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Livro: Teoria da História (Art. 20, 2.2.8.; 2.2.9., p. 137-140) www.tribodossantos.com.br
Agora que estamos aparelhados com os conteúdos dos artigos precedentes, podemos tratar, especificamente, da teoria da ação social e da reprodução social da conduta, Teoria esta representada, metafórica e dedutivamente, por um lado, na noção de “árvores que produzem frutos segundo sua espécie, contendo o fruto a sua semente”, e por outro lado, na noção de “ervas que contêm semente segundo a sua espécie”. Alguns aspectos dessa teoria são representados, ainda, na interação entre esses dois tipos de “plantas” (papéis sociais).
O autor focalizou o 3° dia da criação, que está inscrito na Teoria da História, na parte desta teoria que chamamos de “sistema total de teoria sócio-histórica” ou “Sistematização Teórica” (Cf. Gn 1, 9-13). Ele focalizou o Trabalho Natura-Social impelindo as “águas” (múltiplos e multiformes grupos sociais articulados entre si através da linguagem), a dar gênese a determinados desdobramentos sócio-históricos, O autor descreveu esses desdobramentos em em duas etapas, a primeira sendo as condições necessária para a gênese da segunda
Na primeira etapa (cf. Gn 1, 9-10), o autor focalizou o início concomitante da gênese de três estruturas básicas: (A) Ao “ajuntamento da águas” (início da divisão sexual do trabalho e maior estreitamento dos laços sociais = “MAR”); (B) “Num mesmo lugar” (processo de sedentarização); (C) “e apareça o elemento árido” (início do trabalho agrícola = “TERRA” = Período Neolítico).
Na segunda etapa (cf. Gn 1, 11-12), e tendo como precondição as condições indicadas acima, o desenvolvimento de dois tipos ideais de “plantas” (papéis sociais) e respectivos modos de reprodução social da conduta individual: a “erva” (senso comum) “que contém semente” (modo simples de reprodução social da conduta individual); e a “árvore” (intelectual) “frutífera que deem fruto segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente” (modo complexo de reprodução social da conduta individual, que implica em desenvolver a divisão social do trabalho material e intelectual. Na Verificação Empírica (Gn 2, 8s-3), a teoria da ação e da reprodução social da conduta foi desenvolvida, para explicar o processo em que teve gênese a divisão social do trabalho material e intelectual.
É oportuno lembrarmos que estamos tratando da gênese da divisão social do trabalho material e intelectual. E, que atribuímos ao elaborador da Teoria da História, haver concebido a “divisão social do trabalho” (instituição estrutural dominante e permanente, em processo de complexidade e respectivos desdobramentos sociais), como privilegiada “unidade de mudança sócio-históricas”. Mas, transformações estas transcorridas em tempo muito longo.
Não é demais fazermos uma ligeira recapitulação. Vimos que a primeira etapa do processo da divisão social do trabalho consistiu na divisão social do trabalho sexual: trabalho material predatório exercido pelos homens, e, trabalho material produtivo agrícola executado e inaugurado pelas mulheres. As quais introduziram a humanidade no estágio Neolítico. A segunda etapa consistiu na divisão social do trabalho material e intelectual.
Demos diversas explicações prévias e necessárias, para que pudéssemos tratar da teoria da ação e da reprodução social da conduta individual. Teoria esta que o elaborador da Teoria da História apresenta como o viés, pelo qual se deu à gênese da divisão social do trabalho material e intelectual.
Partimos da noção que concebe o indivíduo como sujeito estruturado, nos termos de um conjunto complexo de conduta, conforme Jesus houvera ensinado. E, vimos que as “ações sociais” (“frutos” ou campo objetivo da conduta individual) são concebidas como indícios físicos, cujos sentidos são “subjetivamente” (“árvore” ou campo subjetivo) indicados, isto é, motivados. Em outros termos: pelos “frutos” (campo objetivo ou ações) se conhece a “árvore” (campo subjetivo e motivador). Notemos, agora, que essas metáforas foram elaboradas e empregadas, propositadamente, para delas deduzirmos três outras implicações. Em primeiro lugar, o aspecto reprodutor da “árvore” (intelectual): “que produz o fruto segundo a sua espécie, contendo o fruto sua semente”. Em segundo lugar: o aspecto reprodutor da “erva” (senso comum): “que contém semente segundo sua espécie”. Em terceiro lugar: a relação entre esses dois gêneros de “plantas” (papeis sociais).
2.2.9. Diferença do modo de reprodução social da conduta entre as plantas do tipo erva e as do tipo árvore
Podemos comparar e verificar possíveis interações entre, de um lado, a “planta” pensada como metáfora de papel social, do gênero “erva” (que contem semente segundo sua espécie), e do outro lado, a “planta” como metáfora de papel social, do gênero “árvore” (que produz fruto segundo sua espécie, e contendo o fruto a sua semente). Na comparação acima sugerida, salta aos olhos do observador, o fato da “erva” se distinguir e se afirmar, em relação à árvore, como sendo uma “planta” (papel social) mais simples. Isto vale tanto com referência ao nível intelectual como a sua forma de reprodução social.
No nível intelectual, a “planta” (papel social) do gênero representado na figura da “erva”, isto é, elemento de nível mais simples que a “árvore”, consiste no que chamamos de senso comum.
Quanto a sua forma de reprodução, está é simbolizada no órgão reprodutor da “erva”, ou seja, na “semente”, que se distingue do órgão reprodutor da “árvore”, isto é, distingue-se do “fruto”. Notem que a Teoria da História atribui à forma de reprodução da “árvore”, ou seja, ao “fruto”, ser “bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência” (Gn 3, 6). A “semente” da erva se distingue da “semente contida no fruto”, por ser um órgão reprodutor simples. Pois, a “semente da erva” não tem o aspecto formal agradável ao observador, nem a polpa adocicada, ou seja, ela não é, se comparada ao “fruto que contém semente”, tão “boa para comer”, não apresenta um “aspecto muito agradável”, nem é “mui apropriada para abrir a inteligência”. O “fruto” (da árvore) tem esse aspecto agradável ao observador, e contém sua “semente” – órgão propriamente reprodutor da “árvore” -, que se encontra dissimulado no interior do “fruto”. Enfim, o símbolo “erva” representa o papel social (“planta”), cujo nível intelectual é de senso comum. Ele representa, também, o campo subjetivo pertinente ao indivíduo de senso comum. E, a sua “semente” simples representa o respectivo campo objetivo (ações sociais), isto é, o campo objetivo da “erva”, e representa, também, a forma de reprodução social do indivíduo de senso comum ou “erva”.
O modo simples de reprodução da “semente” (campo objetivo do indivíduo de senso comum) ocorre através do discurso simples e direto. Discurso este proferido como sugestão ou ordem, ditado por um indivíduo desse gênero de “planta” (papel social), o qual se dirige a outro indivíduo do mesmo gênero. Este outro indivíduo assimila, por sua vez, a “semente” (campo objetivo) daquele que proferiu o discurso do tipo acima apontado. Esta modalidade de assimilação se dá, sobremodo, através da imitação, que se reforça com a repetição e consequente formação do hábito. Posto que, o indivíduo de senso comum (erva) não dispõe de discursos e encenações sofisticadas ao nível do intelectual (árvore). Obviamente, em determinados contextos, o discurso simples e direto sugerindo tal ou qual ação e mesmo a imitação ocorrem, efetivamente, entre indivíduos de quaisquer gêneros.
Na comparação entre o senso comum (erva) e o intelectual (árvore), este se distingue daquele e se afirma como sendo uma “planta” (papel social) mais complexa e sofisticada, tanto com referência ao nível intelectual como em relação a sua forma de reprodução social. No nível intelectual, o papel social do gênero “árvore” consiste no que denominamos, propriamente, de intelectual. Pois, este consegue elevar-se a um nível sofisticado de abstração e elaboração intelectual (pensamento formal), à medida que disponha de predicados (informações, acuidade intelectual, etc.) e tempo para isso. Quanto à sua forma de reprodução, esta é simbolizada naquilo que ele produz: “fruto segundo a sua espécie, e contendo o fruto a sua semente”.