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Livro: O DILÚVIO – Na cronologia da realidade sócio-histórica pré e pós-diluviana interpretada pela cronologia da teoria da genealogia de Adão – LINHA DO TEMPO (Art. 5, Cap. I, 1.;2.;3.;4., p. 26-30) www.tribodossantos.com.br
- O significado do signo “Adão”: o Adão que a teoria em tela trata, consiste no “segundo” Adão (Gn 4, 25-26; 5, 1+). Poderíamos parafrasear o Gn 5, 1 (Este é o livro da história da família de Adão), dizendo, a respeito do nosso texto, que esta é a teoria da história da família de Adão. Este Adão é o ponto de partida dessa teoria. Ele consiste no estágio civilizatório e da divisão do trabalho social, no qual se encontrava a amostra empírica da realidade sócio-histórica e espacial utilizada pelo autor, para a abstração e apresentação da teoria em questão: a configuração espacial (a população interagindo entre si e com o seu espaço geográfico) egípcia cerca de 3439 (ou 3330) a.C. Período este chamado de Pré-dinástico recente ou Época pré-tinita. Oportunamente, explicaremos o porquê destas datas. O autor considera que nesse período (numa dessas duas datas), o mercado macro-regional egípcio atingira o nível de complexidade da divisão social do trabalho, que apresentava o aspecto bipolar: no Sul, desenvolveu-se o mercado regional circunscrito ao Vale ou Alto Egito, capital hieracômpolis, em egípcio Nekhen; no Norte, desenvolveu-se o mercado regional circunscrito ao Delta ou Baixo Egito, capital Buto. A vitória das elites no poder do Sul sobre as do Norte instituiu a I Dinastia egípcia.
Lamec e “Ada” (Baixo Egito) versus Lamec e “Sela” (Alto Egito)
No período Pré-dinástico recente, o mercado macro-regional egípcio e respectiva configuração espacial estavam subdivididos em dois grande blocos. Este aspecto bipolar foi representado, na Teoria da História, sob a forma “Lamec tomou duas mulheres, uma chamada Ada e outra Sela…” (cf. Gn 4, 19-22).[1] O segundo Adão representa, portanto, o nível de complexidade atingido pela sociedade, nos últimos 130 anos do período pré-dinástico recente do Antigo Egito, o qual se caracterizou pelo aspecto bipolar atinente à fase expansiva do processo do Grande Mercado.
O bloco “Ada” do mercado bipolar Lamec (o primeiro Lamec: Gn 4, 18-24) da Época pré-tinita do Antigo Egito simboliza, por um aspecto, a região do Norte, Delta ou Baixo Egito, cuja capital fora Buto. Onde a hegemonia sobre as forças de trabalho era detida por corporações ligadas ao trabalho comercial, e por outras ligadas ao trabalho cultural mais sofisticado que as correlatas do Sul, Vale, Alto Egito.
O bloco “Sela” do mercado bipolar Lamec (o primeiro Lamec: Gn 4, 18-24) do período Pré-dinástico recente simboliza, por um aspecto, a região do Sul, Delta ou Alto Egito, cuja capital for Hieracômpolis, em egípcio Nekhen. Na qual, a hegemonia sobre as forças de trabalho era detida por corporações ligadas à extração e beneficiamento de minério.
Por volta de 3200 (ou 3400) a.C., o Grande Mercado egípcio Lamec (o primeiro Lamec: Gn 4, 18-24) instrumentalizou as elites no poder da região Sul (Alto Egito), para gerenciar a unificação deste Grande Mercado. Desse modo, institucionalizou-se a I Dinastia egípcia, que foi simbolizada, na teoria genealógica registrada, metaforicamente, no “livro da família de Adão” (Gn 5, 1-a), no signo Set. Neste sentido, Lévêque esclarece:[2]
“A vitória do Sul sobre o Norte – É difícil determinar a data que as culturas amratiense e gerzeense acabaram por amalgamar-se para dar origem à cultura egípcia do fim do Pré-dinástico recente (por volta de 3400?). Não é mais fácil saber quando se acabou a luta entre o Sul e o Norte. A vitória do Sul só é reconhecida através de alguns monumentos impossíveis de datar com precisão. Remontam sem dúvida aos derradeiros anos que precederam o estabelecimento da primeira dinastia dita tinita. É por isso que este último fim do Pré-dinástico é também denominado Época pré-tinita. Os monumentos que descrevem a conquista do Norte pelo Sul São paletas e clavas votivas encontradas no templo primitivo de Hieracômpolis, em egípcio Nekhen, conhecidos pelos textos como o lugar da origem das almas de Nekhen que são os reis do Sul divinizado, sendo os do Norte chamados de almas de Pê (Buto)”
O autor da teoria da genealogia de Adão concebe o contexto sócio-histórico e espacial pertinente ao período Pré-dinástico recente, como o ponto de partida Adão da teoria genealógica registrada no “livro da história da família de Adão” (Gn 5, 1-a). A partir deste ponto inicial, vejamos outros aspectos que a teoria da genealogia de Adão põe em foco.
- O significado do “nascimento” de cada membro da genealogia de Adão: o nascimento de cada sucessor (membro) da genealogia de Adão representa o momento de inicio do período de hegemonia de cada etapa do processo relativo ao grande mercado.
- O significado do “período de vida”: o “período de vida” de cada membro da genealogia de Adão se inicia com o “nascimento” de cada membro antecessor e se estende, durante determinado período, e se encerra com o nascimento do seu sucessor imediato. Tal “período de vida” simboliza o período de hegemonia detido por cada etapa do processo geral relativo ao grande mercado. Período de hegemonia cujo inicio é representado no “nascimento” de cada membro antecessor, na genealogia, e cujo encerramento é representado no “nascimento” (ascensão) de cada membro imediatamente sucessor.
- O término do período de hegemonia: o nascimento do sucessor de cada membro da genealogia de Adão representa o momento do inicio da ascensão daquele sucessor (etapa subsequente). Desse modo, esse nascimento representa, por outro aspecto, o momento do término do período de hegemonia de cada etapa antecedente.
É oportuno esclarecermos bem algumas questões pertinentes à teoria da genealogia de Adão. Vejamos, com outros termos, aquele momento que ela marca como tendo o “pai” feito “nascer” seu “primeiro filho”, ou como “fim” de um dos seus membros ou de outros aspectos atinentes a estes membros (início e término do período de decadência de um membro da genealogia, após este ser suplantado pelo seu sucessor imediato (filho); início e término do tempo total de existência de cada membro, etc.). Esse “nascimento” e esse “fim” não se tratam, exatamente, de datas específicas. Senão no sentido de marcar um dado momento de início e de término do período de hegemonia de uma etapa (ou do período de sua decadência, etc.) no contexto do processo geral relativo ao Grande Mercado. A teoria marca o momento do início de uma determinada etapa, em relação ao momento do início da etapa imediatamente subsequente.
O “nascimento” e o “período de vida” de um membro antecedente (pai) da genealogia de Adão até ao “nascimento” do seu membro imediatamente subsequente (primeiro filho) representam, respectivamente, três coisas:
- a) O “nascimento” do membro antecedente (pai) representa o “momento do inicio” da hegemonia de uma determinada etapa, do processo relativo ao Grande Mercado. Etapa esta que antecede, imediatamente, outra etapa (filho).
- b) O “período de vida” do membro antecedente (pai) representa o “período de hegemonia” detido por esta etapa antecedente, no processo acima indicado. Período este cujo inicio é representado no momento do nascimento do “pai” (etapa antecedente) e se estende até ao momento do “nascimento” do seu “primeiro filho” (etapa imediatamente subsequente).
- c) O “nascimento” do seu membro imediatamente subsequente (primeiro filho) representa, por um aspecto, a ascensão e assim o inicio do período de hegemonia dessa etapa imediatamente subsequente, em relação àquela antecedente (pai), e por outro aspecto e por isso mesmo, representa o encerramento do período de hegemonia da etapa antecedente (pai), e assim sucessivamente.
Após o nascimento do primeiro filho de cada membro da genealogia de Adão, a teoria atribui a cada membro – expansivo – da genealogia, haver gerado “filhos e filhas”. “Filhos e filhas” representam, aqui, empórios comerciais e colônias que cada etapa gera no seu processo expansivo.
O número de anos do período de hegemonia (período de vida) de cada etapa é fornecido pelo autor da teoria. Por exemplo, a teoria diz (Gn 5, 3): “Adão viveu cento e trinta anos: e gerou um filho à sua semelhança e sua imagem, e deu-lhe o nome Set”. Nestes termos simbólicos, a teoria fornece-nos: a) o período de 130 anos de hegemonia (tempo vivido por Adão) de Adão; b) o momento que o sucessor de Adão chamado Set teve inicio; c) e o momento que Adão perdeu sua hegemonia para Set, já que “o nascimento” de Set representa a ascensão da hegemonia obtida por este.
[1] Machado, F. A. Teoria da História – Do grande mercado global pré-diluviano ao grande mercado global contemporâneo, p. 93. Cf. ART. 26: O mercado macro-regional bipolar (Lamec e Ada versus Lamec e Sela) (Art. 26, 2.7.1.;2.7.2.;2.7.3., p. 184-192): http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/04/o-mercado-macro-regional-bipolar-lamec.html
[2] Lévêque, Pierre. As primeira civilizações. Volume I – Os impérios do bronze, Edições 70, lda., Lisboa, 1987, p. 103.