O “Livro da história da família de Adão” é composto da segunda parte (Gn 4, 25-5, 28) do “6° dia da criação”, seguida do “7° dia da criação” (Gn 5, 28-8, 18) – O Dilúvio demarcando duas Eras da História Antiga

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Árvore gen Adão horizontal

   É oportuno alguns esclarecimentos. O autor da Teoria da História subdividiu-a em duas grandes parte: Sistematização Teórica e Verificação Empírica.[1] Os artigos que relacionamos e incluímos na categoria intitulada “6° dia da criação” VE  (O mercado macro-regional bipolar (Lamec e Ada versus Lamec e Sela, etc.), apenas focalizam a parte inicial (Gn 4, 19-24) do “6° dia da criação”. A qual se encontra inserida na parte da Teoria da História, que chamamos de Verificação Empírica. Porém, o “6° dia da criação” inscrito na Verificação Empírica, estende-se até ao Gn 5, 28, onde o autor cita outro Lamec, o qual marca o início do fim do “6° dia da criação”. Este Lamec final gera, então, Noé, que já representa o início do “7° dia da criação”. A segunda e conclusiva parte do “6° dia da criação” corresponde ao Gn 4, 25-5, 28.

   O autor concebe a totalidade do “6° dia da criação” incluída na Verificação Empírica Gn 4, 19-5, 28), que vai de Lamec (Gn 4, 19) a Lamec (Gn 5, 28). Isto é, compreende o processo geral de expansão do Grande Mercado. Esse processo expansivo geral tem início no período da realidade sócio-histórica, que os historiadores chamam de Pré-dinástico recente ou Época pré-tinita. Quando a configuração espacial egípcia e respectivo mercado macro-regional se apresentavam configurados de modo bipolarizado (Lamec), sob dois aspectos. Os quais são representados simbolicamente na figura bipolar “Lamec-Ada versus Lamec-Selas”, em que o signo “Mulheres” (Ada e Sela) representa as forças de trabalho material produtivo. As quais são submetidas e explorada, violentamente, tanto num como no outro lado da referida configuração espacial egípcia bipolarizada.

   Sela representa o Sul (Vale ou Alto Egito), o qual se encontrava, segundo alguns estudiosos, sob a hegemonia dos reis de Hieracômpolis, em egípcio Nekhen, conhecido pelos textos como lugar de origem das Almas de Nekhen, que são o os reis do sul sendo divinizados. Ada representa o Norte (Delta ou Baixo Egito), o qual se encontrava sob a hegemonia dos reis de Buto, os quais são chamados Almas de Pê (= Buto).[2]

   O modo bipolarizado Lamec indicado acima, então, consistiu no contexto sanguinário análogo e mesmo pior que o contesto “Caim” (o qual mata “Abel”). Isto é, mais sanguinário que o início do processo de expansão da propriedade privada campestre Caim, sobre a atividade pastoril Abel. Ou seja, o modo bipolarizado Lamec se pôs como ponto de partida, para a ulterior e igualmente “sanguinária sina expansiva do Grande Mercado Lamec” (cf. Gn 4, 23-24). O qual ao sofrer um “aparente retrocesso” (Matusalém = I Período Intermediário; Dilúvio = II Período Intermediário, etc.), recupera-se como mais força. E, de modo “vingativo” e ainda mais violento, sobretudo em relação às “Mulheres”  (segmentos trabalhadores), que subjuga e explora. “Mulheres” estas a exemplo daquelas submetidas e exploradas pelo Lamec bipolarizado, e representadas nas figuras de Ada e Sela. Por este prisma, a sina assassina pertinente ao Grande Mercado inclui tanto o período do processo de expansão (Lamec) como o de depressão (Noé):

   “Lamec disse às suas mulheres: ‘Ada e Sela, ouvi a minha voz: mulheres de Lamec, escutai as minhas palavras: Por uma ferida matei um homem, e por uma contusão um menino. Se Caim será vingado sete vezes, Lamec o será setenta e sete vezes“. (Gn 4, 23-24).

   O autor concebe o sanguinário contexto bipolarizado Lamec, como ponto de partida, para a respectiva sina igualmente sanguinária do processo geral de expansão do Grande Mercado.  Sina em que o Grande Mercado “desloca” (eis o sentido do signo “Set”) sua esfera de expansão, para um patamar mais complexo e abrangente. Deslocamento este feito para as seis sucessivas e cada vez mais abrangentes escalas imperiais: Set (I Dinastia); Enos (II Dinastia); Cainan (II Dinastia); Malaleel (IV Dinastia); Jared (V Dinastia); Henac (VI Dinastia).

   O processo geral de expansão do Grande Mercado acima indicado, também inclui a etapa “Matusalém” (Idade Feudal = I Período Intermediário) de transposição da escala imperial (as 6 primeiras dinastias egípcia), para a escala global do Grande Mercado (Lamec em Gn 5, 25+). Escala global esta que consistiu na grande rede global de mercados pré-diluvianos, e que estava integrada pelos grandes mercados macro-regionais: Egípcio (Médio Império); egeu; hitita; Fenícia-Síria-Canaã; Mesopotâmico; elamita; cidades do rio Indo (Mohenjo-daro, Harapa, Chanhu e Laure).

   A sina assassina própria do processo geral de expansão do Grande Mercado Lamec, permanece assassina, mesmo quando este adentra no processo Noé de depressão. Essa sina assassina acompanha Lamec em depressão Noé, e segue até ao fim do Grande Mercado Global (cuja égide Lamec ainda o distingue), com o advento do “dilúvio” (II Período Intermediário). Mas, o Mercado Global Lamec, então extinto em decorrência do “dilúvio” recobra suas energias e o modo assassino de ser. Ou seja, ele se reergue, vingativamente, através de nova, mais virulenta e  expansiva escala imperial: o novo Set (Novo Império egípcio); Enos (Império Assírio); Cainan (Império Babilônico caldeu); Malaleel (Império Persa); Jared (Império macedônio ou Civilização Helenística); Henoc (Império Romano); Matusalém (modelo feudal de formação social como etapa de transposição da escala imperial, para a escala global); Lamec (grande Mercado Global contemporâneo). O qual adentrou, nas decádas 70-80 do século passado, no estágio Noé de depressão.

   A totalidade do “6° dia da criação” está subdividida, para efeito de sua exposição na Verificação Empírica, em: 1. parte inicial (Gn 4, 19-24); 2. segunda e conclusiva parte (Gn 4, 25-5, 28). O próprio autor sugere essa subdivisão (parte inicial; parte conclusiva) da totalidade do “6° dia da criação”, quando inscrita na Verificação Empírica. O autor faz essa sugestão, ao destacar a “segunda e conclusiva parte” (Gn 4, 25-5, 28) do “6° dia da criação”. E, ao incluí-la, seguida do “7° dia da criação” (Gn 5, 28-8, 18), “no livro da história da família de Adão“, ou seja, na “teoria da genealogia de Adão“.

   No “livro da história da família de Adão”, o autor quis destacar um determinado aspecto do processo geral do Grande Mercado. Ou seja, ele resume sob o signo “Adão”, a parte inicial (mercado macro-regional egípcio bipolarizado, cf. Gn 4, 19-24) do “6° dia da criação. Em outros termos, ele resume como ponto de partida, expresso no signoAdão” e respectivo período de 130 anos de vida, todo o contexto sócio-histórico, que os egiptólogos chamam de Época pré-tinita, ou Pré-dinástico recente: “Adão viveu 130 anos: e gerou um filho à sua semelhança, à sua imagem, e deu-lhe o nome de Set“. (Gn5, 3).

   É notável a coincidência das datas atribuídas, de um lado (130 anos), pelo autor, ao mercado macro-regional egípcio bipolarizado Lamec -Ada versus Lamec – Sela, e do outro, a média de 125 anos, referente à estimativa de 50 a 200 avaliada por historiadores modernos, com respeito ao Pré-dinástico recente.[3]

   No livro da história da família de Adão, o autor resume a “1ª parte do 6° dia da criação” (Época pré-tinita bipolarizada), no signo “Adão”, para realçar todo o processo virulento seguinte. Pois, o modelo “Adão” de etapa do Grande Mercado não se repetiria na história da humanidade, senão em outros contextos. Mas. a sina vingativa e assassina própria do modelo ulterior do processo do Grande Mercado iria se repetir,depois do primeiro “dilúvio”, no curso em tempo muito longo, na história da humanidade. Processo este que abarca tanto o período de expansão retratado na “segunda e conclusiva parte” do “6° dia da criação” (de Set até Lamec) como todo o período de depressão retratado no “7° dia da criação”. Sétimo dia este que inclui a depressão Noé, a fragmentação tripartite (Sem, Cam e Jafet) da grande rede global de mercados macro-regionais Lamec, a emergência do Escolhido no contexto Noé, e a convulsão social longa, profunda e generalizada que arrasou esse mercado global, e que é nomeada “dilúvio” (II Período Intermediário).

    Em razão do referido critério estabelecido pelo autor, focalizaremos a “segunda e conclusiva parte do “6° dia da criação”, porém destacada da parte inicial do “6° dia da criação”. Ou melhor, focalizaremos a segunda e conclusiva parte do “6° dia da criação”, mais o “7° dia da criação”, no contexto da teoria inscrita no “Livro da história da família de Adão. Ou seja, na categoria que nomeamos de Teoria da  genealogia de Adão”, a qual inclui o presente artigo e os demais pertinentes à essa categoria.

   É oportuno esclarecer, ainda, que o autor da teoria da genealogia de Adão subdivide a sua noção de “História Antiga”, que é focalizada pela referida teoria, em duas sucessivas longas Eras. A Era antes e a Era depois do “dilúvio” (II Período Intermediário):

   “Noé viveu ainda depois do dilúvio trezentos e cinquenta anos… e morreu. Eis a posteridade dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafet. Estes tiveram filhos depois do dilúvio”  (cf. Gn 9, 28-29; 10, 1).

   O período que demarca essas duas Eras, corresponde, grosso modo, `a “história da depressão Noé”. A qual inclui: 1. O “nascimento” (início) da depressão Noé (cf. Gn 5, 28-29); 2. O início da fragmentação tripartite, Sem, Cam e Jafet (Cf. Gn 5, 32; 6, 8-10), início este que o Escolhido (Melquisedec) emergiu (cf. Gn 6, 8-10); 3. O início do Dilúvio (cf. Gn 6, 17s-7-8), que segue acompanhado da divisão tripartite  do Grande Mercado Global Lamec, em longa e irreversível depressão Noé.

   A subdivisão feita pelo autor, acerca da noção de História Antiga, é demarca, mais precisamente, pelo período dos 150 anos do dilúvio propriamente dito. Período este que corresponde à realidade sócio-histórica, que os historiadores modernos convencionaram chamar de II Período Intermediário. Segundo esta perspectiva, o período que se convencionou chamar de pré-diluviano, assim corresponde, em referência à realidade sócio-histórica, àquele que podemos nomear de Pré-II Período Intermediário. O período que se convencionou chamar de pós-diluviano,  segundo a tal perspectiva corresponde, em referência à realidade sócio-histórica, àquele que podemos chamar de Pós-II Período Intermediário.

   Para efeito de exposição da Teoria da Genealogia de Adão, vamos subdividi-la em três categorias. A primeira categoria está intitulada “Teoria da genealogia de Adão“. Para esta categoria, reservamos artigos pertinente, mas que enfatizam aspectos teóricos. Para a segunda e a terceira categoria, reservamos artigos que enfatizam aspectos sócio-históricos respectivamente pertinentes. Vamos preservar a subdivisão referentes às duas Eras da concepção de História Antiga, que o autor da Teoria da História demarcou, através do período do “dilúvio” (II Período Intermediário). Desse modo, a segunda categoria pertinente à totalidade da Teoria da Genealogia de Adão está intitulada “Período Pré-diluviano = Pré-II Período Intermediário”. Dentro desta categoria, vamos focalizar com ênfase os aspectos sócio-históricos, em detrimento dos teóricos. Mas, em primeiro lugar, os artigos que focalizam o período expansivo (segunda e conclusiva parte do “6° dia da criação”: de Set até Lamec global). Em segundo lugar, vamos apresentar os aspectos sócio-históricos pertinentes ao período depressivo Noé (7° dia da criação: de Noé ao dilúvio). A terceira categoria está intitulada “Periodo Pós-diluviano = Pós-II Período Intermediário”.

[1] Cf. DIRETRIZES TEÓRICAS E MODO DE EXPOSIÇÃO DA TEORIA DA HISTÓRIA – Divisão social do trabalho sexual – SISTEMATIZAÇÃO TEÓRICA e VERIFICAÇÃO EMPÍRICA (Art. 13, 2.1.2; 2.1.3., p. 91-96) http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/03/diretrizes-teoricas-e-modo-de-exposicao.html

[2] Cf. Lévêque, Pierre. As primeiras Civilizações, Volume I – Impérios do Bronze, p. 102-103.

[3] Cf. Lévêque, Pierre. As primeiras Civilizações, Volume I – Impérios do Bronze, p. 102.