Dois pontos de partida arbitrados por nós, para a aplicação da teoria da genealogia de Adão na era pré-diluviana: 1788 a.C.; 3200 a. C.

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 Art 13 e 14 métod DATAÇÃOLivro: O DILÚVIO – Na cronologia da realidade sócio-histórica pré e pós-diluviana interpretada pela cronologia da teoria da genealogia de Adão – LINHA DO TEMPO(Art. 13, Cap. II, 1., p. 46-53) www.tribodossantos.com.br

  1. Primeiro ponto de partida: 1788 a.C. Vamos proceder à interpretação da realidade sócio-histórica e geográfica pré-diluviana, de dois modos. Em primeiro lugar, selecionamos a data histórica 1788 a.C. E, aplicamo-la como ponto de referência e de partida, para as operações matemáticas simples sugeridas, implicitamente, pelo próprio modelo teórico da genealogia de Adão. Operações estas que efetuamos e cujos resultados vamos apresentar, oportunamente, quando expormos o curso sócio-histórico e geográfico em tela, na forma de linha do tempo. Ao selecionarmos o ano 1788 a.C., levamos em consideração que essa data é bem mais recente que outra data, 3200 a.C. Esta data (3200 a.C.) será, também, selecionada e empregada, em segundo lugar, como referência e ponto de partida, conforme veremos em outro artigo. Pois, a data 1788 por ser mais recente que àquela,  possivelmente estaria mais próxima da realidade histórica pertinente. Escolhemos as datas acima indicadas, mas tendo como referência autores conceituados, que se basearam no método de datação por Referência Histórica, com as ressalva indicada por Burns:[1]

                   “Algumas autoridades dão como data aproximada do início da Primeira Dinastia o ano 3400. Ainda que os resultados da pesquisas recentes pareçam inclinar-se mais para o ano 3200, não devemos esquecer que todas as datas anteriores ao ano 2000 são, em larga escala, matéria de simples conjectura”.

         O ano 1788 a.C. marca o fim do Médio Império Egípcio, e junto a ele ocorreu, segundo o nosso parecer, o fim do Grande Mercado global pré-diluviano. Escolhemos, por razão metodológica, a sócio-história do Antigo Egito, e a estabelecemos como referência, para o estudo do processo de formação, expansão e regressão do Grande Mercado pré-diluviano. Procedemos desse modo, devido ao fato da realidade sócio-histórica do Antigo Egito ter transcorrido, durante longo período, de modo relativamente estável e sem bruscas interrupções advindas do exterior, se a compararmos com a sócio-história da Mesopotâmia. Pois, a configuração espacial do Antigo Egito era protegida por barreiras naturais (desertos; a série de cataratas do rio Nilo; a frente marítima limitada; e nenhum vizinho constantemente ameaçador vivia nas proximidades imediatas dessas fronteiras).[2] O elaborador da teoria da genealogia de Adão escolheu, também, a sócio-história do Antigo Egito, como amostra e referência para o estudo do processo de formação, expansão e regressão do grande mercado pré-diluviano. Ele procedeu dessa maneira, parece, pelo mesmo motivo que acima indicamos.

         A data 1788 a.C. marca, efetivamente, o início do caos interno (convulsão social grave, prolongada e irreversível) no Médio Império. Por outro aspecto, a data (1788 ou 1679) da “morte” (término) de “Lamec” (Grande Mercado Global) ocorrera apenas cinco dias antes da data de início do “dilúvio”, segundo os cálculos sugeridos pela teoria da genealogia de Adão. Tal data marca, também, aproximadamente, o início das convulsões sociais que se propagaram por todos os demais mercados macro-regionais, os quais integravam a grande rede global pré-diluviana de mercados.[3] Convulsão social generalizada essa que a Teoria da História registrada no livro Gênese chama de dilúvio (= II Período Intermediário). Burns mostra o ano 1788 como o marco do fim da XII Dinastia egípcia, e por isso mesmo essa data marca, também, o fim do Médio Império:[4]

         “Com o fim da XII Dinastia o Egito entrou em outra era de caos interno e de invasões estrangeiras, que durou mais de dois séculos – de 1788 a 1580 a.C. Os documentos do tempo são escassos, mas parece indicar que a desordem interna resultou de uma contra-revolução dos nobres. Os faraós foram novamente reduzidos à impotência e grande parte do progresso social da época precedente ruiu por terra. Aproximadamente em 1750 o país sofreu uma invasão dos hicsos ou Reis Pastores…”

         É oportuno observar que em datas próximas àquela que a convulsão social grave e prolongada teve início no Egito, convulsões sociais do mesmo gênero ocorreram em todos os demais mercados macro-regionais. Os quais integravam a grande rede global de mercados macro-regionais: egeu; mesopotâmico; elamita; hitita; fenício, sírio e cananeu; e aquele estabelecido entre as cidades da bacia do rio Indo.[5] Neste sentido é que Abraão e outros grupos vagavam, entre 1800-1700 a.C., famintos, pelo Crescente Fértil.

Segundo ponto de partida (3200 a.C.) arbitrado por nós, para a aplicação da teoria da genealogia de Adão na era pré-diluviana (Art. 14, Cap. II, 2., p. 49-52)

  1. Segundo ponto de partida: 3200 a.C. Em segundo lugar, selecionamos, “arbitrariamente”, a data 3200 a.C., e a utilizaremos, também, como referência e ponto de partida, para procedermos às operações matemáticas que abordamos no artigo anterior (Art. 13).[6] Desse modo, tentaremos reconstituir a datação pertinente à realidade sócio-histórica e geográfica, da qual foi abstraída a teoria. Selecionamos o ano 3200, considerando as seguintes advertências feitas por Burns:[7]

         “Algumas autoridades dão como data aproximada do início da Primeira Dinastia o ano 3400. Ainda que os resultados da pesquisas recentes pareçam inclinar-se mais para o ano 3200, não devemos esquecer que todas as datas anteriores ao ano 2000 são, em larga escala, matéria de simples conjectura”.

         O ano 3200 a.C. corresponde, aproximadamente, ao início da Primeira Dinastia Egípcia:[8]

         “Cerca do ano 3200 a.C. os reinos do norte e do sul do Egito foram reunidos numa só unidade política, aparentemente pela segunda vez (…) O fundador tradicional do novo estado foi Menés, que ipso facto se tornou o fundador da Primeira Dinastia. Seguiram-se em ordem ininterrupta cinco outras dinastias, até 2300 a.C. (…) toda a época correspondente às seis primeiras dinastias é conhecida pelo nome de Antigo Império”.

         Podemos partir da hipótese que o ano 3200 a.C. foi, segundo a teoria da genealogia de Adão, a data que Adão gerou Set. Isto quer dizer, em termos históricos, que no ano 3200 Menés reuniu o reino do norte (Delta ou Baixo Egito) e o reino do sul (Vale ou Alto Egito) numa única unidade política. Assim, ele fundou a Primeira Dinastia. Ora, A teoria diz que Adão tinha 130 anos quando gerou Set (cf. Gn 5, 3). Ou seja, foi de 130 anos o período de hegemonia detido pela etapa do processo do Grande Mercado representada no signo Adão. Essa etapa de 130 anos consistiu, portanto, no período Pré-dinástico recente, quando esteve em vigência o aspecto bipolar concernente ao mercado regional egípcio. Mercado bipolar este que precedeu, imediatamente, o mercado dotado de controle único, detido pela Primeira Dinastia. O signo “Adão” representa, enfim, os 130 anos finais, da época histórica egípcia chamada período Pré-dinástico recente ou Época pré-tinita. Adão representa, por conseguinte, tanto esse caráter bipolar do Grande Mercado egípcio como a base e ponto inicial e de partida do processo de expansão seguido de regressão do grande mercado. O primeiro ano de vida de Adão, isto é, o primeiro ano da formação bipolar que o mercado regional egípcio se apresentou, consiste no ano 3330 (3200+130). Este aspecto bipolar foi representado, na Teoria da História, sob a forma “Lamec tomou duas mulheres, uma chamada Ada e outra Sela…” (cf. Gn 4, 19-22).[9] O segundo Adão representa, portanto, o nível de complexidade atingido pela sociedade, nos últimos 130 anos do período pré-dinástico recente do Antigo Egito, o qual se caracterizou pelo aspecto bipolar atinente à fase expansiva do processo do Grande Mercado.

          O bloco “Ada” do mercado bipolar Lamec (o primeiro Lamec: Gn 4, 18-24) da Época pré-tinita do Antigo Egito simboliza, por um aspecto, a região do Norte, Delta ou Baixo Egito, cuja capital fora Buto. Onde a hegemonia sobre as forças de trabalho era detida por corporações ligadas ao trabalho comercial, e por outras ligadas ao trabalho cultural mais sofisticado que as correlatas do Sul, Vale, Alto Egito.

          O bloco “Sela” do mercado bipolar Lamec (o primeiro Lamec: Gn 4, 18-24)   do período Pré-dinástico recente simboliza, por um aspecto, a região do Sul, Delta ou Alto Egito, cuja capital fora Hieracômpolis, em egípcio Nekhen. No qual a hegemonia sobre as forças de trabalho era detida por corporações ligadas à extração e beneficiamento de minério.

          Por volta de 3200 ou 3400 a.C., o Grande Mercado egípcio Lamec (o primeiro Lamec: Gn 4, 18-24) instrumentalizou as elites no poder da região Sul (Alto Egito), para gerenciar a unificação deste Grande mercado. Neste sentido, Lévêque esclarece:[10]

          “A vitória do Sul sobre o Norte – É difícil determinar a data que as culturas amratiense e gerzeense acabaram por amalgamar-se para dar origem à cultura egípcia do fim do Pré-dinástico recente (por volta de 3400?). Não é mais fácil saber quando se acabou a luta entre o Sul e o Norte. A vitória do Sul só é reconhecida através de alguns monumentos impossíveis de datar com precisão. Remontam sem dúvida aos derradeiros anos que precederam o estabelecimento da primeira dinastia dita tinita. É por isso que este último fim do Pré-dinástico é também denominado época pré-tinita. Os monumentos que descrevem a conquista do Norte pelo Sul São paletas e clavas votivas encontradas no templo primitivo de Hieracômpolis, em egípcio Nekhen, conhecidos pelos textos como o lugar da origem das almas de Nekhen que são os reis do Sul divinizado, sendo os do Norte chamados de almas de Pê (Buto)”

         Se o ano 3200 a.C. corresponde à data de nascimento de Set, isto é, à data de fundação da Primeira Dinastia. Então, os 105 anos que Set viveu até gerar seu primeiro filho (Enos) representam os 105 anos que a Primeira Dinastia deteve hegemonia, até engendrar a Segunda Dinastia (“seu primeiro filho”). Enos, ou seja, a Segunda Dinastia ascendeu, consequentemente, no ano 3095 (3200-105). Efetuaremos sucessivas operações matemáticas desse gênero, na elaboração da linha do tempo que vamos apresentar. Na qual exporemos a aplicação da cronologia contida na teoria da genealogia de Adão, na interpretação da realidade histórica relativa ao processo do Grande Mercado, tanto pré-diluviano como pós-diluviano.

         Em nossa linha do tempo, exporemos, simultaneamente, tanto o ano 1788 como o ano 3200, concebidos como dois distintos pontos de partida, para a aplicação da cronologia contida na teoria em tela. Para efeito de distinção, as datas e períodos pertinentes ao ano 1788 serão apresentados em primeiro lugar e em negrito. Em seguida e ao lado dessas datas, apresentaremos, em itálico, as datas e períodos correspondentes ao ano 3200.

         É oportuno observarmos que toda a datação decorrente do ano 1788 concebido como referência e ponto de partida, apresentará a diferença de 109 anos a mais. Isto em comparação a toda datação decorrente do ano 3200 concebido, também, como ponto de partida e referência. Essa diferença se apresenta, portanto, constante para as datas atribuídas a todos os eventos sócio-históricos pré-diluvianos.

[1] Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 43.

[2] Aymard, A. e Auboyer, F. História Geral das Civilizações, Tomo I, 1º Volume, p. 17, 19.

[3] Cf. ART. 9: INÍCIO E TÉRMINO DA QUEDA DO MERCADO GLOBAL PRÉ-DILUVIANO: no Egito, na mesopotâmia e na civilização egéia (Art. 9, 1.2;1.2.1;1.2.2;1.2;3. P. 62-66):

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/inicio-e-termino-da-queda-do-mercado.html

Cf. ART. 10: Peregrinação de Abraão pela Crescente Fértil no meio do dilúvio que abateu o mercado global pré-diluviano (Art. 10, 1.2.4;1.2.5;1.2.6;1.2.7. p.66-75):

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/peregrinacao-de-abraao-pela-crescente.html

[4] Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 48.

[5] Machado, F. A. Teoria da História – Do grande mercado global pré-diluviano ao grande mercado global contemporâneo, p. 33-39. Cf. ART. 9: INÍCIO E TÉRMINO DA QUEDA DO MERCADO GLOBAL PRÉ-DILUVIANO: no Egito, na mesopotâmia e na civilização egéia (Art. 9, 1.2;1.2.1;1.2.2;1.2;3. P. 62-66):

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/inicio-e-termino-da-queda-do-mercado.html

Cf. ART. 10: Peregrinação de Abraão pela Crescente Fértil no meio do dilúvio que abateu o mercado global pré-diluviano (Art. 10, 1.2.4;1.2.5;1.2.6;1.2.7. p.66-75):

http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/peregrinacao-de-abraao-pela-crescente.html

[6] Cf. Art. 13. Dois pontos de partida arbitrados por nós, para a aplicação da teoria da genealogia de Adão na era pré-diluviana: Primeiro ponto: 1788 a.C. (Art. 13, Cap. II, 1., p. 45-49)

[7] Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 43.

[8] Idem, p. 45.

[9] Machado, F. A. Teoria da História – Do grande mercado global pré-diluviano ao grande mercado global contemporâneo, p. 93. Cf. ART. 26: O mercado macro-regional bipolar (Lamec e Ada versus Lamec e Sela) (Art. 26, 2.7.1.;2.7.2.;2.7.3., p. 184-192): http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/04/o-mercado-macro-regional-bipolar-lamec.html

[10] Lévêque, Pierre. As primeira civilizações. Volume I – Os impérios do bronze, Edições 70, lda., Lisboa, 1987, p. 103.