políticos e empresários gananciosos e inconsequentes, a insana e diabólica culpa da desgraça ecológica que ora já nos assola, e que ameaça a existência humana e a vida na amada “Gaia” (Mãe terra). Sobretudo os teólogos e sacerdotes da destruição também têm grande parcela de culpa, e continuam propagando a “teologia do enriquecimento/miséria, e produzindo o “homem giga devastador”, que é incomensuravelmente pior que qualquer homem bomba.

Os diferentes teólogos e sacerdotes pseudo cristão continuam contribuindo, cada qual ao seu modo, para a destruição da humanidade e da natureza, e sempre ambicionando o poder. Pela perspectiva sócio-histórica em muito longa duração, os diferentes teólogos e sacerdotes pseudo cristão vêm promovendo um longo processo cultural niilista, isto é, pessimista e cada vez mais decadente. Com esses objetivos, teólogos e sacerdotes da destruição vêm formando a cultura da Civilização Ocidental, e influenciando o pensamento das lideranças políticas e econômicas gananciosos e inconsequentes, e também das pessoas do povo em geral. Pois, tais teólogos e sacerdotes embebidos e carregando consigo a cultura niilista, isto é, pessimista e cada vez mais decadente, sempre querem o poder, e assim se aliam às tais lideranças, para dominarem e explorarem a massa popular. Nessa direção, Nietzsche esclarece:[40]

“Se por meio da ‘consciência’ dos monarcas (ou dos povos) os teólogos por acaso esticarem a mão em direção ao poder, já podemos ter certeza de uma coisa que na verdade acontece o tempo todo: a vontade de destruição, a vontade niilista quer o poder…”

Note, a ética protestante e o respectivo espírito do capitalismo, e ainda a realidade social existente correspondente, que vêm permeando a histórica da Idade Moderna, na verdade são voltados para o deus Mamon, o deus do dinheiro e da riqueza. O qual gera, numa ponta, grande concentração de riquezas nas mãos de poucos, e na outra ponta, gera injustiças, genocídios e uma massa enorme de pessoas miseráveis. Os teólogos e pastores protestantes e evangélicos dissimulam, de modo satânico e maquiavelicamente, o deus Mamon, por detrás do Deus Pai de Jesus, o Deus do amor, do direito e da justiça. Com essa dissimulação satânica, os referidos tipo de pastores e sacerdotes objetivam, por fim, seduzir, enganar e aliciar suas vítimas, e transformá-las em ovelhas-robô, seguidoras da diabólica ética protestante e do genocida espírito do capitalismo. Quer dizer, os “últimos homens” teólogos e sacerdote evangélicos, transforma as pessoas em “homens giga devastadores”.

Lutero foi membro de uma raça singular, que mais tarde Hitler (1889-1945) e os demais adeptos do eugenismo rotulariam de “Raça Branca ariana”. Hitler e sua doutrina nazista e eugenista tinham a concepção da “purificação da raça”, como meio perverso de preservar a Raça Branca Ariana, que ele e os demais eugenistas consideravam superior às demais raças.[41] Mas, a ideologia eugenista não se propagou só na Alemanha nazista, ela encontrou muitos adeptos e causou muita desgraça nos Estados Unidos, na Inglaterra, no Brasil, etc.

Devemos considerar, portanto, que a raça branca gerou o maldito tipo de racionalismo, que é voltado para o deus Mamon, e baseado em cálculos contábeis precisos e sistemáticos. A raça branca, sua ética protestante e o respectivo tipo de capitalismo geraram, por conseguinte, o tipo de racionalismo próprio do modelo de ciência, técnicas e instrumentos voltados, indiscutivelmente, para a destruição em massa. Destruição essa tanto da espécie humana e dos animais como das condições de vida do planeta em que vivemos.

[1] Cf. Wikipédia – Charles Darwin – Visão religiosa https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin “Ele frequentava uma escola da igreja da Inglaterra e, mais tarde, em Cambridge, estudou teologia Anglicana”. Cf. também Wikipédia – Seleção natural: “É o processo proposto por Charles Darwin e Alfred Wallace, os dois responsáveis pela teoria da evolução por seleção natural. A alta fecundidade e a recorrente competição pela sobrevivência em cada espécie geram o pressuposto para esse processo. Outros mecanismos de evolução das espécies incluem a deriva genética, o fluxo gênico, as mutações e o isolamento geográfico. O conceito básico de seleção natural é que características favoráveis que são hereditárias tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos que se reproduzem, e que características desfavoráveis que são hereditárias tornam-se menos comuns. A seleção natural age no “fenótipo”, i.e. no conjunto das características observáveis de um organismo, de tal forma que indivíduos com fenótipos favoráveis têm mais chances de sobreviver e se reproduzir do que aqueles com fenótipos menos favoráveis. Gradativamente, desenvolveu-se a ideia de pluralidade de espécies existentes sendo obtido a partir do processo evolutivo, onde a seleção natural priorizava algumas variações intraespecíficas por meio da luta por sobrevivência do mais apto”: Wikipédia – Seleção Natural: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sele%C3%A7%C3%A3o_natural

[2] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 26, 58-59, 84-85.

[3] Cf. Weber, M. Idem, p. 44-45, 58.

[4] Cf. Weber, M. Idem, p. 19-20. Os judeus professavam o ethos econômico parasitário, também diferente do protestantismo puritano, conforme Weber diz: “Os judeus participavam do capitalismo ‘aventureiro’, político ou especulativo -seu ethos, numa palavra, era o do capitalismo pária -, enquanto o puritanismo se baseava no ethos da organização racional do capital e do trabalho e apenas adotou da ética judaica o que se adaptasse a tal propósito”. Weber, M. Idem, p. 118.

[5] Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo. Editora: Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 61, parágrafo 39.

[6] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 20.

[7] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 44.

[8] Huberman, Leo. História da Riqueza do Homem, Zahar Editores, 13ª edição, Rio de Janeiro, 1977, p. 180-181.

[9] O renomado cientista James Lovelock foi entrevistado por Por Jeff Goodell, da revista RollingStone, publicada em 14/11/2007, em que apresenta um resumo do pensamento desse cientista: http://rollingstone.uol.com.br/edicao/14/aquecimento-global-e-inevitavel-e-6-bi-morrerao-diz-cientista#imagem0

[10] Cf. Por Chris Stringer. “The Observer” (Sábado 18 de junho de 2011 19.03 EDT) https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://www.theguardian.com/science/2011/jun/19/human-evolution-africa-ancestors-stringer&prev=search

[11] Huberman, Leo. História da Riqueza do Homem, Zahar Editores, 13ª edição, Rio de Janeiro, 1977, p. 90.

[12] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 6, 7 e 8.

[13] Lovelock foi entrevistado por Por Jeff Goodell, da revista RollingStone, publicada em 14/11/2007, em que apresenta um resumo do pensamento desse cientista: http://rollingstone.uol.com.br/edicao/14/aquecimento-global-e-inevitavel-e-6-bi-morrerao-diz-cientista#imagem0 Veja mais em Wikipédia – “James Ephraim Lovelock é um pesquisador independente e ambientalista que vive na Cornualha (oeste da Inglaterra). A hipótese de Gaia foi sugerida por Lovelock, com base nos estudos de Lynn Margulis, para explicar o comportamento sistêmico do planeta Terra. A Terra é vista, nesta teoria, como um superorganismo. Lovelock inventou muitos instrumentos científicos utilizados pela NASA para análise de atmosferas extraterrestres e superfície de planetas. Em 1958 inventou o Detector de Captura de Elétrons, que auxiliou nas descobertas sobre a persistência do CFC e seu papel no empobrecimento da camada de ozônio”: https://pt.wikipedia.org/wiki/James_Lovelock

[14] Cf. Por Chris Stringer. “The Observer” (Sábado 18 de junho de 2011 19.03 EDT) https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://www.theguardian.com/science/2011/jun/19/human-evolution-africa-ancestors-stringer&prev=search

[15] Cf. O Globo – Mudanças climáticas podem levar ruivos à extinção: https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/mudancas-climaticas-podem-levar-ruivos-extincao-13175740

[16] Cf. Harvard University Press (uma editora estabelecida como uma divisão da Universidade Harvard, focada em publicações acadêmicas, apresenta um esclarecedor resumo de livro de Hrdy, Sarah Blaffer (http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674060326&content=reviews). Esse livro já foi traduzido: Hrdy, Sarah Blaffer.. “Mãe Natureza – uma visão feminina da evolução: maternidade e seleção natural”. Trad. de Álvaro Cabral. Editora Campos, Rio de Janeiro (1999/2001).

Vera Silvia Raad Bussab da Universidade de São Paulo (Interação em Psicologia, 2002, 6(1), p. 117-123) elaborou uma resenha, que ajuda a esclarecer a exposição do pensamento Hrdy. Resenha com o título “Mãe Natureza – uma visão feminina da evolução: Maternidade, filhos e seleção natural”: revistas.ufpr.br/psicologia/article/viewFile/3198/2561

[17] Fellmann, Ferdinand, & Walsh, R. Emotional Selection and Human Personality. (2013) Biological Theory: https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs13752-013-0093-3 Cf. Wikipédia – Seleção sexual nos humanos. [Fellmann, F., & Walsh, R. (2013). «Emotional Selection and Human Personality». Biological Theory. 8 (1): 64–73. doi:10.1007/s13752-013-009: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sele%C3%A7%C3%A3o_sexual_nos_humanos#cite_note-15

[18] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 130-131.

[19] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 131.

[20] Weber, M. Idem, p. 131

[21] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 131.

[22] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 131.

[23] Cf. Fohrer, Georg. História da Religião de Israel, Edições Paulinas, 2ª edição, SP, 1993, p. 290; 398.

[24] Cf. Fohrer, Georg. História da Religião de Israel, Edições Paulinas, 2ª edição, SP, 1993, p. 326.

[25] Cf. Fohrer, Georg. Idem, p. 328-330: os grandes profetas individuais procederam por três linhas de ação contestadora: 1. Eles combateram e amaldiçoaram o templo-edifício de Jerusalém, os “escribas” (teólogos), os sacerdotes, os falsos profetas e a aliança deste com as elites políticas (casa real) e econômicas. 2. Eles exaltaram a conduta justa e fraterna do indivíduo, como verdadeiramente do agrado de Iahweh, Deus do amor, do direito e da justiça. Eles advertiram os hebreus quanto aos malignos sacerdotes e seus aliados (elites políticas e econômicas). 3. Os grandes profetas individuais se distinguem das demais categorias de “profetas”, e são chamados de “individuais”, porque cada qual exercia, de modo isolado e independente, o seu ministério.

[26] Weber, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo, Livraria Pioneiras sociais, SP, 1985, p. 131.

[27] Weber, M. Idem – Notas do Autor, SP, 1985, p. 197, item 170, referente ao cap. IV.

[28] Weber, M. Idem, p. 20.

[29] Weber, M. Idem, p. 20.

[30] Wikipédia – Paulinismo: https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulinismo

[31] Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo. Editora: Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 46, parágrafo 24.

[32] Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo. Editora: Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 64, parágrafo 42.

[33] Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo, Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 64-65, parágrafo 42.

[34] Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo, Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 66, parágrafo 44.

[35] Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo, Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 89, parágrafo 59.

[36] Cf. Wikipédia – Charles Darwin: https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin#Vis.C3.A3o_religiosa

[37] Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo, Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 32-33, parágrafo 10.

[38] Cf. Weber, M. Aética protestante e o espírito do capitalismo, p. 60.

[39] Calvino. Weber e outros consideram a doutrina inventada por Calvino, como a que mais contribuiu para a adaptação da ética protestante, no sentido de fomentar o espírito do capitalismo. Menno Simons. Teólogo originário da Frísia ordenado padre católico em 1524. É considerado um dos reformadores radicais ligado aos anabatistas. Ele era padre católico holandês que se converteu ao Anabatismo em 1536. Sua influência sobre o grupo anabatista foi tão forte, que o grupo anabatista no norte da Europa foi chamado demenonita. Spener. Nacionalidade francesa, mas teólogo luterano alemão, que rompeu com o luteranismo e criou o pietismo protestante, inventou a salvação pela “graça”, pegando os aspectos mais radicais de Lutero. Donde saiu o movimento carismático do século XX, nos EUA. Francke foi teólogo luterano germânico. Conde Zinzendorf. Teólogo e bispo da Igreja Morávia, Dedicou-se a fomentar os ideais de seu padrinho, Spener. Queria demonstrar a aplicação prática dos ideais pietistas de Spencer. É considerado o fundador da didática protestante moderna, tanto no sentido de distribuição de folhetos e livros como pela demonstração de benevolência prática com pessoas carentes e de senso comum, como meio de aliciar novas vítimas, para a sua religião. E ainda, no sentido de criar e enviar missões voltadas para o aliciamento de pessoas de povos mais simples, e assim destruição a cultura nativa desses povos, ao exemplo da catequese católica. E também no sentido de adulterar o sentido original da doutrina do Jesus Histórico, no que tange a relação entre a pessoa e a conduta prática de Jesus. Wesley. Clérigo anglicano e teólogo britânico, que fundou a religião metodista, que se separou da anglicana. Este é o início das religiões chamadas de evangélicas, porque Wesley quando estudante universitário formou um grupo de estudo do evangelho ou bíblico.

[40] Nietzsche, F. W. O Anticristo – Maldição do Cristianismo, Newton Compton Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1992, p. 32, parágrafo 9.

[41] G. Franco de Andrade. A ideologia racial do grupo neonazista Valhalla 88 e a influência da teoria racial de Adolf Hitler. Resumo: “O estudo do grupo Valhalla 88 pretende investigar as questões raciais presentes na ideologia nacional socialista professada. O nazismo em sua estrutura tem como principal questão o arianismo (eugenia), a ‘purificação da raça ‘, pois apenas o ‘ povo escolhido1” teria ‘direito’ de governar o mundo por sua ‘superioridade racial’, assim entendida por Adolf Hitler. A ideologia difundida pelo grupo Valhalla 88 procura tornar o Nacional Socialismo acessível a todas as pessoas, fazendo uma leitura que visa manipular e adaptar tais ideias, para que elas se apresentem como alternativa”.: http://www.academia.edu/8473063/A_ideologia_racial_do_grupo_neonazista_Valhalla_88_e_a_influ%C3%AAncia_da_teoria_racial_de_Adolf_Hitler