A profecia que se cumpre por si mesma – A ideologia corpo versus alma de Paulo o Anticristo até hoje

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A sobrevivência do corpo subjetivo – A ideologia corpo versus alma de Paulo o Anticristo até hoje

Livro O Templohttp://tribodossantos.com.br/pdf/O%20Templo%20-20introdu%C3%A7%C3%A3o.pdf

A “definição da situação” e a “profecia que se cumpre por si mesma” (Merton) (Art. 29, 6.7.;6.7.1., p.166-170).

Enquanto o indivíduo enganado permanecer “acreditando” (fé) no “falso profeta”, isto é, no sujeito que inventou uma definição falseada acerca da situação real. E, enquanto àquele permanecer acreditando, também, nesta definição falsa, sua conduta real tanto subjetiva como objetiva estará como que presa ou encadeada nessa definição falseada, e também na dependência ou submissão ao sujeito que elaborou a definição falsa e o vem enganando. Ou seja, sua conduta real não é compatível com a situação originalmente real, mas realiza ou tenta concretizar a definição originalmente falsa. Todo ideólogo sagas sabe disto, seja um filósofo, um cientista social, um economista ou um xamã ou feiticeiro de uma sociedade simples ou exótica. Merton cita alguns exemplos de autores clássicos, e nos alerta a respeito da grande importância de conhecermos o teorema em apreço:[1]

“W. I. Thomas (…) formula um teorema básico para as ciências sociais: ‘Se os indivíduos definem as situações como reais, elas são reais em suas consequências’. Se o teorema de Thomas e suas implicações fossem mais difundidas, seria maior o número de indivíduos que conheceriam melhor o funcionamento de nossa sociedade. Embora carecendo da generalidade e precisão de um teorema newtoniano, ele possui o dom da pertinência e é aplicável instrutivamente a muitos, senão à maior parte, dos processos sociais (…) A suspeita de que o autor estava se dirigindo a um ponto crítico torna-se muito insistente quando percebemos que o mesmo teorema, em sua essência, havia sido observado por mentalidades disciplinadas e observadoras muito antes de Thomas (…) Para onde, então, dirigem a nossa atenção Thomas e Bossuet, Mandeville, Marx, Freud e Sumner?”

Merton ilustra e enriquece o teorema acima apontado, com aquilo que nomeia de “a profecia que se cumpre por si mesma”. Ele mostra como exemplo, o caso do Last National Bank, que estava estabelecido, solidamente, mas falira em razão de um boato falso de insolvência lançado por um número suficiente de depositantes. Os quais procurando salvar, freneticamente os seus haveres, retiraram os valores que tinham depositados. Assim, em consequência da definição falsa (boato falso) acerca da situação do banco, esta definição instruiu e mobilizou a conduta real dos depositantes, e criou, ainda realmente, a insolvência do banco. Neste sentido, Merton conclui:[2]

“A profecia que se cumpre por si mesma é, inicialmente, uma definição falsa da situação que provoca uma nova conduta a qual, por sua vez, converte em verdadeiro o conceito originalmente falso. A validade especiosa da profecia que se cumpre por si mesma perpetua o reino do erro, pois o ‘profeta’ mencionará o curso real dos acontecimentos como prova de que tinha razão desde o princípio (…) Tais são as perversidades da lógica social”.

6.7.1. A profecia que se cumpre por si mesma e a ideologia do corpo versus alma.

Poderíamos aplicar o teorema da “profecia que se cumpre por si mesma”, no caso da tipologia dualista “corpo verso espírito”, que Paulo de Tarso o Anticristo inseriu nas doutrinas pseudo-cristãs (católica, ortodoxa, anglicana, protestante, evangélicas, etc.), e que seus sucessores continuam inculcando tal tipologia nas ovelhas-robôs. Ou seja, a definição falsa (dualista) elaborada por Platão e empregada pelo Anticristo, acerca da natureza do indivíduo, e que o Anticristo atribui, também falsamente, a Jesus. Já vimos que o Mestre não emprega essa noção dualista. Ele concebe o indivíduo como dotado do “seu corpo todo”, ou seja, sujeito estruturado nos termos do campo ou “corpo” subjetivo motivador do campo ou “corpo” objetivo.

A aplicação do teorema acima indicado revela dois aspectos, no indivíduo que acreditar na definição falsa do dualismo paulino do corpo mau versus espírito bom. Em primeiro lugar, provoca o indivíduo a se conduzir, diligente e realmente, de modo a mutilar o seu eu através da mortificar corpo, por diversos modos: mortifica a saudável e divina atividade sexual (hétero, homo, ou bissexual) que Deus lhe predestinou; produz, através de instrumentos de silício, ferimentos e dores pelo corpo todo, deixando-o mutilado; reduz e prende a existência do corpo, através de disciplinas aberrantes, (rebaixamento, degradação, humilhações, profanações do eu, atividades rotineiras, etc.) no interior de instituições totais.[3]. Em segundo lugar, a nova conduta mórbida porque mortificante converte, por sua vez, em verdadeiro e real o conceito originalmente falso. Ou seja, o corpo fica realmente mau: desprovido da salutar e divina atividade sexual (hétero, homo ou bissexual), esta pulsão sublima-se em perversões mórbidas; o corpo fica ferido, doído, ressentido e medonho decorrente da autoflagelação com instrumentos de silício; o corpo fica reduzido em sua liberdade, decorrente das disciplinas; o corpo passa a ser instrumentalizado no sentido de servir e se incumbir das práticas e propagação dos demais pontos da doutrina satânica de Paulo o Anticristo. Tudo isso implica em duas situações.

Por um lado, redunda em realimentar, no campo ou corpo subjetivo do indivíduo, o instinto egotista e os respectivos sentimentos de ordem odiosa, os quais predispuseram o indivíduo a assimilar o dualismo corpo versus espírito ou alma.

Por outro lado, em nada ajuda o indivíduo a aprimorar o seu “espírito” ou “alma”. Até porque o indivíduo vivo na terra não está provido de dimensão espiritual. Mas, ele está provido do corpo subjetivo, o qual integra o “seu corpo todo” conforme mostramos, que o Mestre ensinou e exemplificou. Corpo subjetivo este que subsiste à morte do corpo objetivo, e que “não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam” (cf. Mt 5, 27-31; 6, 19-23).[4] Corpo subjetivo este que é realimentado de egotismo e de sentimentos de ordem odiosa, através da autoflagelação sexual, do silício, das disciplinas absurdas, etc.

[1] . Merton, R. K. Sociologia – Teoria e Estrutura, p. 515-516.

[2]. Merton, R. K. Idem, p. 516-517.

[3]. Cf. Goffman, E. Manicômios, prisões e conventos, p. 22-26.

[4] Cf. (Art. 18, 4.3.2., p. 99-104):    http://tribodossantos.blogspot.com.br/2012/10/a-prioridade-e-cuidar-do-corpo-subjetivo.html