As águas inchadas do dilúvio rompendo barreiras

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                                         Livro: Teoria da História (Art. 44, 3.10., p.292-294) www.tribodossantos.com.br

Vejamos o significado da qualidade “inchada” atribuída às “águas” (Cf. Gn 7, 17), isto é, aos múltiplos e multiformes grupos sociais, respectivas relações sociais de ordem simbólica (línguas: culturas) e trocas materiais entre si.[1] Vimos que foram as pressões exercidas diretamente pelas “águas”, que romperam as “barreiras” (meios de controle social que mantinham a ordem social, contendo as “águas”, apesar das contradições sociais haverem chegado á sua fase mais aguda e limite). Mas, tais “águas” estavam impelidas por uma revolução cultural, a qual se alastrara pela rede de trocas comerciais e também culturais, que interligava os diversos mercados macro-regionais em um único e grande mercado global.[2]

   As “águas” que antes eram contidas por tais “barreiras” se apresentavam na forma de vertiginosas super populações. As quais aumentavam numa progressão geométrica, concentradas e aglomeradas no interior e nas periferias próximas das cidades, sobremodo das grandes cidades. Ocorrera, consequentemente, uma grave, prolongada e irreversível convulsão social. As “águas” emigravam, a exemplo de Abraão, das cidades e dos arredores destas, de modo dispersivo, violento, abrupto, sem destino certo, famintas, e desordenadamente. Isto ocorrera devido à agudez da depressão Noé, que por outro aspecto enfraqueceu os governos centrais de cada um dos grandes mercados regionais. Tal situação propiciou a invasão e consequente agregação de povos nômades e bárbaros, à configuração espacial circunscrita ao mundo civilizado. Povos bárbaros cujo aumento de suas respectivas populações também não mais os possibilitava encontrar condições de sobrevivência em suas configurações espaciais de origem,

    O símbolo “inchação” representa a “dispersão” das “águas”, que já eram “volumosas” e ainda aumentavam incessantemente esse volume, nos termos acima citados, sobre a configuração espacial do grande mercado global em depressão. A alegoria da volumosa chuva (águas) violentamente precipitada e espalhada sobre a terra, citada no versículo quatro do capítulo dezessete, tem este mesmo sentido. A descrição da “inchação” (dispersão abrupta e desordenada) das “águas”, mostrando o modo violento, inesperado e arrasador como tal dispersão ocorrera, já pressupõe que estas “águas” eram superpopulosas e estavam famintas, quando ainda se encontravam aglomeradas no interior e periferia de cada uma das cidades. E, foi nestas condições e daqueles modos que as “águas” “irromperam” as “barreiras” (meios de controle social), e se dispersaram ou “incharam” ou “se derramaram” pela “terra” (configuração espacial), da grande rede global de mercados macro-regionais.

[1] . Cf. o significado do simbolismo das “águas”: (Art. 40, 3.7; 3.7.1, p. 257-266):

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/04/as-aguas-da-teoria-da-historia-primeira.html

[2]. Cf. o significado do simbolismo do “rompimento de barreiras”, e a natureza da “revolução cultural” em tela: (Art. 37, 3.6., p. 344-348): http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/04/revolucao-cultural-na-fase-noe-o-romper.html