(TEXTO) Diabólica Eucaristia contra a Glória de Deus e o seu reverso: Genealogia

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Diabólica Eucaristia contra a Glória de Deus e o seu reverso: Genealogia

Parte 1: Ação simbólica na Ceia: a genealogia da eucaristia

Parte 2: A ação simbólica da partilha do pão e do vinho – Pacto da Nova Aliança e Pacto da Unidade

Parte 3: A ação simbólica da partilha do pão e do vinho – Pacto de sangue ou de morte, Pacto de “vida”

Obs. Estou apresentando em apenas um texto, os conteúdos relativos aos diversos vídeos dessa série. Em razão disso, pode aparecer algumas redundâncias, que não prejudicam a exposição do tema.

Parte 1. Diabólica Eucaristia contra a Glória de Deus e o seu reverso – Parte 1 Ação simbólica na Ceia: a genealogia da eucaristia

Nesta palestra, objetivo resgatar o sentido original da doutrina do Jesus Histórico. Ou seja, vou resgatar o sentido original das noções inscritas na ação simbólica da partilha do pão e do vinho, e seu paralelo com o corpo e o sangue de Jesus, que Jesus expôs na Ceia Pascal, que Mateus descreveu (cf. Mt 26, 26-28), e que João focalizou com outros termos (cf. Jo 6, 47-48, 50-51, 53) . Vou confrontar essas noções com a diabólica noção de eucaristia ensinada e praticada por teólogos e sacerdotes católicos. Desse modo, quero resgatar o sentido original das noções de glória, glorificação ou sacrifício perpétuo, que o Jesus Histórico empregava e muito valorizava. Assim, o sentido original da noções de glória, glorificação ou sacrifício perpétuo podem ser, hoje, entendidos e aplicadas, para desmascarar e combater a maldita noção de eucaristia.

O teólogos e sacerdotes católicos vêm forjando a maldita noção de eucaristia, precisamente com o objetivo reacionário de combater o sentido original da noções de glória, glorificação ou sacrifício perpétuo, que Jesus muito valorizava. Agora, diante da iminente volta de Jesus, todos que seguem o sentido original da doutrina de Jesus, então, precisam atuar no sentido de reverter esse quadro.

Nesta direção, pesquisei e elaborei a genealogia da eucaristia, e constatei que ela se originou a partir de Paulo de Tarso o Anticristo, como adulteração forjada com o objetivo de combater o sentido original das revolucionárias noções de Glória e de Glorificação a Deus. Noções de Glória e de Glorificação a Deus com as quais o Jesus Histórico operava, e ensinara aos seus fiéis discípulos, através da ação simbólica em tela. Jesus celebrou a tal ação simbólica, junto os discípulos que ele estava preparando como suas lideranças, como múltiplos pactos, entre ele e suas lideranças, celebrados na Ceia pascal: 1. Pacto Nova Aliança, isto é, nova em relação à Antiga Aliança; 2. Pacto da Unidade; 3. pacto de sangue ou de morte; 4. pacto de “vida”

Constatei, ainda, que as referidas adulteração e respectivos objetivos tiveram início através de Paulo de Tarso o Anticristo. O qual iniciou o processo de adulteração e de forjamento das noções de Glória e de Glorificação. Neste sentido, o Anticristo inventou a estória que todos estavam privados da gloria, e que o motivo da gloria estava eliminado porque todos pecaram. E, que a glória ensinada e praticada por Jesus e por muitos dos seus fiéis seguidores, fora substituída por uma atitude subjetiva e imaginária: a diabólica fé paulina.

Ou seja, Paulo o Anticristo substituiu, o sentido original da noção de glória e de glorificação ensinado e praticado pelo Jesus Histórico, pela maldita noção de fé paulina. Maldita noção essa que consiste na fé na lembrança da figura imaginária e carismática do Jesus crucificado. Não na árdua “obra” (conduta prática), isto é, na conduta objetiva de luta empreendida por Jesus, durante anos, na tentativa de criar uma sociedade mais justa, igualitária, libertária, em rede descentralizada, fraterna, e pela libertação dos indivíduos.

Segundo Paulo o Anticristo, através do tipo de fé (paulina) que ele inventou, então, estaria justificado, gratuitamente – essa é a ideologia da graça inventada pelo Anticristo -, todo indivíduo alienado e que não lutasse para se libertar do domínio ideológico exercido por teólogos e sacerdotes, e nem ajudasse na libertação de outros indivíduos, e tão pouco lutasse por uma sociedade mais justa e fraterna. Neste sentido, Paulo o Anticristo escreveu:

“Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória, e são justificados gratuitamente por sua graça: tal é a obra da redenção realizada por Jesus Cristo (…) Onde está, portanto, o motivo de se gloriar? Foi eliminado. Por que lei? Pela das obras? Não, mas pela lei da fé. Porque julgamos que o homem é justificado pela fé…” (Rm 3, 23-24, 27-28).

 

Os teólogos e sacerdotes católicos combateram a Doutrina e respectiva prática referentes a noções de Glória de Deus ou holocausto perpétuo ensinada e praticada pelo Jesus Histórico, que os primeiros e genuínos discípulos do Mestre aprenderam e também praticavam, porque essas noções são altamente revolucionária. E também porque essas noções imbuíam esses discípulos de intenso moral, ânimo e força, para avançar com a revolução desencadeada pelo Mestre. Revolução em prol do igualitarismo horizontal, de descentralização política, da justiça, da fraternal e do pacifismo radical. Mas, os teólogos e sacerdotes católicos seguidores de Paulo o Anticristo, continuaram combatendo a genuína doutrina de Jesus, e o respectivo movimento social revolucionário, que tais noções ajudavam a impulsionar.

A noção de Glória está explícita no sentido original altamente revolucionário da simbologia elaborada e praticada, na ação simbólica (a partilha e a assimilação de “pão” com “vinho”, e o seu paralelo com a assimilação do “corpo de Jesus” com o “sangue de Jesus) dirigida, na Ceia, pelo Mestre Jesus Histórico junto aos seus doze discípulos.[2] Pois, essa ação simbólica contem um pacto de sangue, que pode redundar no cumprimento da glorificação a Deus ou o holocausto perpétuo, ao exemplo do sacrifício perpétuo cumprido pelo Jesus Histórico e também por muitos da seu discípulos.  Os “novos escribas” (teólogos católicos) vêm combatendo, neste ponto a genuína doutrina de Jesus, porque o sentido original de glória de Deus ou holocausto perpétuo é altamente revolucionário, por dois aspectos.

Por um aspecto, o tal sentido implica em motivar, fortemente, o indivíduo empenhado na luta para libertar as ovelhas-robô (senso comum = erva) da submissão ideológica e da exploração econômica exercidas por tais teólogos e sacerdotes.

Por outro aspecto e por isso mesmo, o aludido sentido original vai de encontro, precisamente, aos teólogos e sacerdotes e aos interesses escusos destes porcos.

Para fundamentar e expor o tema acima apontado, faz-se necessário demonstrar, primeiramente, que o contrarrevolucionário dogma da eucaristia consistiu numa segunda fase do processo de adulteração do sentido original da simbologia revolucionária contida na ação simbólica em tela. Cuja primeira fase de combate e adulteração fora desenvolvida pelo bloco ideológico judeu, no interior do qual se destacou o teólogo fariseu Paulo de Tarso o Anticristo (discípulo do mestre fariseu chamado Gamaliel), que nunca fora Apóstolo, nem conheceu Jesus pessoalmente.

Em primeiro lugar, o Anticristo invento a sua noção de  glória, conforme já vimos, para anular o sentido original da noção de “glória” e de glorificação”, segundo Jesus, enquanto sacrifício ou holocausto perpétuo. Em segundo lugar, com esse mesmo objetivo, o Anticristo adulterou o sentido original da ação simbólica da Ceia descrita por Mateus, e com esse sentido adulterado, o Anticristo criou um diabólico ritual macabro, que veio a ser chamado de eucaristia, e que deveria ser repetido eternamente:

“Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão, e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é entregue a vós; fazei isso em memória de mim’. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue: todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim.’ Assim, Todas as vezes que comeis deste pão e bebeis deste cálice lembrais a morte do senhor, até que venha” (1Cr 11, 23-26).

Seguindo as diretrizes instituídas por Paulo o Anticristo, o dogma da eucaristia foi  aprimorado, notadamente pelos primeiros porcos da patrística, ao exemplo de Irineu de Lyon (cerca de 130-202), um bispo sucessor da igreja de Paulo de Tarso o Anticristo. O livro mais famoso de Ireneu, Sobre a detecção e refutação da chamada Gnosis, também conhecido como Contra Heresias (Adversus Haereses, cerca de 180 d.C.) No Tratado contra as heresias Irineu redige a doutrina da Eucaristia: “Corpo e Sangue de Cristo e a ressurreição da carne”. Irineu deu sequência a adulteração iniciada por Paulo o Anticristo, acerca do sentido original da ação simbólica do pão e do vinho ensinada por Jesus, na Ceia pascal, e seu paralelo com o corpo e o sangue de Jesus, que o Mestre expôs na Ceia Pascal, que Mateus descreveu (cf. Mt 26, 26-28), e que João focalizou com outros termos (cf. Jo 6, 47-48, 50-51, 53).

Cirilo de Jerusalém (cerca de 350-386) foi bispo da Igreja de Jerusalém, e outro importante porco da patrística, também sucessor de Paulo de Tarso o Anticristo. Cirilo deu sequência a adulteração do sentido original da ação simbólica do pão e do vinho ensinada pelo Mestre, na Ceia pascal, e seu paralelo com o corpo e o sangue de Jesus. Ele aprimorou a maldita eucaristia, em suas Catequeses Mistagógicas, e inventou a ideologia da Consubstanciação. Sua doutrina sobre a Eucaristia é disputada pelos demais porcos da patrística. Se ele às vezes parece se aproximar do ponto de vista simbólico, em outros momentos chega muito perto de uma forte doutrina realista. O pão e o vinho não são para ele simplesmente elementos simbólicos, mas o corpo e sangue de Cristo

Durante os séculos XII e XIII, “teólogos católicos” tiveram um objetivo mais que escuso, eles tiveram um objetivo satânico.[1] Tais teólogos visaram dissimular e combater àquilo que o Jesus Histórico ensinou aos seus discípulo: a Glória de Deus ou holocausto perpétuo, e que dava ânimo e impulsionava o avanço da revolução desencadeada por Jesus.

Nesta primeira palestra, abordaremos apenas os significados inscritos na ação simbólica da partilha do pão e do vinho. A qual foi dirigida por Jesus junto aos seus principais discípulos: 1. A Nova Aliança, isto é, nova em relação à Antiga Aliança; 2. Pacto da Unidade; 3. Pacto de sangue ou de morte; 4. Pacto de “vida” .

A ação simbólica da partilha e a assimilação do pão e do vinho na Ceia Pascal

Os indivíduos em geral podem apresentar gestos e/ou movimentos que expressam, por si só, significados, os quais podem ser acompanhados de discursos esclarecedores concernentes. Esses gestos e/ou movimentos e respectivos discursos correspondem às conhecidas ações simbólicas próprias dos profetas em geral, e em particular dos grandes profetas individuais, e foram aplicadas, também, pelo Profeta Maior, Jesus.[3] A Ceia Pascal protagonizada pelo Mestre e seus discípulos, que Mateus descreveu (cf. Mt 26, 26-28) é um exemplo disso. Ela nos ajuda a entender os significados da partilha do pão e do vinho, e, do “sacerdócio segundo a ordem de Melquisedec” (Cf. Gn 14-18; Sl 109, 1-4). Pois, vou explicar detalhadamente os significados das ações, que foram encenadas da ação simbólica da partilha do pão e do vinho, que foram protagonizadas pelo Mestre Jesus e seus discípulos.

Antes de explicar os significados das ações simbólica apresentadas na Ceia, convém observarmos alguns aspectos importantes, tanto pertinentes aos dias que precederam a Ceia como também estavam presentes na Ceia. Na perspectiva do Jesus Histórico, o contexto histórico anterior e durante a Ceia Pascal expressou, por um aspecto, a consciência de que ele estava na iminência de ser assassinado, em decorrência da sina assassina dos teólogos, sacerdotes e dos “anciãos do povo” (cf. Mt 26, 47). Pois, O Mestre sabia que tais assassinos vinham planejando (cf. Mt 22, 15-22; 26, 1-5; Jo 3, 14-15; 7, 1, 25; 8, 20, 37, 40; 10, 31-33; 11, 47-50), exigiriam (Jo 19, 4-6) e obteriam a sua crucificação.

Neste contexto grave, o Mestre admitiu, em dada ocasião, estar muito emocionado. Mas, decidido a levar até as últimas consequências a luta pela libertação dos indivíduos das malditas garras ideológicas dos teólogos e sacerdotes. Ele estava decidido a cumprir o holocausto perpétuo, isto é, a glorificação. Assim, Jesus atribuiu ao próprio Deus Pai, o fato de conduzir o destino, que lhe iria ceifar a vida. Em outros termos, Jesus atribuiu ao Pai glorificar o magnânimo poder, que esta Divindade possui. Magnânimo poder de atuar no sentido de libertar, através do seu Filho, ou seja, de Jesus, e também através dos fiéis seguidores deste, libertar os indivíduos das garras alienantes dos teólogos e sacerdotes. Nesse sentido, Jesus disse:

“Presentemente a minha alma está perturbada. Mas que direi?… Pai, salva-me desta hora… Mas é exatamente para isso que vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome!” (Jo 12, 27-28-a).

No mesmo contexto da iminência de ser assassinado, Jesus entendeu que estava, também, na hora de propor aos seus discípulos mais fiéis e próximos, um pacto forte, isto é, de “vida” e de morte. Chegara o momento do Filho de Deus celebrar e selar o pacto da NOVA ALIANÇA. Pois, os seus discípulos consistiam nas lideranças que o Mestre vinha preparando, para elas darem prosseguimento ao movimento revolucionário, após os sacerdotes obterem a morte do líder. Essas lideranças estariam, ao participarem do referido pacto, autorizadas e efetivamente iriam estende esse pacto a qualquer indivíduo que nele quisesse aderir, a qualquer tempo, em todas as partes do mundo, onde o movimento revolucionário pelo igualitarismo horizontal, assim penetrasse.

Note que esse pacto forte, o pacto da NOVA ALIANÇA se estende e pode ser aplicado, nos dias de Hoje, por quem quiser seguir, fielmente, o sentido original da doutrina de Jesus, sobretudo para preparar a segunda vinda do Mestre. Pois, já adentramos no “tempo do fim(cf. Dn 12, 11), e a  segunda volta de Jesus está próxima.

O Mestre escolheu, para realizar a sua Ceia com seus discípulos, a oportuna ocasião da “Páscoa”. Isto é, quando cada família israelita se reunia para comemorar a concretização da Antiga Aliança. Isto é, a ceia ritual do cordeiro pascal, cerimônia especialmente comemorativa da saída da condição de escravos e do Egito. A origem etimológica do termo “hebreu” é “apiru”, que significa povo sem terras:[4]

Permita um aparte. No Brasil, o “povo sem terras” é numeroso, oprimido e sofrido, pelo conjunto das elites “faraônicas” brasileiras. Iahweh, o Deus do amor, do direito e da justiça está vendo toda essa opressão. Iahweh é o mesmo Deus que Jesus chama de Pai. Vamos voltar ao tema original. Jesus escolheu a ocasião dos judeus comemorarem a ceia da Páscoa, com os seus discípulos, nesse sentido, Mateus relatou:

“No primeiro dia dos Azimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: ‘onde queres que preparemos a ceia pascal?’ Respondeu-lhe Jesus: ‘ide à cada de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-lhe: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos”. (Mt 26, 17-18).

Jesus escolheu a ocasião da Páscoa, que se tratava de símbolo da respectiva Antiga Aliança. O objetivo dessa escolha foi pôr em evidência tanto a relação de sequência como a diferença entre a Antiga Aliança e a Nova Aliança. Nova Aliança que o Mestre celebraria e a selaria com o indivíduo ou pessoa humana, durante a Ceia.

A Antiga Aliança foi feita entre Iahweh e o povo hebreu, através de Moisés, a partir do Sinai, mas iniciada ainda no Egito (cf. Ex 3, 14; 4, 29).

A Nova Aliança seria celebrada e selada, então, em Jerusalém, entre o Pai Iahweh e o indivíduo, isto é, cada indivíduo presente, através do Filho de Deus, na Ceia Pascal. Pacto este extensivo a qualquer indivíduo que quisesse nele aderir, mundo afora.

Ainda no contexto que precedeu, imediatamente, à Ceia Pascal liderada pelo Mestre, este pôs em evidência as condições que a noção de “honra”, isto é, “glória” pode ser aplicada, ao indivíduo que aderisse ao referido pacto. Ele pôs em evidência, também, que as noções de glória e de glorificação estariam, relevantemente, presentes nas ações simbólicas, que iria dirigir na Ceia, isto é, na Nova Aliança.

Pois, o indivíduo que quisesse ser, efetivamente, discípulo de Jesus, então, deveria segui-lo. Ou melhor, deveria proceder de modo análogo como o Mestre vinha procedendo, e estava determinado a continuar nessa direção: lutar até ao limite, pondo em risco a própria vida. No sentido de combater os teólogos e sacerdotes de modo geral, e também todo e qualquer tipo de ideólogo elitista, ao exemplo dos teólogos e sacerdotes fariseus e saduceus, com o objetivo de libertar os indivíduos do estado de sedução, alienação, submissão ideológica e exploração econômica exercida por tais ideólogos. Desse modo, por um aspecto, Deus glorifica o indivíduo que seguir, fielmente, a conduta do Mestre, e por outro aspecto, este nosso indivíduo estaria glorificando o Deus Pai Iahweh. Neste sentido, o Mestre sentenciou, radicalmente:

“Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me; e onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará” (Jo 12, 25-26)

O quadro que estamos focalizando, claramente põe em evidência, a grande importância que o Jesus Histórico atribuía, tanto para a noção de “glória” como para o ato de glorificar (glorificação) a Deus, e também para ser glorificado por Deus. O indivíduo somente pode ser glorificado pelo Pai, na medida em que tal indivíduo glorifique, através da sua conduta, o Deus Pai, que é o Deus do amor, do direito e da justiça. O ato de glorificar e ser glorificado por Deus, também é denominado de “holocausto ou sacrifício perpétuo”.

O Filho de Deus propôs e estabeleceu, enquanto porta-vos do Espírito Santo do Pai, um novo pacto, isto é, uma Nova Aliança, entre estes e cada indivíduo. Essa Nova Aliança apresenta cinco aspectos principais: 1. É a Nova Aliança em relação à Antiga Aliança; 2. consiste no Pacto da Unidade; 3. consiste no Pacto de “vida”; 4. consiste no Pacto de sangue ou de morte; 5. consiste no Pacto do modelo servo de “diretriz pastoral” (liderança político intelectual).

Na segunda parte da apresentação do tema dessa palestra, “Diabólica Eucaristia contra a Glória de Deus”, focalizaremos o  Pacto da Nova Aliança e o Pacto da Unidade. Na terceira parte dessa apresentação, focalizaremos, mais detalhadamente, a ação simbólica da partilha do pão e do vinho, o Pacto de sangue ou de morte, Pacto de “vida”, e ligeiramente o Pacto do modelo servo de “diretriz pastoral”.

Parte 2. Diabólica Eucaristia contra a Glória de Deus – Pacto da Nova Aliança, e, o Pacto da Unidade

Apresento a 2ª parte do tema “Diabólica Eucaristia contra a Glória de Deus”. Nessa 2ª Parte, vou focalizar, na Ceia Pascal descrita por Mateus, determinados aspectos da ação simbólica da partilha do pão e do vinho dirigida por Jesus, junto aos seus doze principais discípulos. Pois, vou destacar, nesta 2ª parte, o  Pacto da Nova Aliança e o Pacto da Unidade propostos por Jesus aos seus discípulos, e selado entre, Jesus e os referidos discípulos.

Na  referida ação simbólica, foi selado, entre Jesus e os seus principais discípulos, também, um Pacto de sangue,  que era voltada para o cumprimento radical de lutar, até ao limite, ao exemplo de Jesus, em duas direções. De um lado, pela libertação dos indivíduos, que eram mantidos subjugados, ideologicamente, pelos ideólogos hegemônicos aliados aos demais segmentos  das elites. E por outro lado, pela transformação da sociedade injusta, opressora e violenta, para uma forma mais justa, libertária, igualitária, pacifista, etc. O cumprimento do pacto de sangue implicava, também, na possibilidade de redundar na glorificação de Deus ou holocausto perpétuo.

Na  ação simbólica em tela foi selado também, um Pacto de vida. Mas, abordarei mais de perto o Pacto de sangue, e também o Pacto de “vida”, na Parte 3 da apresentação do tema geral: A maldita eucaristia contra a glória de Deus, e o seu reverso.

Recapitulando, na primeira parte do tema presente, manifestei o objetivo de resgatar o sentido original da doutrina do Jesus Histórico. Ou seja, resgatar o sentido original das noções inscritas na ação simbólica da partilha do pão e do vinho, que Jesus expôs na Ceia Pascal. Assim, confrontei essas noções, contra a diabólica noção de eucaristia ensinada e praticada por teólogos e sacerdotes católicos. Desse modo, resgatei o sentido original da noções de glória, glorificação ou sacrifício perpétuo, que o Jesus Histórico empregava e muito valorizava. Assim, o sentido original da noções de glória, glorificação ou sacrifício perpétuo podem ser, hoje, entendidos e aplicadas, para desmascarar e combater a maldita noção de eucaristia.

Na primeira parte do presente tema, focalizamos, claramente, o quadro que põe em evidência, a grande importância que Jesus Histórico atribuía, tanto para a noção de “glória” como para o ato de glorificar (glorificação) a Deus, e também para o ato de ser glorificado por Deus. O indivíduo somente pode ser glorificado pelo Pai, na medida em que tal indivíduo glorifique, através da sua conduta, o Deus Pai, que é o Deus do amor, do direito e da justiça. O ato de glorificar e ser glorificado por Deus, também é denominado de “holocausto ou sacrifício perpétuo”.

O Filho de Deus enquanto porta-vos do Espírito Santo do Pai propôs e estabeleceu, na ação simbólica realizada na Ceia, um novo pacto. Isto é, uma Nova Aliança entre essas divindades e cada indivíduo. Essa Nova Aliança apresenta cinco aspectos principais: 1. É Nova em relação à Antiga Aliança; 2. Pacto da Unidade; 3. Pacto de “vida”; 4. Pacto de morte; 5. Pacto do modelo servo de “diretriz pastoral” (liderança político intelectual).

Pacto da Nova Aliança

  1. Vejamos o Pacto da Nova Aliança. É novo em distinção à Antiga Aliança feita à época de Moisés, no Sinai, que foi prometida e iniciada ainda no Egito (Cf. Ex 3, 7-14; 4, 29), e concluída durante a travessia no deserto (Cf. Ex 24, 4-8+). Convém esclarecer a relação entre essas duas alianças.

O pacto da Antiga Aliança foi estabelecido, através de Moisés, no Sinai, entre, de um lado, o próprio Pai Iahweh, o Deus do amor, do direito e da justiça, e do outro lado, uma determinada coletividade, que Deus houvera escolhido. Comunidade esta constituída de “hebreus” (apiru ou hapirus). Ou seja, povos sem terra oriundos de diferentes tribos, nações e lugares. Os quais estavam reunidos e escravizados pelas elites do Egito Antigo.[5] Conjunto de escravos estes que Iahweh incumbira Moisés de libertar do Egito, e constituir, a ferro e fogo, em uma única identidade cultural nacional, e conduzi-lo à terra de Canaã, para lá estabelecê-lo.

Iahweh, o Deus do amor, do direito e da justiça é o mesmo Deus, que Jesus chama de Pai. Esse Deus escolheu e encarregou o povo hebreu, da missão de carregar, de modo involuntário e irrecusável, consigo a Lei sócio-histórica, isto é, uma Teoria da Historia em muito longa duração; e também da missão de preparar, ainda de modo involuntário, a ulterior emergência do novo Ungido de Iahweh, que seria o Jesus Histórico. Ungido este que estaria incumbido, entre outras coisas, de duas missões:

Uma missão consistia em celebrar e selar o pacto da Nova Aliança, então, NÃO mais com uma determinada coletividade, conforme foi o caso do “casamento” ou “eleição”, enfim, da escolha do povo hebreu feita, outrora, por Iahweh. Pois, o pacto da Nova Aliança seria feito, na época de Jesus, entre, de um lado, Iahweh tendo o seu Primogênito, Jesus Cristo, como o seu representante, e do outro, o indivíduo ou a pessoa do gênero humano.

A outra missão. Iahweh incumbiu outra missão ao seu Ungido ou Cristo, quando este Cristo emergisse, na sócio-história em muito longa duração, que nesse caso foi o Jesus Histórico. Essa outra missão consistiria em o Cristo Jesus aplicar a referida Lei sócio-histórica em muito longa duração, na interpretação do seu contexto histórico. E, elaborar o registro, mas de modo velado, relativo a uma projeção dos desdobramentos, então, futuros, até a segunda vinda do Cristo, e também até a terceira vinda do Cristo.

Na terceira vinda do Cristo ocorreria, então, “Um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia…” (cf. Ap 21, 1+). Ou seja, esse registro consiste no livro da Revelação (Apocalipse). Ou melhor, consiste na vinda do Peráclito, que Jesus enviou da parte do Pai Iahweh: “O Espírito da Verdade, o qual procede do Pai, em testemunha do Cristo Jesus” como o fiel e verdadeiro Ungido do Deus Iahweh. Ungido esse que emerge e interfere, em nome desse Deus, no curso sócio-histórico em muito longa duração  (cf. Jo 15, 26).

A Lei sócio-histórica ou Teoria da História em muito longa duração seria desvelada, somente por ocasião da 2ª volta do Cristo Jesus, o Ungido do Pai Iahweh, o Deus do amor, do direito e da justiça, que é o mesmo Deus, que Jesus chama de Pai, e que é o Espírito Santo do Criador, e o único e verdadeiro Deus de todos nós.

Nesse sentido, previamente Moisés inculcou, de modo indelével, na identidade cultural dos hebreus, a referida Lei sócio-histórica, que entretanto os teólogos e sacerdotes hebreus adulteraram. Porém, os grandes profetas individuais preservaram essa Lei. Primeiramente, a través da transmissão oral. Posteriormente, na ocasião em torno do Exílio Babilônico, quando ocorreu a seleção e composição do Pentateuco.

Determinados grandes profetas individuais anônimos conseguiram introduzir, no entanto, a Teoria da História em muito longa duração, como um simplório prólogo do Pentateuco, através de escritos feitos na forma codificada, nos termos de alegorias herméticas. Cujo objetivo era impedir que os teólogos e sacerdotes que estavam organizando o Pentateuco, adulterassem essa Teoria da História. Pois, esses teólogos e sacerdotes não entendiam nada acerca do sentido original contido nas referidas alegorias herméticas, mas somente o sentido literal, que consiste numa forma simplória da descrição da gênese ou criação do mundo.

A Teoria da História em tela se encontra registrada nos primeiros dez capítulos do livro Gênese, que está inserido na Bíblia Sagrada.

No pacto anterior (a Antiga Aliança), entre Iahweh e a nação israelita, esta nação ficou incumbida de preservar a “Lei”, isto é, a Teoria da História em muito longa duração, malgrado os sacerdotes pseudo mosaicos, os “escribas” (teólogos), os sábios e falsos profetas que a deturparam e perderam-na. Além dessa deturpação, os “escribas” (teólogos) e sacerdotes hebreus forjavam e atribuíam, falsamente, a Moisés, inúmeros cultos e inúmeras tradições, que tinham peso de lei.

Moisés registrara a Teoria daHistória em muito longa duração, através de escrita do tipo hieroglífica, cujos ideogramas (sinais de anotação das escritas analíticas, a exemplo do hieróglifo egípcio) se apresentam no modelo do tabernáculo e no de suas mobílias e alguns poucos rituais (Cf. Ex 25, 8+; 26, 1+;  27, 1+).[6]. Focalizaremos isso em outra oportunidade.

Além da “Lei” sócio-histórica em muito longa duração, Iahweh deixou inculcado, através de Moisés, na identidade cultural da nação israelita, alguns poucos mandamentos ou normas de conduta (Cf. Ex 24, 12) formulados de modo apodítico. Isto é, como verdade ou argumento evidentes por si, não necessitando de provas para serem compreendidos e aceitos. Mandamentos estes inculcados, também, a ferro e fogo. Desse modo, a nação israelita vem carregando em sua identidade cultural tais normas de conduta e a Teoria da História em muito longa duração, malgrado os teólogos e sacerdotes israelitas pseudo mosaicos.

As religiões pseudo-cristãs (a igreja católica, a greja Ortodoxa, a anglicana, as diversas denominações protestantes, evangélicas e outras do gênero) derivadas, em parte, da identidade cultural judaico-cristã, também vêm carregando, malgrado as respectivos teólogos e sacerdotes, a referida Teoria da História em muito longa duração, escrita na Bíblia Sagrada,

A Nova Aliança foi estabelecida, através do Filho do Homem, Jesus, em Jerusalém, entre Iahweh, isto é, o Espírito do Deus Pai, e, cada indivíduo presente na Ceia. Pacto este extensivo a todos os demais indivíduos, que a ele quisesse aderir, em qualquer época e lugar, segundo os termos propostos. O NT contém a Nova Aliança, isto é, a genuína doutrina ensinada pelo Mestre, na qual o aspecto psicológico é relevante. Ou seja, a autoterapia psicológica elaborada e ensinada por Jesus, o qual a ofereceu ao indivíduo, como uma importante e eficaz “espada“, isto é, um instrumento de luta e de libertação. Com essa autoterapia psicológica, o indivíduo dispõe da possibilidade de ser sujeito da própria transformação individual, sem depender de intermediário.

A autoterapia psicológica ensinada por Jesus se destina ao indivíduo, que é concebido, por um aspecto, como um sujeito estruturado, nos termos de um conjunto complexo de conduta, e por outro aspecto, como a “unidade mínima”, de um todo complexo, que podemos chamar, metaforicamente de “edifício” social. E, a sua unidade mínima, podemos chamar, também metaforicamente, de “pedra” ou “tijolo”.

O Senhor Deus atua no sentido de transformar e aprimorar a sociedade humana, que é concebida como totalidade, através do aprimoramento das suas unidades mínimas componentes, os indivíduos ou pessoas. Nesta direção, o Deus Pai atua, através do seu Filho Primogênito, Jesus, no sentido de desenvolver, no indivíduo, a condição de “pedra viva” desse “edifício social”, isto é, transformá-lo em “indivíduo autoconsciente, autodiligente e dotado de consciência social crítica e transformadora”.

O Pacto da Unidade

  1. Vejamos, agora, o Pacto da Unidade representado na primeira parte da ação simbólica, em que Jesus partilhou o “pão“, que representa as práticas ou “obras” instruídas por sua doutrina. Ele partilhou também o “vinho”, que representa essa sua doutrina, que ele já vinha ensinando aos seus discípulos. Assim, o Mestre dirigiu a encenação, em que ele tomou a iniciativa de partilhar o “pão” e também o “vinho”, e oferecê-los a cada um dos seus doze discípulos, mas propondo que cada um deles os consumisse, juntamente com o Mestre. Essa encenação representa o ato do Mestre Jesus ensinar, partilhar, oferecer e propor a cada um dos seus doze discípulos, que assimilassem, assim como o Mestre, tanto o “pão” (as ações que sua doutrina instrui) como o “vinho” ( o conteúdo da sua doutrina).

A seguir, vem a segunda parte da ação simbólica, encenação dirigida por Jesus como proponente, e, cada discípulo aceita e participa da proposta de assimilar, simultaneamente, “pão” e “vinho”, como se faz habitualmente numa refeição, mastigando o sólido juntamente com o líquido, para facilitar a assimilação. Essa segunda parte da encenação representa o Pacto sendo celebrado entre Jesus, e, cada discípulo, tendo por referência, o compromisso de cumprir a Unidade ou não-separação entre, de um lado, aquilo que o “Pão” representa (as práticas ou “obras” instruídas por sua doutrina), e do outro lado, aquilo que o “vinho” representa (o conteúdo da sua doutrina de Jesus). vejamos a ação simbólica em tela:

“Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo, ‘Tomai e comei, isto é o meu corpo’. Tomou depois o cálice, rendeu graças e o deu, dizendo: ‘Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados” (Mt, 26, 26).

Este pacto consiste na Unidade, isto é, a não-separação na conduta de cada indivíduo, entre, de um lado, a “teoria” (a doutrina vinda do Pai e ensinada e praticada pelo Mestre), e do outro, “a respectiva prática instruída por essa teoria. Ao exemplo do modo como o indivíduo e Mestre Jesus conduziu-se, mantendo firme conduta objetiva, fielmente seguindo a sua doutrina. Mesmo diante da terrível repressão física e ideológica exercida contra ele, pelos teólogos e sacerdotes. Neste sentido, o Mestre já havia ensinado:

Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa: ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática, é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa, e ela caiu, e grande foi a sua ruína (Mt 7, 24-27).

Na ação simbólica ocorrida na Ceia, o Mestre Jesus se referiu, simbolicamente, às noções de “pão” e de “vinho”. Vejamos mais de perto, os significados desses símbolos. Pois, é a Unidadepão-vinho” que Jesus quis ensinar, na Ceia, aos seus discípulos. Ou melhor, é a Unidade que esses dois símbolos (pão e vinho) representam, que o Mestre vivenciou e propôs, na Ceia, aos seus discípulos seguir essa unidade.

O pão = práticas

O “pão” simboliza as ações práticas, nas ações simbólicas praticadas na Ceia, em que foi celebrada a Nova Aliança. O “pão” simboliza as práticas em dois sentidos: práticas objetivas e práticas subjetivas.

Enquanto praticas OBJETIVAS, o “pão” simboliza as práticas pertinentes ao campo objetivo da conduta do indivíduo, por exemplo: ações sociais de conduta crítica e transformadora; ações sociais de fraternidade com outras pessoas; ações sociais voltadas para a justiça social, para a caridade, etc.

Enquanto praticas SUBJETIVAS, o “pão” simboliza as práticas pertinentes ao campo subjetivo da conduta individual. Por exemplo: o Mestre recomenda, como uma máxima, ao indivíduo, duas ações práticas SUBJETIVAS:

Por um lado, Jesus recomenda que o indivíduo pratique a ação de impulsionar, autoconsciente e diligentemente, mas de modo intenso, os sentimento de amor ao próximo e a Deus (cf. Mt 22, 37-40);

Por outro lado, Jesus recomenda que o indivíduo pratique a ação de conter, autoconsciente e diligentemente, os sentimentos e valores de ordem odiosa, etc.

Essas duas ações prática são de natureza subjetiva, e ambas são instruídas pelo aspecto teórico da doutrina de Jesus, mas as práticas objetivas também são instruídas pelo aspecto teórico da doutrina de Jesus.

O vinho” = doutrina

O “vinho” simboliza, na ação simbólica praticada por Jesus junto aos seus discípulos na Ceia, e também na doutrina de Jesus, as instruções contidas nessa doutrina, enquanto aspecto teórico, isto é, abstrato. Instruções essas voltadas para orientar o “pão“, ou seja, instruções que podem ser aplicadas ou não, como práticas pertinentes aos dois campos (subjetivo e objetivo) do conjunto complexo de conduta individual.

O Mestre censurou o indivíduo de conduta hipócrita, ao exemplo dos teólogos e sacerdotes hegemônicos (fariseus e saduceus) da sua época (cf. Mt 23, 23). O indivíduo hipócrita é aquele cujo seu “interior” ou campo subjetivo abunda de sentimentos de ordem odiosa, valores egoístas, pensamentos e intenções maldosas e desonesta. Porém, esse indivíduo hipócrita simula palavras e ações aparentemente boas, sinceras, honestas e fraterna. Apenas para seduzir e enganar as pessoas com quem lida, a fim de prejudicá-la de alguma forma.

Jesus censura, sobretudo, o indivíduo hipócrita que conhecer a sua doutrina, mas não a pratica, ao exemplo dos teólogos e sacerdotes pseudo cristãos contemporâneos (evangélicos, católicos, protestantes, etc.). Em oposição a essa conduta hipócrita,  Jesus propõe a Unidade, não-dualismo ou não-hipocrisia em tela. Na Ceia, ele dirigiu a ação simbólica, que propõe a unidade daquilo que é simbolizado na figura do pão (práticas subjetivas e objetivas), com aquilo que é simbolizado na figura do vinho (a doutrina que Jesus ensinava).

Por um lado, a doutrina (aspecto teórico) instrui e é aplicável nos fatores pertinentes ao “interior” do indivíduo. “Interior” no sentido de campo subjetivo da conduta individual, ou seja, práticas ou ações diligentes exercidas pelo indivíduo sobre seus fatores subjetivos, que são: sentimentos (que Jesus representa, metaforicamente, na figura do “coração“, e que é o fator determinante básico, que condiciona os demais fatores subjetivos): valores (que Jesus representa, metaforicamente, na figura do “tesouro“); cognição (entendimento, consciência, inteligibilidade, linhas lógicas de raciocínio, etc.); vontade ou volição; e propósitos ou intencionalidade.

O campo “interior” ou subjetivo e respectivos fatores (sentimentos, valores, etc.) são impalpáveis.  Você pode dissecar o corpo de um indivíduo, mas não vai encontra o seu campo subjetivo, nem os respectivos fatores subjetivos.

Por outro lado, o aspecto teórico da doutrina de Jesus instrui e é aplicável também no campo objetivo (ações sociais) da conduta individual. Note, no entanto, que Jesus destaca o fato de que o campo “interior” ou subjetivo da conduta individual, onde está o fator determinante básico, que é o sentimento ou “coração, e que de pronto molda os valores, e assim articulados, sentimentos e valores moldam os demais fatores subjetivos. Assim, o campo subjetivo molda e motiva o campo objetivo (ações sociais) da conduta do mesmo indivíduo (cf. Mt 15, 10-11, 17-20, que resumindo, Jesus diz: “Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias…“).

Em razão disso, o Mestre recomenda ao indivíduo cuidar bem e em primeiro lugar, do campo “interior” ou subjetivo desse mesmo indivíduo (cf. Mt 23, 25-28, que em resumo, Jesus diz, alegoricamente: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais por fora o copo e o prato e por dentro estais cheios de roubo e de intemperança. Fariseu cego! Limpa porém o interior do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo…” ).

O corpo e o sangue do Jesus Histórico e suas relações com o pão e o vinho

  O Mestre pôs-se como exemplo vivo. Isto é, como tipo ideal e referência, para os seus discípulos entenderem o significado simbólico tanto do “pão” como o do “vinho”, no contexto das ações simbólicas em tela. E, para seus discípulos entenderes e seguirem  o exemplo vivo do Mestre, que iria levar a luta até ao limite, que é a glorificação do Pai, na glória do Filho. Com esse objetivo, o Mestre traçou um paralelo entre, de um lado, pão e vinho, e do outro lado, corpo de Jesus, e sangue de Jesus.

Jesus comparou o significado contido no símbolo “pão” com o significado contido no símbolo “corpo” (do próprio Jesus histórico).

Jesus comparou, também, o significado contido no símbolo “vinho” com o significado contido no símbolo “sangue” (do próprio Jesus histórico).

Assim, a unidade do significado contido no símbolo “pãocom o significado contido no símbolo “vinho” está para o discípulo;

assim como, a unidade do significado contido no símbolo “corpo de Jesuscom o significado contido no símbolo “sangue de Jesus” está para o Mestre Jesus.

O “corpo de Jesus

     O “corpo de Jesus” (do Jesus Histórico) representa o modo singular, como Jesus praticou as instruções contidas em sua doutrina, pertinentes aos seus dois campos do conjunto complexo de conduta individual, o campo subjetivo e o corpo objetivo.

Por um lado, o “corpo de Jesus” representa o modo singular como Jesus “praticou” as instruções contidas na sua doutrina. Práticas pertinentes ao campo interior ou subjetivo da sua conduta. Por exemplo, estimular e manter, autodiligentemente, intenso amor (e respectivos valores e demais fatores subjetivos) ao Pai e ao próximo como a si mesmo; conter sentimentos de ordem odiosa e respectivos valores; identificar, em foro íntimo, a natureza negativa das tentações, e rejeitá-las, etc.

Por outro lado, o “corpo de Jesus” representa o modo singular como Jesus “praticou” as instruções contidas na sua doutrina. Práticas pertinente ao campo objetivo (as ações sociais) da sua conduta individual. Por exemplo:

As ações sociais de combater e desmascarar, através do embate de ideias e do exemplo prático, mas de modo sistemático e pacífico, todo tipo de ideólogo, visando libertar os indivíduos do jugo em que estes são mantidos pelos teólogos, sacerdotes, filósofos, feiticistas, etc.;

Assistir (motivado por amor intenso) o próximo em suas carências físicas e, sobretudo, culturais;

Atuar revolucionariamente, mas mantendo o modo pacifista radical de conduta objetiva, em favor do modelo de formação social fraterna, justa e igualitária, etc.[7]

Osangue de Jesus

     O sangue de Jesus” (do Jesus histórico) representa o modo sui generis, como Jesus pesquisou, vivenciou, elaborou, avaliou e aplicou, numa práxis revolucionária, as instruções contidas em sua doutrina. A partir do seu campo subjetivo da conduta individual, mas nas interações intersubjetivas e objetivas com outros indivíduos, no seio social. Práxis efetivamente revolucionária, porque pacifista. Por exemplo:

Ele identificou a natureza do indivíduo enquanto sujeito estruturado.

Ele identificou e distinguiu a natureza  do campo subjetivo e a natureza do campo objetivo da conduta do indivíduo, e também as relações entre esses dois campos de conduta.

Ele Identificou a natureza de cada fator subjetivo e as relações entre eles.

Ele Pesquisou e entendeu como bom para o indivíduo, e também recomendou ao indivíduo, que este estimulasse e mantivesse, autodiligentemente, intenso amor (e respectivos valores e demais fatores subjetivos) ao Pai e ao próximo como a si mesmo.

Ele também recomendou ao indivíduo, como sendo bom, a ação subjetiva de conter sentimentos de ordem odiosa e respectivos valores.

Ele ainda recomendou ao indivíduo, como sendo bom, identificar, em foro íntimo, a natureza negativa das tentações ou “trevas exteriores”, e rejeitá-las, etc.

Desse modo, o Mestre administrava consciente e diligentemente os diversos fatores do próprio campo subjetivo (motivador do campo objetivo) da sua conduta individual. Consequentemente, ele administrava as próprias ações ou práticas sociais, pois estas práticas ou ações sociais são pertinentes ao seu campo objetivo da conduta individual.

Mas, Jesus sabia que as práticas ou ações sociais pertinentes ao seu campo objetivo eram motivadas pelos fatores subjetivos contidos no campo subjetivo da sua conduta.

Por um aspecto, essas ações que são de natureza subjetiva, e que incluímos como integrantes do “corpo de Jesus” (práticas subjetivas e objetivas) podem  ser concebida, também, como parte do simbolismo “sangue de Jesus”.

O Mestre entrava, subjetivamente, em contato com o Pai, mas somente de modo individual e reservadamente, seja num recinto isolado de sua residência (Cf. Mt 6, 5-6), seja em área externa (Cf. Mt 26, 36-44). Esse contato também pode ser enquadrado na metáfora do “sangue de Jesus”.

Parte 3. Diabólica Eucaristia contra a Glória de Deus – A ação simbólica da partilha e consumo do pão e do vinho – Pacto de sangue ou de morte, Pacto de “vida”

Na Ceia, o Mestre partilhou o pão e o vinho, e os dera a cada indivíduo discípulo seu, para que este degustasse (provasse, mastigasse e assimilasse), simultaneamente, uma porção de “pão” e outra de “vinho”, que lhe coubessem. “Pão” e “vinho” cujos respectivos significados simbólicos explicamos acima. Deste modo, o Jesus Histórico representou sua condição de Mestre, enquanto indivíduo concebido como um conjunto complexo de conduta: corpo subjetivo motivador do corpo objetivo. Assim, o Mestre se apresentou, para cada discípulo seu, como exemplo ou referência, destacando dois aspectos:

O “meu corpo”. O Mestre representou na figura do “seu corpo” as suas sui generis práticas tanto subjetivas (exemplo: estimular, diligentemente, sentimentos de ordem amorosa e respectivos valores) como objetivas (exemplo: as práticas paranormais e seus ditos, isto é, seus pronunciamentos de natureza crítica, pedagógica, etc.).

O “meu sangue”. O Jesus histórico representou na figura do “seu sangue”, a singular doutrina revolucionária por ele elaborada e vivenciada. A partir do seu campo subjetivo de conduta, pesquisando e criando leis e métodos de interpretação, e de intervenção, por dois aspectos.

por um aspecto, Jesus elaborou doutrina de ordem psicológica. Ao longo da sua vida e respectiva práxis revolucionária, Jesus pesquisou e criou leis e métodos de interpretação e de intervenção na conduta individual. Ao exemplo de conceber o indivíduo como um sujeito estruturado, como um conjunto complexo de conduta e tudo o mais nisso implicado. Ele pesquisou e criou a auto terapia psicológica, que tem implicação com o campo meta subjetivo.

Por outro aspecto, Jesus criou, por exemplo, doutrina da ordem da sociologia e da ciência política, pesquisando e criando leis e métodos de interpretação, e de intervenção na realidade sócio-histórica. Métodos esses que ele desenvolveu, e que aplicou, de modo consciente e diligentemente, no sentido de intervir no contexto da realidade sócio-histórica, em que vivia.

Um exemplo de Doutrina de ordem da sociologia e da ciência política elaborada e aplicada por Jesus, é o caso em que teólogos e sacerdotes fariseus e herodianos tentaram induzir Jesus a lutar contra o pagamento de tributos para Roma. Mas Jesus se esquivou dessa cilada e respondeu-lhes: “Dê a Cesar o que é de Cesar… E, desse modo, ele demonstrou haver entendido que o aspecto da sociedade que hoje rotulamos de campo cultural e da sociedade civil, na realidade consiste em um campo de luta mais favorável que o campo do estado. Quando se tem como meta, a transformação da sociedade para uma forma mais justa e fraterna. Cuja luta deve ser concentrada no desmascaramento do grupo de intelectuais hegemônicos, que hoje é rotulado de bloco ideológico.

O “sangue de Jesus”, isto é, a doutrina de Jesus contém, métodos de interpretação  e de intervenção tanto os de ordem psicológica como de ordem sociológica, etc. Note que ambos são aplicáveis na atualidade.

Vejamos o paralelo empregado por Jesus: O “pão” esta para o “vinho”, assim como o “corpo de Jesus” está para”sangue de Jesus”. Em outros termos: o “pão” equivale ao “corpo de Jesus”; o “vinho” equivale ao “sangue de Jesus”.

O Mestre pôs-se como referência exemplar, e se dirigiu a cada indivíduo, que compunha o seu grupo de principais discípulos, e propôs o Pacto da Unidade (ou não-separação, não-hipocrisia ou ainda, o anti-dualismo). Pacto da Unidade entre dois fatores:

Um fator consiste na noção de prática (tanto subjetiva como objetiva), que Jesus representou na figura do “pão”, tendo como referência a conduta prática ou objetiva do Mestre, que este representou na figura do “seu corpo”.

O outro fator consiste na noção de doutrina de Jesus representada na figura do “vinho”, tendo como referência a conduta e respectiva doutrina criada e vivenciada, numa práxis revolucionária, pelo Mestre, que este representou na figuras do “seu sangue”.

Cada discípulo encenou, conscientemente, diante e juntamente com o Mestre, a aceitação da partes do pão e do vinho, que o Mestre lhe ofereceu, e, simultaneamente provou, mastigou e assimilou, o pão e do vinho.  Desse modo, o pacto da unidade foi selado. Pois, na ação simbólica em tela, Jesus interpretou o proponente do pacto, e cada discípulo protagonizou a aceitação dos termos do pacto da Nova Aliança, entre, de um lado, Jesus representando Deus, e do outro, cada indivíduo presente. Os quais representaram, em termos de possibilidade, que esse pacto fosse estendido às demais pessoas do gênero humano. Assim, este pacto foi selado.

Vejamos o “Derramar o sangue da Nova Aliança”. O pacto da Nova Aliança selado entre Deus e cada indivíduo, através do Filho, implicava, por um aspecto, em “derramar” (divulgar) e praticar, até ao limite das consequências mais adversas, a doutrina ensinada pelo Mestre.  Esse pacto implicava, como possível consequência, por outro aspecto, em “derramar” (verter) o sangue do indivíduo que o cumprisse fielmente. Pois, a sina sanguinária dos teólogos e sacerdotes poderia levar a isso. O Jesus Histórico e Filho de Deus foi o exemplo e o primeiro a propor e a cumprir o pacto, tanto no sentido de “derramá-lo” (divulgá-lo), como no sentido de “derramar” (verter) o seu sangue, diante de sina assassina dos teólogos e sacerdotes.

O Mestre Jesus Histórico representou na figura do “seu sangue”, a doutrina por ele vivenciada, subjetivamente, em sua elaboração e conclusão, e propagação objetiva. Doutrina esta que ele ensinou às lideranças que preparou. Através destas lideranças, tal doutrina seria “derramada” (propagada) para todos os povos. Em decorrência dessa divulgação e respectiva prática, o sangue de muitos fiéis seguidores do Cordeiro de Deus também seria “derramado” (vertido), de modo direto ou indiretamente, através de instigação feita pelos malditos teólogos e sacerdotes elitistas, ao exemplo de Paulo de tarso e seus seguidores, aliados às elites políticas e econômicas do Império Romano, e mesmo em situação análoga, em outras partes do mundo.

Podemos nos referir, portanto, à doutrina da Nova Aliança, como a parte mais importante da genuína doutrina do Jesus Histórico. Mas, podemos nos referir a ela, também, como “o sangue de Jesus e dos seus fiéis seguidores derramado para a libertação dos indivíduos das garras ideológicas e assassinas dos teólogos e sacerdotes”.   Vamos ao trecho em tela.

“Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘tomai e comei, isto é meu corpo’. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: ‘Bebei dele todos. Porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados” (Cf. Mt 26, 26-29).

É oportuno observar que o Mestre considera, a exemplo dele mesmo, que o corpo do indivíduo é, enquanto concebido como um conjunto complexo de conduta (campo subjetivo motivador dar campo objetivo), o único templo de Deus. Isto é, o único, lócus,local” (ponto de referência) onde o Espírito de Deus pode residir e quer se manifestar. Jesus considera uma aberração e desaprova conceber o templo-edifício como lugar de oração. Ele considera a glorificação uma das maneiras do Espírito do Deus Pai se manifestar no indivíduo, coroando, assim, a conduta pregressa desse indivíduo voltada para a justiça social. Isto foi esclarecido pelo Mestre, logo após ele haver expulsado ou cambistas e comerciantes que os teólogos e sacerdotes mantinham no templo. Jesus estava indignado com toda podridão que considerava consistir tanto o templo-edifício como os teólogos e sacerdotes. Vamos ao trecho em tela:

 “Perguntaram-lhe os judeus: ‘que sinal nos apresentas tu, para proceder deste modo?’ Respondeu-lhes Jesus: ‘Destruí vós este templo (o grifo é nosso), e eu o reerguerei em três dias’. Os judeus replicaram: ‘Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!’ Mas ele falava do templo do seu corpo” (Cf. Jo 2, 18-21).

O Mestre reiterou sua concepção de que o Espírito do Deus Pai deseja ser adorado, somente na conduta do no indivíduo. por dois aspectos.

Por um aspecto, o Deus Pai deseja ser adorado em espírito” ou ruah. Isto é, a partir do campo “interior” ou subjetivo e motivador da conduta objetiva do indivíduo. [8],

E, por outro, o Deus Pai deseja ser adorado lado emverdade”. Ou seja, conforme o modo objetivo de categoria de pensamento despido de pré-noções, portanto mais próximo da realidade a que se refere. Jesus chama essa categoria de pensamento “verdade”, também de “reino do céu ou de Deus”.

Enfim, o Deus Pai deseja ser adorado, no conjunto complexo de conduta individual positivamente integrado ou não hipócrita. Pois, “são esses adoradores que o Pai Iahweh deseja”. Jesus considera uma aberração e desaprova conceber o templo-edifício como lugar de oração e de adoração a Iahweh. O Deus do amor, do direito e da justiça, que Jesus chama de Pai. A referida reiteração ocorreu quando o Filho do Homem, Jesus, respondeu a samaritana:

“Jesus respondeu: ‘mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade’. Respondeu-lhe a mulher: ‘Sei que deve vir o Messias; quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas’. Disse-lhe Jesus: ‘Sou eu, quem fala contigo”. (Jo 4, 19-26).

João focalizou, assim como Mateus, mas em outro contesto e outros termos, a mesma analogia proposta pelo Mestre entre, de um lado, o significado contido no símbolo “pão” com o significado contido no símbolo “corpo de Jesus” tido como referência. Ele focalizou, também, a mesma analogia entre, de um lado, o significado contido no símbolo “vinho” com o significado contido no símbolo “sangue de Jesus” tido como referência.

João focalizou Jesus, através de uma alegoria mais difícil, dramática e impressionante que a alegoria empregada por Mateus, porém o mesmo quadro. Isto é, a mesma analogia entre, de um lado, a unidade proposta pelo Mestre concernente ao significado contido no símbolo “pão” com o significado contido no símbolo “vinho”, e do outro lado, a unidade do significado contido no símbolo “corpo de Jesus” com o significado contido no símbolo “sangue de Jesus”.

Em João, o Mestre alertou que o “pão” (= “ao corpo de Jesus”), isto é, as práticas atinentes aos campos subjetivo e objetivo da conduta individual deve ser “mastigado” e “comido” (assimilado, imitado e praticado) pelo discípulo, em Unidade com o “vinho” (= ao “sangue de Jesus”), ou seja,  o aspecto teórico, a doutrina de Jesus contendo instruções voltadas para as práticas atinentes tanto ao campo subjetivo como ao campo objetivo da conduta individual. A explicação desse texto longo, difícil, dramático e impressionante descrito por João, está no texto do palestra pertinente, cujo link vou deixar aqui embaixo deste vídeo.

   “Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê em mim tem a vida eterna (Vida: capacidade de autoconhecimento, autodiligência, e de consciência social crítica e transformadora). Eu sou o pão (exemplo de prática, tanto subjetiva como objetiva, que propicia desenvolver) da vida (…) Este é o pão que desceu do céu (do conhecimento verdade ou pensamento objetivo) para que não morra (não permaneça no estado de alienação) todo aquele que dele comer (assimilar a pratica exemplar de Jesus). Eu sou o pão vivo (prática exemplar, dotada de capacidade de autoconhecimento, autodiligência, etc.) que desci do céu. Quem comer deste pão (quem assimilar tal prática) viverá (adquirirá capacidade de autoconhecimento, etc.) eternamente. E o pão que eu hei de dar é a minha carne (prática vivenciada ou corpo Jesus) para a salvação do mundo” (…) ‘Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue (a doutrina de Jesus) não tereis a vida em vós mesmos. (Jo 6, 47-48, 50-51, 53)

O Pacto de sangue ou de morte

  1. Vejamos o Pacto de sangue ou de morte. Este pacto consiste no “holocausto ou sacrifício perpétuo”. Pois, caberia a cada indivíduo que o aceitasse pactuar com Jesus, o Pacto da unidade, então, deveria leva esse pacto às últimas consequências, que poderia redundar em glorificar o Deus do amor, do direito e da justiça, e ser glorificado por esse Deus. Enfim, poderia redunda no sacrifício perpétuo, considerando-se que o evento Jesus Histórico consistiu, em primeiro lugar, numa luta radical milenar empreendida pela “árvore da vida”, ao exemplo de Jesus, contra a árvore da ciência do bem e do mal”, ao exemplo dos teólogos e sacerdotes de “Caim”, assassinos por excelência. Ou seja, luta contra todos os tipos de ideólogos elitistas. Luta essa voltada para libertar os indivíduos, os quais são mantidos, em todas as épocas e lugares, submissos aos ideólogos e às ideologias (cadeias das trevas) que estes inventam e inculcam naqueles.

O Pacto de “vida”

  1. Finalmente, vejamos o Pacto de “vida”. A genuína doutrina ensinada pelo Mestre implica na prática do Pacto da Unidade que tratamos no item terceiro. Essa prática propicia ao indivíduo desenvolver, aprimorar e constatar, por si mesmo, gradativamente, a doutrina de Jesus. Este processo consiste, por outro aspecto, em o indivíduo sair do estado de “morto” (alienado) e desenvolver “vida”. Ou seja, desenvolver autoconhecimento, capacidade de autodiligência e consciência social crítica e transformadora. Quando um indivíduo se sente impelido a desenvolver essas capacidades, e conclui o desenvolvimento de “vida”, ele celebra, de modo meta subjetivo, com o Pai, através do Mestre, o pacto da Nova Aliança.

O pacto de “vida” consiste em o indivíduo não negar a Jesus nem a “vida” que adquirira, isto é, a capacidade de autoconhecimento, de autodiligência e de consciência crítica e transformadora, voltada para a justiça social, e para o desenvolvimento do modelo de formação social igualitária, mais justa e fraterna. Capacidades estas que o indivíduo desenvolvera em si, à medida que assumira e praticara o Pacto da Unidade proposto pelo Mestre. Não negar a Jesus e a “vida” corresponde, por outro aspecto, em preservar fidelidade a eles, a despeito das mais cruéis adversidades que os ideólogos e/ou os seus prepostos possam impor ao indivíduo, que aderiu ao Pacto da Unidade. Neste sentido, chamo, em suma, de Pacto vida-morte, esses dois últimos pactos acima indicados.

[1]. Cf. Burns, Edward Mcnall. História da Civilização Ocidental: O dogma da eucaristia (Quarto Concílio de Latrão) (p. 354-355) foi sacramentado por volta de 1212,  por teólogos católicos (p. 316-317).

[2]. Cf. Fohrer, G. História da Religião de Israel, p. 286, 292, 294, 352. A Ação simbólica é própria dos profetas em geral, e em particular dos grandes profetas individuais israelitas. Ela consiste em procedimentos práticos, que expressam, por si só, significados, os quais são, em geral, acompanhados de discursos esclarecedores concernentes. O Jesus histórico foi o último e o mais importante desses grandes profetas individuais. Ele presidiu, na ceia, a ação simbólica do lava-pés e da partilha e assimilação do vinho com pão, junto com seus principais discípulos. Os quais estavam sendo preparados, para dar prosseguimento ao movimento revolucionário, que o pelo Mestre já havia desencadeado. Pois, Jesus sabia que os teólogos e sacerdotes estavam na iminência de obter a sua morte.

[3]. Cf. Fohrer, G. História da Religião de Israel, p. 286, 292, 294, 352.

[4]. Cf. Idem, p. 25-26.

[5]. Cf. Fohrer, G. História da Religião de Israel, p. 25-26. Cf.Schlaepfer, C. F.; Orofino, F. R.; Mazzarolo, I. A Bíblia: introdução historiográfica e literária. Ed. Vozes, Petrópolis, 2004, p. 37.

[6]. A escrita tipo hieroglífica foi traduzida, possivelmente, para o aramaico, e transmitida oralmente e assim preservada, escondido dos sacerdotes e levitas, por genuínos profetas. Posteriormente, em torno do período do cativeiro babilônico e durante a definição do Pentateuco, ela foi escrita de modo hermeticamente simbólico, e introduzida, como prólogo, no Pentateuco, na forma de uma simplória descrição da origem do mundo e da sociedade humana. Cf. ART. 13: Diretrizes teóricas e o modo de exposição da Teoria da História – Divisão social do trabalho sexual:

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/03/diretrizes-teoricas-e-modo-de-exposicao.html

ART. 2: A Teoria da História e o indivíduo se rebelando e dominando os quatro “monstros gigantes” da era atual  http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/01/a-teoria-da-historia-e-o-individuo-se.html

ART. 3: História em tempo muito longo e a “Tribo dos Santos – O nascimento de Noé e a parousia na genealogia de Adão”:

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/01/historia-em-tempo-muito-longo-e-tribo.html

[7]. O pacifismo ativo e radical trata-se de estratégia fundamental de luta. Ou seja, o único meio eficaz e indispensável de combate a todo tipo de dualismo, sobremodo aqueles que induzem conflitos físicos, entre indivíduos, e também entre grupos sociais, etc.

[8]. Cf. Fohrer, Georg. História da Religião de Israel, Edições Paulinas, SP, 1993, p. 204, 262-263: “Por um lado, o que faz do fraco e transitório homem de pó um ser vivente é a divina energia vitalizadora que lhe é dada como respiração (nesam) ou espírito (ruah). Sem respiração ou espírito, não há vida e, portanto, não há emoções, sensações ou sentimentos. Além da alma, vários órgãos são identificados como o locus dos estados mentais: o coração, como órgão do pensamento e sentimento, que recebe impressões, forma planos, desperta coragem e vontade, e desenvolve a compreensão religiosa; também os rins, o fígado e os intestinos, como qualquer parte do antigo Oriente Médio”.