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Como evitar conduta inconveniente, operando no “corpo todo” a partir do corpo subjetivo (Art. 16, 4.2.2.;4.2.3.; p. 88-92). Livro O Templo – Resgate do sentido original da doutrina de Jesus : http://tribodossantos.com.br/pdf/O%20Templo%20-20introdu%C3%A7%C3%A3o.pdf
No caso indicado no artigo anterior (Art. 15), o Mestre recomenda ao indivíduo extirpar, em primeiro lugar, a causa subjetiva (sentimento de cobiça). E, assim também, extirpar todo o subsequente desenvolvimento, ainda no campo subjetivo, que esse tipo de sentimento valoriza, instrui, redimensiona e direciona a vontade e a intencionalidade. E, por fim motiva e opera, nesse sentido e agora no campo objetivo, o aparelho sensitivo.
Notem, entretanto, que o Mestre concebe como parte integrante da estrutura do corpo do indivíduo, os instintos ou apetites, ou ainda, as pulsões, a exemplo da pulsão sexual, que neste caso exemplar é a masculina. Mas, se aplica, obviamente, à mulher. Parte integrante esta que ele concebe, também, como motivadora da conduta objetiva do indivíduo. Neste sentido, ele focalizou a “mulher”, como exemplo de objeto (coisa ou fenômeno) da atenção sexual do homem. Notem, ainda, que o Jesus Histórico não recomenda extirpar a pulsão sexual, mas sim o sentimento de cobiça, e assim direcionar a pulsão de modo socialmente fraternal, harmonioso e intenso.
No sentido da recomendação acima indicada, isto é, eliminar ou ao menos conter o sentimento de cobiça e seu desenvolvimento subsequente até a esfera orgânica do campo objetivo (“olho”: aparelho sensitivo). O Mestre empregou dois recursos para impressionar e chamar a atenção dos indivíduos do público, que o assistia expor, na montanha, os pontos da revolução religiosa que estava propondo. No primeiro recurso (metonímia), ele empregou a palavra “olho” (órgãos da visão), no lugar do sentimento de cobiça mais todo o subsequente desenvolvimento até ao aparelho sensitivo. Aparelho este cujo olho é um dos órgãos pertinentes, neste caso, relativo à visão. No segundo recurso (hipérbole), exagerou a ideia de “eliminar ou ao menos conter” (o sentimento de cobiça e o subsequente desenvolvimento), aquilo que estava recomendando. No lugar de eliminar o sentimento de cobiças, etc., ele empregou a noção de “arrancar (o olho direito) e arremessá-lo para longe do indivíduo”.
Pois, convém ao indivíduo preferir ou escolher “perder um só de teus membros”. Ou seja, eliminar ou ao menos conter, ainda no campo ou “corpo” subjetivo de sua conduta, o tipo cobiça de sentimento de ordem odiosa. Este procedimento é preferível “a que o teu corpo todo seja lançado na geena”, isto é, do que deixar a cobiça se manifestar, condicionando os demais fatores subjetivos, e também o sentido a ser imprimido no aparelho sensitivo do corpo ou campo objetivo da conduta desse nosso mesmo indivíduo. Pois, desse modo, a cobiça estará dominando o corpo todo do indivíduo, enquanto concebido como sujeito estruturado como um conjunto complexo de conduta (dotado tanto do campo subjetivo como do campo objetivo, e da pulsão sexual). A partir do campo subjetivo do indivíduo, a cobiça poder induzir e precipitar o desenvolvimento e a concretização da ação social de adultério, infernizando não somente a vida dele como também das demais pessoas envolvidas (ligações de dívidas).
4.2.3. Como evitar conduta inconveniente, operando no “corpo todo” a partir do corpo objetivo.
No segundo caso anteriormente indicado, o Filho do Homem ensina como o indivíduo convém proceder, operando a partir do campo objetivo da sua conduta. Neste sentido, vejamos a segunda sentença: “E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é preferível perder-se um só dos teus membros a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena” ( o grifo em negrito é nossos). (Mt 5, 27-30). Nestes termos, a expressão “mão direita” ou “destra” representa a noção de “instrumento hábil de ação”, mais precisamente a “ação social hábil mesma”.
O Mestre recomenda ao indivíduo, que este deixe de exercer, no campo objetivo de sua conduta, a “ação” (mão direita ou destra). Ação esta que consiste, conforme o caso, ainda em deixar de observar, com cobiça sexual, a mulher do próximo. Ou deixar de preparar o adultério, ou de realizá-lo.
No sentido acima apontado, o Mestre empregou dois artifícios, para impressionar e convencer o público que o assistia. Por um lado (metonímia), ele empregou a expressão “mão direita” (mão hábil, destra), no lugar de “ação”, “procedimento” ou “prática” pertinente (no sentido objetivo). Por outro lado, (hipérbole), ele exagerou a ideia de “deixar de realizar a ação concernente” (observar a mulher do próximo com cobiça sexual, etc.). No lugar de “deixar de realizar a ação em apreço”, o Mestre empregou a noção de “cortar a mão direita e arremessá-la para longe do indivíduo”.
Pois, é melhor para o indivíduo escolher “perder um só dos seus membros”. Ou seja, “deixar de realizar, no campo objetivo de sua conduta, a ação (‘mão direita’) em tela”. Pois, este procedimento é preferível, a que “o teu corpo inteiro seja atirado na geena”. Isto é, “que essa ação seja realizada, no campo objetivo da conduta desse indivíduo, por motivação do campo subjetivo desse mesmo indivíduo”. Campo subjetivo este que o tipo cobiça de sentimento odioso é determinante, e assim condicionara valor correspondente, e ambos condicionaram, também, os demais fatores subjetivos. Tal procedimento é preferível, por fim, que o indivíduo enquanto “corpo inteiro” ou “conjunto complexo de conduta”, e demais indivíduos implicados sejam lançados, em suas interações sociais, em consequências infernais. Consequências estas que tal procedimento pode acarretar, ainda em vida, e que podem ser acompanhadas, para o além, como relações de dívidas pendentes.