O 3° dia da criação VE: Árvore da vida versus árvore da ciência do bem e do mal, na moldagem da erva

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Livro: Teoria da História (Art. 17, 2.2.4.;2.2.5., p. 111-120) www.tribodossantos.com.br

   As teorias sistematizadas e expostas na parte da Teoria da História, que chamamos de “Sistematização Teórica”, foram elaboradas de modo rigorosamente lógico e econômico. Assim, o texto anteriormente focalizado, que trata da segunda parte do “3° dia da criação ST” (cf. Gn 1, 11), consiste numa “teoria da reprodução social da conduta”: “Deus disse: ‘Produza a terra plantas, ervas que contenham semente e árvores frutíferas que deem frutos segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente’. E assim foi feito“. Este texto e a respectiva teoria que ele encerra, contém diversos aspectos implicados. Os quais podem ser deduzidos desse texto e da respectiva teoria, e mesmo podem ser observados, com um pouco mais de facilidade, nos trechos correspondentes ao “3° dia da criação VE”, que são expostos na “Verificação Empírica” (cf. Gn 2, 8-9).

    Entre os tipos de “papeis sociais” (plantas) do gênero “árvore que produz fruto”, a Teoria da História destaca, entre outras árvores, duas árvores principais. Isto é exposto na Verificação Empírica (Cf. Gn 2, 8-9). Elas são concebidas como principais, em razão de se relacionarem de modo conflituoso entre si. Assim, ambas estão localizadas socialmente no “meio” da “formação social simples e ainda de caráter comunal”, que o autor da Teoria da História chama de “jardim do Éden”. Quando ainda não havia se desenvolvido a divisão social do trabalho material e intelectual.  Formação social simples (jardim do Éden) que o Trabalho Natura-Social havia “plantado” (desenvolvido), por ocasião em que se desenvolvera a divisão sexual do trabalho social. E, desse modo, as mulheres introduziram a humanidade no trabalho material produtivo agrícola (Período Neolítico).
O tal “meio” é concebido como o centro decisório, diretor e que atua no sentido de moldar as condutas individuais, tanto dos demais gêneros de “árvores” como as das “ervas” (senso comum). Enfim, moldar e conduzir a comunidade. Nesse “meio” é que os dois tipos de “árvores” em tela disputam entre si conduzir a coletividade. Eles são representados, na escrita hieroglífica do tabernáculo, nos dois querubins posicionados acima da Arca da aliança. Vejamos o trecho em tela (Gn 2, 8-9):

    “Ora, o Senhor tinha plantado um jardim no Éden do lado do oriente, e colocou nele o homem que tinha criado. O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores, de aspecto agradável, e de frutos bons para comer; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal”.

   As primeiras “águas” (múltiplos e multiformes grupos sociais e respectivas línguas) que inauguraram o modelo comunal simples (jardimde formação social, no “Éden” (local preciso ignorado, mas situado no interior da região chamada Crescente Fértil), então, “migraram”. O autor representou, metaforicamente, esse movimento migratório inicial das “águas”, na figura de um “um rio primordial“. O qual se espalhou para todos os lados, acompanhando os rios dessa região: O primeiro é o Fison, que rodeia toda a terra de “Evilat” (Arábia); o segundo é o “Geon”, que contorna a região do Cusch (Etiópia); o terceiro é o Tigre, que corre ao oriente da Assíria; o quarto é o Eufrates (cf. Bíblia de Jerusalém,  item “d” no rodapé da p. 36, referente ao Gn 2, 10-14):

   “Um rio saía do Éden para regar o jardim, e dividia-se em seguida em quatro braços. O nome do primeiro é Fison, e é aquele que contorna toda a região de Evilat… O nome do segundo é Geon, e é aquele que contorna toda a região de Cusch. O nome do terceiro é Tigre, que corre ao oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates” (Gn2, 10-14)

2.2.5. A árvore da vida: conjunto complexo de conduta positivamente integrado

   Numa formação social simples comunal (jardim do Éden), em que a divisão social do trabalho material e intelectual ainda não se desenvolveu, o símbolo “árvore da vida” representa o papel social do intelectual (árvore), que exerce, também, o papel de líder político, a exemplo do “morubixaba” (chefe temporal das tribos indígenas da nação tupi). O qual se comporta, notadamente, como liderança política, que apresenta diversas características que lhe são peculiares. Ele atua, junto e liderando seus companheiros, nos trabalhos voltados para a sobrevivência (caça, pesca, coleta, etc.,) da comunidade, e para a construção e manutenção dos alojamentos (ocas), etc. Ele se incumbe, ainda, que os suprimentos sejam distribuídos, equitativamente, entre os diversos membros da comunidade, Ele mantém a unidade da tribo, e lidera os ataques e as defesas que sua tribo venha empreender contra outra tribo. Por fim, ele procura manter a unidade e o aspecto igualitário da coletividade, e contemporizar divergências internas, ou seja, atua no sentido de neutralizar todo tipo de dualismo. Divergências e conflitos estes que o pajé (ideólogo-feiticeiro) esforça-se em exaltar, como meio de moldar condutas individuais e da comunidade. Por estes aspectos, a função desempenhada pela intelectual-político (chefe: Árvore da vida) difere e é oposta à do ideólogo feiticeiro (orador: árvore da ciência do bem e do mal). Neste sentido, Claude Lévi-Stràuss observou:[1]

    “Entre os mesmos indígenas Gahaku-Kama, como em geral na Nova Guiné, a repartição das responsabilidades políticos dá-se entre a personagem do chefe e a do orador; a tarefa deste é a de manifestar aberta e agressivamente os conflitos e o chefe intervém, ao contrário, para apaziguar e apurar as soluções médias (o grifo é nosso). Deste ponto de vista, é bastante notável que, na quase totalidade das sociedades ditas ‘primitivas’, a ideia de voto conferido a maioria seja inconcebível; a coesão e o bom entendimento reinam no seio do grupo, sendo preferível a qualquer inovação. Não são tomadas, assim, senão decisões unânimes. Por vezes, mesmo, e isso se verifica em muitas regiões do mundo, as deliberações são precedidas de combates simulados, no curso do qual se vivenciam as velhas querelas. O voto tem lugar somente depois que o grupo, enfraquecido e renovado, tenha realizado em seu interior as condições de uma indispensável unanimidade”.

    O elaborador da Teoria da História qualificou o papel social do intelectual-político (tipo morubixaba) com o atributo vida, a fim de ressaltar um marcante aspecto pertinente ao tipo de conjunto complexo da conduta individual desse intelectual. Aspecto este que se põe como condição básica àqueles outros característicos aspectos pertinentes ao papel social do ideólogo-feiticeiro. O intelectual-político (tipo morubixaba) árvore da vida consisteoriginariamente – daquilo que concebemos como conjunto complexo de conduta integrado, mas “positivamente”, segundo o critério de valor próprio dos grandes profetas individuais. Ou seja, o campo subjetivo encontra-se sob a predominância de sentimentos de ordem amorosa, a qual condiciona o fator valorativo, e lhe imprime a predominância de valores de ordem altruistica. Os sentimentos e valores assim articulados entre si condicionam os demais fatores subjetivos. Deste modo, esse campo subjetivo motiva, de modo coerente ou integralmente, o campo objetivo da conduta individual, imprimindo-lhe ações fraternas, solidárias, contemporizadoras e outras deste gênero. Desta forma, o campo objetivo da conduta de um indivíduo encontra-se positivamente integrado ao seu campo subjetivo e motivador.

    O modo de conjunto complexo de conduta integrado, positivamente, propicia ao indivíduo despertar autoconsciência desta sua condição. Propicia, ainda, o desenvolvimento da capacidade de autodiligência, e de consciência social crítica e transformadora. É o conjunto dessas condições que o Jesus Histórico concebe, a exemplo de si mesmo, como “vida”. O inverso desse conjunto de condições é considerado por Jesus como sendo o estado de alienação, o qual ele representa, metaforicamente, na noção de “morte” (ou doença). A “morte” como metáfora consiste numa importante chave, para o entendimento de diversos ditos de Jesus. Neste sentido, o Mestre se referira aos indivíduos em geral. Isto ocorreu quando ele se encontrava em campanha contra os ideólogos hegemônicos (sacerdotes saduceus, fariseus e escribas) da nação em que vivia, e quando tomara a iniciativa de avançar para outras localidades. Mas, foi interpelado por um dos seus discípulos, o qual lhe pedira que aguardasse sepultar o pai (Mt 8, 22):

    “Mas Jesus lhe respondeu: ‘Segue-me e deixa que os mortos (o grifo é nosso) enterrem seus mortos”.

    “Morte” (estado de alienação) esta que tem como causa fundamental, o tipo hipócrita ou dualista de conjunto complexo de conduta individual próprio do ideólogo-feiticeiro. Tipo de conduta este que foi, desde os primórdios do período Neolítico, institucionalizado por esse tipo de ideólogo (“árvore da ciência do bem e do mal”) , e moldado nos indivíduos em geral, notadamente nos de “senso comum” (ervas). Em suas diversas modalidades, os ideólogos são os sucessores dos feiticeiros. Eles elaboram e operam múltiplas e multiformes tipologias dualistas e as inculcam nos indivíduos de senso comum, a fim de aliená-los. O tipo hipócrita de conduta peculiar ao ideólogoárvore da ciência do bem e do mal” se apresenta, assim, de modo simplório, nos indivíduos de senso comum, e de modo sofisticado, naquele. Em razão da condição hipócrita, ambos “cobrem” (dissimulam) seus “rins” (tanto o campo subjetivo sob a predominância de sentimentos de ordem odiosa como os respectivos interesses objetivos escusos). E, para “cobrir” os “rins”, eles elaboram e executam “discursos e encenações falseadas” (“folhas de figueira” ou “vestes de pele”) (Cf. Gn 3, 7-b; 21). Eles teriam seus “rins” “à mostra”, ou seja, estariam como que “nus”, caso não os “cobrissem”.

    A Teoria da História rotula o “ideólogo-feiticeiro” com o símbolo “árvore”. E, qualifica-o como “ciência do bem e do mal”, a fim de pôr em evidência o diferencial que distingue, marcantemente, esse tipo de intelectual. Pois, todo intelectual do tipo ideólogo apresenta o modo hipócrita ou dualista de conjunto complexo de conduta individual, e elabora e opera, essencialmente, com “ideologias” (“ciências” ou “conhecimentos”), cujas tipologias se caracterizam, em suma, por consistirem em pares de postos entre si. Mas, essas tipologias dualistas são acompanhadas, em geral, de “ideologias explicativas” (doutrinas), que consistem em tipologias mais complexas. As quais eles mesmos elaboram, e operam através dos seus discursos falseados e poderosamente sedutores.
Os ideólogos inculcam duas formas de tipologias acima apontadas, na instância chamada “imaginária” do processo do pensamento do indivíduo, como meio de instalar divisões e oposições (dualismos) na conduta individual. Desse modo, os ideólogos instalam divisões e oposições nas interações significativas tanto individuais como coletivas. Enfim, assim os ideólogos moldam múltiplos e multiformes tipos alienados ou “mortos” de condutas individuais e coletivas, objetivando controlar, submeter e explorar os indivíduos e a coletividade. Portanto, no trecho em que a Teoria da História qualifica o Intelectual (árvore) do tipo ideólogo-feiticeiro, rotulando-o como “ciência do bem e do mal” (dualismo; pares de contrários), subtende-se que ela está qualificando-o, também, como “árvore” que opera com a ciência da “morte” ou alienação. Ou ainda, “árvore” do tipo hipócrita de conjunto complexo de conduta individual.

    Por outro aspecto, a Teoria da História poderia rotular, subtende-se, o intelectual (árvore) tipo “vida” (autoconhecimento, capacidade de autodiligência e de consciência social crítica e transformadora) como (árvore) da “unidade” ou do “não-dualismo”. Ou ainda, “árvore” (intelectual) do conjunto complexo de conduta positivamente integrado.

    A possibilidade de o indivíduo dispor de acesso (“caminho”) para poder protagonizar o papel social “árvore da vida”, passou a ser interditada, de modo coercitivo e sistemático. Interdição esta exercida pelo conjunto dos estratos sociais que se transformaram em elites dominantes, com o advento da divisão social do trabalho material e intelectual: os querubins “operando coercitivamente com violência física e com suas ideologias falseadas, mas poderosamente sedutoras” (espada fulgurante).
Os querubins com sua “espada fulgurante” tiveram gênese, após ao Período Patriarcal. Antes disso, o ideólogo-feiticeiro (árvores) havia seduzido algumas das mulheres agricultoras, e as induziram assimilar o “fruto” (forma objetiva ou material de existência odiosa e egoisticamente motivada) próprio desse tipo de ideólogo. E, assim, essas mulheres se constituíram nos primeiros grupos sociais estratificados (“Eva” = período matriarcal).
Mas, o modo de se elitizar (assimilar o modelo de conduta próprio do ideólogo-serpente), foi  e transmitido, via imitação pelo grupo de mulheres elitizadas, para determinados homens (“Adão” = Período Patriarcal), que inaugurando este período. Pois, esse foi o processo através do qual o ideólogo-feiticeiro induziu e obtivera a institucionalização da divisão social do trabalho material e intelectual, e a eliminação da formação social igualitária (“jardim do Éden”). Formação social simples e comunal esta onde os indivíduos viviam, até então.
Vejamos como a Teoria da História representou, simbolicamente, a interdição sistemática exercida pelos “querubins armados da espada fulgurante” sobre a “árvore da vida”. E, a passagem da formação social simples e comunal (jardim do Éden) para a sociedade estratificada segundo a divisão social do trabalho material e intelectual, na qual os “querubins” consistem nos estratos (grupos) sociais que exercem trabalho intelectual, na divisão social do trabalho material e intelectual (Gn 3, 22-24):

    “Depois disse Iahweh Deus: ‘Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!’ E Deus o expulsou do jardim do Éden para cultivar o solo de onde fora tirado. Ele baniu o homem e colocou, diante do jardim do Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho (o grifo em negrito é nosso)”.

    É oportuno observar que Jesus foi o maior de todos os grandes profetas individuais, e que ele concluiu o processo de desenvolvimento da categoria de pensamento profético, que teve gênese no povo hebreu, na era pós-diluviana. E que, o Mestre conhecia, profundamente, a Teoria da História, com a qual operava, e ensinava aos seus genuínos discípulos. Entre estes, alguns mais perspicazes e dotados de mais recursos intelectuais, a exemplo de Mateus e João, puderam narrar o evento Jesus histórico, empregando, eventualmente, a exemplo do próprio Mestre, simbologias próprias dos escrito pertinentes à Teoria da História. Neste sentido, vejamos João citando Jesus:

   “Eu sou o alfa e o ômega, o primeiro e o último, o começo e o fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para terem o direito à árvore da vida e poderão entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras, e todos aqueles que amam e praticam a mentira (o grifo em negrito é nosso)”. (Jo 22, 13-15);

   “Mostro-me o anjo um rio de água viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da avenida e às duas margens do rio, achava-se uma árvore da vida, que produz doze frutos, dando cada mês um fruto, servindo as folhas da árvore para curar as nações (o grifo em negrito é nosso)” (Jo 22, 1-2).

    O Escolhido e Mestre foi o maior de todos os grandes profetas individuais. Nesta condição, ele próprio concebia que o modo singular como se conduzia revolucionariamente, consistia na “árvore da vida” citada na Teoria da História (Cf. Gn 2, 9; 3, 22-24). E por isto mesmo, ele consistia, também, no “caminho” para interpretar e vivenciar, em si mesmo, esse papel social. Consistia, ainda, no modo de se combater e romper o tipo de interdição (emprego de força física articulada com ideologias poderosamente sedutoras), com o qual os “querubins” (conjunto das elites hegemônicas) guardam, coercitivamente, o “caminho” (acesso = “arvore da vida”) ao “jardim do Éden”. “Jardim” este concebido como o tipo de formação social igualitária, na qual a “árvore da vida” é hegemônica, e neutraliza a peculiar ação exercida pela “árvore da ciência do bem e do mal” (ideólogos que exaltam e instalam divisões e oposições no indivíduo e entre grupos sociais).

    Jesus conduzia-se de modo revolucionário porque representava uma reação exercida pela “arvore da vida” contra o ideólogo (“árvore”) da “ciência do bem e do mal”. Pois, esta “árvore” (ideólogo) obtivera, desde o início do período Neolítico, hegemonia em relação à “árvore da vida”, sobre a coletividade. Mas, a vida em sociedade e, sobretudo, o Trabalho Natura-Social produzem, necessariamente, esses dois tipos singulares de “árvores”. E fazem que a “árvore da vida” emerja, eventualmente (em tempo longuíssimo) na sócio-história, apesar e subvertendo o tipo injusto e hierarquizado de formação social instituído pela “árvore da ciência do bem e do mal”.   Vejamos alguns pontos da doutrina do Mestre, em que ele atribui a si mesmo a condição de “árvore da vida” (Mt 7, 12):

     “Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas. Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreito, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz à Vida (o grifo é nosso). E poucos são os que o encontram”.

    Indagado por um “moço rico” a respeito do modo como se poderia obter a “vida eterna”, Jesus respondeu (Mt 19, 17-22):

    “Por que me perguntas sobre o que é bom? O bom é um só. Mas se queres entrar na Vida (o grifo é nosso), guarda os mandamentos’. Ele respondeu-lhe: ‘Quais?’ Jesus respondeu: ‘Estes: Não matarás, não adulterarás, não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Disse-lhe o moço: ‘Tudo isso tenho guardado. Que me falta ainda?’ Jesus lhe respondeu: ‘Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me (o grifo é nosso)”.

    Tomé indagara Jesus acerca do “caminho” de se achegar ao Deus Pai e Criador. Jesus respondeu (Jo 14, 6):

    “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

    Jesus concebia o papel social dos ideólogos hegemônicos – cujo tipo de conjunto complexo de conduta é hipócrita por excelência – em se tratando do principal dos “querubins” que interditam ou bloqueiam o acesso ou “caminho”. “Caminho” este que consiste, por um aspecto, no modo como se manifesta a “árvore da vida”, e por outro aspecto, na práxis revolucionária que Jesus chama de “reino dos céus”. Pois, os ideólogos operam, essencialmente, com proselitismos, isto é, com sectarismos, enfim, instalam e administram múltiplas e multiformes divisões e oposições, no indivíduo e entre grupos sociais. Vejamos o Mestre criticando e atribuindo aos intelectuais (árvores) do tipo ideólogos (escribas e fariseus) a função de instalar e administrar a condição “ciência do bem e do mal”, isto é, divisões e oposições, no indivíduo e entre grupos sociais, como meio de interditar a “árvore da vida” (”o caminho”), ou seja, o “reino dos céus” (Mt 23, 13):

    “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque bloqueais o reino dos céus diante dos homens (o grifo é nosso)! Pois vós mesmos não entrais, nem deixais entrar os que querem! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito (o grifo é nosso), mas, quando conseguis conquistá-lo, vós o tornais duas vezes mais dignos da geena do que vós!

[1] Lévi-Stràuss, C. As descontinuidades culturais e o desenvolvimento econômico e social, p. 08.