Explicação acerca da teoria da genealogia de Adão

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 Livro Teoria da História (Art. 31, Cap. 3, p. 217-221) www.tribodossantos.com.br

     Agora, podemos retomar nossas considerações acerca do estágio em escala imperial do processo geral de expansão e complexidade do grande mercado pré-diluviano.[1]

      É oportuno esclarecer, no entanto, que o autor da teoria da genealogia de Adão subdivide a sua noção de “História Antiga“, que é focalizada pela referida teoria, em duas sucessivas longas Eras. A Era antes e a Era depois do dilúvio (cf. Gn 9, 28). O período que compreende essas duas Eras, o autor o descreveu no “Livro da história da família de Adão”  (cf. Gn 5, 1+).

   No livro indicado acima, o autor focaliza, em primeiro lugar, todo o processo de expansão do Grande Mercado (cf. Gn 5, 25-26; 5, 1-28), isto é, desde o nascimento de Set (I Dinastia egípcia ) até ao período de hegemonia do grande mercado global Lamec.

   Em segundo lugar, o autor descreve todo o subsequente período de depressão Noé do Grande Mercado, que se inicia quando este Grande Mercado atingira ao nível da grande rede global de mercados macro-gerionais Lamec, mas quando esta grande rede alcança ao seu limite de expansão.

   O autor irá descrever o período de depressão Noé do Grande Mercado, no (livro) da “História de Noé”:

    “Esta é a história de Noé. Noé era um homem justo e perfeito no meio dos homens de sua geração. Ele andava com Deus” (Gn 6, 9).

     O referido autor primeiro expõe, entretanto, uma introdução (cf. Gn 5, 29; 6, 1-8) para o referido “livro” (História de Noé). Depois, ele começa a narrar o desenrolar da “história de Noé”, mas pondo em relevo a emergência do Emanoel (Deus conosco: o Escolhido), no contexto dessa sócio-história: “Ele andava com Deus“.

   O autor narrará a história de Noé até ao Gn 10, 1+. Na qual o dilúvio está incluído, juntamente com a divisão tripartite (Sem, Cam e Jafet) do Grande Mercado Global Lamec em longa e irreversível depressão Noé. Esta longa e irreversível depressão corresponde ao “sétimo dia da criação“, na parte da Teoria da História que nomeamos de Verificação Empírica, e que tem correspondência com o “sétimo dia da criação, na Sistematização Teórica.

   O período mais grave da crise do processo de depressão Noé é chamado de “dilúvio“. O qual corresponde, por um aspecto, na realidade sócio-histórica, àquela que os historiadores convencionaram chamar de II Período Intermediário, portanto, dilúvio = II Período Intermediário egípcio. Segundo esta perspectiva, o período que se convencionou chamar de pré-diluviano corresponde àquele que podemos nomear de Pré-II Período Intermediário. O período que se convencionou chamar de pós-diluviano corresponde, na realidade sócio-histórica, àquele que podemos chamar de Pós-II Período Intermediário.

    Agora, sim, podemos retomar nossas considerações acerca do estágio em escala imperial do processo geral de expansão e complexidade do grande mercado pré-diluviano. Os seis primeiros sucessores de Adão (Cf. Gn 5, 1-24) representam as seis primeiras sucessivas escala imperiais de expansão do grande mercado, ou seja, representam as seis primeiras dinastias egípcias: Set (Primeira Dinastia); Enos (Segunda Dinastia); Cainan (Terceira Dinastia); Malaleel (Quarta Dinastia); Jared (Quinta Dinastia); Henoc (Sexta Dinastia).

    O período que compreendeu essas seis primeiras dinastias é chamado Antigo Império. Ele durou aproximadamente de 3200 a 2300 a.C. Durante esse período, o grande mercado regional egípcio foi se expandindo e se alicerçando gradativamente sobre a respectiva configuração espacial egípcia e adjacências: por um lado, sobre a totalidade das quatro dezenas de nomos; por outro lado, sobre sua periferia imediata (Sinai e Núbia ambos ricos em minérios).[2] Ele se expandia, também, no sentido da mercantilização das esferas da vida mais resistentes a isso.

    Analiticamente, concebemos as primeiras seis sucessivas dinastias egípcias (seis sucessivas escalas imperiais do grande mercado regional egípcio, ascendentes em expansão e complexidade), como sendo o eixo sincrônico e diacrônico central, diretor e dinâmico do processo geral de expansão do grande mercado, que culminou com o estágio da grande rede global de mercados macro-regionais (egípcio, egeu, hitita, mesopotâmico, elamita, etc.) pré-diluviano. Esse centro diretor e dinâmico tinha como base de sua expansão a cidade-estado de modo geral, e em particular a cidade-estado sede diretora do referido mercado regional. As duas primeiras dinastias tiveram como sede diretora a cidade chamada Tinis. A Terceira Dinastia transferiu essa sede para Mênfis, onde permaneceu até a Sexta Dinastia.

    A sucessão ininterrupta de seis escalas imperiais de expansão do mercado regional egípcio funcionou como centro diretor e dinâmico do processo geral de expansão do grande mercado, precisamente porque ela transcorreu sem bruscas interrupções. Ao contrário do modo como se expandira o mercado regional mesopotâmico, que sofria frequentes e bruscas interrupções. Fato este que impedira a possibilidade do mercado regional mesopotâmico se expandir em escala imperial, até ao limite máximo possibilitado por sua base, ou seja, pela cidade-estado. Limite máximo este que uma única cidade-estado atua como base e sede diretora de vasta configuração espacial, que inclui muitas outras cidades-estado. No Egito pré-diluviano ou Pré-II Período Intermediário, esse limite foi alcançado pela cidade-estado Mênfis, sede da Sexta Dinastia (sexta escala imperial pré-diluviana representada no “segundo Henoc” (cf. Gn 5, 18). Sexta escala esta que foi sucedida pela fase conhecida como Primeiro Período Intermediário ou Idade Feudal Egípcia, cuja base partira do campo. No período pós-diluviano ou Pós-II Período Intermediário, esse limite foi alcançado pela cidade-estado Roma, sede do Império Romano (sexta escala imperial pós-diluviana representada, também, no segundo Henoc da teoria da genealogia de Adão). Sexta escala esta que foi sucedida pela fase conhecida como Idade Média, cujo modelo feudal de formação social se desenvolveu na Europa Ocidental, e cuja base partira do campo.[3]

    Na era pré-diluviana ou Pré-II Período Intermediário, a sexta escala imperial (Sexta Dinastia) de expansão do grande mercado fora representado no signo Henoc (Cf. Gn 5 , 18-24), na teoria da genealogia de Adão, e teve como centro diretor a cidade de Mênfis. Essa sexta escala imperial apresentou características semelhantes, na era pós-diluviana ou Pós II Período Intermediário, ao Império Romano, cujo centro diretor se situara em Roma. A sexta escala imperial egípcia e respectiva base diretora, Mênfis, de um lado, e o Império Romano e respectiva base, Roma, de outro, corresponderam, respeitando as diferentes dimensões, ao máximo de expansão que o grande mercado pode alcançar em escala imperial, tendo uma única cidade-estado como base e sede central de direção.

    Assim como o Império Romano entrou em decadência e se fragmentou, também a Sexta Dinastia entrou em decadência e se fragmentou. O período que se sucedeu à desagregação da Sexta Dinastia apresentou características cujo conjunto por elas formado se convencionou nomear de Primeiro Período Intermediário ou Idade Feudal.[4] Características estas análogas ao período feudal transcorrido na Europa Ocidental, que se seguiu à queda e desagregação do Império Romano.[5]

    O grande mercado global pré-diluviano ou Pré-II Período Intermediário foi sucedido por um período de grave depressão Noé, acompanhado do esfacelamento diluviano, e se fragmentou em três grandes partes. Imediatamente após essa fragmentação e por dentro da esfacelada configuração espacial egípcia teve início a fase pós-diluviana ou Pós-II Período Intermediário. Analogamente à fase pré-diluviana, a fase pós-diluviana do processo de expansão do grande mercado em escala imperial teve início, também, com outro eixo diacrônico central diretor e dinâmico. Uma sucessão expansiva e praticamente ininterrupta de seis outras grandes escalas imperiais, ou seja, seis sucessivos e expansivos grandes impérios, cuja base e centro diretor também estavam sediados na cidade-estado. A primeira escala imperial e o respectivo grande império pós-diluviano ou pós-II Período Intermediário foi o Novo Império Egípcio (Set), que partiu e teve como base central à cidade de Tebas, no Alto Egito, em 1580 a.C., e durou até meados do século XII.[6] O grande mercado seguiu ininterruptamente seu processo expansivo, através de cinco outros grandes impérios: Império Assírio (Enos), cuja capital se situava em Nínive; Império Babilônico Caldeu (Cainan), cuja capital era a cidade de Babilônia; Império Persa (Malaleel), que tinha em Susa a residência predileta do rei e símbolo da força do império, embora houvesse outras capitais (Pasárgada, Persépolis, Ecbátana e Babilônia) para este mesmo império;[7] Império Macedônico ou Helenístico (Jared) com capital em Alexandria, Antioquia, etc.; e finalmente o maior de todos, o Império Romano (Henoc), cuja capital se situava em Roma.

    A Sexta Dinastia Egípcia e o Império Romano, e respectivas capitais desempenharam funções análogas: extremo limite de expansão possível ao grande mercado, em escala imperial, no eixo diacrônico central expansivo, tendo como base a cidade-estado. Na era pós-diluviana, o processo geral de expansão do grande mercado ao atingir à sexta escala imperial (Henoc: Império Romano), também teve que passar pela fase característica do regime feudal (Matusalém). Pois, esta fase e respectivo modelo de formação social desempenham a função de transposição da expansão do grande mercado, que transcorria em escala imperial, para viabilizá-lo alçar ao estágio global (Lamec), que teve início cera de 1400 d.C., e hoje chegou ao seu limite de expansão e complexidade.

[1]. Cf. http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/03/o-eixo-diacronico-de-expansao-do-grande.html

[2] Cf. Aymard, A. e Auboyer, J. História Geral das Civilizações,Tomo I, 1º Volume, p. 27.

[3] Cf. Marx, K. e Engels, F. Ideologia Alemã, p. 19.

[4] Cf. Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 47.

[5] Cf. Aymard, A. e Auboyer, J. História Geral das Civilizações, Tomo I, 1º Volume, p. 38.

[6] Cf. Burns, E. M., História da Civilização Ocidental , p. 49-50.

[7] Cf. Aymard, A. e Auboyer, J. História Geral das Civilizações, p. 205.