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Livro: O DILÚVIO (Art. 1, Intr., p. 10-14) www.tribodossantos.com.br
No livro O DILÚVIO, apresentaremos, na forma de linha do tempo, a aplicação da teoria da genealogia de Adão. Assim, ele pode ser concebido como um “adendo” ao nosso livro Teoria da História – Do Grande Mercado Global pré-diluviano ao Grande Mercado Global contemporâneo.[1] Pois, neste livro, focalizamos a referida teoria. Recomendamos, por conseguinte, a leitura deste livro, para um melhor entendimento acerca do presente tema.
A ordem cronológica da realidade sócio-histórica pré-diluviana pode ser interpretada pela ordem cronológica que consta na teoria da genealogia de Adão. Note, entretanto, que esta teoria fora abstraída daquela realidade. Tal interpretação pode ser feita de vários modos. Nós vamos proceder de dois modos, conforme veremos oportunamente.
No livro acima indicado, mostramos uma Teoria da Historia (sócio-história transcorrida em tempo muito longo), que se encontra registrada nos dez primeiro capítulos do livro Gênese.[2] Essa Teoria da História é ampla, e se encontra exposta, de modo subdividido, em duas grandes parte: Sistematização Teórica e Verificação Empírica, respectivamente (Gn1-4, 1-4-a) e (Gn 2, 1-4-b-8, 1-18). A Verificação Empírica e respectivas configurações espaciais inclui a “teoria da genealogia de Adão” (Cf. Gn 5-10), que emprega a noção de genealogia como metáfora de sucessivas etapas sócio-históricas e respectivas configurações espaciais. As quais transcorrem em tempo muito longo.[3] Assim, a teoria da genealogia de Adão foi elaborada de modo enigmático, conforme os exemplos abaixo.
Lamec e “Ada” (Baixo Egito) versus Lamec e “Sela” (Alto Egito)
No período Pré-dinástico recente ou Época pré-tinita, o mercado macro-regional egípcio estava subdividido em dois grande blocos. Este aspecto bipolar foi representado, na Teoria da História, sob a forma “Lamec tomou duas mulheres, uma chamada Ada e outra Sela…” (cf. Gn 4, 19-22).[4] O segundo Adão representa, portanto, o nível de complexidade atingido pelo mercado macro-regional do Egito Antigo, nos últimos 130 anos do período Pré-dinástico recente , o qual se caracterizou pelo aspecto bipolar atinente à fase expansiva do processo do Grande Mercado.
O bloco “Lamec-Ada” do mercado bipolar Lamec (o primeiro Lamec: Gn 4, 18-24) da Época pré-tinita do Antigo Egito simboliza, por um aspecto, a região do Norte, Delta ou Baixo Egito, cuja capital fora Buto. Onde a hegemonia sobre as forças de trabalho era detida, notadamente, por corporações ligadas ao trabalho comercial, e por outras ligadas ao trabalho cultural mais sofisticado que as correlatas do Sul (Vale ou Alto Egito).
O bloco “Lamec-Sela” do período Pré-dinástico recente simboliza, por um aspecto, a região do Sul (Vale ou Alto Egito), cuja capital fora Hieracômpolis, em egípcio Nekhen. No qual a hegemonia sobre as forças de trabalho era detidas, notadamente, por corporações ligadas à extração e beneficiamento de minério.
Por volta de 3200 ou 3400 a.C., o Grande Mercado egípcio Lamec (o primeiro Lamec: Gn 4, 18-24) instrumentalizou as vigorosas elites no poder da região Sul (Alto Egito), para gerenciar a unificação deste Grande Mercado. Desse modo, institucionalizou-se a I Dinastia egípcia, que foi simbolizada, na teoria genealógica registrada, metaforicamente, no “livro da família de Adão” (Gn 5, 1-a), no signo Set. Neste sentido, Lévêque esclarece:[5]
“A vitória do Sul sobre o Norte – É difícil determinar a data que as culturas amratiense e gerzeense acabaram por amalgamar-se para dar origem à cultura egípcia do fim do Pré-dinástico recente (por volta de 3400?). Não é mais fácil saber quando se acabou a luta entre o Sul e o Norte. A vitória do Sul só é reconhecida através de alguns monumentos impossíveis de datar com precisão. Remontam sem dúvida aos derradeiros anos que precederam o estabelecimento da primeira dinastia dita tinita. É por isso que este último fim do Pré-dinástico é também denominado época pré-tinita. Os monumentos que descrevem a conquista do Norte pelo Sul São paletas e clavas votivas encontradas no templo primitivo de Hieracômpolis, em egípcio Nekhen, conhecidos pelos textos como o lugar da origem das almas de Nekhen que são os reis do Sul divinizado, sendo os do Norte chamados de almas de Pê (Buto)”
A teoria da genealogia de Adão consiste num processo relativo ao Grande Mercado, o qual apresenta duas longas fases.
A primeira fase do processo consiste no processo de expansão e complexidade do Grande Mercado, cujo inicio é representado no signo “Adão” (o segundo Adão: cf. Gn 4, 25). Essa primeira fase se estende até a etapa representada no signo “Lamec” (o segundo Lamec: cf. Gn 5, 28). Este segundo Lamec representa o Grande Mercado Global pré-diluviano, que se expandiu até ao determinado limite.
A segunda fase do Grande Mercado consiste no seu processo de depressão. Ela inicia quando o Grande Mercado Global Lamec chega ao seu limite de expansão. O inicio desse processo de depressão é representado no signo “Noé” (Cf. Gn 5, 29-31), “filho” de Lamec. O processo de depressão Noé do Grande Mercado Global Lamec gera, ao se agravar, o início da fragmentação tripartite (cf. Gn 5, 32) deste Grande Mercado. O processo de regressão Noé se estende e se encerra ao término da cristalização definitiva da fragmentação tripartite do Grande Mercado Global Lamec. Essa fragmentação é representada nos três filhos de Noé (processo de depressão): Sem, Cam e Jafet.
Na era pré-diluviana, cerca de cem ou 16o anos após o início da fragmentação tripartite, o processo de esfacelamento diluviano também teve início, e durou quarenta anos:
“Com a idade de quinhentos anos, Noé gerou Sem, Cam e Jafet (Gn 5, 32). No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, romperam-se naquele dia todas as fontes do grande abismo, e abriram-se as barreiras dos céus. A chuva caiu sobre a terra durante quarenta anos (Gn 7, 11-12).
Este início coincidiu, aproximadamente, com a “morte” do Grande Mercado Global Lamec.
A teoria da genealogia de Adão encontra-se inserida num sistema teórico mais amplo e complexo: a Teoria da História registrada no livro Gênese (Gn 1-10). A Teoria da História concebe a sócio-história, como sendo um processo, por um aspecto, de natureza cíclica, e por outro, que se expande e se complexa. O universo está em expansão, o que pressupõe um ponto de partida. Por analogia a esse modelo de pressuposição, o Grande Mercado teve, também, o seu ponto de partida. Este ponto de partida “ocorreu” no Antigo Egito, conforme demonstraremos no decorrer da exposição do presente texto. Pois, o processo de expansão do Grande Mercado perpassou tanto a era pré-diluviana (apesar de sua fase Noé de depressão) como vem perpassando a era pós-diluviana, apesar de havermos adentrado, nas décadas 70-80 do século passado, na fase Noé de regressão desta era.
Tudo indica que após a atual era pós-diluviana, o grande mercado prossiga a sina expansiva. Mas, sempre de modo cíclico, porém com mais controle dos indivíduos sobre ele, em razão do condicionamento exercido basicamente pelo Criador, conforme o Mestre revelou ao João, o discípulo que ele ama: (Ap 21, 5) “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço nova todas as coisas. E disse-me: escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis”.
Na forma de “linha do tempo”, empregaremos o modelo de tabela, para acompanharmos a ordem cronológica da teoria ou livro da família de Adão.
[1]. Machado, F. A. Teoria da História – Do grande mercado global pré-diluviano ao grande mercado global contemporâneo: http://tribodossantos.com.br/pdf/Teoria%20da%20Hist%C3%B3ria%20-%20introdu%C3%A7%C3%A3o.pdf
[2] Cf. Art. 3: HISTÓRIA EM TEMPO MUITO LONGO e a “Tribo dos Santos – O nascimento de Noé e a parousia na genealogia de Adão” (Art. 3, Intr., p. 18-22):
http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/01/historia-em-tempo-muito-longo-e-tribo.html;
Cf. Art. 4: Formação do grande mercado global e a natureza da “Teoria da História” (resumo dos caps. I e II): (Art. 4, Intr. p. 22-31):
http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/01/formacao-do-grande-mercado-global-e.html
[3] Cf. ART. 5: Resumo do cap. III do livro Teoria da História: teoria da genealogia de Adão (Art. 5, Intr., p. 31-38):
http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/resumo-do-cap-iii-do-livro-teoria-da.html
[4] Machado, F. A. Teoria da História – Do grande mercado global pré-diluviano ao grande mercado global contemporâneo, p. 93. Cf. ART. 26: O mercado macro-regional bipolar (Lamec e Ada versus Lamec e Sela) (Art. 26, 2.7.1.;2.7.2.;2.7.3., p. 184-192): http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/04/o-mercado-macro-regional-bipolar-lamec.html
[5] Lévêque, Pierre. As primeira civilizações. Volume I – Os impérios do bronze, Edições 70, lda., Lisboa, 1987, p. 103.