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Livro O Templo: – Resgate do sentido original da doutrina de JesusMt 6, 19-23 (Art. 17, 4.3.;4.3.1., p. 93-97) http://tribodossantos.com.br/pdf/O%20Templo%20-20introdu%C3%A7%C3%A3o.pdf
Na trecho agora em tela (Mt 6, 19-23), o Mestre expõe duas sentenças implicadas entre si. Na primeira sentença (Mt 6, 19-21), por um aspecto, ele ressalta a condição determinante do fator afetivo (coração) sobre o fator valorativo (tesouro), e por outro, a grande importância – fator básico determinante – do fator afetivo ou sentimental, nos dois campos da conduta do indivíduo. Enfim, ele enfatiza, precisamente, a grande importância do campo subjetivo e motivador, na conduta objetiva do indivíduo. Neste sentido, o Mestre recomenda cuidar melhor do campo subjetivo (céus), do que do campo objetivo (terra). Ou seja, conhecer , identificar a natureza dos fatores subjetivos e atuar sobre eles: cultivar sentimentos (coração) de ordem amorosa e respectivos valores (tesouros); mas conter sentimentos de ordem odiosa, etc.
Na segunda sentença (Mt 6, 22-23), o Mestre explica, mais detalhadamente, alguns importantes aspectos do condicionamento exercido pelos “tesouros” (valores; tendo os sentimentos como precondição) no aparelho sensitivo do campo objetivo da conduta individual. Desse modo, os “tesouros” (valores) estarão condicionando, também, o “corpo todo” (conjunto complexo de conduta), e assim se apresentarão no âmbito da consciência atual (iluminação). Pois, ambos estarão condicionados, ou amorosamente e respectiva ordem de valores bons, ou odiosamente e respectiva ordem de valores maus. Vamos às duas sentenças do texto; depois, veremos uma de cada vez:
“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam. Porque, onde está o teu tesouro, lá também está teu coração (Mt 6, 19-21). O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo estará iluminado. Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!” (Mt 6, 22-23).
4.3.1. Simbolismos empregados em Mt 6, 19-23.
Vejamos os simbolismos que o Mestre empregou nessas duas sentenças, para entendermos mais precisamente os sentidos de cada uma delas e o texto. Já sabemos que Jesus representa a noção de “sentimento” ou “fator afetivo”, na metáfora do “coração”, e a noção de “valor”, na metáfora do “tesouro”.
Ele empregou, metaforicamente, a figura da antítese relativa à relação entre a noção de “campo objetivo” e a de campo subjetivo da conduta individual, na figura antitética ou dicotômica “terra” (coisas materiais densas) – “céu”(coisas rarefeitas, gasosas, etc.).
A noção de “olho” expressa todo o aparelho sensório pertinente ao aspecto orgânico do campo objetivo da conduta individual. Mas também, assimila a noção de “inteligibilidade” (que se compreende bem, através do pensamento e não pelos sentidos, inserido num sistema de significações ou relações lógicas).[1]
O Mestre empregou a noção expressa na figura do “olho” (que assimila a noção de inteligibilidade), como equivalente à metáfora da “luz” (fonte luminosa) e respectiva iluminação (raios luminosos). Nesta metáfora, a noção de “luz” representa a atuação do aparelho sensório-motor e respectiva inteligibilidade. Os quais “iluminam”, ou seja, enfocam selecionando e apresentando à consciência, determinados aspectos da realidade objetiva.
O Mestre empregou, metaforicamente, as noções expressas na dicotomia “iluminação/trevas”, representando, respectivamente:
Iluminação: Aspectos da realidade objetiva e respectivas informações enfocadas, seletivamente, através do aparelho sensitivo. O qual informa ao celebro, tornando-as inteligíveis, e assim apresentados à consciência. Aparelho sensitivo, inteligibilidade, informações e consciência previamente condicionadas, entretanto, neste caso, pelos determinantes sentimentos (coração) de ordem amorosa e atinentes valores (tesouro) de ordem fraternal, cognição, volição e intencionalidade assim condicionados: “O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo estará iluminado”;
Trevas: Aspectos da realidade objetiva, e respectivas informações captadas, seletivamente, através do aparelho sensitivo e da inteligibilidade, e dessa forma apresentadas à consciência. Mas, aparelho, inteligibilidade, informações e consciência estas previamente condicionadas, no entanto, neste outro caso, por determinantes sentimentos de ordem odiosa (cobiça, inveja, etc.) e concernentes valores, cognição (linhas lógicas de raciocínio, imaginação, etc.) e propósitos: “Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas”.
Todo o teu corpo. Por fim, o Mestre empregou, no sentido literal, a noção expressa em “todo o teu corpo”, referindo-se a cada indivíduo do público que o assistia. Noção esta que ele concebe o indivíduo como totalidade e sujeito estruturado, nos termos do conjunto complexo de conduta, por nós aqui já definidos: corpo subjetivo – corpo objetivo.
[1]. Ferreira, A. B. de H. Idem: “inteligibilidade”