TEORIA DA HISTÓRIA: origem, natureza e registro feito por Moisés na identidade cultural hebraica – Sacerdotes e levitas matavam os iniciados por Moisés na Teoria da História

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Livro: Teoria da História  (Art. 12, 2.1.;2.1.1. p. 81-91) www.tribodossantos.com.br

   Antiquíssimos pensadores pré-diluvianos elaboraram uma Teoria da História, que consiste, segundo noções e respectivas terminologias modernas, no processo genético de natureza estrutural e dialética (cíclico) de produção do conhecimento, e respectivas transformações sócio-históricas transcorridas em tempo muito longo. Moisés viveu no início da era pós-diluviana, isto é, por volta de 1300-1250 a.C.[1] Ele trouxe do Egito conhecimentos teológicos, dos quais se serviu, mas conheceu a referida teoria ou parte dela, possivelmente através do seu sogro, Jetro, sacerdote da terra de Madiã e adorador do Deus Iahweh.[2] Moisés conheceu, adotou e registrou, de modo hermeticamente codificado, a referida Teoria da História. Ele a registrou em escrita analítica, tipo hieroglífica, cujos sinais de anotação (ideogramas) tratam-se das formas e disposições dos móveis, recintos e do próprio tabernáculo (Cf Ex 25-26-27+), e alguns poucos rituais criados, verdadeiramente, pelo próprio Moisés.

    Moisés traduziu, a escrita tipo hieroglífica acima citado, para a linguagem falada em hebraico ou mais provavelmente em aramaico.[3] Pois, esta era a linguagem falada pelos israelitas à época em que Moisés escreveu a Teoria da História no tabernáculo. Ele representou essa teoria, empregando, de modo hermeticamente simbólico, diversas noções, lenda e contos originários de culturas diversas. Assim, ele transmitira, oralmente, esse conhecimento para seus iniciados, criando uma escola de genuínos profetas. Mesmo após a morte de Moisés, seus iniciados continuaram cultuando o Deus Iahweh e a respectiva Teoria da História, e retransmitindo-a para novos iniciados. Mas, após a morte do líder por assassinato, essa escola seria perseguida pelos sacerdotes e passaria para a clandestinidade.

  1. Sacerdotes e levitas matavam os iniciados por Moisés na Teoria da História

    Moisés e sua escola exaltavam o Deus Criador (Trabalho Natura-Social) e o Espírito deste, Iahweh. Ele concebia que esta divindade tinha como princípio a defesa e a libertação dos segmentos pobres de trabalhadores (Cf. Ex 3, 7). Os quais eram submetidos e explorados, em toda parte, pelas elites dominantes constituídas de sacerdotes, lideranças políticas e negociantes poderosos, a exemplo das elites egípcias. Moisés constituíra e empregara sacerdotes e levitas, para servirem na administração e manutenção do tabernáculo, ou seja, a escola que criara. Os sacerdotes e levitas ambicionavam utilizar, no entanto, o tabernáculo e o culto a Iahweh, como meio exclusivo de dominação e exploração do povo. Para eles concretizarem essa ambição, empreenderam, ao longo dos séculos, sistemático falseamento do sentido original do culto a Iahweh e inventaram leis e mais leis, tradições e mais tradições, rituais e mais rituais. Eles tinham inveja dos iniciados instruídos por Moisés, e não compreendiam nem se importavam com os conhecimentos esotéricos escritos no tabernáculo. No seio dos israelitas havia pessoas ambiciosas dotadas de capacidade de liderança política e/ou empenhadas em atividades econômicas. Essas pessoas buscavam alianças com os sacerdotes e levitas, a fim de se beneficiarem com o poder de sedução e de mobilização, que estes detinham sobre significativa parcela da população. Pois, tais pessoas visavam, assim como os sacerdotes e levitas, dominar e explorar o povo.

    Após a morte ou possível assassinato de Moisés, os sacerdotes e levitas passaram a perseguir e matar, ao longo dos séculos, os profetas genuínos, ou seja, os iniciados e conhecedores da Teoria da História, e que permaneceram seguindo os ditames do mestre. No período anterior ao estabelecimento do Estado (a monarquia iniciada com o reinado de Saul) e mesmo após o início do exílio babilônico, os “genuínos profetas” (iniciados na Teoria da História trazida por Moisés) constituíam uma categoria bem distinta de outras categorias de “profetas” (nabi). Estas outras categorias de “profetas” eram constituídas, respectivamente, de “falsos profetas”. Elas apresentavam diversas características: tratava-se de videntes que vagavam pela zona rural; figuras individuais ou guildas ou bandos de profetas profissionais e cultuais, que participavam das observâncias cultuais nos santuários ao lado de sacerdotes ou levitas; profetas cultuais que serviam diretamente na corte do rei, etc.[4] Os iniciados consideravam o tipo nabi de profeta, como sendo falsos profetas, e havia conflito entre os iniciados e as demais categorias de profetas. É oportuno lembrar que Jesus acusara os antigos sacerdotes e escribas hebreus de perseguirem e matarem, sistematicamente, os profetas. O Mestre se referia à categoria de profetas que seguiam a iniciação instituída por Moisés, a exemplo de Elias e os grandes profetas individuais, conhecidos como “profetas escritores” (Amós, Oséias, Isaías, Jeremias, etc.). (Mt 23, 29-39):

     “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que edificais os túmulos dos profetas e enfeitais os sepulcros dos justos e dizeis: ‘Se estivéssemos vivos nos dias dos nossos pais, não teríamos sido cúmplices deles no derramar o sangue dos profetas’. Com isto testificais, contra vós, que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Completai, pois, a medida dos vossos pais! Serpentes! Raça de víboras! Como haveis de escapar do julgamento da geena? Por isso vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis, a outros açoitareis em vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade. E assim cairá sobre vós todo o sangue dos justos derramados sobre a terra, desde o sangue do inocente Abel até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo: tudo isso sobrevirá a essa geração! Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe seus pintinhos debaixo das asas, e não o quisestes! Eis que a vossa casa ficará abandonada, pois eu vos digo: não me verás mais até que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor! ( os grifos em negrito são nossos)

    Os sacerdotes hebreus perseguiam e matavam os profetas porque estes cultivavam a Teoria da História, o respectivo Deus Iahweh e as normas de comportamento apoditicamente formuladas e instituídas por Moisés. Normas estas em consonância com o espírito de justiça social própria de Iahweh, Deus do bem e do amor.[5] Os iniciados na doutrina e no Deus de Moisés atuavam, consequentemente, por um lado, em defesa dos segmentos sociais de trabalhadores pobres, e por outro, precisamente contra os sacerdotes e os aliados destes, os quais procediam no sentido de submeter e explorar àqueles segmentos. Este conflito perdurou séculos, até que os sacerdotes provocaram, por fim, a morte do Profeta Maior, Jesus, o Escolhido de Deus.

    Os iniciados remanescentes da escola de Moisés resistiram durante séculos, e preparavam, secretamente, novos iniciados. Aos quais, eles transmitiam oralmente a Teoria da História e lhes ensinavam, também, lê-la na forma de escrita do tipo hieroglífica registrada no tabernáculo e em suas mobílias. Tabernáculo este cujo modelo fora reproduzido, posteriormente (por volta de 960 a.C.), com algumas alterações, no templo de Jerusalém (Cf. I Reis 6, 1-36; 7, 40 +).
Antes do surgimento do Estado havia, possivelmente, muitas outras reproduções do tabernáculo e das suas mobílias, em diferentes lugares da Palestina, onde os iniciados teriam, também, a possibilidade de ler e estudar a Teoria da História. Pois, nesse período, existiram diversos santuários dedicados a Iahweh.[6] Onde, os iniciados passaram a dispor, ao menos furtivamente, da possibilidade de proceder a referida leitura, pelo menos quanto aos móveis situados na primeira (Santo) das duas salas de que constava o interior do templo: altar do incenso no centro; o candelabro de ouro dotado de sete braços, situado no lado esquerdo de quem entrasse; a mesa dos pães da proposição; e mesmo o véu que separava essa primeira sala da segunda sala (Santo dos Santos). Segunda sala esta onde ficava a arca (que desapareceu quando Nabucodonosor destruiu o templo de Jerusalém), e sobre ela o propiciatório e os respectivos dois querubins.

    Os grandes profetas individuais escritores contribuíram para a preservação dos conhecimentos pertinentes à Teoria da História em tela. Pois, eles operavam, implicitamente, com a referida teoria, em suas análises sócio-históricas e críticas aos sacerdotes, ao templo, aos reis, aos juízes, etc. Em muitos dos seus escritos, empregavam termos e expressões simbólicas pertinentes à transmissão oral dessa teoria. Termos e expressões estas que iriam aparecer, mais tarde, registradas no texto em que a tal teoria fora incorporada como prólogo do Pentateuco (Cf. Gn 1-10; nos demais capítulos deste livro, vejam alguns aspectos dos relatos históricos que ajudam ilustrar, sobretudo, a fase Noé de depressão, o esfacelamento diluviano (= II Período Intermediário) e fragmentação tripartite do grande mercado global pré-diluviano). Essa categoria de profetas começou a atuar e a produzir e registrar conhecimentos a partir de meados do século VIII a.C., com Amós, e inclui os três livros da escola inaugurada pelo profeta Isaías, mais Miquéias, Oséias, Jeremias, Sofonias, Ezequiel, Zacarias, o autor do livro Daniel e o autor do Livro de Henoc.[7]

    O surgimento dessa categoria de profetas e do respectivo modo de atuação e de conhecimentos que produziam, apresentavam aspectos peculiares. Tal categoria exaltava o Deus Criador, Iahweh, e defendia os segmentos pobres e indefesos de trabalhadores, que no tipo de formação social israelita em que viviam, correspondiam, sobretudo, aos órfãos, viúvas e estrangeiros. Notem que tal categoria de profetas surge, coincidentemente, no contexto da hegemonia detida pelo Império Assírio. O qual conquistou o reino de Israel, em 722 a.C.[8] Esse grande império correspondeu, conforme veremos mais adiante, à segunda escala imperial do processo de expansão do grande mercado pós-diluviano. Escala esta representada simbolicamente no termo Enos. Notem, ainda, que a Teoria da História em apreço prevê que nesse contexto Enos… o nome do Senhor começou a ser invocado a partir de então” (Cf. Gn 5, 26-b), isto é, ela quer dizer que a categoria de pensamento profético surge nesse contexto. Ou seja, essa categoria de pensamento inicia com a primeira escala imperial (Set: Movo Império Egípcio), e prossegue na segunda escala imperial (Enos: Império Assírio). Mas, a Teoria da História indica, também, que a categoria de pensamento profético houvera surgido, ainda, muito antes do contexto social Set e Enos, ou seja, ela houvera surgido na localização social denominada, simbolicamente, Abel, isto é, o segmento social que exerce a atividade pastoril. Neste sentido, vejamos (Cf. Gn 4, 25-26):

    “Adão conheceu outra vez sua mulher, e esta deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Set, dizendo: ‘Deus deu-me uma posteridade para substituir Abel, que Caim matou’. Set teve também um filho, que chamou Enos. E o nome do Senhor começou a ser invocado a partir de então”.

    Enfim, a Teoria da História concebe que a produção da categoria de conhecimento profético surgira, pela primeira vez, na sócio-história, quando a humanidade vivia exclusivamente ainda no campo, e que ela surgira na localização social pastoril (Abel), e que é nessa localização social que emergira, também pela primeira vez na historia da humanidade, o “Sol”. Este símbolo representa um indivíduo real existenteo Escolhido do Deus Criador – que preside a fase “dia” ou síntese do processo genético-dialético da sócio-história transcorrida em tempo longuíssimo (Cf. Gn 1, 14-19). A Teoria da História concebe, ainda, que com o desenvolvimento e complexidade das cidades (o signo Henoc representa a cidade) a referida categoria de pensamento esmorece, mas recrudesce, posteriormente, favorecida pelo contexto social propiciado pela primeira escala imperial (Set), seguida da segunda escala imperial, representada no signo Enos. O processo de produção da categoria de pensamento profético prossegue, com alguns interstícios, até ser consumado na sexta escala imperial representada no signo Henoc (o segundo Henoc, Cf. Gn 5, 24), quando novamente emerge o Escolhido do Deus Criador, isto é, o Profeta Maior, e então, este sistematiza e consuma o referido processo. Esse novo Escolhido foi, na era pós-diluviana ou Pós-II Período Intermediário, Jesus, e a respectiva sexta escala imperial de expansão do grande mercado correspondeu, ainda na era pós-diluviana, ao segundo Henoc, ou seja, o Império Romano.

    A Teoria da História foi elaborada por profetas que vivenciaram e refletiram acerca da era pré-diluviana. Ela se aplica, no entanto, à era pós-diluviana, por ser de natureza dialética (cíclica).

    Moisés fundou uma escola de iniciados no conhecimento acerca da Teoria da História, mas os sacerdotes e levitas perseguiam e matavam os genuínos profetas. Assim, essa escola esmoreceu. Mas, foi incrementada pelo contexto propício, que compreendeu o período que se iniciou com a primeira escala imperial (Set: o Novo Império Egípcio, contexto no qual emergira Moisés), seguido da segunda escala imperial (Enos: o Império Assírio), e que se estendeu incluindo a sexta escala imperial (o segundo Henoc), encerrando-se, então.

    Os antigos sacerdotes hebreus se mancomunavam com lideranças políticas e econômicas, assim foi instituído, por fim, o reinado (Saul, Davi, etc.). Eles procederam, ao longo de séculos, sucessivas releituras acerca da história do povo israelita, a fim de legitimarem seus interesses escusos. Além disto, com a institucionalização do Estado, eles precisaram legitimar, também, o reinado. Pois, os sacerdotes e a corte viviam mancomunados entre si. Com o objetivo comum de submeterem e explorarem os segmentos pobres trabalhadores. Com esses intuitos, eles adulteravam documentos, sumiam com outros e forjavam outros tantos. O profeta da estirpe e da credibilidade de Jeremias é testemunha disto. Neste sentido, ele se referiu aos escribas e ao livro da Lei (Deuteronômio), supostamente achado no templo, durante uma reforma do referido prédio (Cf. Jr 8, 8-b):

    “Na verdade foi a mentira que fez desta lei o estilete enganador dos escribas”.

    Nesta direção, vejam a observação feita por exegeta, referente ao citado versículo, e registrada no rodapé da respectiva página, na “Bíblia Ave Maria”:[9]

    “A mentira: Jeremias considera que os escribas falsearam o sentido da lei, ou os acusa de ter falsificado o próprio documento, pois, trata-se do livro da lei (o Deuteronômio) descoberto no tempo de Josias (Ver II Reis, 8ss)”.

    A reforma empreendida pelos sacerdotes à época do rei Josias (cerca de 622 a.C.) foi um marco importante nesse longo processo geral de releitura e adulteração da história do povo israelita. Essas adulterações e forjamentos continuaram sendo produzidos durante o período exílico e pós-exílico, e geraram poderosos efeitos nefastos através de sua teologia.[10] Teologia esta de natureza fraudulenta, perversa e injusta, através da qual os sacerdotes visavam apenas propiciar a sedutora submissão ideológica e exploração dos segmentos pobres da população, notadamente os trabalhadores.

    A preservação da Teoria da História em questão foi favorecida, grandemente, por determinados grandes profetas individuais, os quais conseguiram inseri-la, enunciada e escrita de modo hermeticamente simbólico, em hebraico, como prólogo do Pentateuco. Isto ocorreu por volta do período exílico, quando o referido compêndio fora composto. Os sacerdotes e seus escribas não conheciam os significados (Teoria da História), hermeticamente codificados através de representações alegóricas, contidos no texto que determinados profetas – não se tem registro dos nomes desses profetas – propuseram-lhes para ser inserido como prólogo do livro Gênese. Assim, os referidos sacerdotes aceitaram tal proposta, supondo se tratar de simplória e literal história da criação do mundo e dos homens. Isto propiciou a preservação integral da Teoria da História, escrita em hebraico. Pois, os escribas e sacerdotes não se preocuparam em adulterá-la.

[1] Cf. Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 112.

[2] Fohrer, G. História da Religião de Israel, p. 78-79: “Moisés (…), nascido no Egito e obviamente familiarizado com os costumes egípcios. Seu nome é um componente dos nomes egípcios teóforos, que designam o seu portador como o filho (ms) de uma divindade ou representante dela como a imagem humana da divindade (“… por nascimento”, e.g., Thut-mose ou Ra-mses). O seu casamento com uma mulher estrangeira também é histórico, o que resultou em ter Jetro, sacerdote madianita, como seu sogro (J). Outra tradição (N) refere-se a Jetro como quenita, Hobab, filho de Reuel. Trata-se meramente de um dos muitos exemplos em que pessoas e lugares são chamados por diferentes nomes. Isso se deve, provavelmente, ao fato de a tradição N ter tomado por empréstimo uma tradição dos quenitas, que eram vizinhos dos israelitas e conhecidos adoradores de Iahweh. Moisés permaneceu temporariamente na terra de Madiã, a oriente do golfo de Áqaba. Aí ou em algum lugar nas imediações ele conheceu o deus Iahweh, muito provavelmente como um deus originalmente madianita”.

[3] Idem, p. 25: “Portanto, etnicamente os israelitas deviam se classificados como arameus. Há traços no hebraico que indicam que eles falavam, originariamente, o aramaico e que não adotaram o hebraico, dialeto cananeu do semítico ocidental, até entrarem na Palestina”.

[4] Cf. Idem, p. 279-280, 289-290.

[5] Cf. Idem, p. 40, 95, 234-235.

[6] Idem: (p. 130-133) “No período anterior ao Estado, surgiram muitos santuários de Iahweh na Palestina”; (p. 241) “Parece que o santuário de Arad existia, pelo menos, desde o século IX a.C. e foi destruído na segunda metade do século VIII a.C. Era uma construção bem grande, que consistia de três cômodos colocados em seqüência, exatamente como são presumidos para o templo salomônico. Como no último, a entrada achava-se no lado do oriente, ‘santo dos santos’, no lado do ocidente. Três degraus conduziam à entrada do último; era ladeado por dois altares de pedra com uma calha entre eles”.

[7] Idem, p. 184: “… certos círculos preservaram um javismo puro ao lado da nova forma que se foi desenvolvendo na vida sedentária. Essa tendência persistiu no período da monarquia. A oposição de Natã aos planos de que Davi tinha para a construção do templo é um sinal visível de sua contínua vitalidade. Continuou a haver grupos mais ou menos consideráveis de israelitas que estavam ligados à antiga forma de sua fé. Eles pertenciam primariamente a círculos que também permaneceram fiéis ao seu velho modo de vida e criavam gado. Certamente nem todos os israelitas fizeram imediatamente a passagem da velha vida nômade para a nova vida de fazendeiros, e nem todos aqueles que a fizeram concluíram imediatamente que a transição significava uma nova forma de javismo. Eles não estavam interessados num tipo de religião agrícola e, portanto, não estavam interessados também nos santuários com seus símbolos de Deus e num culto crescentemente elaborado que servia a essa religião. Ao contrário, eles permaneceram fiéis ao Iahweh do Sinai e do deserto. Embora apenas raramente aparecessem e tivessem pouca influência sobre o povo como um todo, eles estavam presentes. Sua crítica da situação religiosa da Palestina é, mais tarde, empreendida numa nova e mais intensa forma pelos grandes profetas individualmente, sendo o primeiro deles, Amós, significativamente um vaqueiro (o grifo é nosso)”.

[8] Burns, E. M. História da Civilização Ocidental, p. 115.

[9]Bíblia Ave Maria, p. 1046, registro no rodapé, referente a Jr, 8, 8.

[10] Fohrer, G. História da Religião de Israel, p. 364: “A reforma de Josias parece ter sido um completo sucesso durante o seu tempo; ao mesmo tempo, continuou-se a fazer a revisão do Protodeuteronômio (cf. § 22,3). Depois de sua morte, naturalmente, seus sucessores não se consideram mais sujeitos ao livro da Lei, de modo que Joaquim – excluindo a centralização do culto – podia simplesmente ignorá-lo. Isso não impediu, porém, que ele fosse suplementado, no período exílico e pós-exílico, até atingir a sua forma atual e continuasse a produzir um poderoso efeito através de sua teologia”.