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Vou focalizar o tema: “os grupos sociais são formatados pelos intelectuais hegemônicos de uma nação, e assim esses intelectuais moldam as condutas dos indivíduos membros dessa nação. Jesus ofereceu ao indivíduo a “espada”, isto é, um instrumento de luta, para esse indivíduo se libertar tanto dos ideólogos hegemônicos como dos grupos sociais formatados por eles”.
A “espada”. O Jovem Jesus libertário empunha a ESPADA como sua marca registrada. Ou seja, a “espada” voltada para o indivíduo se libertar dos grupos sociais em que se encontra inserido e preso. Grupos sociais esses mormente formatados pela visão de mundo própria do “bloco ideológico” de uma nação.
O “bloco ideológico” consiste no conjunto de intelectuais que moldam, hegemonicamente, a opinião pública e visão de mundo dos indivíduos de uma nação. Desse modo, o bloco ideológico formata a visão de mundo dos diversos e diferentes grupos sociais de uma nação, e através desses grupos sociais, o bloco ideológico influencia na moldagem dos indivíduos membros desse grupos sociais. Porque é próprio do grupo social atuar no sentido de moldar a conduta dos diversos papeis sociais a serem desempenhados pelos indivíduos membros desse grupo social. Diferentes grupos sociais atuam nesse mesmo sentido.
Um breve aparte. Já focalizei esse tema em outras palestra. Ele consta no livro que estou lançando e que já está à venda, cujo título é “Enigma do discípulo que Jesus amava – Parte 1: Grupo de referência de Jesus: publicanos, prostitutas e devassos – Resgate do sentido original da doutrina de Jesus”. Veja aqui embaixo, na descrição deste vídeo, o link do texto referente a presente palestra, em que consta a citação bibliográfica. Esse link te remete ao meu blog Tribo dos Santos, em que você pode pegar outro link, que te possibilita adquirir esse e outros livros meus. Vamos voltar ao tema em tela.
O Jesus Histórico deixou registrado, indelevelmente, um forte carisma nas lembranças de muitas pessoas. Notadamente entre os membros do movimento social de natureza cultural revolucionária orientado pelos genuínos Apóstolos. O carisma de Jesus ficou fortemente marcado, mesmo entre os seus simpatizantes.
Os genuínos Apóstolos seguiam fielmente o modelo servo de liderança e demais dispositivos da doutrina do Mestre, e também erguiam a “espada” de Jesus, que consiste, de modo geral, no seu sistema doutrinário.
Mais especificamente, a “espada” da libertação do indivíduo consistia, por um aspecto, na transformação individual, através da autoterapia psicológica praticada e ensinada pelo Mestre, e por outro aspecto, consistia no indivíduo se libertar dos grupos saciais em que se encontra preso e com sua conduta moldada. Vou focalizar, aqui, mais especificamente a espada da libertação ou “descrucificação” do indivíduo ou pessoa humana, com relação aos diversos grupos saciais em ele esteja preso, simultaneamente e/ou de modo concêntrico.
O jovem Jesus ergueu e ofereceu a qualquer indivíduo, que o quisessem seguir, a espada da libertação desse indivíduo, com relação aos grupos sociais, nos quais esse indivíduo seja membro. Essa “espada” é, um poderoso instrumento de luta voltado para a liberalização e harmonia os gêneros (masculino, feminino, transexual, etc.). Instrumento de luta voltado, também, para libertar o indivíduo, tanto das diabólicas e alienantes cadeias ideológicas tecidas por ideólogos como das garras ideológicas exercidas diretamente por estes ideólogos.
Jesus deu, entre outros, três exemplo de libertação do indivíduo em relação ao grupo social.
Em primeiro lugar, ele se libertou da própria família, quer dizer, do seu grupo familiar, conforme vou demonstrar, claramente, mais adiante.
Em segundo lugar, o Jesus Histórico se libertou do gênero masculino, adotando como “grupo de referência”, o grupo constituído de pessoas libertárias, e nomeado de “publicanos, prostitutas e devassos”. Nome esse dado pela podridão teológica e sacerdotal dos fariseus e saduceus fundamentalista da sua época, como um rótulo com conotação depreciativa: “publicanos, prostitutas e devassos”.
Em terceiro lugar, Jesus se libertou do próprio grupo familiar, tribal e nacional, adotando, também, o grupo revolucionário dos discípulos, que adotaram e seguiam tanto o seu estilo de vida como a sua doutrina. Entre os quais Jesus preparou as suas principais lideranças, para avançarem com o movimento revolucionário, mundo afora.
A “Espada” empunhada e fornecida pelo Jesus Histórico, ainda era voltada, para libertar os indivíduos da exploração econômica e opressão política. Libertação do indivíduo e da sua conduta mantida, coercitivamente, “crucificada” e moldada, pelos diferentes grupos sociais (gênero, familiar, religioso, profissional, tribal, nacional, político ou qualquer outro). Grupos esses operados e formatados pelos respectivos blocos históricos nacionais.
O Jesus Histórico mostrou-se, para todos nós, como exemplo do indivíduo que “levanta a sua espada”, e se liberta da ação coercitiva, que o grupo social moldado pelo bloco ideológico, assim exerce moldagem de conduta alienada e submissa sobre o indivíduo membro desse grupo. Desse modo, o jovem Jesus se libertou. Em outros termos, ele se “descrucificou” do gênero (masculino, feminino, etc.) e dos demais grupos em que estava crucificado (aprisionado).
Enfim, O Filho de Deus se “descrucificou” do seu grupo social familiar, tribal, religioso, profissional, etc. O Filho de Deus desejou e recomendou a cada um de nós, em resumo, pegar “a própria cruz”, e segui-lo. Ou seja, cabe ao indivíduo enfrentar as dificuldades, com que irá se deparar, certamente, em consequência da importante e heróica decisão tomada e da correspondente prática, no sentido de seguir o exemplo deixado pelo Mestre. Nessa direção, Jesus convoca cada indivíduo, e exclama:
“Toma a sua cruz e me segue”! (Mt 10, 38) Exclama Jesus!, Exige Jesus! Ele exclama e exige, mas para quem quer fielmente segui-lo: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á” (M 10, 38-39).
O verdadeiro sentido da noção de cruz empregada, metaforicamente, por Jesus, na verdade consiste, por um aspecto, na submissão, afixação ou “crucificação” dos modos do indivíduo se conduzir. Segundo os diferentes papeis sociais desempenhados pelo mesmo indivíduo, nos seus diversos e específicos grupos sociais (gênero, familiar, religioso, linguístico, profissional, político, nacional, etc.).
Cabe ao indivíduo se libertar e romper com todo tipo de condicionamento exercido sobre sua conduta, pelo bloco histórico, através dos grupos sociais moldados por esse mesmo bloco. Cabe ao indivíduo, ainda, reunir sob o seu controle soberano, unívoco e autodiligente, os diversos papeis sociais que desempenha, em cada grupo específico. Então, a partir de cada grupo específico em que o individuo esteja afixado ou crucificado, a esse indivíduo cabe seguir o exemplo praticado e recomendado por Jesus. E, estabelecer, indiscriminadamente, laços de amor e fraternidade com o próximo, independentemente de qualquer vinculo grupal, que ambos estejam inseridos.
As noções de “cruz” ou “crucificação” têm, por um aspecto, na doutrina de Jesus, o sentido de submissão, afixação e moldagem da conduta do indivíduo, através da coerção exercida a partir dos diferentes grupos sociais, em que este indivíduo esteja inserido. Submissão e moldagem essas operadas pelo bloco histórico ou elites dirigentes de uma nação, através dos diversos grupos sociais, que o indivíduo esteja inserido, e que tais elites formatam, segundo seus interesses escusos.
Jesus descrucificou- se do seu grupo familiar coercitivo
Jesus se mostrou como exemplo, do indivíduo que se libertou dos diferentes tipos de condutas, pertinentes aos diferentes papeis sociais, dos respectivos grupos moldados pelo bloco ideológico de sua nação. Ele desejou e recomendou, em resumo, que cada um de nós siga o exemplo indicado por ele. Nessa direção, Jesus se mostrou, para todos nós, como exemplo claro e impactante. E, para que entendêssemos, ele demonstrou a sua libertação, do próprio “grupo social familiar” (grupo compacto).
Pois, o Mestre sagaz entendera o sentido cheio de subterfúgio, da situação criada por membros (determinados irmãos e outros da sua parentela) do seu grupo familiar. Pois, conforme João, o “discípulo que Jesus amava”, então havia notado e deixou registrado:
“Com efeito, nem mesmo os seus irmãos acreditavam nele” (Jo 7, 5).
A mãe de Jesus também se deixara conduzir, talvez sob coerção, por tais irmãos incrédulos e traiçoeiros. Os quais se dirigiram ao local em que o Mestre ensinava, no interior de um recinto, ao seu grupo de discípulos e mais uma multidão de seguidores. Os membros do grupo familiar de Jesus se dirigiram, para o tal lugar, mas, não a fim de aprender o que Jesus ensinava, nem para segui-lo. Apenas para se manterem, face a face, mas “do lado de fora” (à parte) do recinto, em que Jesus estava ensinando a uma multidão de discípulos, que o assistia e o seguia. Desse modo, os membros do grupo familiar de Jesus davam a impressão, de que queriam falar com Jesus. Mas não era precisamente isso que ele queriam.
O Mestre era sagaz e entendeu os dois aspectos da intenção objetivada por seus irmãos incrédulos e traiçoeiros.
Por um aspecto, o objetivo consistia em sensibilizar e pressionar coercitivamente Jesus, posicionando-o frente a frente do seu grupo familiar. E, através dessa forma sutil e venenosa de coerção, o grupo familiar de Jesus tentou forçá-lo a privilegiar o seu grupo familiar, em detrimento ao grupo formado por Jesus e os seus discípulos.
Ou seja, o grupo familiar de Jesus tentou sensibilizá-lo, e assim o induzir a se reintegrar ao seu grupo familiar, em detrimento do seu novo grupo constituído por Jesus e aqueles que o seguiam.
Por outro aspecto, o objetivo da tal parentela incrédula, que se manteve, frente a frente, mas à parte do novo grupo adotado por Jesus, na verdade consistia num sutil meio estratégico, ostensivo e coercitivo. O qual era voltado para demonstrar desaprovação, desprestigio e desprezo tanto em relação a Jesus (porque este adotara um novo grupo) como em relação ao novo grupo social adotado por Jesus.
Os dois aspectos da intenção objetivada pelos irmãos incrédulos de Jesus, na realidade consistem em sutis e eficientes estratégias coercitivas, de se tentar reconduzir e manter um membro desajustado, preso ou crucificado no grupo, que neste caso era o grupo familiar. Estratégias essas bem conhecidas por sacerdotes, terapeutas de grupo, demagogos e outros especialistas no campo da “engenharia do consenso” ou da “lavagem cerebral”. Vejamos o texto em tela:
“Jesus falava à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos, e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar. Disse-lhe alguém: ‘Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te’. Jesus respondeu-lhe: ‘Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?’ E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: ‘Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão e minha irmã e minha mãe.” (Mt 12, 46-50).
Os sacerdotes fariseus e saduceus conheciam e dominavam, muito bem, essas e outras estratégias de se produzir consenso. Portanto, por detrás do grupo familiar de Jesus, certamente um teólogo ou sacerdote estaria induzindo a manobra e os referidos familiares de Jesus. Pois, “Com efeito, nem mesmo os seus irmãos acreditavam nele” (Jo 7, 5).