Sociedade utópica – Nova Jerusalém: a importância do valor de uso (habitação, etc.) apontada por profetas e por David Harvey

Tempo de leitura: menos de 1 minuto

Trecho do livro  “Maldição do Templo do Sacerdote”.  Através do Trito-Isaías, o Pai Altíssimo prometeu aos segmentos sociais de trabalhadores pobres, o advento da concretização do tipo ideal de formação social: igualitária, fraternal e radicalmente pacifista. O referido profeta representou esse tipo ideal, na figura da “Jerusalém”, e Jesus ratificou nomeando-a de “Nova Jerusalém”. Onde não haverá corrupção como hoje ocorre no Brasil, mas haverá justiça social, e os indivíduos membros dos segmentos sociais de trabalhadores que hoje vivem na penúria, passarão a se beneficiar dos produtos das suas mãos. Isto é, o modelo de formação social, onde a produção confeccionada pelos segmentos trabalhadores terá o valor de troca suprimido, em favor do valor de uso, notadamente quanto à moradia, mas também em relação à produção agrícola, etc. Não mais serão enganados, entorpecidos, oprimidos e explorados pelos ideólogos hegemônicos e demais segmentos das elites dominantes. Elites estas que submetem e se apropriam, hoje, tanto das forças de trabalho como dos produtos confeccionados pelos trabalhadores pobres. Nesse sentido, proclamou o Altíssimo, através do Trito-Isaías:

Pois eu vou criar novos céus, e uma nova terra; o passado já não será lembrado, já não volverá ao espírito, mas será experimentada a alegria e a felicidade eterna daquilo que vou criar. Pois vou criar uma Jerusalém destinada à alegria, e seu povo ao júbilo; Jerusalém me alegrará, e meu povo me rejubilará; doravante não se ouvirá aí o ruído de soluços nem de gritos (…) Serão construídas casas onde habitarão, serão plantadas vinhas cujos frutos comerão. Não mais se construirá para que outro se instale, não mais se plantará para que outro se alimente. Os filhos de meu povo durarão tanto quanto as árvores, e meus eleitos gozarão do trabalho de suas mãos. Não trabalharão mais em vão, não darão mais à luz filhos voltados a uma morte repentina, porque serão a raça abençoada pelo Senhor, eles e seus descendentes. Antes mesmo que me chamem, eu lhes responderei, estarão ainda falando e já serão atendidos (os grifos em negrito são nossos)”. (Is 65, 17-19, 21-24).

A promessa acima citada foi ratificada pelo Filho do Homem, através de revelação feita por este ao discípulo que ele amava:

Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo ouvi do trono uma grande voz que dizia: ‘Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos, e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição (os grifos em negrito são nossos)”. (Ap 21, 1-4).

O Filho do Homem mostrou mais alguns aspectos pertinentes ao futuro modelo de formação social. Ele amaldiçoou o templo, o culto e os ideólogos e ensinou: somente no “fim da história” do processo de aprimoramento da geração que vem passando por tribulação na terra, é que o Criador livrará a humanidade da maldição do templo e dos sacerdotes. E, o tipo ideal de sociedade justa, fraterna e igualitária pleiteada pelos grandes profetas individuais, e representada na figura da “nova Jerusalém”, irá, então, se concretizar. A qual Jesus representou na figura de um cubo perfeito, em distinção e oposição ao modelo hierarquizado representado na forma piramidal. O Mestre destacou importante revelação ao discípulo que ele amava: no “fim da história”, no modelo de formação social justa, fraterna e igualitária representada na figura do cubo perfeito, não haverá nenhum templo-edifício, nem culto, e tão pouco se verá sacerdotes do tipo serpente. Pois, o papel social desempenhado pelo Filho do Homem, isto é, o Servo e Cordeiro de Deus será hegemônico, e constituirá, ao lado do próprio Deus Criador, o Templo nesse modelo ideal de formação social.[1]

David Harvey desenvolve estudos que apontam para a mesma direção do Trito-Isaías e do Mestre:[2]

Mas depois há a questão de como você consegue essa casa. Antigamente, as casas eram construídas pelas próprias pessoas, e não havia absolutamente nenhum valor de troca. Depois, a partir do século XVIII, você tem a construção de casas especulativa – os terraços georgianos que eram construídos e vendidos posteriormente. Assim, as casas se tornaram valores de troca para os consumidores na forma de poupança. Se eu comprar uma casa e pagar a hipoteca sobre ela, eu posso acabar como proprietário da casa. Então, eu tenho um bem. Por isso, eu passo a ficar muito preocupado com a natureza do bem. Isso gera políticas interessantes – “não no meu quintal”, “eu não quero que pessoas que não se parecem comigo se mudem para o meu lado”. Então, você começa a ter a segregação nos mercados da habitação, porque as pessoas querem proteger o valor das suas poupanças.

Assim, cerca de 30 anos atrás, as pessoas começaram a usar a habitação como uma forma de ganho especulativo. Você podia comprar uma casa e ‘virá-la’ – você compra uma casa por 200 mil livras e depois de um ano você recebe 250 mil libras por ela. Você ganhou 50 mil libras. Então, porque não fazê-lo? O valor de troca assume o comando. E assim você tem esse boom especulativo. No ano 2000, depois do colapso dos mercados acionários globais, o capital excedente começou a fluir para a habitação. É um tipo interessante de mercado. Se eu comprar uma casa, então os preços da habitação sobem, e você diz: “Os preços da habitação estão subindo, eu deveria comprar uma casa”. E, então, aparecem outras pessoas. Você tem uma bolha imobiliária. As pessoas são atraídas, e ela explode. Então, de repente, muitas pessoas descobrem que não podem mais ter o valor de uso do imóvel, porque o sistema de valor de troca o destruiu.

Isso levanta a questão: é uma boa ideia permitir que o valor de uso na habitação, que é crucial para as pessoas, seja definido por um sistema de valor de troca louco? Esse não é apenas um problema com a habitação, mas também com coisas como a educação e a saúde. Em muitos deles, nós ativamos a dinâmica do valor de troca na teoria de que ele vai fornecer o valor de uso, mas, frequentemente, o que ele faz é estragar os valores de uso, e as pessoas acabam não recebendo bons cuidados de saúde, educação ou habitação. É por isso que eu acho muito importante olhar para a distinção entre o valor de uso e o valor de troca”.

 

Os agentes do Altíssimo empenhados na concretização da promessa acima indicada são todos aqueles que se levantam, na atualidade, nas ruas das cidades do Brasil, em marcha contra a corrupção e a violência física e cultural operadas pelas elites no poder. São, também, todos que lutam, em qualquer canto do mundo globalizado, por justiça social e por uma formação social mais justa e fraterna. Haverá, certamente, um processo de transformação e de convulsões sociais, para que a geração humana possa progredir, no sentido da concretização do modelo de formação social justo, fraterno e igualitário. Pois, os ideólogos funcionais e hegemônicos e os demais segmentos das elites são retrógrados renitentes, e é necessário que sejam superados.

[1] . Jesus amaldiçoa templo, culto e sacerdote, que cessarão no “fim da história”. (Art. 8, 2.2.2., p. 45-40)

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/05/jesus-amaldicoa-templo-culto-e.html

[2] . Cf. http://www.ihu.unisinos.br/noticias/523134-a-importancia-da-imaginacao-pos-capitalista-entrevista-com-david-harvey ;

http://davidharveyemportugues.blogspot.com.br/