(TEXTO) Série inicial de Abominação da desolação = sistema monetário e financeiro

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Série inicial de Abominação da desolação = sistema monetário e financeiro

Olá, o meu nome é Francisco. Estou iniciando a primeira de uma série de palestras, nas quais esclareço, de modo claro e indubitável, que o significado da expressão “Abominação da Desolação” empregada por Jesus, no livro de Mateus (Mt 24, 15), na verdade representa o modelo perverso de sistema monetário e financeiro, ao exemplo daquele hoje existente.

O link do texto acompanhado de citações bibliográfica, referente a presente palestra, encontra-se postado aqui embaixo deste vídeo. Vou focalizar esse tema mais de perto, no livro que lançarei brevemente: “Enigma do Discípulo que Jesus Amava – LIVRO 2: O Retorno do Reprimido”. Aguarde.

O Jesus Histórico denominou “Abominação da Desolação”, o Sistema monetário e financeiro autônomo e unificado globalmente, que ele previu que ocorreria na ocasião da sua 2ª vinda. Para fazer essa projeção, ele empregou uma antiga Teoria da História em muito longa duração, de natureza estrutural e cíclica. Moisés houvera incutido essa Teoria da História  na identidade cultural do povo hebreu.[1] Essa teoria era conhecida pelos grandes profetas individuais, que foram os sucessores de Moisés, e os antecessores do Jesus Histórico.

O sentido original da Teoria da História se perdera, em ração, das omissões e adulterações feitas pelos antigos teólogos e sacerdotes hebreus, falsos adoradores de Iahweh, o Deus do amor, do direito e da justiça, que é o mesmo Deus que Jesus chama de Pai. A seguir, o sentido original da doutrina de Jesus também se perdeu, em razão das omissões e adulterações feitas pelos teólogos e sacerdotes pseudo cristãos católicos, ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos e outros desse gênero.

O anjo de Jesus previu, entretanto, que na eminência da sua 2ª vinda e do fim do período pós-diluviano, o sentido original da sua doutrina e também da doutrina de Moisés seriam resgatados. Nesse sentido, Jesus disse:

“Este Evangelho do reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações e então chegará o fim” (Mt 24, 14).

O Anjo de Jesus previu, também, a ocorrência da Abominação da Desolação, no contexto da realidade sócio-histórico contemporânea nossa, em que tanto ocorreria a 2ª volta de Jesus como a volta do sistema social, econômico, político e cultural dominado pela grande instituição social ou coletiva, que ele chamou de Abominação da desolação. Ou melhor, quando este sistema e respectiva Abominação alcançassem suas formas plenamente desenvolvidas. Desse modo, a Abominação da Desolação se imporiam aos indivíduos, oprimindo-os, e assim impondo temor e correspondente forma doentia e alienada de respeito e de “adoração” (adoração por temor, que é diferente da adoração por amor).

Jesus representou o status de pleno desenvolvimento, em que o sistema da Abominação da Desolação se estabeleceria, na figura de uma divindade sendo estabelecida no “lugar santo“. Ou seja, no lugar e na condição de ser adorada, pelas pessoas. O Anjo de Jesus ou Filho do Homem afirmou que esse mesmo contexto, seria o indício da iminência, da sua 2ª volta, emergindo, revolucionariamente, no palco da sócio-história, em muito longa duração. Ele alertou, ainda, ao leitor pesquisador perspicaz, para se esforçar, no sentido de “entender bem”, dois aspectos.

Por um aspecto, entender bem o significado literal da expressão “Abominação da Desolação”, que expressa a ideia de algo que produz, em grande dimensão, e por muito tempo, devastação, destruição e coisas do gênero.

E por outro aspecto,  entender bem o significado mais profundo da expressão “Abominação da Desolação”, que se encontra naquilo que Daniel viu no seu contexto histórico, e que previu que voltaria a ocorrer, analogamente, na 2ª volta do Ungido do Deus Criador. Vamos ao texto pertinente:

“Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9, 27) – e o leitor entenda bem – então os habitantes da Judeia fujam… Porque a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo, nem jamais será” (Mt 24, 15, 16-a, 21).

Jesus previu a sua 2ª volta, no contexto da Abominação da desolação, isto é no contexto do perverso e opressor o Sistema monetário e financeiro autônomo e unificado globalmente, em alusão ao grande profeta individual que escreveu o livro Daniel. O livro Daniel foi composto nos anos 167-164 a.C.[2] Daniel abordou, no contexto da Civilização Helenística (ou Império Macedônico), a apropriação violenta feita pelo rei selêucida Antíoco IV Epífanes, da Antioquia (Síria) e seu Banco, sobre o tesouro do “Banco central do Estado judeu”, que tinha como sede o templo de Jerusalém.

Antíoco IV Epífanes (175-165 a.C.) assumiu o poder, após ao rei Seleuco IV, depois de suplantar o jovem Demétrio, filho do seu irmão Seleuco IV . Quando Antíoco IV Epífanes regressava da primeira campanha no Egito, então, descobriu e desapropriou parte dos depósitos (tesouros), que os sacerdotes escondiam no templo-Banco de Jerusalém, conforme consta no livro 1 Macabeus:

“Entrando com arrogância no Santuário, tomou para si o altar de ouro, o candelabro com todos os seus acessórios… Tomou, além disso, a prata e o ouro, os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir”. (1Mc 1, 21, 23).

A referida apropriação violenta feita pelo rei selêucida revoltou todos os membros, tanto da aristocracia religiosa como laica judaica, que adoravam o deus Manon, e que tinham depositado suas riquezas, no templo-banco de Jerusalém. Cuja disputa pelo cargo de sumo sacerdote consistia, portanto, na realidade, à disputa pela administração central do mercado monetário, financeiro e de mercadorias diversas, na Judéia. Pois, tal administração central estava estabelecida no templo-Banco e em seus átrios, e dissimulada através da auréola religiosa.

Ou seja, o rei macedônio Antíoco IV Epífanes e o seu banco açambarcaram o Templo-Banco de Jerusalém, lugar onde teólogos e sacerdotes judeus, mais os demais membros da aristocratas judeus adoravam Manon, o deus do dinheiro e das riquezas. Isto é, onde esse conjunto aristocrático adorava as suas riquezas, que ali estavam depositadas, e que eles dissimulavam, hipocritamente, na imagem ideal de Iahweh, o Deus do amor, do direito e da justiça. O templo-Banco de Jerusalém consistia, na realidade, no Banco central do Estado judeu.

O rei Antíoco ao se apoderar do banco-templo da aristocracia religiosa e laica judaica, assim se apoderou, também, do sistema monetários e financeiro, que era gerido por esse aristocracia. Esse sistema era perverso, e causava muitos sofrimentos, notadamente, sobre os segmentos trabalhadores, muitos dos quais se encontravam na condição de escravos por dívida. Nesse sentido é que Daniel criticou a desapropriação do banco central do estado judeu, que  Antíoco sobre o banco gerido pela igualmente perversa e hipócrita aristocracia religiosa e laica judaica.

Para entendermos o significado da expressão Abominação da Desolação, que Daniel empregou, então  precisamos entender que ela designa “o altar de Baal-Shamen ou Zeus Olímpico, erigido sobre o grande altar dos holocaustos”, que se situava na pátio externo do templo de Jerusalém, e que é chamado de átrio (cf. 1Mc 1, 54). A expressão Abominação da Desolação evoca a imagem do Zeus Olímpico, ao qual Antíoco dedicou o Templo de Jerusalém (cf. 2Mc 6, 2)”

Ora, a imagem do Zeus Olímpico consistia, na realidade, no ícone e marca registrada do sistema monetário e financeiro de propriedade do rei Antíoco IV Epífanes, do Império Selêucida. Pois, o renomado historiador de nome Edward Burns esclarece, em seu livro “História da Civilização Ocidental, que na Civilização Macedônia ou Helenística, os bancos em geral eram de propriedade do rei. Assim, diz Edward Burns: “os bancos em geral de propriedade do governo, desenvolveram-se, sendo eles as principais instituições de crédito que serviam às especulações comerciais de todos os gêneros. Devido à abundância de capital [tomados dos reis da Pérsia], a cota dos lucros baixou pouco a pouco de 12%, no século III, a 7%, no século II”.[3]

A instalação do ícone ou imagem do Zeus Olímpico sobre o altar dos holocaustos, que Daniel chamou de Abominação da Desolação evoca e consistira, portanto, numa questão de marketing. Pois, o sistema monetário e financeiro do Império Selêucida acabara, então, de açambarcar o sistema monetário e financeiro (templo de Jerusalém) judeu. E, o referido império empregava, usualmente, a propaganda, voltada para divulgar e vender seus produtos. O altar ficava situado em local de destaque e favorável à propaganda, isto é, no átrio, entre a entrada principal e o prédio do Banco dissimulado em templo religioso. Quanto ao açambarcamento e a propaganda empregados pelos governantes macedônios, Burns esclarece:[4]

“A especulação, o açambarcamento de mercados, a intensa concorrência, o crescimento das grandes empresas comerciais e o desenvolvimento dos seguros e da propaganda são outros índices significativos dessa época notável”.

Antíoco mandou cunhar a própria efígie, nas suas moedas, com os traços do Zeus Olímpico”.[5] A moeda (dinheiro) consiste, por um aspecto, no equivalente em valor de troca, da mercadoria, e por outro aspecto, na base do sistema monetário e financeiro. Aspectos estes que o rei Antíoco representou, de um lado, no Zeus Olímpico, e do outro, na feição do próprio governante Antioco, e cujo respectivo Banco era de propriedade deste governo.

Conforme demonstrei, a expressão “Abominação da Desolação” indicava, sem dúvidas, tanto no entendimento de Daniel como no entendimento do Jesus Histórico (Mt 24, 15), dois aspectos principais.

Por um aspecto, a expressão “Abominação da Desolação” evocava, no entendimento de Daniel e no de Jesus, o ícone e marca registrada (Zeus Olímpico) do sistema monetário e financeiro hegemônico, que vigorou, no período da Civilização Helenistica ou Macedônica em geral, e na época de Daniel, no período do Império Selêucida, sob a regência de Antíoco IV Epífanes. Perverso e violento sistema monetário e financeiro esse, que e açambarcou o igualmente perverso sistema monetário e financeiro da aristocracia, que gerenciava o estado judeu.

Por outro aspecto, o maligno sentido literal contido na expressão “Abominação da Desolação”, então, designava as enormes desgraças e sofrimentos prolongados, que o sistema monetário e financeiro impunham sobre os segmentos trabalhadores pobres e respectivas famílias. Enquanto gerava prolongados sofrimentos sobre os segmentos sociais pobres, o sistema monetário e financeiro gerava, na outra ponta, também grande concentração de riqueza nas mãos das elites no poder.

O Jesus Histórico denominou “Abominação da Desolação”, o perverso Sistema monetário e financeiro autônomo e unificado globalmente, que ele e também Daniel previram, que ocorreria na ocasião da 2ª vinda do Ungido do Deus Criador. Sistema monetário e financeiro que o Jesus Histórico sabia, enquanto Ungido de Deus, que seria  perversamente análogo ao sistema monetário dos reis macedônios, Conforme Daniel também observou, em sua época, e também previu, que esse modelo de sistema monetário e financeiro abominável e desolador ocorreria na época da 2ª vinda do Ungido do Criado. Pois, tanto Daniel como o Jesus Histórico operavam com uma teoria da História em muito longa duração, notadamente com a “teoria da genealogia de Adão” que demonstrarei em outra oportunidade.

Na próxima palestra, voltarei a focalizar o presente tema, mas colocando em destaque outros aspectos pertinentes a ele.

 

[1] História em muito longa duração e o Cântico de Moisés

História em muito longa duração e o Cântico de Moisés

Neste artigo, vamos tratar de apenas um tema, que é fundamental, e que teve o Antigo Egito como objeto de estudo e de elaboração de teorias. Trata-se da noção de História em tempo muito longo

[2] Fohrer, G. História da Religião de Israel, Edições paulinas, São Paulo, 1993, p.462.

[3] Burns, Edward Mcnall. História da Civilização Ocidental, Editora Globo, Porto Alegre, 1975, p. 198.

[4] Burns, Edward Mcnall. História da Civilização Ocidental, Editora Globo, Porto Alegre, 1975, p. 198.

[5] Bíblia de Jerusalém, p. 1577, item “i”, referente ao Dn 11, 36.